30 dezembro, 2009

o melhor do twitter

os chicólatraschicolatras "Sempre; Eu te contemplava sempre; Feito um gato aos pés da dona; Mesmo em sonho estive atento"

Encontros e Despedidas - Maria Rita (clica aqui)

São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também de despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida

O que me dói não é

O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...

São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor.

São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma,
Caíssem suas folhas
Entre o vestígio e a bruma.

(Fernando Pessoa)

um final feliz

o homem tem pelo carro um amor desmesurado. não não se pense que é apenas carinho estima aquilo que todos sentimos por algumas coisas que nos seguem ao longo da vida. trata-se de um amor incondicional daqueles que qualquer mulher gostaria de ter. no sábado foi trabalhar e deixou o carro estacionado na rua. com os documentos no tabelier. ao fim do dia quando queria regressar a casa o carro já lá não estava. ligou para tudo o que era sítio possível. por fim convenceu-se que lhe tinham roubado o seu querido astra. podia ser joão afonso ana mas não era o astra. assim se referia ao carro sempre. apresentou queixa na esquadra de campolide e desfeito o coração completamente destroçado foi para casa e por mais que a mulher o tentasse consolar dizendo que se fosse um filho seria pior o homem não parava de chorar. mais. a mãe do homem quando soube do desaparecimento do astra desatou também a chorar. a família mobilizou-se à procura do astra. passaram-se emailes como se se tratasse de uma criança. dava-se o nome a cor e a matrícula. viraram lisboa e a periferia pelo avesso e nada. o homem não parava de chorar e criticava a mulher por não chorar também. queria solidariedade. afinal de contas era o "seu" astra. pois. ontem a mulher recebeu uma chamada no telemóvel. era a polícia. ela perguntou se eram boas as notícias e o polícia respondeu que podiam ser boas ou más. o carro estava num depósito da polícia em telheiras mas acidentado. o homem e a mulher lá foram com os corações destroçados pensando que quem roubara o carro tinha batido e provavelmente sobrava a sucata. qual não foi o espanto quando perceberam que o carro estava à primeira vista intacto. de facto tinha um arranhão no para choques que sai com um pouquinho de polish. que aconteceu? como não ficou bem travado o carro deslizou e bateu noutro carro de uma condutora que quando quis tirar o carro viu o que se passava e chamou a polícia. esta em vez de procurar imediatamente o dono do carro aprisionou-o. mas chega. estou aliviada. o homem deixou de chorar. a depressão que se avizinhava foi-se. e toda a família há-de começar o ano feliz e contente. um final feliz.

29 dezembro, 2009

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os chicólatraschicolatras "Ilusão, Ilusão; Veja as coisas como elas são"

Beija Eu - Marisa Monte (clica aqui)

Seja eu!
Seja eu!
Deixa que eu seja eu
E aceita
O que seja seu
Então deita e aceita eu...

Molha eu!
Seca eu!
Deixa que eu seja o céu
E receba
O que seja seu
Anoiteça e amanheça eu...

Sorriso audível das folhas

Sorriso audível das folhas
Não és mais que a brisa ali
Se eu te olho e tu me olhas,
Quem primeiro é que sorri?
O primeiro a sorrir ri.

Ri e olha de repente
Para fins de não olhar
Para onde nas folhas sente
O som do vento a passar
Tudo é vento e disfarçar.

Mas o olhar, de estar olhando
Onde não olha, voltou
E estamos os dois falando
O que se não conversou
Isto acaba ou começou?

