31 maio, 2009

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caetano velosocaetano_velosoveio um garoto do arraial do cabo, belo como um serafim. forte e feliz feito um deus, feito um diabo - veio dizendo que sim.

Samba da Benção - Bebel Gilberto (clica aqui)

Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração

Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não

Para os amigos

De entre todos, apenas vós 
tendes direito a ver-me 
fracassar. Onde caio 
entre a vossa irónica 
doçura implacável, convosco 
partilho o pão e o espaço 
e a rapidez dos olhos 
sobre o que fica (sempre) 
para dar ou dizer. 
E de vós me levanto 
e vos levo pesando 
e ardendo até onde 
me ajudais a ser 
melhor ou talvez 
menos só. 

(Vítor Matos e Sá)

não fosse o joaquim...


pois é. quando o joaquim viaja comigo as coisas nem sempre correm bem . fomos à vila morena. e para lá correu tudo bem. estávamos ambos de acordo quanto ao itinerário. e tive sorte pois quase não havia trânsito. porreiro pá porreiro. fomos à festa de aniversário do menino que um dia quis ser deus. agora fez 7 anos já sabe ler e escrever. cantar representar. encantar. mas já se sabe nas festas de aniversário conhece-se sempre alguém. para já a minha menina mais nova que está à espera de bebé que preferia ser menina mas sonhou se menino. tem um barrigão maior que ela. mas está linda e encantada da vida. é capaz de ser mesmo um manuel. é capaz. pela primeira vez achei-a de bem consigo mesma. e fiquei muito feliz. muito. mas quem eu conheci mesmo foi para além do bruno claro o afonso. tem 6 anos não anda ainda na escola mas é o melhor aluno. com os seus óculos parece um intelectual. parece também preferir a companhia dos adultos à das crianças. por mais que eu lhe perguntasse se gostava de meninas ele só me falava do cristiano ronaldo. quando lhe perguntei então não gostas de mais ninguém respondeu o nuno gomes e por aí fora. coisas de menino. enquanto isso na sala ao lado as crianças preparavam uma peça de sombras. depois o menino que quer ser deus representou uma peça que tinha preparado na escola. com sombras claro. e foi assim que se cantaram os parabéns. o aniversariante agradeceu os parabéns com outra cantiga nós cantámos de novo ele agradeceu de novo e se não puséssemos um ponto final no assunto ainda agora lá estávamos a cantar. e afinal todos fizemos uma quantidade de quilómetros para estar com ele hoje. é a família. aquela que escolhi. porque há gente que se diz da minha família mas não é. não acreditem pois em toda a gente. na volta eu e o joaquim viemos o tempo todo a discutir o itinerário. ele a mandar-me para a direita e eu a ir para a esquerda. mas já estou acostumada. sempre que passo a vasco da gama em direcção a sul a coisa corre bem. na volta é que a porca torce o rabo. mas mais uma vez teve que se aguentar à bronca. afinal era eu quem estava ao volante. um dia quase perfeito. não fosse o joaquim...

30 maio, 2009

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chico buarquechico_buarque"Quando amo; Eu devoro; Todo o meu coração; Eu odeio; Eu adoro; Numa mesma oração"

Espalhem a Notícia - Sérgio Godinho (clica aqui)

Depois de entre os escombros 
ergueram-se dois ombros 
num murmúrio 
e o sol, como é costume, foi um augúrio 
de bonança 
sãos e salvos, felizmente 
e como o riso vem ao ventre 
assim veio de repente 
uma criança 

Os erros


A confusão a fraude os erros cometidos 
A transparência perdida — o grito 
Que não conseguiu atravessar o opaco 
O limiar e o linear perdidos 

Deverá tudo passar a ser passado 
Como projecto falhado e abandonado 
Como papel que se atira ao cesto 
Como abismo fracasso não esperança 
Ou poderemos enfrentar e superar 
Recomeçar a partir da página em branco 
Como escrita de poema obstinado? 

