31 julho, 2009

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chico buarque
chico_buarque"Nós, gatos, já nascemos pobres; Porém, já nascemos livres; Senhor, senhora ou senhorio; Felino, não reconhecerás"

Justo Agora - Adriana Calcanhoto (clica aqui)

Eu ouvi você
me dizer que sim
mas era silêncio o que se ouvia
quando dei por mim

Agora
Logo agora
Justo agora

Mar

Na melancolia de teus olhos

Eu sinto a noite se inclinar

E ouço as cantigas antigas

Do mar.


Nos frios espaços de teus braços

Eu me perco em carícias de água

E durmo escutando em vão

O silêncio.


E anseio em teu misterioso seio

Na atonia das ondas redondas

Náufrago entregue ao fluxo forte

Da morte.

(Vinicius de Moraes)

ser escritor sem saber escrever


há livros que nos ficam para sempre ligados a memórias. este de que falo é um livro de memórias. de Gabriel Garcia Marquez ou Gabu como prefiro chamar-lhe. estava a ler o livro pela primeira vez quando fiz uma viagem através da jangada de pedra e de cada vez que olho para o livro lembro-me da maravilhosa cidade de Granada. um dos sítios onde o li num quarto de hotel varando madrugadas. decidi levá-lo comigo desta vez. porque não repetir a companhia que se revelou tão boa através da jangada de pedra. ou da balsa de piedra. como quiserem. a verdade é que este "viver para contá-la" é um documento tão extenso e tão importante que julgo ter sido muito útil voltar a pegar-lhe. porque de muitas notas já não me recordava. uma das que me deixou maior marca é a confissão de Gabito de que dá erros ortográficos. o que prova que para ser um bom escritor não é necessário saber escrever no sentido literal da palavra. e por analogia e também porque estamos na época das "voltas" lembrei-me de Joaquim Agostinho que tantos prémios de ciclismo ganhou sem saber andar de bicicleta. foi talvez por isso que morreu tão cedo. ele caía muitas vezes. não sei se ouvi esta afirmação da boca do próprio ou de alguém como o meu pai que era um profundo admirador de Joaquim. sei que foi uma frase que me ficou na memória. ficamos pois neste pé. há coisas que não é necessário saber para se ser um bom profissional. há dias ouvia alguém falar de um grande jornalista que apenas tinha terminado a quarta classe. se calhar hoje enfiavam-no nas novas oportunidades... nem por isso teria sido melhor jornalista. disso tenho a certeza.

30 julho, 2009

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chico buarque
chico_buarque"E se, de repente; A gente não sentisse; A dor que a gente finge"

Beira Mar - Maria Bethânia (clica aqui)

Um mar de sim e de não
Dentro do mar tem rio
É calmaria e trovão
Dentro de mim tem o quê?

Dentro da dor a canção
Dentro do guerreiro flor
Dama de espada na mão
Dentro de mim tem você



O Silêncio


Quando a ternura parece
já do seu ofício fatigada

e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,

quando azuis irrompem
os teus olhos

e procuram
nos meus navegação segura,

é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,
pelo silêncio fascinadas
(Eugénio de Andrade)

mais ou menos um segundo apontamento


pois não há dúvida. ainda estou de férias. e um bocadinho sem saber em que lado da jangada de pedra me encontro. e porque estou de férias comecei o dia com a utilidade que dou a todos os dias de férias. fui à praia. cedo. não consegui encontrar um lugar para estacionar na praia onde queria ir. pois bem. até parecia o joaquim. toca a fazer inversão de marcha. e vou à praia possível. muito estacionamento. à vontade do freguês. o arrumador não teve sorte. quando apareceu já eu tinha aparcado. paciência. nem sempre o dia rende o que devia. escolho um lugar para mim. e lembro-me da praia no outro lado da jangada de pedra. cerca de 3 quilómetros de areal e toda a gente quer ficar a um passo do mar. nem que para isso tenha que estar em cima do vizinho do lado ou a ser constantemente incomodado por quem passa em direcção ao mar. deitada de barriga para o ar ouvindo música subitamente percebo porque o fazem. afinal logo de manhã está mais calor do que estará por aqui à hora de mais calor. para além disso como o mediterrâneo é quente por mais que se nade ou simplesmente se vá dar um mergulho em cinco minutos o calor está de volta. hoje dei um mergulho na água fria do atlântico e bastou. apesar de tudo é claro que a minha táctica do lado de lá da jangada foi deixar-me ficar um bom bocado para trás no areal. assim em vez de ser incomodada era eu quem incomodava de cada vez que passava em direcção ao mar.