(Fernando Pessoa)

sorrisos

o homem não parava de reclamar em voz alta que os médicos ali no hospital eram todos uns sapateiros que quem não pode pagar um médico particular é uma desgraça que lhe receitavam seis comprimidos e só tomava um e eu pensando cá com os meus botões ainda não percebi porque vens aqui se não serve de nada será apenas porque te apetece sobrecarregar o sistema nacional de saúde ou chegas à consulta e diante do médico desfazes-te em mesuras como está senhor doutor passou bem o natal sim tomara que tenha um bom ano e por aí adiante. nisto um outro sujeito baixinho falava perto de mim com outro muito grande. eram doentes ali há muito tempo mas o médico que os atendia reformou-se e agora o pequeno tinha sido atendido por uma verdadeira "besta" que se tinha atrevido a perguntar-lhe assim logo de entrada o que o levava lá e segundo ele tinha respondido então o senhor não tem aí a minha ficha clínica como se isso fosse suficiente porque vejamos se ele ia lá pelo que estava na ficha não precisava com certeza de estar hoje ali naquela especialidade. já não sei como acabou por meter conversa comigo que não sou muito destas conversas de consultório. entretanto a pessoa que eu acompanhava foi chamada e levantei-me para a levar e ele disse-me já agora fico aqui para que a senhora me diga depois o que achou da besta. entrámos no consultório e constatei que a besta se tratava de um homem já de idade avançada mas ainda muito bonito e com um certo "chic" que deixou de ser comum nos homens pelo menos por aqui pelo burgo. a consulta correu lindamente o médico piscou-me várias vezes o olho enquanto sorria às queixas da paciente que não tinham nada a ver com a sua especialidade. lá ouviu as queixas da minha boca e mandou fazer os exames necessários. despediu-se de ambas com um sorriso e um aperto de mão tendo-se levantado da cadeira como um verdadeiro cavalheiro e não como a besta que o baixinho afirmava que ele era. e lá estava ele à espera para saber a minha opinião e ficou espantado quando eu disse que o senhor tinha sido muito simpático e tudo tinha corrido muito bem. a caminho de casa pensava que há pessoas que querem ser tratadas com simpatia sem mostrarem um sorriso. E foi o que mais aconteceu nesta consulta para além do acto médico. sorrisos.

28 dezembro, 2009

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Ondjakiondjaki celebro / enfim / o intenso vazio

Vamos esta noite - Clã (clique aqui)

Vamos
Dançar até cair, ir
Juntos vamos
Morrer de rir

Esta noite é só pra nós
Hoje não terá depois
Hoje não terá porquês
Esta noite é pra vocês
Virem comigo
Até ao fim
Para o fim do mundo

O mundo é grande

O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.


(Carlos Drummond de Andrade)

nem a cor do dinheiro

o que se passa aqui pelo burgo com os clientes dos bancos que faliram é perfeitamente inconcebível. e não me venham dizer que o dinheiro injectado por ali não é de todos nós porque eu não acredito. de resto tirando o pai natal acredito em muito pouca coisa. como é que se justifica que as pessoas estejam há mais de um ano com todo o seu dinheiro bloqueado ou melhor sem dinheiro nem a cor dele nem coisa nenhuma. para que serviu então a intervenção estatal? para que serviu a privatização senão para acumular dívidas sem dar resposta a quem já pode dizer adeus às economias de uma vida ou de parte dela? eu juro que antes de toda esta crise estalar nem sabia que havia um banco privado português nem um banco português de negócios. por isso sou insuspeita. é verdade que não tenho qualquer procuração nem sequer conheço qualquer cliente do banco mas ouvi dizer a um passarinho que por aqui passou cheio de pressa por causa do frio que a caixa geral de depósitos vai financiar uma certa senhora angolana filha de um certo presidente angolano para a compra de uma fatia gorda da zon. a gente sabe que sempre houve e sempre haverá filhos e enteados. e também sabemos que mais vale cair em graça do que ser engraçado. mesmo assim custa ver o desespero daqueles que além de não receberem o que é seu por direito ainda se vêm enxotados pela polícia. ou não foi assim?

27 dezembro, 2009

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Ondjakiondjaki ... Saudade do tom-sol nas bordas daquela infância... - eram, talvez, imitações de maresia...

O Meu Amor Existe - Jorge Palma (clica aqui)


O meu amor ensinou-me a chegar
sedento de ternura
sarou as minhas feridas
e pôs-me a salvo para além da loucura

O meu amor ensinou-me a partir
nalguma noite triste
mas antes, ensinou-me
a não esquecer que o meu amor existe

Menino

No colo da mãe
a criança vai e vem
vem e vai
balança.
Nos olhos do pai
nos olhos da mãe
vem e vai
vai e vem
a esperança.