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

as arruaças


apesar do calor mais de 50000 professores voltaram a manifestar-se em Lisboa. o josé continua a tapar o sol com a peneira. os professores não estão ali por vontade própria.  não fosse o pcp ir buscá-los a casa e trazê-los sob ameaça de armas com certeza teriam ido para a praia ou para as piscinas das suas terras. os professores são mais uma das classes profissionais muito felizes deste país. e se não fossem uns cagarolas que se borram com medo dos comunistas não decidiam suportar um dia calor e manifestarem-se. mas afinal pá será tu não percebes que já ninguém acredita nessas tretas? tu não percebes que já há muitos anos que todos sabemos que afinal os comunistas preferem flocos ao pequenos almoço às criancinhas? será que tu não vês homem que esse caminho não te leva a lado nenhum? tu não vês que estás a dar espaço de manobra toda a oposição? palavra de honra pá. eu não te gramo mas sempre pensei que eras um pouco mais inteligente... ou estás tão desesperado com a subida da esquerda nas sondagens que já nem consegues pensar? e por falar em sondagens e em campanhas. os partidos estão a usar uma nova forma de fazer campanha. as arruadas. é o que lhes chamam. o termo fazia-me lembrar alguma coisa mas talvez pela idade avançada não conseguia lembrar-me de quê. hoje numa reportagem alguém lhe chamou arruaça. pronto. fez-se luz. e não é que eu acho que está muito mais bem apanhado o termo arruaça? afinal não é o que andam todos a fazer? tomara que isto acabe rapidamente.

29 maio, 2009

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Presidente LulaLuisInacioA coisa mais difícil para mim é digitar as letras Q, A e Z no teclado

Bu Rosto - Danae & Os Novos Crioulos (clica aqui)

Os meus livros


Os meus livros (que não sabem que existo) 
São uma parte de mim, como este rosto 
De têmporas e olhos já cinzentos 
Que em vão vou procurando nos espelhos 
E que percorro com a minha mão côncava. 
Não sem alguma lógica amargura 
Entendo que as palavras essenciais, 
As que me exprimem, estarão nessas folhas 
Que não sabem quem sou, não nas que escrevo. 
Mais vale assim. As vozes desses mortos 
Dir-me-ão para sempre. 

(Jorge Luis Borges)

só porque o tempo está quente


esta manhã enganei-me e quando dei comigo estava a na praia. numa das praias que frequento. a verdade é que nunca é a mesma. este ano por exemplo já fui várias vezes à praia e não repeti nenhuma. aqui há uns anos eu gostava de escolher uma praia por ano por exemplo. acontece que um dia me apareceu um sujeito que por acaso é professor e que por acaso é engenheiro e que por acaso é parvo. tão parvo que depois de ter pedido para se sentar ao meu lado e de me ter contado uma estória incrível sobre a sua vida em que tanto a ex mulher quanto o filho eram duas megeras me convidou assim sem mais nem menos para ir passar o fim de semana com ele à figueira da foz. pois então. aqui a rapariga até costuma sair com quem não conhece. e ainda gosta mais de sair com alguém que numa primeira conversa diz cobras e lagartos do filho a uma mulher que não conhece de lado nenhum. mais tarde verifiquei a identidade do senhor e no que diz respeito á profissão e local de trabalho estava tudo certo. quanto à loucura preferi não investigar mais nada. e assim comecei a mudar de praia quase todas as vezes que lá decido ir. hoje na mesma praia estava uma rapariga acompanhada por dois rapazes. estavam todos vestidos como se tivessem passado ali uma parte da noite. um deles estava muito mal disposto. com todo o ar de quem misturou drogas e álcool. uma senhora ofereceu ajuda mas foi recusada. de qualquer modo estava-se muito bem. até porque o trio não chateou ninguém. às tantas levantaram-se e foram para uma das esplanadas. e eu continuei a ouvir música. tomei um banho (o primeiro de praia este ano) e quando estava já a caminho do parque de estacionamento vejo chegar uma turma do jardim de infância. escusado será dizer que não consigo perceber a irresponsabilidade dos adultos que levam crianças à praia nas horas em que não se deve lá estar. o índice uv está alto. e não sei o que é que passa pela cabeça desta gente quando expõe crianças tão pequenas aos perigos do sol. que é muito nosso amigo... desde que usado como deve.