29 julho, 2009

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chico buarque
chico_buarque"Ele me comia com aqueles olhos de comer fotografia"

Terra - Caetano Veloso (clica aqui)

Quando eu me encontrava preso
Nas celas de uma cadeia
Foi que eu vi pela primeira vez
As tais fotografias
Em que apareces inteira
Porém lá não estavas nua
E sim coberta de nuvens
Terra, terra

O cúmplice


Crucificam-me e eu tenho de ser a cruz e os pregos.
Estendem-me a taça e eu tenho de ser a cicuta.
Enganam-me e eu tenho de ser a mentira.
Incendeiam-me e eu tenho de ser o inferno.
Tenho de louvar e de agradecer cada instante do tempo.
O meu alimento é todas as coisas.
O peso exacto do universo, a humilhação, o júbilo.
Tenho de justificar o que me fere.
Não importa a minha felicidade ou infelicidade.
Sou o poeta.

(Jorge Luis Borges)

primeiro apontamento de uma longa jornada


Núria tem 83 anos é baixa e magra. usa o cabelo completamente branco muito curto e tem uma dentadura postiça igualmente reluzente de brancura. faz-se acompanhar do seu "perro". sai de casa pelas 4 da manhã e vai para a praia passear o "perro" que é igualmente branco de neve com um pelo comprido e liso. sem mais nem menos convidou a P e a mim para conhecermos a sua casa. à medida que vai mostrando vai dizendo todas as obras que fez para ficar com a casa como queria. da sala fez um salão e do seu quarto uma suite. tem ainda um quarto aonde recebe os filhos quando a vão visitar e um quarto de trabalho onde se senta a escrever as suas memórias. vejo um resma de papel escrito com uma letra miúda e um computador. suponho portanto que passa as suas memórias a limpo para o computador. a filha que vive em Granada veio visitá-la e diz que está muito feliz mas Núria não se cala. a filha diz que ela já está farta da sua visita. que se habituou a viver sozinha e por isso inventa às vezes umas maleitas para que os filhos a visitem mas tem mais saúde que toda a vizinhança junta. os seus olhos não têm mais de 20 anos. diz que faz parte de brigada que limpa a praia. que sabe que muita gente diz quando a vê de madrugada pela praia lá vai a velha louca e solta uma gargalhada do tamanho do mundo. exulta alegria. uma alegria que contagia. que deixa quem a rodeia feliz. foi uma das pessoas que conheci nesta jornada de mais de dois mil e quinhentos quilómetros. e também um dos motivos porque posso dizer. valeu a pena.

17 julho, 2009

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chico buarque
chico_buarque"Amavam o amor proibido pois hoje é sabido; Todo mundo conta que uma andava tonta; Grávida de lua e outra andava nua; Ávida de mar"

Só Neste País - Sérgio Godinho (clica aqui)

Sempre
Complicamos a coisa mais simples
E simplificamos a complicada
Sai em rajada o tiro pela culatra
Às vezes mata, às vezes ressureição
Foi de raspão

Conserto a palavra


Conserto a palavra com todos os sentidos em silêncio
Restauro-a
Dou-lhe um som para que ela fale por dentro
Ilumino-a

Ela é um candeeiro sobre a minha mesa
Reunida numa forma comparada à lâmpada
A um zumbido calado momentaneamente em exame

