27 junho, 2010

o melhor do twitter

Ondjakiondjaki [sentiu uma inquietação, sentou-se na varanda buscando o lado da respiração que acalma. e então soube: tinha saudades da Lua...]

É com esse que eu vou - Elis Regina (clica aqui)

Com esse eu vou
Desabafar meu coração
Com esse eu vou
Desabafar na multidão
Meu coração, eu vou
Eu vou, eu vou, eu vou
É com esse que eu vou
Eu vou
Com esse eu vou
Eu sei que vou
Sambar na multidão
Desabafar....

Viver na beira-mar

Nunca o mar foi tão ávido
quanto a minha boca. Era eu
quem o bebia. Quando o mar
no horizonte desaparecia e a areia férvida
não tinha fim sob as passadas,
e o caos se harmonizava enfim
com a ordem, eu
havia convulsamente
e tão serena bebido o mar.

(Fiama Hasse Pais Brandão)

final de domingo

neste momento o casal que vive por cima de mim tem a sua discussão semanal. ao princípio cheguei a pensar em chamar a polícia. mas com o tempo a gente habitua-se. mesmo quando estamos acostumados ao sossego de um edifício geralmente bem frequentado e que costuma ter as suas discussões (suponho) em voz baixa no recato do lar... esta saiu-me bem caramba! enquanto escrevo vou lembrando o vocabulário mais ordinário existente em língua portuguesa. e vou sabendo por exemplo de coisas mais íntimas como o fraco desempenho sexual dele segundo ela. hoje a coisa está mais animada. já voaram vários objectos e eu aqui a gramar com isto. eu que queria falar de coisas calmas como uma bela manhã de praia e o mar picado e a beleza da praia. a minha praia. ela começa a ficar rouca e a repetir-se nos palavrões. é verdade que são bem cabeludos mas afinal o vocabulário é limitado. daqui a algum tempo ela fica afónica provavelmente ele abraça-a e amanhã vejo-os sair juntos com o ar mais feliz do mundo. é assim em portugal e provavelmente em quase todo o mundo. confesso que isto hoje até é uma boa alternativa à televisão. eu aqui a pensar que devia era sair e aproveitar a noite mas não me apetece sair sozinha. estou melhor em casa. só não sabia que estaria tão bem acompanhada. enfim... um final de domingo normal.

26 junho, 2010

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Ondjakiondjaki [Purificar é ainda descomplicar. Aproximar as coisas e o corpo ao chão do mundo. Antes da raiz. Antes da flor. Antes da contaminação humana]

Depois de ter você - M.Bethania e Adriana Calcanhoto (clica aqui)

Depois de ter você
Pra que querer saber
Que horas são?

Se é noite ou faz calor
Se estamos no verão
Se o sol virá ou não
Ou pra que é que serve
Uma canção como esta?

Depois de ter você
Poetas para quê?
Os deuses, as dúvidas
Pra que amendoeiras pelas ruas?
Pra que servem as ruas?
Depois de ter você...


Sem corpo nenhum

Sem corpo nenhum,
como te hei de amar?
— Minha alma, minha alma,
tu mesma escolheste
esse doce mal!

Sem palavra alguma,
como o hei de saber?
— Minha alma, minha alma,
tu mesma desejas
o que não se vê!

Nenhuma esperança
me dás, nem te dou:
— Minha alma, minha alma,
eis toda a conquista
do mais longo amor!