28 maio, 2009

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caetano velosocaetano_velosono coração da mata, gente quer prosseguir, quer durar, quer crescer, gente quer luzir.

Olhos nos Olhos - Chico Buarque (clica aqui)

Quando você me deixou, meu bem
Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois, como era de costume, obedeci

Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer
Olhos nos olhos
Quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais

A hora exacta


Imagens

que voltavam devagar,

se encostavam a ela sem pudor.

E no silêncio, a esfinge impenetrável,

sabendo-lhe de cor o coração:

desistente dos barcos,

depondo pelo chão de outros palácios

as armas mais preciosas.

“Não posso”, acrescentara

sentindo aproximar-se a hora

exacta.

(Ana Luisa Amaral)

a campanha


ainda vou ter que os ouvir mais uma semana e já estou cansada. esta campanha eleitoral está muito chata. pelo menos do que tenho ouvido quando calha e a verdade é que calha pouco porque como já estou cansada de ver de repente tanta gente tão preocupada com os outros mudo rapidamente de canal. mas muitas vezes como agora por exemplo que estou a escrever enquanto ouço rádio aqui mesmo pela net só ouço frases que já ouvi antes. também tem acontecido ouvir espaços que estavam reservados como tempo de antena para partidos que não os usam. mas afinal parece que andamos todos a brincar às escondidas. eu percebo que há partidos que se um dia existiram embora com uma dimensão muito pequena agora estão completamente esvaziados. mas então que sentido faz concorrerem a uma eleições se nem sequer aproveitam os meios postos ao seu alcance para divulgarem as suas ideias? e os outros aqueles que têm assento na assembleia repetem até à exaustão os mesmos clichés. e a quantidade de partidos e movimentos que aparecem agora? e os grandes o que fazem? a nelita acusa o josezito de não apoiar o vitalito. mas se o josezito aparecer mais ao lado do vitalito ela virá dizer que como primeiro ministro ele tem é que governar. eu até nem gosto nada de um nem de outro mas sempre me chateou esta gaita de ser preso por ter cão e ser preso por não ter. o paulinho lá segue a bom ritmo pelas feiras. para meu mal agora levo com a fronha dele em ponto grande em frente à minha varanda em Lisboa... e eu a pensar que o candidato era aquele pequeno que anda muitas vezes desgrenhado o nunito. afinal parece que já não é. ou sou eu que estou a baralhar as cartas e não me apetece falar do jerónimo que os lixa a todos com as manifestações nem do miguelito por quem tenho um certo fraquinho. confesso. afinal não tenho que ser isenta. eu até nem sou uma figura pública portanto... deixem-me tirar partido disso.

27 maio, 2009

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David Fonsecadavidfonseca30 graus? Isto hoje não está para góticos.

Please Me Like You Want To - Ben Harper & Jack Johnson (clica aqui)

believe me there is a difference
when you mean it
and when you pretend

or was I just your habit
cause I know a habit
is a hard thing to break

Sono


Dormir 
mas o sonho 
repassa 
duma insistente dor 
a lembrança 
da vida 
água outra vez bebida 
na pobreza da noite: 
e assim perdido 
o sono 
o olvido 
bates, coração, repetes 
sem querer 
o dia. 

