28 fevereiro, 2010

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os chicólatraschicolatras
"Não me troquei; Voltei correndo ao nosso lar; Voltei pra me certificar; Que tu nunca mais vais voltar; Vais voltar, vais voltar"

O QUE SER? - CHICO BUARQUE & MILTON NASCIMENTO (clica aqui)

O que será, que será?
Que vive nas idéias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia a dia das meretrizes
No plano dos bandidos dos desvalidos
Em todos os sentidos...

Jogo

Eu, sabendo que te amo,
e como as coisas do amor são difíceis,
preparo em silêncio a mesa
do jogo, estendo as peças
sobre o tabuleiro, disponho os lugares
necessários para que tudo
comece: as cadeiras
uma em frente da outra, embora saiba
que as mãos não se podem tocar,
e que para além das dificuldades,
hesitações, recuos
ou avanços possíveis, só os olhos
transportam, talvez, uma hipótese
de entendimento. É então que chegas,
e como se um vento do norte
entrasse por uma janela aberta,
o jogo inteiro voa pelos ares,
o frio enche-te os olhos de lágrimas,
e empurras-me para dentro, onde
o fogo consome o que resta
do nosso quebra-cabeças.

(Nuno Júdice)

tenho pena

que falta me faz não passar por aqui todos os dias... guardo mais coisas para mim e o peso no coração aumenta mas a verdade é que não é fácil estar aqui a escrever enquanto ao meu lado alguém fala de tudo e de nada desde que não seja do presente. conversas que não fazem sentido para mim. como vou responder a uma mulher que é minha mãe e inverte os papéis. eu sou a mãe e ela a filha só que não é tão obediente quanto nos queria fazer crer antes de adoecer. enche-se de chocolates tal como uma criança e depois recusa-se a jantar e acha que eu não devo ralhar com ela por isso pois sei muito bem que as crianças gostam de chocolates... para tomar banho é outra carga de trabalhos. as visitas chegam e ela não reconhece ninguém. troca nomes e datas e fala de coisas de outros tempo que ninguém senão ela viveu. é como se entrássemos num filme surreal. cada dia mais pequenina está muito preocupada com a escola. por outro lado não gosta da professora que só a obriga a fazer ponto cruz e ela não lhe parece que seja coisa que vá ser útil para fazer o enxoval. de repente percebe que está noiva e fica triste porque o namorado não lhe escreve. e logo depois chega à conclusão que afinal já casou e é viúva e decide que o melhor é mesmo casar amanhã ainda que na realidade não conheça o noivo. difícil assim passar por aqui todos os dias. e tenho pena.

23 fevereiro, 2010

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Ondjakiondjaki ...agora que a escuridão chegou tão perto, quem irá explicar aos mais-velhos o nosso descuido pelo fogo...?

Telepatia - Lara Li (clica aqui)

Telepatia, sem contratempo
Deixei-te um dia, num desalento
E eu sonhava, existia
P'ra sempre, p'ra sempre foi pura poesia


Sem pensar não vi que passavas
Pelo meu corpo não ficavas

José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?


(Carlos Drummond de Andrade)

o limite é o infinito

garanto que posso começar a escrever guiões para cinema. é certo que são guiões um pouco violentos demais do tipo 500.000.000 de tiros por minuto. estórias onde aparece gente saída de armários. estórias tão interessantes de que estou certa que fariam sucesso de bilheteira sobretudo se fossem realizadas por uns tipos assim como o spielberg. de qualquer modo este mundo surrealista em que continuo a viver deixa-me exausta sobretudo porque de um minuto para o seguinte a estória muda e às tantas já nem sei bem em que filme estou. lembra-me o tempo em que as novelas apareceram em portugal e com as minhas amigas conseguíamos baralhar todos os argumentos e fazer uma nova novela a maior parte das vezes mais convincente do que as que passavam na tv. de qualquer modo sem a solidariedade de amigos mais ou menos chegados e até gente que mal me conhece cá vou levando o surrealismo até ao extremo que me é perimtido. onde é que eu já ouvi algo tipo o limite é o infinito...

o limite é o infinito

garanto que posso começar a escrever guiões para cinema. é certo que são guiões um pouco violentos demais do tipo 500.000.000 de tiros por minuto. estórias onde aparece gente saída de armários. estórias tão interessantes de que estou certa que fariam sucesso de bilheteira sobretudo se fossem realizadas por uns tipos assim como o spielberg. de qualquer modo este mundo surrealista em que continuo a viver deixa-me exausta sobretudo porque de um minuto para o seguinte a estória muda e às tantas já nem sei bem em que filme estou. lembra-me o tempo em que as novelas apareceram em portugal e com as minhas amigas conseguíamos baralhar todos os argumentos e fazer uma nova novela a maior parte das vezes mais convincente do que as que passavam na tv. de qualquer modo sem a solidariedade de amigos mais ou menos chegados e até gente que mal me conhece cá vou levando o surrealismo até ao extremo que me é perimtido. onde é que eu já ouvi algo tipo o limite é o infinito...