Ela não se come como as palavras inteiras
Mas devora-se a si mesma e restauro-a
A partir do vómito
Volto devagar a colocá-la na fome

Perco-a e recupero-a como o tempo da tristeza
Como um homem nadando para trás
E sou uma energia para ela

E ilumino-a

(Daniel Faria)

até ver


é tempo de férias já se sabe. por isso estarei ausente deste espaço. não sei por quanto tempo pois também não sei que acesso terei à net do outro lado da jangada de pedra. e depois quem está de férias não pode estar preso a horários. e estou pois a arrumar as últimas coisas para iniciar a viagem de madrugada. a ver se consigo levantar-me cedo. a ver. é que amanhã por esta hora quero estar do lado de lá da jangada de pedra. a mais de 1000 quilómetros. não é que a distância seja muito importante mas é muito bom poder partir sem data certa para voltar. é muito bom sentir este gostinho de liberdade quase absoluta. é bom poder afastar-me por uns tempos de um país em que se discriminam os homossexuais masculinos para doarem sangue. não entendo realmente porquê. afinal todos os dadores têm que fazer análises. qual será a probabilidade de um homossexual ser mais facilmente transmissor de doenças? parece-me perfeitamente ridículo. e depois se a questão é responder a um questionário (já o fiz há tantos anos... aqui entre nós os meus hábitos mudaram e nem me perguntam) pois cada um responde o que lhe der na gana. realmente o sérgio godinho tem razão. só neste país só neste país. e eu sei lá como é do outro lado da jangada de pedra... na verdade não sei. mas prefiro pensar que não será assim. prefiro pensar que o bom senso impere. e prefiro pensar que quando estiver de volta esta questão idiota esteja resolvida. pois o sangue é um bem demasiado precioso para se recusarem dadores só pela opção sexual. até ver.

16 julho, 2009

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caetano veloso
caetano_velosobonde da trilhos urbanos, vão passando os anos e eu não te perdi, meu trabalho é te traduzir.

Até Quando - Gabriel O Pensador (clica aqui)

Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente
Seu filho sem escola, seu velho tá sem dente
Você tenta ser contente, não vê que é revoltante
Você tá sem emprego e sua filha tá gestante
Você se faz de surdo, não vê que é absurdo
Você que é inocente foi preso em flagrante
É tudo flagrante
É tudo flagrante

Paisagem

Desejei-te pinheiro à beira-mar
para fixar o teu perfil exacto.

Desejei-te encerrada num retrato
para poder-te contemplar.

Desejei que tu fosses sombra e folhas
no limite sereno dessa praia.

E desejei: «Que nada me distraia
dos horizontes que tu olhas!»

Mas frágil e humano grão de areia
não me detive à tua sombra esguia.

(Insatisfeito, um corpo rodopia
na solidão que te rodeia.)

(David Mourão-Ferreira)

francamente


alberto joão andava muito calado. e eu pensei cá para mim pronto o homem finalmente amadureceu e percebeu que quando abre a boca ou entra mosca ou sai asneira. pois é. então não é que o meu estimadíssimo alberto joão pensa que mais de 20% da população que exerceu o seu direito de voto fazendo-o nos dois dos partidos mais à esquerda no parlamento devia era ser internado (isto para não dizer preso). assim que o meu estimadíssmo alberto joão conseguir ilegalizar o bloco de esquerda e o partido comunista português (por sinal a terceira e quarta forças respectivamente no parlamento português) vai com certeza exigir que os votantes nos respectivos partidos sejam perseguidos e presos como nos velhos tempos em que ele se sentava na assembleia nacional e dizia sim senhor ministro. depois veio o 25 de Abril e ele descobriu que podia finalmente dizer todas as alarvidades que lhe viessem à cabeça e que sempre haveria quem lhe achasse alguma piada. pois. o chato é que ele há gente chata como este texto e como eu que não acham assim tanta graça à maior parte das alarvidades que o senhor todo poderoso das ilhas da madeira e porto santo arrota de cada vez que abre a boca para um público com mais de dez pessoas. e sobretudo não acho graça nenhuma a quem mesmo que ao de leve ou em tom de brincadeira venha pôr em causa a liberdade conquistada pelo povo no 25 de Abril de 74. e seria bom que se lembrasse que o progresso que consegue nas suas ilhas também sai do bolso desses 20% de eleitores que pretende calar constitucionalmente. francamente alberto joão. francamente!