(Carlos de Oliveira)

uma justiça injusta e lenta


já que se fala tanto de justiça ou melhor da falta dela decidi hoje falar aqui do meu caso pessoal. é que quem os ouve até fica com a impressão que agora é que a justiça é lenta. mentira. a justiça é lenta desde que me conheço. e não é apenas lenta. muitas vezes não é justiça. mas adiante. o que eu quero aqui é contar que quando me divorciei entrei em tribunal de menores com um acção sobre regulação do poder paternal. todos os anos pelo menos uma vez por ano eu era chamada a tribunal mas o pai dos meus filhos não se dignava aparecer. apesar de eu dizer tudo (que era muito pouco) o que sabia sobre o seu possível paradeiro o senhor não aparecia. um belo dia telefonaram-me para o meu emprego. a polícia judiciária estava no edifício onde moro à procura do meu ex-marido. há meses a porteira via aqueles dois homens por ali o dia inteiro. um dia tirou-se dos seus cuidados e perguntou-lhes se podia ajudá-los em alguma coisa. ainda não sabia que eram polícias. então mostraram-lhe um foto e perguntaram se conhecia aquela mulher. ela olhou a foto e disse não não conheço. quando mencionaram o meu nome ela disse logo sim senhora conheço muito bem e o que os senhores querem com ela?. explicaram-lhe que andavam à procura do meu ex marido e ela muito despachada respondeu tem graça que ela também. então os senhores estão aqui à procura do homem? mas que raio de trabalho é o que fazem? pois. dois homens pagos para me vigiarem e com uma foto tirada numa altura em que eu tinha perdido 20 quilos e em que estava tão irreconhecível que nem a "minha" porteira me reconhecia quanto mais dois sujeitos que jamais me tinham visto. ao fim de mais de 20 anos o meu ex- marido decidiu aparecer no tribunal. afinal de contas as crianças já eram todas maiores e não havia mais o que temer. hoje a coisa não está melhor. está na mesma. foi esta a justiça que eu consegui ao fim de 20 anos. um juiz a dizer-me que eu era uma mulher admirável que jamais tinha baixado os braços e a deitar abaixo ali mesmo o pai dos meus filhos. foi a única justiça que consegui. não serviu de nada. mas também ao fim de 20 anos eu já não esperava nada. por isso aquela palmadinha no meu ego me fez melhor do que qualquer sentença que pudesse ter sido proferida antes disso. é a justiça que não temos.

26 maio, 2009

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Daniel OliveiradanielolivaConfesso que já deixei cair uma lágrima com a triste história de Oliveira Costa, um homem bom e que acreditou na bondade dos outros.

Carteiro em Bicicleta - João Afonso (clica aqui)


Quando for grande vou ser 
quero ser um realejo 
colher amêndoa em telhados 
dar banana às andorinhas 
dobrar o cabo do mundo 
quero ser um realejo 

Certeza


Se é real a luz branca 
desta lâmpada, real 
a mão que escreve, são reais 
os olhos que olham o escrito? 

Duma palavra à outra 
o que digo desvanece-se. 
Sei que estou vivo 
entre dois parênteses. 

(Octavio Paz)

abjecções


é o país da falta de vergonha. não é novidade. mas sempre que acontece com figuras públicas parece-me sempre novidade. eu até tenho boa memória sobretudo para o que não presta. é por isso que não sei porque é que me surpreendo sempre. então vamos a alguns exemplos. talvez valha a pena começar por cima. os professores fizeram greve aos dois primeiros tempos das aulas. reacção do governo. não tem importância nenhuma não alterou o normal funcionamento das escolas. portanto tá-se bem. mas quando os sindicatos ameaçaram com greves em dias de exames nacionais balha-nos deuje e mais a nossa senhora do livramento e mais o santo expedito que tudo pode que os professores são uns irresponsáveis. pois. se não afectam o normal funcionamento não tem qualquer importância. se param o processo educativo são uns bandidos. no caso bpn não há culpados. ninguém sabia de nada. o banco insular foi até confundido com o bilhete de identidade... pois. via-se logo que o problema era o bilhete de identidade não é? para quê perguntar qual o problema com o referido documento? não servia de nada não é? por isso continuemos como conselheiro de estado pois sim senhor a que propósito é que havemos de largar assim um tachinho tão bom e tão gostoso que dá bom dinheiro e pouco trabalho. fora o prestígio. a justiça entrega a uma mãe com ordem de expulsão do país uma criança que lhe fora retirada por negligência grave. sabe-se que a mãe continua a maltratar a criança. mas o que está em causa para o juíz não me parece que seja o bem estar da criança mas o "direito" da mãe biológica. como se uma criança fosse um objecto. abjecto. é tudo isto.

