sabia que gostava de ti mas nunca imaginei que me doesse tanto saber que não voltarei a ver-te. arrependo-me tardiamente de não ter estado mais presente enquanto podia. a vida é assim... nestes momentos percebemos o quanto é inútil correr contra o tempo. perdemos sempre. não te reconheci a última vez que te vi. brincaste comigo por não te reconhecer sequer pela voz. vozeirão disseste-me. e de repente percebi que estava diante do marido da minha amiga de infância. aquela miúda que usava a minha janela para te ver. em mais de 40 anos vi-te muito pouco. a vida afastou-me e eu nada fiz para a contrariar. as lágrimas que neste momento correm pelo meu rosto não te trazem de volta à vida. mas vou guardar-te para sempre no meu coração. não sei se para sempre é muito ou muito pouco tempo. será apenas o tempo que ainda tiver para me lembrar de ti. hoje escrevo só para ti. adeus.
O Meu Tempo é Quando
Um blog do dia a dia, com muitas estórias, alguma poesia, música, fotografia, crítica, comentários... para desabafar, porque sem um grito ninguém segura o rojão!
11 fevereiro, 2020
15 setembro, 2019
quero pontes em vez muros
afastei-me uns meses das redes sociais. compreendi que me fazem mal. ontem resolvi dar uma vista de olhos numa delas e a tristeza assolou-me de novo. publicado por uma pessoa de quem gosto muito estava um vídeo supostamente de londres. tudo o que se vê no vídeo são pessoas de todas as raças e credos religiosos. o que sempre me encantou nesta cidade. o reino unido como a frança têm hoje economias fortes graças a estes migrantes. londres nunca mais será a mesma depois do brexit. o que será dos funcionários ingleses fardados a rigor que tanto me encantavam no meio daquela mistura multi racial? porque é que as pessoas são tão influenciadas por gente como salvini ou andré ventura? será que ninguém percebe que é essa gente que pode salvar uma europa velha e gasta? será que essas pessoas que procuram uma vida melhor são intrinsecamente más? será que enfrentam viagens que os podem levar à morte para assaltarem os europeus? é crime ter uma religião diferente? é crime ter uma cor diferente? é crime falar outra língua? crime é fechar as portas a esta gente. e não reconhecer o bem que toda esta gente tem feito a uma europa que se está a suicidar. enquanto houver quem insista em fechar fronteiras e construir muros em vez de pontes.
14 junho, 2019
fico contente com o fim das taxas moderadoras
15 fevereiro, 2019
o sns e os privados
há uns anos tive que fazer várias cirurgias na sequência de um acidente. comecei por ficar internada cinco semanas num hospital civil. durante três dessas semanas dei imenso trabalho à equipa de enfermagem. como eram poucos chegavam a estar todos juntos para me poderem tratar. miúdos impecáveis. após a primeira cirurgia continuaram a ter que cuidar de mim. o médico que me salvou a perna chegou a aparecer ao sábado à noite para ver os doentes que não tinha conseguido ver nas horas de trabalho. durante três meses fui vista em ambulatório pela equipa de enfermagem de ortopedia. o cirurgião que me tratou foi para barcelona melhorar os seus conhecimentos e eu fiquei um bocadinho entregue a mim mesma. fiz fisioterapia de segunda a sexta durante três anos e foi o fisioterapeuta que me aconselhou a procurar um ortopedista porque eu continuava com muitas dores. e foi este que me disse que procurasse o meu salvador. através da internet descobri que dava consultas numa clínica particular. voltei a ter consultas com ele e como ele operava num hospital particular com acordo com a adse combinámos que passaria a frequentar a dita clínica embora tivesse que fazer mais 100 km de cada vez que precisava de uma consulta. fui submetida a outras cirurgias nesta clínica. na mesa de cabeceira tinha uma bíblia da casa. explicava-se por escrito que a família dona do grupo é católica e por isso toma lá a bíblia para te entreteres. não tenho nada contra os católicos nem qualquer outra religião. somos seres pensantes e cada qual acredita (ou não) no que quer. mas ter a lata de ser dono de um grupo que vive da falta de saúde de cada um e receber os clientes desta maneira... balha-me deuje! ah! ao contrário do hospital civil aqui é comida era péssima!14 fevereiro, 2019