(Cecília Meireles)

estória de um sábado quase sem história

tenho saudades de marear. tenho saudades de ter tempo para tudo. tenho saudades de tudo e de nada. é que hoje me deu para aqui e eu não queria. podia estar mais feliz afinal é sábado e amanhã é domingo e posso muito bem marear mas então parece que perdi um dia porque não foi um dia útil. foi apenas um dia em que me transformei em dona de casa e nem tive tempo para almoçar. apenas as minhas plantas e a casa de água me dão a sensação da utilidade de um sábado quase completamente inútil. e por falar em casa de água. chegaram novos hóspedes o inocêncio o prudêncio e o vicêncio. calypso partiu a meio da tarde deve estar por esta hora no céu dos peixes que deve ser assim um lugar com água muito azul e cristalina. ontem achei-o muito quieto estranhei mas não pensei que ele decidisse abandonar a casa de água. pode ser que esteja tranquilo entre anjos e outros peixes de todas as cores... e eis-me aqui observando a casa. receando que mais um habitante decida mudar-se. depois de tanto esforço para salvar dionísio vejo-o feliz e enorme. e logo agora que eu estava tão contente com os novos habitantes... coisas que se passam num sábado quase sem história. a ver se mareando me sinto mais feliz... amanhã é domingo.

25 junho, 2010

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Ondjakiondjaki nascemos e começou o frio... / adeus água / adeus ventre / adeus incontida calmaria...

Vamos esta noite - Clã (clica aqui)

Vamos
Perder a hora certa
Vamos
Pisar no chão
Vamos
Deixar a porta aberta
Juntos vamos
Para Plutão

Hoje não terá amanhã
Hoje o mundo é nosso Clã
Hoje não terá talvez
Esta noite é pra vocês
Virem junto
Até ao fim do fim de tudo

Poesia

é a visita do tempo nos teus olhos,
é o beijo do mundo nas palavras
por onde passa o rio do teu nome;
é a secreta distância em que tocas
o princípio leve dos meus versos;
é o amor debruçado no silêncio
que te cerca e que te esconde:
como num bosque, lento, ouvimos
o coração de uma fonte não sei onde...

(Vítor Matos e Sá)


porque amanhã é sábado


por cá tudo na mesma. ou nem por isso. estou apenas falando de portugal em geral e das empresas em particular. talvez já agora valha a pena mencionar também a administração pública. apetece-me também falar de gente. gente pequenina e gente mais crescidinha. comecei a semana tentando obter rapidamente o passe para os transportes que perdi na semana passada. algumas estações de metro entregam o dito documento em sete dias pelo preço de oito euros e outras em vinte e quatro horas por dez euros. como tive que tirar uma fotografia ficou-me a brincadeira em quinze euros e quarenta e oito horas mais a pagar quatro euros e vinte por dia em transportes para ir trabalhar. mais dia menos dia pelo caminho que isto leva ainda pago para trabalhar... curioso que com dez euros podemos fazer o cartão do cidadão fotografia digital incluída. o atendimento quer do metro quer da conservatória de oeiras simpático. ganha a administração pública que faz mais por menos. no hospital egas moniz sou atendida por uma funcionária exemplar. eficiente e simpática. no mesmo hospital a médica igualmente eficiente simpática e calorosa. nada a dizer. na clínica dentária privada sou atendida duas horas depois da hora marcada. na unidade de saúde familiar da minha área de residência sou atendida (desde que esteja presente) cinco minutos antes da hora marcada. mais um ponto para a administração pública. não sei porque me pus a falar de tudo isto quando afinal o mais importante ficou só para mim. o fim de tarde hoje. talvez porque amanhã é sábado.

porque amanhã é sábado


por cá tudo na mesma. ou nem por isso. estou apenas falando de portugal em geral e das empresas em particular. talvez já agora valha a pena mencionar também a administração pública. apetece-me também falar de gente. gente pequenina e gente mais crescidinha. comecei a semana tentando obter rapidamente o passe para os transportes que perdi na semana passada. algumas estações de metro entregam o dito documento em sete dias pelo preço de oito euros e outras em vinte e quatro horas por dez euros. como tive que tirar uma fotografia ficou-me a brincadeira em quinze euros e quarenta e oito horas mais a pagar quatro euros e vinte por dia em transportes para ir trabalhar. mais dia menos dia pelo caminho que isto leva ainda pago para trabalhar... curioso que com dez euros podemos fazer o cartão do cidadão fotografia digital incluída. o atendimento quer do metro quer da conservatória de oeiras simpático. ganha a administração pública que faz mais por menos. no hospital egas moniz sou atendida por uma funcionária exemplar. eficiente e simpática. no mesmo hospital a médica igualmente eficiente simpática e calorosa. nada a dizer. na clínica dentária privada sou atendida duas horas depois da hora marcada. na unidade de saúde familiar da minha área de residência sou atendida (desde que esteja presente) cinco minutos antes da hora marcada. mais um ponto para a administração pública. não sei porque me pus a falar de tudo isto quando afinal o mais importante ficou só para mim. o fim de tarde hoje. talvez porque amanhã é sábado.

