09 Fevereiro, 2010

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os chicólatraschicolatras "O verdadeiro amor sempre é o que morre"

Fix You - Coldplay (clica aqui)

When you try your best, but you don't succeed,
When you get what you want, but not what you need,
When you feel so tired, but you can't sleep
Stuck in reverse

And the tears come streaming down your face
When you lose something you can't replace
When you love someone, but it goes to waste
Could it be worse?

A mulher mais bonita do mundo

estás tão bonita hoje. quando digo que nasceram
flores novas na terra do jardim, quero dizer
que estás bonita.

entro na casa, entro no quarto, abro o armário,
abro uma gaveta, abro uma caixa onde está o teu fio
de ouro.

entre os dedos, seguro o teu fino fio de ouro, como
se tocasse a pele do teu pescoço.

há o céu, a casa, o quarto, e tu estás dentro de mim.

estás tão bonita hoje.

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.

estás dentro de algo que está dentro de todas as
coisas, a minha voz nomeia-te para descrever
a beleza.

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.

de encontro ao silêncio, dentro do mundo,
estás tão bonita é aquilo que quero dizer.

(José Luís Peixoto)

a minha religião é o homem

os portugueses são solidários. em geral e no particular. são solidários e generosos. tenho tido provas irrefutáveis disso. eu fechada na minha concha fechada sobre mim mesma e de repente percebo que quem me rodeia se preocupa comigo e isso dá-me vontade de voltar a ser pequenina e de repente gosto dos pequenos gestos de ternura de que cada um é capaz. nem que seja o facto de alguém incapaz de qualquer gesto alertar aqueles que sabe serem capazes de dar mais de si mesmos. são generosos e solidários. partem quando são chamados para os territórios mas incríveis e inóspitos. estão dispostos a passar provações para ajudar. se há um apelo pedindo sangue aí está toda a gente a oferecer-se. se é preciso um dador de medula basta que a história seja divulgada na televisão. de repente toda a gente está disposta a fazer os testes e a tornar-se dador de sangue ou de medula óssea. e se é preciso comprar uma cadeira especial para um paraplégico sem condições económicas em menos de um ápice a cadeira aparece. isto apesar da crise. mas são só os portugueses? creio que não. é por isso que a minha religião é o homem. porque acabo de ver gente no haiti a repartir... o que não tem! porque todos os dias vejo pequenos e grandes gestos que bem vistas as coisas valem exactamente o mesmo. uma fé imensa na humanidade.

08 Fevereiro, 2010

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Ondjakiondjaki de corpo aberto/ esperando a tarde / a mulher olhava as lonjuras da falésia como quem chama os pássaros...

Nunca me esqueci de ti - Rui Veloso (clica aqui)

Tudo muda, tudo parte
Tudo tem o seu avesso.
Frágil a memória da paixão...
É a lua. Fim da tarde
É a brisa onde adormeço
Quente como a tua mão

Para os lábios que o homem faz

Para os lábios
que o homem faz
que atraem beijos
ao redor do mundo
ficou na nossa memória
em qualquer parte a qualquer hora
um pedaço
de pão

Promessa
que se cumpre
que alimenta
o mundo

Olhos
a exigir
uma floresta

(Mário Cesariny)

pela liberdade de dormir

um dia de ressaca pois o que é que eu poderia esperar senão o que tive... o dia inteiro a bocejar completamente dopada não há como ingerir comprimidos que já foram cor de rosa em doses excessivas para dormir e continuar com vontade de dormir. é das coisas melhores que há nesta vida. dormir. nunca percebi as pessoas que acham que dormir é tempo perdido. se há tempo bem ganho é este que passamos dormindo o sono dos justos. gosto de noites com sonos profundos daqueles de que não me recordo de qualquer sonho. é assim que eu gosto de dormir. e também de acordar sem um despertador ainda que seja música prefiro mesmo acordar por mim de preferência várias horas depois das horas a que costumo acordar. infelizmente isso acontece muito pouco. por isso daqui a nada vou deitar-me. pode ser que aproveite a embalagem desta vontade de dormir que me consumiu o dia todo. que ressaca balha-me deuje. mas estou certa que se assim não fosse não teria pregado olho e ainda teria sido pior. exijo liberdade claro. mas também a de dormir tudo o que me apetecer.

07 Fevereiro, 2010

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Ondjakiondjaki Pela pele - só os fulgores do silêncio...

Frágil (nada como o sol) - Sting (clica aqui)

Um ato assim pode acabar
Com uma vida e nada mais
Porque nem nessmo a violencia
Destroi ideais
Tem gente que nao sente que a mundo assim
Ficara fragil demais

Choro eu e voce
E o mundo tambem, e o mundo tambem
Choro eu e voce
Que fragilidade, que fragilidade

Os velhos


Todos nasceram velhos — desconfio.
Em casas mais velhas que a velhice,
em ruas que existiram sempre — sempre
assim como estão hoje
e não deixarão nunca de estar:
soturnas e paradas e indeléveis
mesmo no desmoronar do Juízo Final.
Os mais velhos têm 100, 200 anos
e lá se perde a conta.
Os mais novos dos novos,
não menos de 50 — enorm'idade.
Nenhum olha para mim.
A velhice o proíbe. Quem autorizou
existirem meninos neste largo municipal?
Quem infrigiu a lei da eternidade
que não permite recomeçar a vida?
Ignoram-me. Não sou. Tenho vontade
de ser também um velho desde sempre.
Assim conversarão
comigo sobre coisas
seladas em cofre de subentendidos
a conversa infindável de monossílabos, resmungos,
tosse conclusiva.
Nem me vêem passar. Não me dão confiança.
Confiança! Confiança!
Dádiva impensável
nos semblantes fechados,
nos felpudos redingotes,
nos chapéus autoritários,
nas barbas de milénios.
Sigo, seco e só, atravessando
a floresta de velhos.