22 fevereiro, 2010

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Ondjakiondjaki eram sempre lentas as mãos da mulher... fazia do corpo um jardim, intenso, erótico...

O barco vai de saída - Fausto (clica aqui)



Aquilo é uma tempestade medonha
Aquilo vai p´ra lá do que é eterno
Aquilo era o retrato do inferno
Vai ao fundo
Vai ao fundo
E vai ao fundo sim senhor
Que vida boa era a de lisboa.

Só nos pertence o gesto que fizemos

Só nos pertence o gesto que fizemos
não o fazê-lo como, iludida,
a divindade que em nós já trouxemos
supõe errada (e não) por convencida.

Porque o traçado nosso em breve cessa,
para que outro o recomece e não progrida;
que um gesto em ser gesto real se meça,
não está em nós fazê-lo, mas na Vida.

Assim o nada a sagra quando finda
porque o que é, só é o não ainda.

(Vergílio Ferreira)

a minha religião

no ensaio sobre a cegueira saramago expõe ao máximo a generosidade e a maldade de que somos feitos. assistimos a situações semelhantes recentemente no haiti onde os bandidos não deixaram de ser bandidos só porque há uma tragédia que deixou milhares de pessoas sem nada. e como o nada nunca é exacto até esse foi roubado pelos bandidos. por outro lado a solidariedade e a generosidade expressaram-se felizmente em número muito maior. o que faz com que a minha fé no ser humano seja por enquanto a minha única e sincera fé. agora que a tragédia nos atingiu aqui bem perto numa das nossas ilhas mais conhecidas e turísticas a chuva que caiu torrencialmente em pouco tempo quase destruiu a ilha. e apesar de todas as divergências que têm separado os madeirenses do resto do país por razões políticas a solidariedade nacional mostrou-se em grande escala. infelizmente na madeira também existiram actos menos correctos. mas a solidariedade e generosidade foram muito maiores. mais uma razão para que a minha religião continue a ser o ser humano.

21 fevereiro, 2010

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os chicólatraschicolatras "Pra se viver do amor; Há que esquecer o amor"

Nem um Dia - Djavan (clica aqui)



Um dia frio
Um bom lugar prá ler um livro
E o pensamento lá em você
Eu sem você não vivo
Um dia triste
Toda fragilidade incide
E o pensamento lá em você
E tudo me divide

Como uma criança


Como uma criança antes de a ensinarem a ser grande,
Fui verdadeiro e leal ao que vi e ouvi.

(Alberto Caeiro)

vivo num mundo surreal de gente surreal tudo me é estranho as conversas são estranhas as atitudes são estranhas eu deixar de ser quem sou e encarnar as personagens que me são destinadas minuto após minuto tornam-me estranha a mim mesma. um dia destes olho para o espelho e não me reconheço tenho quase a certeza disso. sou tantas personagens diferentes a um só tempo que um dia destes acordo e não sei quem sou nem se hei-de sair para trabalhar ou me deixo estar em casa porque estou reformada. um dia destes acordo e não me reconheço ao espelho. serei a garota de 10 anos ou a velha de 90? quem sou eu afinal que sou toda a gente menos eu. e começo a ter saudades de me encontrar de acordar a cantar e a rir sem saber porquê sem razão alguma. aqui ao meu lado o murmúrio de uma pessoa com alzheimer não consegue distrair-me completamente disto que quero contar porque se conto passa a ser a minha verdade e assim talvez eu consiga voltar a ser eu mesma no tempo que é o meu com as minhas próprias recordações sem ser obrigada a viver na pele de personagens que nem conheci ou que conheci apenas de ouvir falar. eu quero acordar e saber quem sou. só.

20 fevereiro, 2010

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os chicólatraschicolatras "Que dia! Puxa, que vida danada; Tem tanta calçada pra se caminhar"

Gota d'água - Chico Buarque (clica aqui)



Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água
Pode ser a gota d'água
Pode ser a gota d'água....

Poeminha sobre o tempo

O despertador desperta,
acorda com sono e medo;
por que a noite é tão curta
e fica tarde tão cedo?