15 julho, 2009

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chico buarque
chico_buarque"Não me importa saber se é terrível demais; Quantas guerras terei que vencer por um pouco de paz"

Ponciana - Lura (clica aqui)

Ponciana, Ponciana, Poniana -Ka bu fla
Mo sta grávida di Chanate caboquer

Ponciana rapariga parcidinha
a mi-m criá-bu ku águ di nha boca
Avontadi bem trajade ku tudo mimo
Pa bem kasabu ku emigranti di Holanda


Escola


O que significa o rio,
a pedra, os lábios da terra
que murmuram, de manhã,
o acordar da respiração?

O que significa a medida
das margens, a cor que
desaparece das folhas no
lodo de um charco?

O dourado dos ramos na
estação seca, as gotas
de água na ponta dos
cabelos, os muros de hera?

A linha envolve os objectos
com a nitidez abstracta
dos dedos; traça o sentido
que a memória não guardou;

e um fio de versos e verbos
canta, no fundo do pátio,
no coro de arbustos que
o vento confunde com crianças.

A chave das coisas está
no equívoco da idade,
na sombria abóbada dos meses,
no rosto cego das nuvens.

(Nuno Júdice)

são todos porreiros pá


enquanto se aguarda a decisão do tribunal sobre a conduta de isaltino morais eu vou achando graça aos cartazes que fazem parte da sua campanha por oeiras. realmente o homem não mente senhores. o homem vota pela sua família e outras coisas do género. afinal é o que tem feito desde sempre. este tipo de figuras faz-me sempre lembrar uma senhora com quem trabalhei há bastantes anos e que era uma óptima senhora. muito do que sei de informática hoje devo-o ao facto de ela me disponibilizar tempo livre para eu me entreter com o anacrónico pc que então existia no serviço e que descobri não funcionava por falta de pilha. pois é. a senhora era uma chefe assim mesmo à maneira do josé quero dizer era porreira pá porreira. só que um dia resolveu dizer que os funcionários não tinha entregue as caixas de dinheiro do dia anterior. quando percebi o que se estava a passar pus tudo ao barulho. os meus colegas calados não queriam entrar na guerra diziam que não tinham provas em como tivessem entregue as caixas. eu respondi não preciso de provas tenho a minha consciência. afinal depois de cabeça fria arranjei mesmo as provas e a senhora no dia seguinte dizia que se tinha esquecido que afinal estava tudo certo e todos descansaram. e todos nos voltámos a dar bem. porém pouco tempo depois soubemos que a dita senhora que até era uma chefe porreira pá tinha feito um desfalque de milhares de contos. apesar disso nenhum de nós conseguia zangar-se com ela. porque ela era uma chefe bem porreira pá. é o que se passa com as pessoas como o isaltino morais a senhora de felgueiras o major etc. etc. são uns safados que às vezes até conseguem fazer as coisas bem feitas e escapar à justiça. de outras a coisa corre menos bem. mas o pessoal vota neles. afinal até dão emprego ao amigo do primo do cunhado do outro que estava desempregado há séculos e outras pequenas simpatias que calam fundo no coração dos portugueses...

14 julho, 2009

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Ondjaki
ondjaki"para minha surpresa", confessou o homem/a gorda tinha em qualidade o que aparentava em vastidão../que noite, rapazes, que noite!...

Charmed Life - Diana Krall (clica aqui)


You know I live a charmed, charmed life
I look out to my left and I look to my right
It’s simple but in front of me, in back of my,
It’s nothing more than ecstasy,
A charmed, charmed life.
You know we live a charmed, charmed life,
A little breath of magic and we roll the dice.
Now, my darling, I’m for you and you’re for me,
We are each other’s luxury,
A charmed, charmed life.

