21 junho, 2018

é só um desabafo

Resultado de imagem para imagens de justiçanão sou nem social nem politicamente correcta. sou uma pessoa solidária e justa. defendo com unhas e dentes os valores em que acredito e se a cor que defendo agir contra isto não a vou defender. sou assim na vida e não exijo aos outros mais do que exijo de mim. mas também não exijo menos. sou leal. sou fiel. não tolero gente que fala dos outros sem olhar para si mesmo. não tolero gente que pretende subir na vida à custa do trabalho dos outros. não tolero gente que se esconde atrás de pretensas virtudes. toda a vida dei o melhor de mim no trabalho e na minha vida pessoal. não pretendo continuar a dar a quem não merece o meu respeito. quando tenho algo a dizer a alguém que considero vou ter com essa pessoa e falo.  ou não me dou ao trabalho mas também não divido com ninguém as minhas opiniões. não tolero cobardes e mentirosos. por isso quando não estou bem mudo-me. por isso os meus amigos são muito poucos. mas são muito bons!

14 junho, 2018

Joan Baez - Gracias a la vida

Gracias a la Vida

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Gracias a la vida,
que me ha dado tanto;
me dio dos luceros
que cuando los abro
perfecto distingo
lo negro del blanco,
y en el alto cielo
su fondo estrellado,
y en las multitudes
al hombre que yo amo.

Gracias a la vida,
que me ha dado tanto;
me ha dado el sonido
y el abecedario.
Con él, las palabras
que pienso y declaro:
"padre", "amigo", "hermano",
y "luz", alumbrando
la ruta del alma
del que estoy amando.

Gracias a la vida,
que me ha dado tanto;
me ha dado el oído
que en todo su ancho
graba, noche y día,
grillos y canarios,
martillos, turbinas,
ladridos, chubascos.
y la voz tan tierna
de mi bienamado.

Gracias a la vida,
que me ha dado tanto;
me dio el corazón,
que agita su marco
cuando miro el fruto
del cerebro humano,
cuando miro al bueno
tan lejos del malo,
cuando miro el fondo
te tus ojos claros.

Gracias a la vida,
que me ha dado tanto;
me ha dado la marcha
de mis pies cansados.
Con ellos anduve
ciudades y charcos,
playas y desiertos,
montañas y llanos,
y la casa tuya,
tu calle y tu patio.

Gracias a la vida,
que me ha dado tanto;
me ha dado la risa
y me ha dado el llanto.
Con ellos distingo
dicha de quebranto,
los dos materiales
que forman mi canto;
y el canto de ustedes,
que es el mismo canto;
y el canto de todos,
que es mi propio canto.

Gracias a la vida,
que me ha dado tanto.

Violeta Parra

Gracias a la vida...


os anos passam e fui acumulando recordações. coleccionei caixas e gavetas de recordações. senti agora vontade de pôr um pouco de ordem nesta montanha de pequenos momentos que fizeram tão importantes os momentos mais felizes dos anos que já vivi. são imensas as cartas de amigos, postais de felicitações por momentos a que eles deram mais importância que eu. poemas que me dedicaram. a primeira carta que recebi com menos de 1 ano da minha avó paterna. imensas cartas de amor. poemas que escrevi em miúda e que não têm qualquer valor mas que guardei religiosamente porque espelham as angústias e a felicidade de cada fase da minha vida. à medida que vou abrindo caixas volto aos momentos que vivi. tantas recordações de viagens. guardei bilhetes de avião, bilhetes de entrada em museus e monumentos guias turísticos eu sei lá... guardei também bilhetes de peças de teatro que me marcaram e os folhetos respectivos. não há concerto a que tivesse assistido que não tivesse guardado o bilhete. abrir agora estas caixas é reviver um pouco de tudo o que de bom a vida me deu. e foi tanto! tal como violeta parra digo "gracias a la vida que me ha dado tanto, me ha dado la risa y me ha dado el llanto"

13 junho, 2018

Compay Segundo - Sabroso

Adeus


Já gastámos as palavras pela rua, meu amor, 
e o que nos ficou não chega 
para afastar o frio de quatro paredes. 
Gastámos tudo menos o silêncio. 
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas, 
gastámos as mãos à força de as apertarmos, 
gastámos o relógio e as pedras das esquinas 
em esperas inúteis. 

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada. 
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro; 
era como se todas as coisas fossem minhas: 
quanto mais te dava mais tinha para te dar. 