quem tem saudades de salazar
muita gente usa as redes sociais para emitir opiniões baseadas em factos. mas não é possível formar uma opinião sobre o que quer que seja sem pensar. ou então (é o mais provável) usam-nas apenas para tentar influenciar opiniões. isto vem a propósito de algo que circula no fb e onde se diz que o nível de pobreza hoje em portugal é o mesmo que no tempo de salazar. todos sabemos que infelizmente há imensa pobreza. então comparemos alguns factos: no tempo de salazar portugal não era apenas o rectângulo que é hoje e mais onze pequenas ilhas. a pobreza nesse tempo não era o que é hoje. os pobres de hoje têm muitas vezes carro e bons telemóveis. hoje a pobreza é sobretudo de espírito. sei de gente que vai de mercedes à paroquia buscar as refeições. são os novos ricos de ontem transformados em novos pobres. sei que a vida está difícil para a maioria de nós mas quem acha que no tempo de salazar é que era bom que se lembre que apenas as classe sociais favorecidas tinham direito à educação e à saúde. com todos os defeitos hoje temos um sistema nacional de saúde que não nos envergonha e que serve os mais desfavorecidos sem lhes cobrar nada da mesma maneira que serve os mais abonados cobrando taxas de valores ridículos. temos acesso à educação pública para todos. o ensino superior está cada vez mais ao alcance de quem tem vontade de estudar. como era no tempo de salazar? quem tem saudades? os pobres de hoje ou os ricos de ontem? 13 fevereiro, 2019
da solidão e das demencias
daqui fala o vosso cliente de s. tenho várias chamadas vossas e gostaria de saber o que querem. pergunto quem poderia ligar. pedi um domicílio para a minha mulher e não veio cá ninguém. pergunto se precisa de um domicílio de enfermagem. não sei bem sabe é que a minha cabeça já não é o que era. peço um instante e vou tentar saber o que se passa. não foi pedido nenhum domicílio de enfermagem. procuro então perceber se algum médico teria sido chamado e percebo que a senhora foi visitada pelo médico no dia anterior. informo o senhor que o médico esteve lá. do outro lado o senhor acha estranho que não lhe tenha sido comunicado pelo telefone de que o médico iria lá. se soubesse teria ficado em casa. digo-lhe que tentámos contactar e que não atendeu. e é então que o senhor me diz que realmente tinha lá estado um rapaz novo que auscultou a mulher.10 fevereiro, 2019
cobardia é calar
num país onde a violência doméstica mata todos os anos existem juízes que se referem às vitimas como se fossem culpadas. homens que deviam ser moralmente mais elevados que a maioria dos cidadãos portam-se como se vivessem na idade da pedra. homens (perdoem-me os homens de verdade) que se referem às mulheres como se elas fossem propriedade sua. como se não devessem ter vontade própria. como se fossem animais que apenas têm o direito de trabalhar e dizer que sim a todas as suas vontades. este é ainda um país onde a mulher é vista como um ser menor. onde os homens se sentem humilhados porque as suas mulheres são independentes e donas da sua própria vontade. um país onde a misoginia parece crescer em vez de desaparecer. encontro mais jovens misógino que homens mais velhos embora reconheça que os mais velhos não escapam. as mulheres não estão isentas de culpa quando acham que os maridos ou namorados lhes batem porque gostam delas. está na altura de as mulheres se darem mais valor. de não escolherem ficar com um homem por razões económicas. de não exporem os filhos a maus tratos. viver num t0 é melhor que viver num condomínio de luxo quando se trata de ganhar dignidade. por fim todos os que têm conhecimento e calam um crime de violência doméstica são coniventes. cobardia é calar. denuncie.