Soneto do amor total


Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, como grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo, de repente
Hei-de morrer de amar mais do que pude.

(Vinicius de Moraes)

o azar da asae


este é o país do diz que faz mas não faz mas também do já está feito. esta foi a actuação da asae. mesmo antes de se saber se podiam fazer já fizeram. não é que eu ache que tudo o que a asae tem feito está mal. antes pelo contrário. é evidente que o que não falta por aí são restaurantes cafés e outras entidades a servirem refeições ou simplesmente bebidas sem qualquer critério de higiene. mas que existiram exageros lá isso existiram. como por exemplo o proibir de embrulhar as castanhas assadas em papel de jornal ou de listas telefónicas. afinal de contas parece-me que a única coisa em contacto com o papel é a casca da castanha que ao que me conste não é para comer. e por aí fora com outros exageros. porque o mal destas coisas é mesmo o de se tender sempre para o exagero. e depois há as tradições que todos nós gostamos de ver continuadas. agora chega-se à conclusão que afinal a asae não pode tudo como tem feito parecer. na realidade parece-me um absurdo transformar a asae numa força policial. será que têm o direito de prender o homem das castanhas porque as embrulhou em papel das listas amarelas? será este um crime assim tão grave? será sequer isto um atentado à saúde pública? não me parece. realmente não me parece mesmo. e parece-me ainda menos que seja coerente com a finalidade fiscalizadorater-se transformado a asae em força policial. a ver vamos em que se fica. a ver vamos se realmente os prejudicados pedirão indemnizações e nesse caso como o estado descalçará mais esta bota.

13 julho, 2009

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Ondjaki
ondjakiO saco de conchas suportou todas as temperaturas do fogo/ elas, as conchas/só estalaram/ao toque da primeira lágrima...

Mentiras - Adriana Calcanhoto (clica aqui)

Nada ficou no lugar
Eu quero entregar suas mentiras
Eu vou invadir sua alma
Queria falar sua língua...

Eu vou publicar os seus segredos
Eu vou mergulhar sua guia
Eu vou derramar nos seus planos
O resto da minha alegria...

Diz toda a Verdade


Diz toda a Verdade mas di-la tendenciosamente -
O êxito está no Circuito
É demasiado brilhante para o nosso enfermo Prazer
A esplêndida surpresa da Verdade

Como o Relâmpago se torna mais fácil para as Crianças
Com uma amável explicação
A Verdade deve ofuscar gradualmente
Ou cada homem ficará cego -

(Emily Dickinson)

quem não merece confiança merece o quê?


a gente habitua-se a tudo. de tal maneira que quando alguém faz ou diz o que é certo nos sentimos como se estivessemos noutro planeta. isto vem a propósito do facto de nos termos habituado a que a culpa morra solteira. tornou-se tão vulgar ninguém ser responsável por erros sejam eles quais forem que de repente me pareceu que o médico espanhol responsável pelo hospital onde morreu hoje o bebé filho da primeira vítima espanhola de gripe A tinha acabado de chegar de um planeta chamado terra. quando o ouvi dizer que a culpa era de todo o hospital que ninguém poderia ser desculpabilizado e que a morte de rayan se tinha ficado a dever a erro humano nem queria acreditar que ainda existe gente que é capaz de dizer é verdade errei assumo em meu nome o erro. há uma semana assisti pessoalmente a uma cena perfeitamente inversa. alguém que errou e tendo sido apanhada em flagrante tentou diminuir a sua culpa atirando lama para cima de todos os que a rodeiam. um gesto perfeitamente inqualificavel que só serviu para agravar mais a culpa de quem o cometeu. mas felizmente hoje este médico que assume publicamente que houve erro humano mesmo antes de alguém ameaçar com um processo por negligência deixa-me mais tranquila e parece que faz renascer a minha fé nas pessoas. com certeza este é um exemplo a seguir. quem não se responsabiliza pelo que faz não merece a confiança de ninguém. e quem não nos merece confiança merece o quê?