23 junho, 2010

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Ondjakiondjaki era uma chuva que miudinha... / mas a lua / por hábito / escondia-se de nem ser réstia de brancura...

Tigresa - Caetano Veloso e Ney Matogrosso (clica aqui)

Ela me conta que era atriz e trabalhou no Hair
Com alguns homens foi feliz com outros foi mulher
Que tem muito ódio no coração, que tem dado muito amor
E espalhado muito prazer e muita dor

Mas ela ao mesmo tempo diz que tudo vai mudar
Porque ela vai ser o que quis inventando um lugar
Onde a gente e a natureza feliz, vivam sempre em comunhão
E a tigresa possa mais do que o leão

Coração habitado


Aqui estão as mãos.
São os mais belos sinais da terra.
Os anjos nascem aqui:
frescos, matinais, quase de orvalho,
de coração alegre e povoado.

Ponho nelas a minha boca,
respiro o sangue, o seu rumor branco,
aqueço-as por dentro, abandonadas
nas minhas, as pequenas mãos do mundo.

Alguns pensam que são as mãos de deus
— eu sei que são as mãos de um homem,
trémulas barcaças onde a água,
a tristeza e as quatro estações
penetram, indiferentemente.

Não lhes toquem: são amor e bondade.
Mais ainda: cheiram a madressilva.
São o primeiro homem, a primeira mulher.
E amanhece.

(Eugénio de Andrade)

ou nem tudo o que luz é ouro

a palavra escrita tem algo que não consigo entender. para a maioria das pessoas o que está escrito é verdade. é hoje usual denegrir quem quer que seja. um escandalozinho agrada à maioria das pessoas. são os jornais sensacionalistas a inventarem notícias à falta delas e o pessoal todo contente com coisas pequenas tão pequenas que não consigo ler. e claro que na era da troca de emails não há meio melhor e mais rápido para difundir tudo. da maior verdade à mentira mascarada de verdade ou até descarada vale tudo. e assim sem mais nem menos ouvimos alguém dizer vejam lá o que eu descobri... pessoas que temos como gente inteligentes medianamente informadas vão na onda de tudo o que lê. as notícias fabricam-se na media para ganhar dinheiro e na net sobretudo para exercer uma coisa que se vem tornando um direito (ou me descuido e ainda aparece como mais um direito do homem) a vingançazinha sobre alguém de quem não se gosta. os miúdos na escola lançam suspeitas horríveis para darem cabo de algum colega de que não gostam. usam meios como o youtube para publicarem montagens e desmoralizar quem aprenderam a odiar. isto pode parecer normal para muita gente. a mim não me parece. e é por isso que me recuso a passar emails que falem mal de um qualquer político da extrema direita à extrema esquerda. é que para além do mais este tipo de acção é feita por gente demasiado mesquinha e cobarde que usa geralmente nick names e retratos ou figuras em que não mostram a cara. é fácil hoje em dia estragar a reputação de qualquer um. por isso pensemos dez vezes antes de acreditarmos em algo só porque está escrito.

21 junho, 2010

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Ondjakiondjaki depois da longa travessia / pelo tempo / a palavra amor era esculpida com gestos simples. - e então durava...