(Millôr Fernandes)

manter a calma

sou parte da geração sandwich. mas o que me atrapalha é mesmo o senhor alemão que põe e dispõe da cabeça de cada um como quer. e aqui estou eu armada em carcereira para não deixar que a minha mãe saia de casa. felizmente o facto de estar muito mau tempo deu uma ajuda e também o facto de perceber que se saísse iria sozinha. mas não é fácil lidar com estas situações. tanto está num sítio como noutro. tanto diz que está farta de estar em casa com diz que se fartou de passear e por isso está cansada. a maior parte do tempo consegue ser feliz mas quando tenta como ainda há pouco sair de casa e é contrariada fica muito agitada. sinto que precisava de um curso um mestrado e um doutoramento para pode lidar com esta doença tão estranha que se chama alzheimer. um nome tão estranho quanto a doença. e vejo-me fechada em casa os fins de semana inteiros felizmente tenho a sorte de ter alguém que fique com ela durante a semana quando vou trabalhar. e não sei como seria capaz de viver se não fosse este escape que acaba por ser a responsabilidade de ter um emprego que exige de mim mais do que a maior parte dos trabalhos exige de cada um. um emprego que me faz compreender constantemente que há muita gente em pior situação do que eu. o mais importante já percebi é manter a calma.

18 fevereiro, 2010

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os chicólatraschicolatras "Com todas as palavras feitas pra humilhar nos afagamos"

Foi por ela - Fausto Bordalo Dias (clica aqui)

Foi por ela que amanhã me vou embora
ontem mesmo hoje e sempre ainda agora
sempre o mesmo em frente ao mar também me cansa
diz Madrid, Paris, Bruxelas quem me alcança
em Lisboa fica o Tejo a ver navios
dos rossios de guitarras à janela
foi por ela que eu já danço a valsa em pontas
que eu passei das minhas contas foi por ela

Não sei o que é conhecer-me


Não sei o que é conhecer-me. Não vejo para dentro.
Não acredito que eu exista por detrás de mim.

(Alberto Caeiro)

o meu país também é bué


o tempo continua frio. muito frio e eu não dispenso o aquecedor. apesar de ter o ar condicionado ligado todo o dia saio do emprego com frio. na rua é pior. gostava de saber como não me constipo com tanto frio. para não falar da chuva porque essa como já vimos aproxima-nos de qualquer desconhecido. pode até contribuir para uma nova historia seja ela o que for. e por falar em estórias acabo de ler os fantásticos "contos de morte" de pepetela um dos escritores angolanos de que mais gosto pelo seu humor e pela maneira como desconsegue de me deixar triste. não sei se me faço entender assim com este vocabulário pepetela mas o que quero mesmo é dizer que ele me deixa alegre com as suas estórias mesmo as menos felizes. e depois de ter começado o dia com uma varia nos comboios da linha de cascais acabei esquecendo o atraso porque tinha comigo os contos de pepetela. e acabando com "o meu país é bué" também eu quero dizer que o meu país é bué mas ao contrário do país do miúdo de pepetela o meu país é bué da triste.

17 fevereiro, 2010

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os chicólatraschicolatras "Quero inventar o meu próprio pecado; Quero morrer do meu próprio veneno"

História do Zé Passarinho - Ala dos Namorados (clica aqui)


Nasce o dia atrás da Sé
E ninguém arreda pé
Nem por dó, nem por esmola
O povo ficou sentado
Para ouvir cantar o fado
Passarinho na gaiola

Cada um cumpre o destino que lhe cumpre


Cada um cumpre o destino que lhe cumpre,
E deseja o destino que deseja;
Nem cumpre o que deseja,
Nem deseja o que cumpre.
Como as pedras na orla dos canteiros
O Fado nos dispõe, e ali ficamos;
Que a Sorte nos fez postos
Onde houvemos de sê-lo.
Não tenhamos melhor conhecimento
Do que nos coube que de que nos coube.
Cumpramos o que somos.
Nada mais nos é dado.

(Ricardo Reis)

chuva e literatura

luís sepúlveda diz que a chuva aproxima as pessoas. que as pessoas entram nos cafés para se abrigarem e acabam bebendo café juntos e conversando de tudo e de nada. esta manhã a chuva esperou que eu saísse de casa para começar a cair com muita força. e lá ia eu sem me preocupar muito com a chuva uma vez que não sou um saco de farinha quando um homem me alcançou no passeio e me abrigou no seu chapéu de chuva. disse que também não gosta de chapéus de chuva mas às vezes tem que ser... eu não creio que tenha que ser assim mas o facto do homem se ter aproximado e me ter abrigado da chuva só provou que o luís tinha razão. a chuva é uma bênção que até serve para aproximar as pessoas. se bem que por cá estamos todos um bocadinho fartos de tanta água a cair do céu. e agora mudando um pouco da chuva do luís para os livros que não são apenas dele quero falar da nona vida de louis drax uma estória divertida. uma espécie de policial de humor negro. tal como a chuva também os livros aproximam as pessoas. daí que afinal a chuva e os livros talvez tenham mesmo alguma coisa em comum.