25 maio, 2009

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David FonsecadavidfonsecaI'm leaving Monday, it's better than Sunday. I'm feeling younger, it's better than wiser

When The Saints Go Marching In - Louis Armstrong (clica aqui)

Oh when they gather round the throne,
Oh when they gather round the throne,
Oh Lord I want to be in that number
When they gather round the throne.

A palavra mágica


Certa palavra dorme na sombra 
de um livro raro. 
Como desencantá-la? 
É a senha da vida 
a senha do mundo. 
Vou procurá-la. 

Vou procurá-la a vida inteira 
no mundo todo. 
Se tarda o encontro, se não a encontro, 
não desanimo, 
procuro sempre. 

Procuro sempre, e minha procura 
ficará sendo 
minha palavra. 

(Carlos Drummond de Andrade)

insuportável mas...


de vez em quando lembro-me de parar e olhar para o espelho. olhar mesmo. com olhos de ver. não aquele ar que tenho de manhã cedo em que me penteio com os dedos à pressa para iniciar mais uma jornada. de vez em quando cada vez mais em quando paro realmente em frente ao espelho e vejo-me. como quem olha de fora para mim. com o meu olhar crítico analiso cada ruga que existe mais e sorrio. penso que o meu sorriso sempre será mais forte que qualquer ruga por mais profunda que seja. a idade vai chegando mas não é isso que eu procuro no meu rosto. o que eu procuro é olhar para dentro de mim. perguntar-me se sou feliz. perguntar-me como sou vista pelos outros. essa é a resposta mais fácil. insuportável acho que é o adjectivo mais usado para me qualificar. e está de acordo. eu sou mesmo insuportável. eu. aquela que está sempre contra. contra... sempre não. quando é preciso. a verdade é que não gosto de brigas. como dizem os brasileiros dou um boi para não entrar numa mas dou uma boiada para não sair. mas não engano ninguém. vou logo prevenindo toda a gente que se aproxima. vou logo dizendo com o que podem contar. se muitas vezes ouço respostas do tipo estás a exagerar penso para mim fia-te na virgem e não corras... mas quando me olho no espelho está tudo bem. gosto de mim porque aprendi a aceitar-me tal como sou. não faço fretes. sou de extremos. ou as pessoas não me dizem nada ou estão comigo de verdade. resumindo. eu sou insuportável é verdade. mas sou muito gostosa.

24 maio, 2009

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GabrielGarcíaMárquezElGabotodos lo vieron salir, y todos comprendieron que lo iban a matar, y estaba tan azorado que no encontraba el camino a casa

Retrato de Um Playboy - Gabriel o Pensador (clica aqui)

E por falar em pão que eu como todo dia, 
Me lembrei da empregada que se chama Maria 
Ela me dá comida, me dá roupa lavada, 
Mas quando eu estou presente ela é sempre humilhada 
Você precisa ver como eu trato a coitada, 
Eu a rebaixo, a esculacho, fico dando risada 
Porque eu sou playboy, filhinho de papai, 
me afundo nessa bosta até não poder
Sou playboy, filhinho de papai, 
                                                                      sou um débil-mental somos todos iguais