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes. 
E eu acreditava. 
Acreditava, 
porque ao teu lado 
todas as coisas eram possíveis. 

Mas isso era no tempo dos segredos, 
era no tempo em que o teu corpo era um aquário, 
era no tempo em que os meus olhos 
eram realmente peixes verdes. 
Hoje são apenas os meus olhos. 
É pouco, mas é verdade, 
uns olhos como todos os outros. 

Já gastámos as palavras. 
Quando agora digo: meu amor
já se não passa absolutamente nada. 
E no entanto, antes das palavras gastas, 
tenho a certeza 
que todas as coisas estremeciam 
só de murmurar o teu nome 
no silêncio do meu coração. 

Não temos já nada para dar. 
Dentro de ti 
não há nada que me peça água. 
O passado é inútil como um trapo. 
E já te disse: as palavras estão gastas. 

Adeus. 

Eugénio de Andrade

não sou capaz de deixar de te amar




se naquele dia tivesses aparecido no aeroporto e me tivesses pedido para ficar eu teria ficado. era só o que eu queria. ver-te entrar a correr abraçar-me e dizer apenas a palavra mágica. fica. mas isso não aconteceu. pela segunda vez tu não apareceste. pela segunda vez tu ignoraste-me. parti com o coração despedaçado e olhos marejados de lágrimas. no funchal olhei para mim ao espelho e disse tens que andar para a frente. ele não merece as tuas lágrimas. está feliz. mentiu-te sempre. enganou-te sempre. esquece. tens que esquecer. tens que esquecer. tens que esquecer. mas não esqueci. durante muitos anos não adormeci sem te desejar boa noite. furiosa comigo mesma por não conseguir deixar de o fazer todas as noites. a vida seguiu com muitas dificuldades mas com muita vontade de viver. apesar de ti. apesar das mentiras. apesar de tudo. escrevi-te muitas cartas. tinha que deitar para fora o sofrimento. escrevia e rasgava. mas sentia-me melhor. era o meu modo de desabafar. anos mais tarde voltei. muito doente. levaram-me a especialistas fizeram-me exames e concluíram o que eu sempre soube. o meu mal está na alma. para este mal não há pílulas nem xaropes. não ha sequer medicina que resolva. teria que nascer de novo e viver uma vida nova. uma vida onde não te tivesse conhecido. onde não existisses. e ao fim de quarenta anos procuraste-me. e eu percebi que ias continuar a mentir. percebi melhor então que enganar está na tua natureza. inventaste um homem que não existe e convenceste-me a ficar contigo. mas eu não consigo  suportar mentiras. não consigo suportar oportunistas. não consigo suportar este amor que há-de morrer comigo porque não consigo assassiná-lo. 

12 junho, 2018

Amar pelos dois

Eu simplesmente Amo-te

Eu amo-te sem saber como, ou quando, ou a partir de onde. Eu simplesmente amo-te, sem problemas ou orgulho: eu amo-te desta maneira porque não conheço qualquer outra forma de amar sem ser esta, onde não existe eu ou tu, tão intimamente que a tua mão sobre o meu peito é a minha mão, tão intimamente que quando adormeço os teus olhos fecham-se. 

Pablo Neruda

quem sabe

 
hoje meu amor encontrei as primeiras páginas do livro que comecei a escrever antes de nasceres. o que me levou a escrever foi o facto de me sentir desenraizada. tive pouca convivência com as minhas avós, sobretudo a paterna. vivíamos em áfrica e éramos cinco. até aos cinco anos éramos seis. os pais os irmãos e a querida tia emília que fez o papel de mãe sempre que foi preciso. foi perfeita em todos os papéis que representou na vida. não me lembro de uma zanga. quando ralhava connosco usava um tom tão carinhoso... apenas as palavras diziam que não podíamos andar à pancada. morreu o ano passado como viveu: em paz com a vida. ela teve uma vida tão difícil e quem não conhecesse a sua vida diria que a sua vida fora um mar de rosas. gostaria que a tivesses conhecido melhor. depois ela voltou para lisboa e um pouco depois a tua bisavó materna foi ter connosco. estava viúva e os meus pais lembraram-se de a convidar a viver connosco. foram tempos muito felizes. a tua bisavó era muito habilidosa e uma extraordinária contadora de estórias. ensinava-nos a construir papagaios e carros de rolamentos. mas deu-se mal com o clima e adoeceu com paludismo. quando viemos de férias ela não voltou conosco. só depois do 25 de abril quando regressei a portugal tive mais contacto com o resto da família mas já era tarde. nunca consegui sentir-me parte dela. a vida levou-me de novo para longe. nasceram o teu pai e os teus tios e todo o tempo de que dispunha era para eles. muitos anos depois ainda conheci alguns familiares da minha mãe. mas sempre tive dificuldade em lhes chamar  tias e primas. eram a família dos meus pais. para mim a família resumiu-se a meia dúzia de pessoas. foi por isso que decidi começar a escrever para ti. onde quer que estejas hoje meu amor não esqueças que te amei muito ainda antes de nasceres. continuarei a amar-te até que a memória me deixe. quem sabe terminarei o livro que comecei para ti um dia.