08 fevereiro, 2019
nunca perco tempo
01 fevereiro, 2019
sou só um animal de companhia

o lugar onde me sinto melhor é a minha casa. gosto de estar rodeada dos meus livros de ouvir as minhas músicas e sobretudo gosto muito da companhia dos meus gatos. sempre pensei que eles eram os meus animais de companhia mas hoje descobri que eu sou o animal de companhia deles. brigam para estar junto de mim. ficam à espera de uma aberta para me saltarem para o colo esperam que eu adormeça para se deitarem em cima de mim... enfim sou a sua companhia e a sua escrava. tenho que os manter limpos alimentados e saudáveis. se alguma destas coisas faltar protestam. chamam-me se a ração acabou se a casa de banho não está impecável se querem companhia... pois é. agora pergunto-me como é que sendo eu um espírito livre aceito esta escravidão. é simples. afinal não passo de um animal de companhia.28 janeiro, 2019
a indignação da procuradora
16 janeiro, 2019
estou tão aflita
15 janeiro, 2019

eram duas adolescentes nos anos 40. anos difíceis. anos de guerra. um dia decidiram que queriam ser enfermeiras. combinaram não contar nada aos pais. iam apresentar-se no hospital e pedir emprego. enfermagem parecia-lhes um verdadeiro paraíso. já se viam de farda e quepe. bem arranjadas graças a uma mãe que do quase nada fazia imenso dirigiram-se ao hospital de são josé em lisboa. à entrada o porteiro peguntou-lhes o que queriam. muito decididas lá explicaram que queriam ser enfermeiras. o homem sorriu e disse-lhes que duas meninas tão novas e tão bonitas deviam era voltar para casa porque enfermagem não era decididamente profissão que lhes servisse. as duas ainda tentaram argumentar. tratava-se de um sonho. queriam poder ajudar pessoas. o porteiro lá conseguiu que se fossem embora e que pensassem em casar e ter filhos que isso é que era serem felizes. e foi assim que ambas regressaram a casa sem contarem aos pais o que tinham ido fazer. acabaram os seus cursos comerciais e empregaram-se como secretárias. uma teve como patrão um importante advogado da praça lisboeta que lhe permitiu conviver com homens como aquilino ribeiro. parou de trabalhar quando casou. dedicou-se à família para o resto da vida e só muito tarde se arrependeu de ter deixado de trabalhar. a outra empregou-se num escritório de despachante oficial. acabou casada com o patrão que deixou a primeira mulher para viver com ela o resto da vida. esta nunca deixou de trabalhar. mais tarde foi funcionária do ministério dos negócios estrangeiros. às tantas pediu uma licença sem vencimento e foi para londres trabalhar. por lá viveu 30 anos. regressou a portugal depois da revolução dos cravos e aos negócios estrangeiros onde trabalhou até aos 70 anos. aos 90 ainda sonha com trabalho no seu delírio.
31 dezembro, 2018
com amor
o que define o amor não são palavras mas acções. por mais que sintamos um amor imenso ele não resistirá a discussões constantes. não é possível conviver com alguém que exige tudo sem dar nada em troca. não é possível ser feliz sem carinho. são precisos muitos beijos e abraços. fazer amor com amor e não apenas porque é preciso mostrar um fogo que não existe. inventar todos os dias para não cair na rotina e tornar rotina o que faz o outro feliz. para um relacionamento feliz o amor não basta. é necessária muita cumplicidade. pontos de vista semelhantes. gostos semelhantes. o amor só por si pode bastar quando somos jovens e mais permeáveis ao outro. pode bastar quando se inicia um relacionamento na juventude. conheço casais que construíram famílias muito felizes apesar das diferenças iniciais. começaram jovens e o amor foi o motor que permitiu a adaptação ao outro. é cada vez mais difícil encontrar casais que ficam juntos para sempre. os relacionamentos ditos sérios começam cada vez mais tarde. quanto mais velhos somos menos capacidade de adaptação temos. neste fim de ano desejo que sejam felizes. sós ou acompanhados... com amor.