A poesia vai acabar


A poesia vai acabar, os poetas 
vão ser colocados em lugares mais úteis. 
Por exemplo, observadores de pássaros 
(enquanto os pássaros não 
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao 
entrar numa repartição pública. 
Um senhor míope atendia devagar 
ao balcão; eu perguntei: «Que fez algum 
poeta por este senhor?»    E a pergunta 
afligiu-me tanto por dentro e por 
fora da cabeça que tive que voltar a ler 
toda a poesia desde o princípio do mundo. 
Uma pergunta numa cabeça. 
— Como uma coroa de espinhos: 
estão todos a ver onde o autor quer chegar? — 

(Manuel António Pina)

acabe-se com a violência do poder


afinal não se sabe quantas Guantanamo existem por esse mundo fora. Guantanamo não. porque dessa sabemos nós. e também sabemos quem lá está e onde fica e que Obama quer encerrá-la (espero que a devolva ao povo cubano a quem pertence de direito). 1391 é uma prisão fantasma em território israelita. parece que de momento não está activa mas já esteve. quem por lá passou não se sabe. será que alguém saiu de lá para contar com foi? o principal responsável da segurança israelita garante que o único método de tortura usado em Israel é do sono. mas manter presas pessoas em celas sem ar água ou sequer luz e ainda por cima submetê-las à tortura do sono não é suficiente? ou agora a tortura do sono já não é tortura? a questão que se põe agora quantas destas prisões existirão em Israel? e no resto do mundo? afinal que mundo é este em que vivemos? porque estamos mais preocupados com a cor da pele de Obama do que com as suas ideias? porque não forçamos as autoridades de todo o mundo a acabar com estes centros de tortura? quem dá a quem quer que seja o direito de decidir se alguém é culpado e exercer tortura para o fazer confessar? como se pode admitir que alguém sob tortura fale verdade? a resistência física é uma coisa que nasce com cada um de nós e todos temos os nossos limites. se eu confessar sob tortura que planeei o ataque às torres gémeas atiram-me para Guantanamo? se eu confessar que planeei um atentado que destruirá amanhã a torre eiffel onde me metem? será que nos países europeus ocidentais existem prisões 1391? espero sinceramente que não. mas afinal os americanos também são tão civilizados não são? e os israelitas? e os chineses? somos todos tão civilizados... esperemos que não se encontrem por esses mundo fora outras 1391. ou começo a pensar que afinal o meu país é o melhor do mundo. porque aqui garanto que não há 1391. há uns senhores da PJ e não só que também gostam de bater em suspeitos mas pelo menos ainda são de vez em quando levados a tribunal. esperemos que possam vir a ser identificados e castigados. esperemos que o sejam todos. que quem é sujeito a práticas deste tipo não se amedronte e apresente queixa. é o que é preciso. é o que espero que aconteça. cada vez mais. para que se acabe com a violência do poder.

23 maio, 2009

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David Fonsecadavidfonseca"Twitter? Isso é uma discoteca, não é?" Conversas de sábado à noite com os cyber-excluídos.

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David FonsecadavidfonsecaÉ oficial. A Primavera está deprimida

Peixes pássaros pessoas - Mariana Aydar (clica aqui)

Nós morremos como peixes
O amor que não vivemos
Satisfeitos mais ou menos
Todas as iscas que mordemos
Os anzóis atravessados
nossos gritos abafados …