Grito de alerta - Maria Bethânia (clica aqui)

São tantas coisinhas miúdas
Roendo, comendo
Arrasando aos poucos
Com o nosso ideal
São frases perdidas num mundo
De gritos e gestos
Num jogo de culpa
Que faz tanto mal...

Não quero a razão
Pois eu sei
O quanto estou errado
E o quanto já fiz destruir
Só sinto no ar o momento
Em que o copo está cheio
E que já não dá mais
Prá engolir...

É preciso também não ter filosofia nenhuma


Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

(Alberto Caeiro)

com ou sem golos quero calor cor e ritmo

é sabido. não gosto de futebol. não entendo. não quero entender. não percebo as mulheres de cabeça perdida por ronaldo. a bem dizer não percebo e por isso não gosto. joga-se o mundial e portugal jogou hoje. à hora do almoço pois então. certamente muita gente mudou a hora do almoço ou deixou de almoçar. ou não. é que por acaso passei no campo pequeno onde estava um ecrã gigante a transmitir o jogo. espantou-me haver tão pouca gente a assistir. estou certa que o próximo jogo de portugal (salvo erro com o brasil e perdoem-me se estou enganada há que dar um desconto à minha ignorância afinal ninguém é perfeito isto sou eu que digo para tentar ajudar o meu eguinho) terá muito mais gente a assistir. afinal sete golos fazem a diferença para um povo que esquece as mágoas quando fala de futebol. eu não gosto mas percebo que se as pessoas se entusiasmam tanto e vibram e choram e se arrepelam e até acham o ronaldo lindo... (desculpem mas isto é que eu não entendo mesmo. ai que saudades do figo. a esse sim chamava-lhe um figo...). tenho estado a assistir o programa fantástico da globo internacional gravado ontem. as reportagens sobre o mundial estão tão bem feitas que até eu que não gosto de futebol fiquei ligada ao ecrã. será que é isto que falta a portugal? calor cor e ritmo. foi isto que eu vi hoje na globo. era isto que eu queria ver por cá. com ou sem golos.

20 junho, 2010

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Ondjakiondjaki ... (de) onde nasce o silêncio que alimenta as pedras...?

Com Açúcar, Com Afeto Fernanda Takai - (clica aqui)

Quando a noite enfim lhe cansa, você vem feito criança
Pra chorar o meu perdão, qual o quê!
Diz pra eu não ficar sentida, diz que vai mudar de vida
Pra agradar meu coração
E ao lhe ver assim cansado, maltrapilho e maltratado
Como vou me aborrecer? Qual o quê!
Logo vou esquentar seu prato, dou um beijo em seu retrato
E abro os meus braços pra você.

Soneto da fidelidade


De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

(Vinicius de Moraes)

os anjos estão em todo o lado.

encontrei a minha mãe a dormir. depois de três dias de muita agitação como me tinham informado fiquei feliz por perceber que essa agitação se está a desvanecer. é certo que a achei com um ar muito cansado mas quem não estaria ao fim de três dias sem dormir sobretudo quando se tem oitenta e cinco anos e uma doença ela mesma extremamente complicada. seja como for tinha saudades sobretudo da mané de quem já falei aqui por várias vezes neste espaço. é verdade. tinha saudades da mané e saí à sua procura nos lugares que sei onde ela costuma estar. sentada na sua cadeira no jardim não estava. na sala de estar não estava. perguntei por ela a quem de direito e pois claro lá estava ela a assaltar a despensa. saiu com umas bolachas de água e sal na mão e o seu ar de criança que cometeu uma infracção mas que sabe que não será punida por isso. entretida que estava com as bolachas não me ligou nenhuma. voltei para junto da minha mãe que estava hoje mesmo interessada em dormir. com todo o direito. olho para ela e não quero ver senão a minha mãe. dei comigo um dia destes a dizer que ela não é velha. tem oitenta e cinco anos mas é minha mãe. entendo finalmente o desgosto dela quando a sua mãe morreu sem sofrimento aos noventa e dois anos. para ela a mãe era ainda nova demais para morrer. assim também hoje a minha mãe é para mim nova demais para deixar de estar. volta a adormecer. alguém me diz que a dona mariana está muito triste porque a filha não foi visitá-la. vou à sala para tentar que se distraia dos maus pensamentos. e é quando estou conversando com ela que sinto alguém pegar-me na mão. por trás de mim a mané conduzia a minha mão para as suas costas. e ali estive a coçar-lhe as costas e foi difícil deixá-la. a verdade é que se ela não queria que eu deixasse de lhe tocar eu também não tinha vontade de a deixar voltar ao seu mundo interior. em pouco tempo criei laços naquele lugar. de tal maneira que muitas vezes me apetecia mesmo era ficar por lá. é que de certo modo encontro uma estranha paz naquele lugar. talvez seja apenas porque o meu anjo da guarda também paira por lá...