Ao sonhado
futuro
sorri a mãe
sorri o pai.
Maravilhado
o rosto puro
da criança
vai e vem
vem e vai
balança.

De seio a seio
a criança
em seu vogar
ao meio
do colo-berço
balança.

Balança
como o rimar
de um verso
de esperança.

Depois quando
com o tempo
a criança
vem crescendo
vai a esperança
minguando.
E ao acabar-se de vez
fica a exacta medida
da vida
de um português.

Criança
portuguesa
da esperança
na vida
faz certeza
conseguida.
Só nossa vontade
alcança
da esperança
humana realidade.

(Manuel da Fonseca)

e as crianças senhor

se fosse dada a balanços estaria com certeza na altura de fazer um não é assim que fazem os estabelecimentos comerciais por exemplo quando chegam ao fim do ano fecham para balanço e muitos dos meus amigos embora não fechem para balanço tomam decisões importantes como deixar de fumar que raras vezes cumprem e se cumprem é porque não tem nada a ver com o que se prometeram para o início do ano. daqui a uma semana já terá passado o fim do ano e o novo ano será um recém-nascido espero que bem disposto pois que este dois mil e nove já me vai parecendo um velho rabugento com tricas políticas que não levam a lado nenhum e que a mim me parecem inventadas para nos fazer crer que afinal não é possível governar assim e todos sabemos que é haja vontade e deixem de se entreter com a estória dos casamentos homossexuais que isso é coisa que já devia estar legislada há muito tempo por isso não façamos agora a cena dos meninos surpreendidos como se este governo estivesse a fazer alguma coisa do outro mundo. porque por este andar (a lei do aborto na legislatura passada e os casamentos homossexuais nesta) nunca mais chegamos à modernidade menos ainda à igualdade uma vez que o mais importante ficou por legislar quero dizer a adopção de crianças por esses casais ou será melhor ter crianças institucionalizadas a crianças queridas e amadas ainda que por casais do mesmo sexo... afinal creio que sempre será mais difícil uma família mono parental do que este tipo de família mas isso sou eu que afinal de contas passo por não ter os sete alqueires bem medidos mas vai-se a ver em vez de sete tenho catorze (ou quatorze como aprendi na escola) e todos muito bem medidos. se bem que como sou contra a instituição do casamento não vejo qualquer utilidade nisto tudo. um dia talvez se chegue à conclusão que o necessário é mesmo abolir o casamento. mas para já o que é preciso é que tenhamos todos os mesmos direitos perante a lei. e isso inclui a adopção.

26 dezembro, 2009

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Ondjakiondjaki e foi assim que se fez silêncio. e era azul.

Começar de Novo - Simone e Ivan Lins (clica aqui)

Começar de novo e só contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Sem as tuas garras sempre tão seguras
Sem o teu fantasma, sem tua moldura
Sem tuas escoras, sem o teu domínio
Sem tuas esporas, sem o teu fascínio
Começar de novo e só contar comigo
Vai valer a pena já ter te esquecido
Começar de novo...

Poema de Natal


Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

(Vinicius de Moraes)

o pai natal existe


afastada aqui do meu tempo nem eu sei porquê uma vez que a falta de tempo nunca me serviu de desculpa para o que quero fazer e este espaço dá-me muita alegria mas talvez o facto de ser natal e de ter tido um natal como não tinha há muitos anos e que me deixou em estado de quase êxtase sei lá talvez tenha sido a incapacidade de poder expressar convenientemente a minha alegria apesar dos cortes de luz na noite de consoada apesar da vida condicionada assim sem mais nem menos mas depois tudo se compôs e até voltou a existir pai natal porque onde há crianças há pai natal e eu confesso que tinha saudades e nos últimos anos até já só queria era ver o natal pelas costas mas este ano foi diferente porque os meus netos estavam comigo e toda a família no dia seguinte quero dizer o de natal com muita miudagem a fazer a festa e a lançar os foguetes e até voltámos a jogar como na infância o jogo do anel e foi divertido e mais uma vez ficou-me o sentimento de que o mundo é das crianças e é para elas que temos obrigação de deixar um mundo melhor. muito melhor.