12 julho, 2009

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Ondjaki
ondjakiDa lua era possivel ver/o nascimento do incêndio/no LargoDaMaianga/como se a cidade/enfim/pudesse sorrir

Fita Amarela - Orquestra Imperial (clica aqui)


Não tenho herdeiros, não possuo um só vintém
Eu vivi devendo a todos mas não paguei a ninguém
Meus inimigos que hoje falam mal de mim
Vão dizer que nunca viram uma pessoa tão boa assim.

A chuva nos cabelos


A chuva molhava os seus cabelos,
A chuva descia sobre os seus cabelos
Voluptuosamente.
A chuva chorava sobre os seus cabelos,
Macios,
A chuva penetrava nos seus cabelos,
Profundamente,
Até as raízes!


Ela era uma árvore,
Uma árvore molhada
E coberta de flores.


(Augusto Frederico Schmidt)

o zé é que sabe


ontem ouvi dizer que foram apesar de tudo providenciais as coberturas dadas à entrada de cristiano ronaldo no real madrid e do funeral de michael jackson. eu a pensar que qualquer uma tinha sido exagerada (e cá estou a julgar o que não vi como foi o caso do funeral de michael jackson). pois percebi que afinal até foi muito bom para conter o possível pânico do aumento de casos de gripe A em portugal. está bem visto pois então. a malta entretida com o que cristiano ronaldo vai ganhar se deve ou não arranjar uma namorada a sério daquelas à moda antiga que lhe ponha uma coleira e não um das modernas que dizem aqui tens a tua liberdade ou se michael jackson tinha relações menos próprias com crianças se era um bailarino surpreendente e cantor de sucesso ou se realmente é capaz de entrar no reino dos céus pela porta grande a dos milagreiros. discutiu-se até se afinal o caixão apresentado no dito funeral continha ou não o corpo do quase santo jackson. e enquanto se discutia tudo isto eu vi passar o zé constantemente em direcção à casa de banho. passava pela minha sala na volta e dizia com um ar muito feliz fui lavar as mãos. pois é zé. se todos lavássemos as mãos tantas vezes como tu a gripe fazia o que outras antes dela fizeram. dado o alarme pirava-se assim sem mais nem menos deixando defraudadas as esperanças de centenas de pessoas que se prepararam para a receber como deve ser.

11 julho, 2009

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chico buarque
chico_buarque"Quem pintou a bandeira brasileira que tinha tanto lápis de cor?"

It's Probably me - Sting & Eric Clapton (clica aqui)

You're not the easiest person I ever got to know
And it's hard for us both to let our feelings show
Some would say
I should let you go your way
You'll only make me cry
If there's one guy, just one guy
Who'd lay down his life for you and die
It's hard to say it
I hate to say it
But it's probably me

H


Sei que dez anos nos separam de pedras
e raízes nos ouvidos

e ver-te, ó menina do quarto vermelho,
era ver a tua bondade, o teu olhar terno
de Borboleta no Infinito

e toda essa sucessão de pontos vermelhos no espaço
em que tu eras uma estrela que caiu
e incendiou a terra

lá longe numa fonte cheia de fogos-fátuos.

(António Maria Lisboa)