11 junho, 2018

FAFÁ de BELÉM-(CORAÇÃO do AGRESTE)


Eu voltei pra juntar pedaços
De tanta coisa que passei
Da infância abriu-se o laço
Nas mãos do homem que eu amei
O anzol dessa paixão me machucou
Hoje sou peixe
E sou meu próprio pescador


Poema da despedida


Não saberei nunca
dizer adeus

Afinal, 
só os mortos sabem morrer

Resta ainda tudo,
só nós não podemos ser

Talvez o amor,
neste tempo,
seja ainda cedo

Não é este sossego
que eu queria,
este exílio de tudo,
esta solidão de todos

Agora 
não resta de mim
o que seja meu
e quando tento
o magro invento de um sonho
todo o inferno me vem à boca

Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei
Ainda assim,
escrevo.

Mia Couto

vozes de burro não chegam ao céu

conheci recentemente um tipo que felizmente não chegou a juiz. estou certa que com alguma pena pois o senhor é capaz de em menos de 10 minutos julgar o carácter a inteligência e se calhar muito mais coisas de que não teve tempo de falar. assim sem mais nem menos emitiu opiniões sobre pessoas que não conhece senão de ver de passagem. imagino que este tipo despachava processos a toda a velocidade se fosse juiz. perdíamos o estado de direito mas tenho a certeza que se acabaria com processos pendentes nos tribunais em menos de um ai. sempre que me perguntam a opinião sobre alguém que conheço há apenas uns dias respondo que não tenho opinião formada. como posso eu julgar alguém que não conheço se a vida me tem ensinado que o que não falta por aí são mentirosos e manipuladores que nos parecem uns anjos e mais tarde (às vezes tarde demais) descobrimos que caímos como uns patinhos na canção do bandido. e foi assim que aprendi a não tirar conclusões precipitadas sobre os outros. por princípio acredito piamente em toda a gente ou não fosse a minha religião a fé imensa que deposito no ser humano. felizmente uma andorinha não faz a primavera e já agora vozes de burro (da espécie humana) não chegam ao céu.

31 agosto, 2017

os chicólatras
"Um lugar deve existir; Uma espécie de bazar; Onde os sonhos extraviados; Vão parar"

Chico Buarque

Dizem que Finjo ou Minto

 

Dizem que finjo ou minto 
Tudo que escrevo. Não. 
Eu simplesmente sinto 
Com a imaginação. 
Não uso o coração. 

Tudo o que sonho ou passo, 
O que me falha ou finda, 
É como que um terraço 
Sobre outra coisa ainda. 
Essa coisa é que é linda. 

Por isso escrevo em meio 
Do que não está ao pé, 
Livre do meu enleio, 
Sério do que não é, 
Sentir, sinta quem lê! 

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro" 

30 agosto, 2017

Ney Matogrosso - Por debaixo dos panos 1982 ÁUDIO HQ



O que a gente faz
É por debaixo dos pano
Prá ninguém saber
É por debaixo dos pano
Se eu ganho mais
É por debaixo dos pano
Ou se vou perder
É por debaixo dos pano...(2x)

É debaixo dos pano
Que a gente não tem medo
Pode guardar segredo
De tudo que se vê
É debaixo dos pano
Que a gente fala do fulano
E diz o que convém...

É debaixo dos pano
Que eu me afogo
Que eu me dano
Sem perder o bem...(2x)

O que a gente faz
É por debaixo dos pano
Prá ninguém saber
É por debaixo dos pano
Se eu ganho mais
É por debaixo dos pano
Ou se vou perder
É por debaixo dos pano...(2x)

É debaixo dos pano
Que a gente esconde tudo
E não se fica mudo
E tudo quer fazer
É debaixo dos pano
Que a gente comete um engano
Sem ninguém saber...