22 dezembro, 2009

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os chicólatraschicolatras "Quando eu rio; Rio seco; Como é seco o sertão; Meu sorriso é uma fenda; Escavada no chão"

Gente Humilde - Ana Carolina - (clica aqui)


E aí me dá uma tristeza
No meu peito
Feito um despeito
De eu não ter como lutar
E eu que não creio
Peço a Deus por minha gente
É gente humilde
Que vontade de chorar

Canção à ausente

Para te amar ensaiei os meus lábios...
Deixei de pronunciar palavras duras.
Para te amar ensaiei os meus lábios!

Para tocar-te ensaiei os meus dedos...
Banhei-os na água límpida das fontes.
Para tocar-te ensaiei os meus dedos!

Para te ouvir ensaiei meus ouvidos!
Pus-me a escutar as vozes do silêncio...
Para te ouvir ensaiei meus ouvidos!

E a vida foi passando, foi passando...
E, à força de esperar a tua vinda,
De cada braço fiz mudo cipreste.

A vida foi passando, foi passando...
E nunca mais vieste!

(Pedro Homem de Mello)

o incómodo da miséria

ando à toa com o tempo. tanto faz frio como afinal não faz a chuva tanto cai como deixa o sol brilhar o vento nem se sente e às tantas é de rajada enfim não há dúvida o planeta está de pernas para o ar. para me consolar apenas o facto de haver muita gente de férias e assim claro lisboa mais minha mais de mim menos dos carros uma quase maravilha. a verdade é que o país tem estado quase sempre em alerta e a esta hora começa outro que durará pelos vistos até às duas da tarde da véspera de natal. suponho que não será fácil para muita gente que vai passar o natal à terra como por cá se diz uma vez que encontrarão muitas estradas cortadas e acidentes que geralmente provocam quilómetros de fila e a malta a pensar que paga balurdios de portagens para chegar mais depressa e afinal dinheiro deitado à rua tudo parado muitas vezes é preciso fazer meia volta e tentar outras estradas secundárias às vezes com pisos não muito bons pior agora com esta água toda que decidiu desabar assim quase sem mais nem menos. não ter terra como eu é uma vantagem. pelo menos fico aqui no meu canto e recebo em casa a minha família desta vez é a sério os meus netos passam cá finalmente um natal com a família toda junta ao fim de tantos anos. bem toda não sei. será que quem ainda não veio conseguirá chegar de avião com a neve que vai por essa europa fora. espero que sim. para que tudo saia tão bem quanto desejo. é para isso que me serve o natal. para estar com as pessoas que amo. e para pensar mais do que nunca nos que para além de não terem terra também não têm um tecto que os abrigue. para esses nem o natal existe. porque apesar de todas as boas vontades estão destinados a uma marginalidade incómoda para todas. essa é a palavra. a miséria incomoda-nos a nós que temos o essencial. porque será?

21 dezembro, 2009

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os chicólatraschicolatras "Esse silêncio todo me atordoa; Atordoado eu permaneço atento"

Águas de Março - Elis Regina (clica aqui)


São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
pau, pedra, fim, caminho
resto, toco, pouco, sozinho
caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol

Ortofrenia

Aclamações
dentro do edifício inexpugnável
aclamações
por já termos chapéu para a solidão
aclamações
por sabermos estar vivos na geleira
aclamações
por ardermos mansinho junto ao mar
aclamações
porque cessou enfim o ruído da noite a secreta alegria por escadas
de caracol
aclamações
porque uma coisa é certa: ninguém nos ouve
aclamações
porque outra é indubitável: não se ouve ninguém

(Mário Cesariny)