À minha mulher


Eu estava morto e vivo agora 
Tu pegaste-me na mão 

Eu morri cegamente 
Tu pegaste-me na mão 

Tu viste-me morrer 
E encontraste-me a vida 

Tu foste a minha vida 
Quando eu morri 

Tu és a minha vida 
E assim eu vivo 

(Harold Pinter)

um dia útil


já tinha saudades de passar um dia sem pôr o nariz fora de casa. é verdade. a muita gente faz confusão este gozo que me dá gozar a minha casa. andar de um lado para o outro limpando e arrumando. curtir depois de tudo limpo um justo descanso. ah! e almoçar umas pataniscas com molho de tomate. aquelas coisas que raramente tenho oportunidade de fazer. hoje também devia ter saído eu sei. tinha coisas para fazer na rua mas deixei que a minha vontade se impusesse à obrigação. basta de compromissos. já basta a semana inteira. e também sentir o sabor de um fim de semana inteiro. já tinha saudades de ficar assim e fazer tudo com tempo. e fui ouvindo o senhor Zapatero e o José lá por bandas de Valência a fazer comício para as eleições europeias. o José a espanholar e Zapatero a não se dar ao trabalho e a falar em castelhano em Coimbra. é assim mesmo. cada um fala o que sabe. e se o que sabe é sobretudo a sua língua materna tá-se bem. afinal não somos assim cidadãos tão globais como o senhor do Vaticano. e sabes José. tu até podes desenrascar-te em castelhano mas a pronúncia só me faz lembrar que estás mesmo a falar espanholês. melhor não fazer figuras tristes. olha que os espanhóis entendem-te em português tal como nós os entendemos em espanhol. a prova disso é qie eu e a minha amiga Pilar nos comunicamos cada uma na sua língua e não nos enganamos. e também não fazemos figuras tristes. pois foi assim. o mar vi-o da minha janela. é por isso que nem sempre tenho que sair. porque o que me empurra para a rua pode ser visto daqui. da minha janela. no meu tempo que é quando.

22 maio, 2009

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Presidente LulaLuisInacioAinda to aqui na Turquia e ainda não achei nenhum Habbib's! Continuo procurando

Shape of my heart - Sting (clica aqui)

He deals the cards as a meditation
And those he plays never suspect
He doesn't play for the money he wins
He don't play for respect
He deals the cards to find the answer
The sacred geometry of chance
The hidden law of a probable outcome
The numbers lead a dance


Lego

Está tudo conformado

Ao triste proprietário.

Mecânicas ovelhas,

na erva de plástico,

têm pastor de pilhas

e cão pré-fabricado.

Flores marginam esse

Às peças-soltas prado.

Elétricas abelhas,

obreiras sem contrato,

daquele herbário extraem

um mel supermercado.

A malhada, no estábulo,

Quase manga de alpaca

(é A VACA, sabias?),

dá leite engarrafado.

No céu (para colorir)

A nuvem, pontual,

Aguarda a vez de ser

Chovida no nabal,

enquanto o Sol dardeja

na eira proverbial.

Já tudo afeiçoado

Ao bom do proprietário

(ervas, bichos, moral),

Ele conta com os seus

e espera sempre em Deus.

(“—Deste corda ao pardal?”)


(Alexandre O'Neill)

essa é que é essa


enquanto conduzo ouço a notícia. os clientes do BPP não podem mexer no seu dinheiro mas têm que pagar pontualmente os seus empréstimos. o Banco de Portugal manda. e manda quem pode obedece quem deve. não é que a coisa me esteja a incomodar pessoalmente. na verdade até surgirem as notícias sobre a falência do dito banco nem sabia da sua existência. nem me passava pela cabeça que houvesse um Banco só para gerir fortunas... só que depois alguém veio dizer que afinal não é bem assim. muitas das pessoas que têm contas no BPP não têm fortunas. não são sequer ricas. têm empréstimos. eu bem sei que é mais fácil um rico contrair um empréstimo do que um pobre. mas de qualquer forma seja quem for que tenha o seu dinheiro congelado não me parece que seja moralmente aceitável que continue a encher os cofres do Banco. cofres que afinal não têm fundo. deve ser por isso que o dinheiro desaparece. mas afinal o que é que eu estou para aqui a dizer? não tenho fortuna senão a da saúde que me permite trabalhar e a de ter trabalho o que não é pouca coisa nos dias que correm. mas de dinheiro a sério o que é que eu sei? nada. zero. e o que quero aprender sobre dinheiro? nada. zero. estou mais interessada na forma como é possível mudar mentalidades a partir desta crise. que tenha resultados positivos é o que eu espero. e a propósito. como estou sempre à espera que à custa da crise o ambiente melhore tenho que dizer aqui que passadas quatro semanas de dias úteis a Sport Zone conseguiu finalmente entregar-me a bicicleta que lá tinha deixado para uma revisão. nunca estive tanto tempo sem carro para uma revisão. nem pouco mais ou menos. se fosse uma oficina pública (na hipótese idiota de existirem claro) seria um aqui d'el rei os funcionários públicos são una calões. como se trata da "coisa privada" pois está tudo bem. temos pouco pessoal. e a malta a engrossar as filas do desemprego. essa é que é essa.