sempre sempre naiárea


josé está "naiárea" pois então. até já responde a questões sobre uma das suas maiores dores de cabeça. o alegre manuel pois então. ma sempre sempre "naiárea". quatro anos depois a dicção de josé não melhorou nada. pode ser que a arrogância tenha melhorado um pouquinho depois do balde "daiágua fria" (como diria o próprio josé) das europeias. mas da dicção não tratou. acredito que por absoluta falta de tempo. a verdade é que para o bem ou para o mal lhe reconheço uma capacidade de trabalho muito grande e posso estar enganada mas os ministros não riscam nada por ali. é certo que fazem o trabalho administrativo melhor fora que o não fizessem mas as ideias aquelas luzes que nos têm ofuscado durante estes quatro intermináveis anos a que não conseguimos ver um fim essas surgem da cabecinha iluminada do josé. o homem não delega. é assim mesmo. quem quer vai quem não quer manda. mas lá que a dicção é bastante horrorosa lá isso é. a condizer com o perfil pois então. já se sabe ninguém é perfeito mas uns são menos perfeitos que outros daí o encanto do josé. já viram que quando tentou vestir a pele de cordeiro lhe saltaram em cima de todo o lado? pois claro a gente gosta dele assim mesmo bruto como as casas. é isso que ele é. e não lhe assenta nada bem o papel de menino bem comportado. afinal pertencemos à primeira geração saída do 25 de Abril e isso quer dizer alguma coisa. pois é josé. continua assim. respondendo ao que te perguntam. porque já vou dizendo que se a escolha é entre ti e a manuela venha o diabo e escolha. portanto josé aqui fica o conselho desta que como sabes só quer o teu bem. deixa-te estar sempre vísivel "naiárea".

10 julho, 2009

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caetano veloso
caetano_velosoMaria, não te iludas com pílulas ou outros métodos, tarde demais para tais providências. essa noite, Maria, essa noite ele gritou seu nome.

Amame como soy - Pablo Milanes e Gal Costa (clica aqui)

Ámame como soy,
Tómame sin temor,
Tócame con amor
Que voy a perder la calma
Bésame sin rencor,
Tráteme con dulzor,
Mírame por favor
Que quiero llegar a tu alma


Cromo


andamos pelo mundo
experimentando a morte
dos brancos cabelos das palavras
atravessamos a vida com o nome do medo
e o consolo dalgum vinho que nos sustém
a urgência de escrever
não se sabe para quem

o fogo a seiva das plantas eivada de astros
a vida policopiada e distribuída assim
através da língua... gratuitamente
o amargo sabor deste país contaminado
as manchas de tinta na boca ferida dos
tigres de papel

enquanto durmo à velocidade dos pipelines
esboço cromos para uma colecção de sonhos lunares
e ao acordar... a incoerente cidade odeia
quem deveria amar

o tempo escoa-se na música silente deste mar
ah meu amigo... como invejo essa tarde de fogo
em que apetecia morrer e voltar

(Al Berto)

enfim


ar de quem desafia o mundo é um pequeno grupo. dois rapazes e uma rapariga. a carruagem está quase vazia mas eles enchem-na. e não me agrada o modo como o fazem. porque se limitam a encher o espaço de palavrões. a rapariga decide ocupar o corredor de pernas abertas. levanto-me para sair e peço licença. ela afasta-se para eu passar. saio em direcção a outra estação. passados alguns minutos passam os três por mim numa correria desenfreada. penso comigo mesma que se estão a cansar à toa. afinal o comboio que querem apanhar só chega daí a 10 minutos. tempo de sobra para fazer o caminho com calma debaixo do sol abrasador e sem uma sombra a que me possa recolher. quando chego à plataforma o grupo lá está. procuro os lugares abrigados pela sombra e vejo uma rapariga a fazer o que me parecem movimentos de alguma arte marcial. os movimentos são bonitos e denunciam alguma doçura. sento-me e continuo a observá-la. percebo então que ela não está a fazer nada que se pareça com uma arte marcial. é uma coreografia que inclui pequenos passos de dança e erguer de braços com leveza. várias pessoas a olham mas ela parece não perceber. continua a sua coreografia até que o comboio chega. não entra na mesma carruagem que eu e eu estou impedida por motivos físicos de mudar para a carruagem em que entrou. não sei pois se continuou a ensaiar a sua coreografia. sentados à minha frente estão dois turistas. um deles é oriental e o outro nórdico. este tem uma câmara fotográfica e levanta-se para fotografar através da janela o cristo rei. eu saio na minha estação. estou de férias. enfim.