à luz da vela entre outras peripécias

passei ontem por aqui e escrevi. sobre o frio de que não gosto. lembro-me de ter dito que ou o frio se ia embora ou ia eu mas como não é possível que vá eu teria o frio que sair. e hoje dez graus a mais logo de manhã e no entanto eu aqui gelada porque as casas ficaram frias o dia inteiro com os aquecimentos no máximo e as mãos quase paralisadas de frio não me importa que achem que sou louca afinal de contas louco é quem me chama. que culpa tenho se não fui feita para estes climas. seja como for estava melhor na rua do que dentro de casa mas como há que trabalhar nada a fazer a verdade é que não ajuda estar sentada horas seguidas. mas dizia eu que andei por aqui e escrevi tudo o que tinha a escrever só que fiquei sem internet e sem televisão e liguei para zon porque estava off e só queria que me confirmassem que a avaria era no exterior e geral e eles nada afinal hoje enviaram-me uma mensagem a confirmar as minhas suspeitas mas quando me levantei para ir trabalhar não tinha electricidade e direita ao micro ondas ainda meio a dormir lá percebi que afinal nada ia funcionar o melhor era mesmo acender o fogão à moda antiga e fazer o pequeno almoço e tomá-lo à luz das velas que pena estar só senão até podia ter sido um momento romântico mas a vida é assim. não espera que estejamos na melhor companhia para que seja necessário acender uma vela.

19 dezembro, 2009

o melhor do twitter

os chicólatraschicolatras "Pois já não vales nada; És pagina virada; Descartada do meu folhetim"

I Will Survive - Gloria Gaynor (clica aqui)

Go now! Go! Walk out the door!
Just turn around now!
'Cause you're not welcome anymore!
Weren't you the one
Who tried to break me with goodbye?
Did you think I'd crumble?
Did you think I'd lay down and die?

Ausência


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


(Carlos Drummond de Andrade)

facas

mandas fotos dos sítios por onde passámos da tua cidade onde ficaste e eu aqui a pensar em ti como posso esquecer tudo assim de repente se tu insistes em lembrar como posso esquecer assim tudo o que vivemos como é possível diz-me se souberes porque eu não sei sequer o que sinto ou o que sentes mas há dentro de mim uma vontade de chorar quando lembro os teu rosto uma vontade de chorar como choro sempre que nos reencontramos e tu porque choras e não entendes que é alegria e não entendes que eu por aqui tão longe pensando em tudo o que vivemos tudo o passeámos todas as carícias toda a ternura todos os segredos. será que quando me envias estes postais estás a pensar no mesmo que eu ou seja que não sabemos o que se passa o que se passou teremos que recomeçar do ponto onde parámos mas quando diz-me se esta vida nos afasta cada vez mais como se o mundo afinal não pequeno mas uma imensidade de oceanos e continentes e quando penso acho que tão perto mas afinal tão longe. sei que não deixo de pensar em ti sobretudo de manhã quando me levanto e penso na diferença horária se já estarás a trabalhar ou a estudar enquanto eu me levanto e penso em ti à noite quando me olho ao espelho e estranho o dizeres que eu bonita que disparate como podes dizer isso e no entanto sei que para ti é verdade tanto como as saudades que todos os dias me mordem e espetam. facas.

18 dezembro, 2009

o melhor do twitter

os chicólatraschicolatras "Mas nem as sutis melodias; 
Merecem, Cecília, teu nome
; Espalhar por aí"

Este seu Olhar - Diana Krall (clica aqui)

Este seu olhar quando encontra o meu
Fala de umas coisas
Que eu não posso acreditar
Doce é sonhar, é pensar que você
Gosta de mim como eu de você

Mas a ilusão quando se desfaz
Dói no coração de quem sonhou
Sonhou demais, ah! se eu pudesse entender
O que dizem os seus olhos

Da tua vida

Da tua vida o que não podem entender
Nem oiro nem poder nem segurança
Mas a paixão do Tempo e de seus riscos
Tu buscaste o instante e a intensidade
E foste do combate e da mudança
Por isso um rastro de ruptura e de viagem
Ou talvez este fogo inconquistado
Como breve eternidade
De passagem