16 fevereiro, 2010

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os chicólatraschicolatras "Ô iaiá… vem pra avenida; Ver “meu guri” desfilar; Ô iaiá… é a Mangueira; Fazendo o povo sambar”

Quem te viu, quem te vê - Chico Buarque (clica aqui)

Quando o samba começava você era a mais brilhante
E se a gente se cansava você só seguia a diante
Hoje a gente anda distante do calor do seu gingado
Você só dá chá dançante onde eu não sou convidado

O meu samba assim marcava na cadência os seus passos
O meu sonho se embalava no carinho dos seus braços
Hoje de teimoso eu passo bem em frente ao seu portão
Pra lembrar que sobra espaço no barraco e no cordão

Poeminha de louvor ao strip-tease secular


Eu sou do tempo em que a mulher
nem mostrava o tornozelo;
que apelo!

Depois, já rapazinho
vi as primeiras pernas de mulher
por sob a curta saia;
que gandaia!

A moda avança,
a saia sobe mais,
mostrando já joelhos
lupercais!

As fazendas com os anos,
se fazem mais leves,
e surgem figurinhas, pelas ruas,
mostrando as lindas formas quase nuas.

E a mania do sport
trouxe o short.

O short amigo,
que trouxe consigo,
o maiô de duas peças.

E logo, de audácia em audácia,
a natureza, ganhando terreno,
sugeriu o biquini,
o maiô, de pequeno, ficando mais pequeno
não se sabendo mais,
até onde um corpo branco,
pode ficar moreno.

Deus, a graça é imerecida,
Mas dai-me ainda
Uns aninhos de vida!

(Millôr Fernandes)

talvez um dia

quem dera voltar a sentir vontade de passar por aqui todos os dias mas a verdade é que está cada vez mais difícil passar por aqui e contar algo que faça rir ou simplesmente interessante de qualquer forma. vivo dias muito difíceis e já procurei ajuda pois sei que tenho que ser mais forte que nunca. desde a semana passada a doença da minha mãe (alzheimer) agravou-se de modo assustador. de tal forma que muitas vezes fico a olhar para ela sem saber que resposta dar às suas questões quer porque ela não está a falar comigo (sou a mãe dela ou uma das irmãs a maior parte das vezes) quer porque fala de coisas tão antigas que eu não me posso pôr na pele da pessoa com quem ela está a falar. pior que tudo é o facto de não perceber onde está embora ache que todas as coisas são iguais àquelas a que está acostumada. a angústia atormenta-me e por isso procurei ajuda de quem sabe. por outro lado posso contar com a experiência de vinte anos a lidar com a doença desde o início até à morte de uma amiga. e quando ela me diz que o pai esteve doente vinte anos eu penso que graças à incompetência do médico que seguiu a minha mãe durante mais de dez anos nunca saberemos há quanto tempo ela estava doente. e se eu não conseguisse convencê-la a afastar-se daquele incompetente nunca teríamos sequer um diagnóstico pois ele sempre afirmou que a cabeça dela estava muito bem. pelos vistos enviá-la a um neurologista ou mandar que fizesse uma tac era coisa que lhe dava muito trabalho. se eu não estivesse tão exausta apresentaria queixa do senhor. talvez o faça um dia mais tarde quem sabe.

14 fevereiro, 2010

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os chicólatraschicolatras "Mas é carnaval, não me diga mais quem é você; Amanhã tudo volta ao normal; Deixa a festa acabar, deixa o barco correr"

Corrente - Chico Buarque (clica aqui)

Eu acho que o meu samba é uma corrente
E coerentemente assino embaixo

Hoje é preciso refletir um pouco
E ver que o samba está tomando jeito

Só mesmo embriagado ou muito louco
Pra contestar e pra botar defeito

Precisa ser muito sincero e claro
Pra confessar que andei sambando errado

A Praça

A praça da Figueira de manhã,
Quando o dia é de sol (como acontece
Sempre em Lisboa), nunca em mim esquece,
Embora seja uma memória vã.

Há tanta coisa mais interessante
Que aquele lugar lógico e plebeu,
Mas amo aquilo, mesmo aqui ... Sei eu
Por que o amo? Não importa. Adiante ...