(Carlos Drummond de Andrade)

só não sei se vou conseguir


vivo dias difíceis e outros ainda mais difíceis me esperam. a única coisa que posso fazer é tentar manter a calma e fazer de conta que acredito em tudo o que me é dito. é importante mais do que nunca que faça de conta que tudo o que se passa à minha volta é normal. que acredito em estórias de roubos e assaltos. que acredito que eu estava presente e que até fui eu que abri a porta aos ladrões. fazer de conta que é verdade que a minha omnipresença é verdadeira. eu não sabia mas agora sei que posso estar a trabalhar e ao mesmo tempo em casa a vinte e cinco quilómetros de distância. agora sei que afinal neste mundo tudo pode acontecer. basta acreditar. e se não acredito pois é fácil. basta fazer de conta que acredito. basta dizer que sim a tudo basta responder sim a todas as perguntas mesmo quando elas envolvem uma provocação. todavia sei que viver assim nem sempre será fácil. hoje fui capaz. afinal estava em casa não tive um dia de trabalho difícil e não fui obrigada a correr para o metro enquanto olho para o relógio a ver se não me atraso porque logo não quero sair tarde afinal sou mais do que nunca necessária em casa. vou tentar fazer de conta sempre que chegar a casa que estive o dia todo em casa que não tive um dia difícil fora de casa. vou tentar. só não sei se vou conseguir. pelo menos todos os dias da semana.

06 Fevereiro, 2010

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os chicólatraschicolatras "O que será que será; Que andam suspirando; Pelas alcovas?"

Somos livres - Ermelinda Duarte (clica aqui)

Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho
num campo qualquer.
Como ela somos livres,
somos livres de crescer.

Somos livres

Ontem apenas
fomos a voz sufocada
dum povo a dizer não quero;
fomos os bobos-do-rei
mastigando desespero.

Ontem apenas
fomos o povo a chorar
na sarjeta dos que, à força,
ultrajaram e venderam
esta terra, hoje nossa.

Uma gaivota voava, voava,
assas de vento,
coração de mar.
Como ela, somos livres,
somos livres de voar.

Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho
num campo qualquer.
Como ela somos livres,
somos livres de crescer.

Uma criança dizia, dizia
"quando for grande
não vou combater".
Como ela, somos livres,
somos livres de dizer.

Somos um povo que cerra fileiras,
parte à conquista
do pão e da paz.
Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.

(Ermelinda Duarte)

05 Fevereiro, 2010

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Ondjakiondjaki Eram gambuzinos ou estrelas, os fazedores de ruídos quietos que me invadiam a madrugada...?

Lisboa que Amanhece - Sérgio Godinho (clica aqui)


Em sonhos, é sabido, não se morre
Aliás essa é a Única vantagem
De após o vão trabalho
O povo ir de viagem ao sono fundo
Fecundo
Em glórias e terrores e aventuras

Balada de Lisboa

Em cada esquina te vais
Em cada esquina te vejo
Esta é a cidade que tem
Teu nome escrito no cais
A cidade onde desenho
Teu rosto com sol e Tejo

Caravelas te levaram
Caravelas te perderam
Esta é a cidade onde chegas
Nas manhãs de tua ausência
Tão perto de mim tão longe
Tão fora de seres presente

Esta e a cidade onde estás
Como quem não volta mais
Tão dentro de mim tão que
Nunca ninguém por ninguém
Em cada dia regressas
Em cada dia te vais

Em cada rua me foges
Em cada rua te vejo
Tão doente da viagem
Teu rosto de sol e Tejo
Esta é a cidade onde moras
Como quem está de passagem

Às vezes pergunto se
Às vezes pergunto quem
Esta é a cidade onde estás
Com quem nunca mais vem
Tão longe de mim tão perto
Ninguém assim por ninguém

(Manuel Alegre)

a acelerar

um dia fora do comum. foi o meu dia de hoje. fora de comum. acordei tarde porque me esqueci de pôr o despertador a funcionar. comecei o dia acelerada por via disso. cheguei ao emprego com a língua de fora. acelerada continuei. fui à esteticista e apeteceu-me que ela também acelerasse. mas não acelerou. e eu fiquei ainda mais acelerada. fiz uma série de telefonemas acelerados. esqueci-me das horas e obriguei colegas a esperarem por mim para ir para a manifestação. consolou-me o facto de haver gente ainda mais atrasada que eu. e pronto. depois quase uma hora de espera até que pudéssemos arrancar. já em desespero eu perguntava o que se passa que não saímos daqui. já não tinha posição para segurar a faixa com os colegas. respondiam-me é bom sinal quer dizer que somos muitos é por isso que isto não anda. dezenas de fotógrafos entretanto. alguns amadores outros profissionais. sempre alguém a alertar para a sua presença. é preciso mostrar a faixa é preciso dizer quem somos é preciso dizer o que queremos é preciso estar atento. entretanto vamos ensaiando as frases de protesto. foi boa ideia dividir as frases em canção a duas vozes. pelo menos não fiquei afónica. pelo caminho apenas um dirigente político de esquerda a apoiar os manifestantes. presença reconfortante. depois chegada a casa. vontade de sair a correr. saber que não o posso fazer. saber que tenho que entrar neste mundo de faz de conta que aqui foi criado. amanhã continuo a acelerar.

04 Fevereiro, 2010

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os chicólatraschicolatras "Eu descartava os dias em que não te vi; Como de um filme a ação que não valeu"