(Manuel Alegre)

uma mulher valente

finalmente alguma luz da dinamarca para o planeta. mais uma maneira de mostrar que tudo está na convicção e vontade de fazer aquilo em que se acredita. numa semana que chega ao fim marcada pela vitória de uma mulher que se dispôs a mostrar ao mundo que estava disposta a sacrificar a sua saúde e bem estar pela causa em que acredita. e parecendo-me a mim que está um pouco fora de moda esta coisa de lutar por um país afinal de contas cada vez somos mais cidadãos do mundo eu pelo menos que a maior parte das vezes sinto que não sou de lugar algum devo confessar que admiro esta mulher frágil e pequena que foi capaz de virar todas s atenções para si e para a sua causa. há gente que ainda me emociona e se sempre tive a certeza que ninguém se arriscaria a deixar que ela morresse isso não diminuiu em nada a admiração que senti pela sua obstinação. são pessoas assim que nos mostram que afinal tudo é possível. pessoas que sabem que depois de morrerem outros tomarão o seu lugar porque deixaram a sua marca na história do mundo. é gente como Aminetou que nos ensina que devemos lutar pelos nossos sonhos até ao último instante. e já agora que os nossos sonhos sejam mais do que aqueles que maioria de nós tem quero dizer um ferrari ou uma casa com piscina. há sonhos mais difíceis e mais bonitos de sonhar. Aminetou tem um belo sonho. que viva pois para sempre no meu coração esta mulher valente.

17 dezembro, 2009

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Ondjakiondjaki "depois do farol? você diz, na direcção do mar? o que existe é um silêncio azul escuro. redondo mesmo... não sabia?" (o faroleiro)

Coração Vagabundo - Maysa e Gal Costa (clica aqui)

Meu coração não se cansa
De ter esperança
De um dia ser tudo o que quer

Meu coração de criança
Não é só a lembrança
De um vulto feliz de mulher

Estou lúcido como se nunca tivesse pensado

A noite desce, o calor soçobra um pouco,
Estou lúcido como se nunca tivesse pensado
E tivesse raiz, ligação direta com a terra
Não esta espécie de ligação de sentido secundário observado à noite.
À noite quando me separo das cousas,
E m'aproximo das estrelas ou constelações distantes —
Erro: porque o distante não é o próximo,
E aproximá-lo é enganar-me.

(Alberto Caeiro)

que venha a chuva

enquanto a cimeira de copenhaga não ata nem desata por cá a terra vai tendo uns tremeliques que deixam toda a gente numa aflição. quer dizer não é bem toda a gente porque eu por exemplo acordei àquela hora e não sei dizer se foi o sismo que me acordou ou não há três dias sonhei que sim mas isto também é normal porque costumo sonhar com coisas que acontecem dentro de dois ou três dias e são sonhos tão reais que fico sempre à espera de tirar a prova real e às vezes não chega e tenho que ir à dos famosos nove mas o que é que estou para aqui escrevendo agora que acabei os cavalos que fazem sombra sobre o mar e fiquei triste por ter acabado andei a ler aos pedacinhos como quem come um doce a ver se durava mais e afinal não. durou o mesmo as páginas não se multiplicaram e eu fiquei assim com uma vontade de ler tudo de novo e é o que farei depois de ler a fornada nova de livros que tenho para ler. e que mais dizer senão que o frio abrandou mas em troca temos a chuva acho que gosto muito mais a água lava tudo até as mágoas mesmo quando se trata de água doce e que seria do planeta sem água desde que não venham aquelas enxurradas que destroem tudo tomara que vá chovendo aquela chuva que faz falta para as sementeiras mas também para as barragens e para os animais. que somos todos afinal.

16 dezembro, 2009

o melhor do twitter

Ondjakiondjaki "há uma coisa... sim... de que sinto falta às vezes. sentir o corpo das árvores, e o verde que de manhã me acordava" - confessou o Faroleiro