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Ondjakiondjaki ...tão pequenina é a vida...

19 junho, 2010

Morrer em Zanzibar . João Afonso

As Histórias que contavas lá da aldeia
a bola no telhado da vizinha
o branco no amarelo da eira
e a calça sem bainha

A varanda e a calça sem bainha
a semana
na baía a pesca à linha
a vizinha, o que querias da montanha

Que pensamento querias da montanha
fugiste um dia p´ra Kilimanjaro
seria o jeito sábio dum cocoana
a falar sob um céu claro

a marimba, a falar sob um céu claro
a madeira, de pau preto um aparo
a montanha
vou de boleia em boleia

Agora vou de boleia em boleia
agora vou voltar a ser menino
parar, ouvir silêncios sobre a areia
visitar-te em S. Francisco

Sobre a areia, visitar-te em S. Francisco
lua cheia
a subir tudo o que lembro
a gavinha, numa noite de Dezembro

Aprendamos, amor


Aprendamos, amor, com estes montes
Que, tão longe do mar, sabem o jeito
De banhar no azul dos horizontes.

Façamos o que é certo e de direito:
Dos desejos ocultos outras fontes
E desçamos ao mar do nosso leito.

(José Saramago)

está

saramago diria que já não está. diria deixei de estar. e esta é uma maneira bonita de dizer deixei de viver. de certa maneira é verdade. se saramago ainda cá estivesse acabaria o romance que estava a escrever e daria aos seus leitores convictos mais uma estória que os faria menos ignorantes da vida e sobretudo do ser humano. quantos cães das lágrimas perdemos só porque saramago deixou de estar? quantas polémicas e palavras duras com apoiantes de um lado e inimigos convictos do outro deixaremos de assistir? saramago deixa um amargo de boca a todos aqueles que se entretinham a dizer mal dos seus romances sem sequer se terem dado ao trabalho de ler uma linha de qualquer dos seus livros. aqueles que toda a vida se incomodaram pelas suas opções políticas e nunca se deram ao trabalho de prestar atenção ao saramago que se preocupava com os seus semelhantes. aqueles que como aníbal ficarão o resto da vida a remoer os sarcasmos com que foram brindados pelo génio e jamais conseguirão perceber porque foi atribuído um nobel da literatura a alguém que ludibriava e reinventava a gramática portuguesa para já não falar da obra publicada e amada nos mais diversos países. pobre país que estás entregue uma horda de gente que por mais licenciaturas que apresente nunca conseguiu ler o evangelho ou caim mas mesmo assim se atreveu a falar do que não sabia. sramago não está? está pois. por muitos e bons anos para quem não dispensa um bom livro e uma boa estória.