21 maio, 2009

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Ondjakiondjakide que lado do teu olhar / sob que secreto prisma em tuas palavras / de que lado, no teu sentir / se encontra a verdade? / (...)

Debaixo d'água _ Agora - Maria Bethânia(clica aqui)

Agora meu avô já vive
Agora meu filho nasceu
Agora o filho que não tive
Agora a criança sou eu
Agora sinto um gosto doce
Agora vejo a cor azul
Agora a mão de quem me trouxe
Agora é só meu corpo nu
Agora eu nasco lá de fora
Agora minha mãe é o ar
Agora eu vivo na barriga
Agora eu brigo pra voltar

Matinal


Um dia como qualquer outro.
Um homem como qualquer outro,
silencioso criado de si mesmo,
às 7 da manhã vai comprar leite
e jornal.
Quem suspeita, na esplanada do Castelo,
do seu castelo interior?
Com ativa humildade
traz a garrafa branca e o diário.

(Manuel Bandeira)

3 anos


nasci há 3 anos. chamo-me Meu Tempo e o meu apelido é Quando. sou uma produção independente de uma gaja que não tinha mais nada que fazer e resolveu começar a brincar por aqui. e não começou mal. mas depois começou a desatinar. foi. acho que o problema dela foi ter deixado de fumar. desatinou. mesmo. de vez. de repente e quando tudo parecia correr tão bem desatou a ignorar as vírgulas e as maiúsculas. pois então. eu bem tentei que ela atinasse. disse-lhe que as pessoas não iam perceber nada do que dizia. mas ela respondeu que não fazia mal. que começavam a perceber-se a si mesmas. juro que não sei o que ela quer dizer com isto mas assim que lhe falo em repor as vírgulas fica mal disposta. diz que cada vírgula é com um soutien. só serve para a deixar aperreada. e agora digam-me como é que um pobre Tempo que nem sequer se pode chamar de seu uma vez que é Meu pode fazer... nestes 3 anos passou por aqui muita gente. até passaram por aqui dois senhores que também escreveram. um foi-se embora porque resolveu às tantas escrever demais. o outro porque escreveu de menos. e julgam que ela se rala? qual quê? é como se não fosse nada com ela. é verdade que ela me criou para se distrair e não para dar pão a malucos. é uma maneira de dizer. é que isto de conviver com gente que não tem os sete alqueires bem medidos acaba por contagiar... de qualquer modo como não sou tão desastrado como ela agradeço a todos quantos por aqui passam. agradeço a todos os que de uma forma ou outra têm colaborado no meu crescimento. agradeço sobretudo àqueles que resolveram seguir-me. porque gosto tanto deles como eles gostam de mim. são assim como padrinhos. para me ajudarem a aceitar as maluqueiras que passam na cabeça desta gaja que me criou.
com amor
O Meu Tempo é Quando.

20 maio, 2009

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David FonsecadavidfonsecaOntem sonhei que estava a conduzir na cidade quando rebentou um maremoto. Lembro-me de ver uma cobra gigante num muro. Que significa isto?