30 dezembro, 2018
há gente assim
ao princípio pareciam ser uma dupla simpática. talvez simpática demais. duas mulheres que aparecem sempre juntas. bem arranjadas. a mais velha sempre de chapéu que lhe dá um ar de distinção de outros tempos. de anos 20 do século passado. geralmente reservada. o gênero de pessoa que abre a boca para dizer obrigada ou algo semelhante. o resto da conversa deixa para a mais nova. esta tem obrigação de fazer a despesa de conversa necessária para conseguirem o que querem. começa por se desfazer em sorrisos. pergunta como temos passado. é amável. demais. e como tudo o que é demais cheira mal começo a gastar o meu tempo a analisar a dupla. começo a perceber que não passam de duas manipuladoras. deixo de sorrir quando aparecem. depois decido mesmo fazer cara feia. o pior que consigo. resulta. da última vez acompanhava-as uma terceira mulher. e foi esta que fez o pedido da praxe. a cara feia resultou. o pedido foi negado. creio que a dupla deixará de fazer o teatro do costume. pelo menos comigo já não resulta. não gosto de gente falsa. irritam-me. deixam-me mal disposta. não tenho paciência para esta gente e não é de agora. nunca tive.contem comigo
23 dezembro, 2018
onde estão os dias felizes
05 novembro, 2018
o importante é a rosa
sinto-me feliz por rever o homem da rosa. recuperou de um estado de abandono que dava dó. gosto de ver o seu olhar brilhante quando me olha. no outro dia disse-me que me lembrasse dele quando me divorciasse. mal sabe ele que vivo divorciada do mundo em geral. mal sabe ele o bem que me faz saber o bem que lhe faço sem nada fazer. ver aqueles olhos claros abandonar os mais de oitenta anos que já viveram e mostrarem-se como se tivessem vinte e uma vida á sua frente. como eu gostava de fazer por alguém o que este homem faz por mim. acreditar que um dia darei rosas a alguém só porque sim. sem outra razão para além daquela que me tornará os olhos brilhantes.
21 junho, 2018
é só um desabafo
não sou nem social nem politicamente correcta. sou uma pessoa solidária e justa. defendo com unhas e dentes os valores em que acredito e se a cor que defendo agir contra isto não a vou defender. sou assim na vida e não exijo aos outros mais do que exijo de mim. mas também não exijo menos. sou leal. sou fiel. não tolero gente que fala dos outros sem olhar para si mesmo. não tolero gente que pretende subir na vida à custa do trabalho dos outros. não tolero gente que se esconde atrás de pretensas virtudes. toda a vida dei o melhor de mim no trabalho e na minha vida pessoal. não pretendo continuar a dar a quem não merece o meu respeito. quando tenho algo a dizer a alguém que considero vou ter com essa pessoa e falo. ou não me dou ao trabalho mas também não divido com ninguém as minhas opiniões. não tolero cobardes e mentirosos. por isso quando não estou bem mudo-me. por isso os meus amigos são muito poucos. mas são muito bons!14 junho, 2018
Gracias a la Vida
Gracias a la vida,
que me ha dado tanto;
me dio dos luceros
que cuando los abro
perfecto distingo
lo negro del blanco,
y en el alto cielo
su fondo estrellado,
y en las multitudes
al hombre que yo amo.
Gracias a la vida,
que me ha dado tanto;
me ha dado el sonido
y el abecedario.
Con él, las palabras
que pienso y declaro:
"padre", "amigo", "hermano",
y "luz", alumbrando
la ruta del alma
del que estoy amando.
Gracias a la vida,
que me ha dado tanto;
me ha dado el oído
que en todo su ancho
graba, noche y día,
grillos y canarios,
martillos, turbinas,
ladridos, chubascos.
y la voz tan tierna
de mi bienamado.
Gracias a la vida,
que me ha dado tanto;
me dio el corazón,
que agita su marco
cuando miro el fruto
del cerebro humano,
cuando miro al bueno
tan lejos del malo,
cuando miro el fondo
te tus ojos claros.
Gracias a la vida,
que me ha dado tanto;
me ha dado la marcha
de mis pies cansados.
Con ellos anduve
ciudades y charcos,
playas y desiertos,
montañas y llanos,
y la casa tuya,
tu calle y tu patio.
Gracias a la vida,
que me ha dado tanto;
me ha dado la risa
y me ha dado el llanto.
Con ellos distingo
dicha de quebranto,
los dos materiales
que forman mi canto;
y el canto de ustedes,
que es el mismo canto;
y el canto de todos,
que es mi propio canto.
Gracias a la vida,
que me ha dado tanto.
Violeta Parra
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