15 junho, 2010

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os chicólatraschicolatras "Não me importa saber se é terrível demais; Quantas guerras terei que vencer por um pouco de paz"

Tira a teima - Clã (clica aqui)

Tem cuidado e tira a teima
Que sou tu não sonhas ao que venho
Não sabes do que sou capaz
Eu dou tudo quanto tenho
Não funciono a meio gás
Vem sentar-te à minha frente
E diz-me o que vês em mim
Não respondas já a quente
Pondera antes de dizer sim

Criei, não possuí


Criei, não possuí.
Instante de infinitude, o que moldei na voz
respira. A firme casa do meu corpo se fez
pelo contraste, que só o contrário cria.
Não possuí,
denso ou raro,
pequeno até ao nada,
nenhum símbolo,
nenhum olhar de brasa,
nenhum odor colado à pele.
Pretendi a verdade, mas tudo se muda
pelos meus olhos e a fosca luz do que foi viver
só no amor se moveu. Morto o amor,
transforma-se a água.
Onde a noite não há e o dia não é,
esqueço as mudanças do tempo
e com meus ardis me defendo
do terror de mim.

(Orlando Neves)

não fossem as cuspidelas...


começo o dia à hora do costume ou melhor um pouco mais tarde uma vez que o despertador hoje quase tocou... e eu estava acordada mas sentia-me como num dia de inverno e não me apetecia saltar da cama... ah! se eu soubesse tinha-me virado para o outro lado e fosse o que deuje quisesse. mas como uma boa menina tipo formiga amestrada lá me levantei tomei um reles pequeno almoço porque não dava tempo para tomar um como gosto e toca a apressar-me para pegar a bicla e pedalar rapidamente até à estação. ainda por cima tinha que comprar bilhete pois ontem perdi entre outras coisas o passe. mal entro na rua da estação lembro-me que alguém me disse que havia greve. bem. é preciso ter paciência e afinal um dia não são dias. vejo um comboio passar em direcção a cascais e penso isto não está mau de todo. pois. quase uma hora à espera de um comboio a abarrotar de gente. não fosse uma dondoca querer a todo o custo impedir que mais gente entrasse na carruagem nas estações seguintes (se calhar foi fiscal noutra encarnação) e o meu sono teria sido ainda mais perfeito dando tempo a pelo menos um sonho completo. o facto é que me senti tão aconchegada no meio de toda aquela gente que adormeci assim mesmo em pé (não sou esquisita para dormir só preciso ter sono). toda a gente estava bem disposta não se ouviam as habituais queixas contra os grevistas. a coisa ia dando para o torto foi quando a viagem terminou. no cais do sodré todos os acessos directos da estação ao metro estavam fechados. resultado. demorei um quarto de hora só para passar as portas automáticas. é que nem tiveram a amabilidade de as abrirem como é costume fazerem no metro quando a aglomeração de gente é demasiada. na verdade o povo português é mesmo tolerante. diria quase educado não fossem as cuspidelas para o chão que vejo de vez em quando e me desgostam.

13 junho, 2010

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Ondjakiondjaki Em Berlin, fazia domingo no mundo, e a cidade esperava um sinal do Sol a fim de se desadormecer...

Canção do Engate - António Variações (clica aqui)

Tu estás livre e eu estou livre
E há uma noite para passar
Porque não vamos unidos
Porque não vamos ficar
Na aventura dos sentidos

Tu estás só e eu mais só estou
Que tu tens o meu olhar
Tens a minha mão aberta
À espera de se fechar
Nessa tua mão deserta

Os amigos

Os amigos amei
despido de ternura
fatigada;
uns iam, outros vinham,
a nenhum perguntava
porque partia,
porque ficava;
era pouco o que tinha,
pouco o que dava,
mas também só queria
partilhar
a sede de alegria —
por mais amarga.