É debaixo dos pano
Que a gente
Entra pelo cano
Sem ninguém ver...(2x)

O que a gente faz
É por debaixo dos pano
Prá ninguém saber
É por debaixo dos pano
Se eu ganho mais
É por debaixo dos pano
Prá ninguém saber
É por debaixo dos pano
O que a gente faz
É por debaixo dos pano
Prá ninguém saber
É por debaixo dos pano
Se eu ganho mais
É por debaixo dos pano
Ou se vou perder
É por debaixo dos pano...

É debaixo dos pano
Que a gente esconde tudo
E não se fica mudo
E tudo quer fazer
É debaixo dos pano
Que a gente comete um engano
Sem ninguém saber...

É debaixo dos pano
Que a gente
Entra pelo cano
Sem ninguém ver...(2x)

os honestos trafulhas

Resultado de imagem para fotos do vigaristaaqui pelo portugal dos pequeninos mantêm-se os honestos trafulhas que criticam os grandes trafulhas sem perceberem que grande ou pequena, a trafulhice é a mesma. talvez a grande diferença esteja apenas no talento. tanto para as artes como para a mentira,  pequena e grande trafulhice só resultam com talento. e os chicos espertos espalham-se ao comprido. resta-lhes pois falarem dos grandes aldrabões  esquecendo-se que a única diferença são os montantes envolvidos.
o homem pediu um dia de folga ao seu superior que lhe explicou que naquele dia não podia ser. havia gente de férias e falta de pessoal. o homem no dia seguinte ligou para o emprego e avisou que se tinha magoado num pé e portanto não podia ir trabalhar... depois foi jogar futebol com os amigos, fez um vídeo e publicou no facebook... que génio da trafulhice! claro que no dia seguinte a declaração que apresentou no trabalho não foi aceite: o chefe tinha visto o vídeo no facebok.
outro homem decide que pode ganhar dinheiro sem sujar as mãos. decide arranjar trabalho a quem quer que seja (pedreiros, carpinteiros mecânicos) desde que estes lhe paguem dez por cento do serviço prestado. segundo ele não está a explorar ninguém uma vez que explica aos "agenciados" que devem cobrar aos clientes a percentagem dele. golpe de génio não e?
este é o pais dos pequeninos que se pudessem aplicavam golpes tão grandes como os tubarões que criticam. o pais dos trafulhas. dos honestos trafulhas.

27 agosto, 2017


recados de italia (1)

italia tem recebido milhares de refugiados assim como a grecia. a união europeia fala fala mas não os vejo fazer nada... e isso chateia-me como diz o raj. mas adiante. conheci o jovem malik oriundo do burkina faso que conta uma estória de ir as lágrimas. o seu pais não e exactamente a siria ou a turquia mas os sonhos dos jovens são todos iguais. a europa  `e  o sonho americano para estes miúdos africanos. malik dormia na estação de pavia como todos os outros clandestinos. quis frequentar o ginásio para praticar pugilismo mas não tinha documentos e portanto não havia pugilismo nem sonho para malik. aqui entra uma jovem italiana que pratica a modalidade. malik aparecia todos os dias no ginásio decidido a vencer quem lhe negava o sonho pelo cansaço. a jovem italiana falou dele à mãe que decidiu falar dele aos amigos. e assim se formou uma corrente solidária. malik foi adoptado por uma família luso italiana que lhe arranjou trabalho e lhe deu casa. pratica pugilismo no ginásio. está integrado na sociedade tanto quanto um muçulmano pode estar integrado numa sociedade europeia.
fez 3 horas de viagem depois do trabalho para me conhecer. olhou-me como quem olha para a mãe que deixou em áfrica. ofereceu-me uma refeição e tratou-me como os africanos tratam os "mais velhos". e eu senti que a minha viagem valeu a pena.

Palavras para a Minha Mãe
mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses 
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz. 
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente. 

pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste 
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te 
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente. 

às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo, 
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia 
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz. 

lê isto: mãe, amo-te. 

eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não 
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que 
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não 
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes. 

José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão" 

26 agosto, 2017

e disse o velho: as árvores abanam-se, para sacudir os pesadelos.