(Eugénio de Andrade)

ti jaquina três cafezes


dia de santo antónio para falar verdade é um dos dois santos com quem simpatizo. gosto da imagem deste antónio com o menino ao colo e gosto sobretudo que ele seja tão português como italiano. se todos o querem alguma coisa deve ter feito por isso. o outro santo de quem gosto tem a ver com o meu amor por animais. francisco xavier o santo que permitia a entrada de animais nas igrejas. mais dignos do que muita gente que bate com a mão no peito mas adiante antes que eu me disperse e isto vá já parar ao caixote do lixo. faz anos que morreu outro antónio o variações e ainda não ouvi qualquer referência a este facto. talvez as notícias do mundial de futebol façam esquecer este nome inesquecível da música portuguesa. a sua originalidade vinha de dentro e se por um lado era até um pouco naif por outro estava muito à frente do seu tempo. também outro português inesquecível morreu neste dia de santo antónio. de seu nome álvaro cunhal foi um dos políticos mais importantes de sempre. possuía um charme e inteligência extraordinários. e acima de tudo lutou toda a vida por um sonho. não se deixou intimidar por um governo ditatorial e protagonizou alguns dos episódios mais marcantes da luta contra o estado novo de salazar. para finalizar este dia de santo antónio parabenizo aqui o bairro lisboeta do meu coração. ah pai como dizias. grande alfama gente do mar ti jaquina três cafezes.

12 junho, 2010

Caetano Veloso - Sozinho (Ao Vivo)

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Chico Buarquechico_buarque "Quero ser a cicatriz risonha e corrosiva; Marcada a frio, a ferro e fogo; Em carne viva"

Dança da solidão - Marisa Monte (clica aqui)

Quando vem a madrugada
Meu pensamento vagueia
Corro os dedos na viola
Contemplando a lua cheia...

Apesar de tudo existe
Uma fonte de água pura
Quem beber daquela água
Não terá mais amargura
Oh!...

Desilusão, desilusão
Danço eu, dança você
Na dança da solidão
Viu!
Desilusão, desilusão
Danço eu, dança você
Na dança da solidão...

11 junho, 2010

É noite, mãe

As folhas já começam a cobrir
o bosque, mãe, do teu outono puro...
São tantas as palavras deste amor
que presas os meus lábios retiveram
pra colocar na tua face, mãe!...

Continuamente o bosque se define
em lividez de pântanos agora,
e aviva sempre mais as desprendidas
folhas que tornam minha dor maior.
No chão do sangue que me deste, humilde
e triste, as beijo. Um dia pra contigo
terei sido cruel: a minha boca,
em cada latejar do vento pelos ramos,
procura, seca, o teu perdão imenso...

É noite, mãe: aguardo, olhos fechados,
que uma qualquer manhã me ressuscite!...

(António Salvado)

não desistas

acabas de me dizer que escreva amiga. mesmo que doa. e eu que tenho andado a fugir de um lado para o outro e passado horas a olhar para o dionísio o calipso e o orfeu observando como brincam apesar da diferença de idades e tenho dado conta que o dionísio cerca os mais novos com cuidados e acabam numa brincadeira que me distrai das minhas angústias. e não dura muito porque tudo me lembra o que me dói. penso em ti mãe. penso que gostaria de voltar a ser pequenina e ter alguém que cuidasse de mim. não ter que sentir este peso de ter tudo do avesso eu que sempre gostei de avessos estou cansada mãe de sentir este nó na garganta deste tem-te não caias de me sentir culpada por não poder estar contigo o tempo todo de ouvir dizer que estás à minha espera para irmos almoçar fora e afinal tu deitada numa cama de hospital a recuperar de uma intervenção difícil com esse senhor alemão a confundir-te as ideias a empurrar-te para o passado para um tempo que não sei nunca qual é mas apesar de tudo de algum modo fico feliz por me reconheceres por saberes quem sou por perceberes finalmente que o meu amor sempre foi incondicional e que o facto de ter uma atitude oposta à tua perante a vida nunca significou que o meu amor por ti fosse menor. mas por favor mãe luta para ficares connosco. não desistas.

10 junho, 2010

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Chico Buarquechico_buarque "Quero inventar o meu próprio pecado; Quero morrer do meu próprio veneno"