Isto de sensações só vale a pena
Se a gente se não põe a olhar para elas.
Nenhuma delas em mim serena...

De resto, nada em mim é certo e está
De acordo comigo próprio. As horas belas
São as dos outros ou as que não há.

(Álvaro de Campos)

conversas interessantes para c...

o rapaz sentado à minha frente de t-shirt parece não sentir o frio. olho para ele e fico sem perceber como é capaz de aguentar o frio. pouco depois com o correr da conversa com o amigo parece-me que afinal não deve ser difícil não sentir frio apesar das baixas temperaturas quando as palavras que mais se utilizam são dois palavrões bem cabeludos. e a conversa é uma treta interessantíssima sobre piercings que ele pretende fazer quando tiver coragem porque aquilo dói para c... e aquele que fez na orelha f... foi muito doloroso mas agora o que ele quer mesmo é comprar mais uns brincos não dos chineses como o amigo lhe indica porque esses provocam infecções do c... e ele até conhece um gajo que com certeza vai ficar sem a orelha à conta de brincos comprados nos chineses e ele não vai fazer nada disso f... porque não é parvo nem nada c... acabo pensando que afinal quem olhasse para aquele rapaz com um ar tão "bem" nunca pensaria que ao abrir a boca só lhe saíssem pérolas daquelas tão preciosas. senti-me aliviada quando saíram. primeiro porque o tipo falava bem alto como se quisesse que toda a agente soubesse que ele é corajoso para c... e o resto que se f...

11 fevereiro, 2010

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os chicólatraschicolatras "Larga a minha mão, solta as unhas do meu coração; Que ele está apressado; E desanda a bater desvairado quando entra o verão"

Filtro

O poema
filtra
cada imagem
já destilada
pela distância,
deixa-a
mais límpida
embora
inadequada
às coisas
que tenta
captar
no passado
indiferente.

(Carlos de Oliveira)

como enriquecer em portugal

já deito faces ocultas pelos poros cabelos e etc. etc. etc. já não há pachorra. estou farta de tanta teoria e estou sobretudo farta de gente que parece que de repente passou a sofrer de falta de memória e hoje diz uma coisa e amanhã diz outra conforme mais convém e penso cá para mim e chego a perguntar aos que me rodeiam será que esta gente graúda que se passeia pelos corredores deste pequeno país mais os outros ainda mais graúdos que para além de se passearem pelos mesmos corredores têm a pretensão de pensar que nos governam pretendem ainda que somos um país de gente estúpida? será por sermos um país assim que a média da escolaridade é tão baixa ou pelo contrário é conforme sopra o vento hoje é preciso que sejamos todos doutores e logo a seguir o que convém é que para além de analfabetos sejamos completamente destituídos de inteligência... afinal de contas a verdade é que a doença com o nome do senhor alemão está a afectar gente cada vez mais jovem e ainda por cima altos quadros de empresa isto cá para mim a malta que gosta de medicina deve é especializar-se em neurologia porque vão ser precisos muitos neurologistas para tratarem gente tão nova e já com a memória tão afectada. eu cá se gostasse de medicina era o que fazia. especializava-me em neurologia e ficava rica em menos de nada.

10 fevereiro, 2010

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os chicólatraschicolatras "Qualquer canção de amor; É uma canção de amor; Não faz brotar amor e amantes"

Bad Day - Daniel Powter (clica aqui)

Where is the moment we needed the most
You kick up the leaves and the magic is lost
They tell me your blue skies fade to grey
They tell me your passion's gone away
And I don't need no carryin' on

You stand in the line just to hit a new low
You're faking a smile with the coffee to go
You tell me your life's been way off line
You're falling to pieces everytime
And I don't need no carryin' on

Do nada que se sabe


A lua ignora que é tranquila e clara
E não pode sequer saber que é lua;
A areia, que é a areia. Não há uma
Coisa que saiba que sua forma é rara.
As peças de marfim são tão alheias
Ao abstracto xadrez como essa mão
Que as rege. Talvez o destino humano,
Breve alegria e longas odisseias,
Seja instrumento de Outro. Ignoramos;
Dar-lhe o nome de Deus não nos conforta.
Em vão também o medo, a angústia, a absorta
E truncada oração que iniciamos.
Que arco terá então lançado a seta
Que eu sou? Que cume pode ser a meta?

(Jorge Luis Borges)

o nome das coisas

não é porque já sabia o nome da doença ou porque sabia que a minha mãe a tinha que me doeu menos ouvir o nome. ou se calhar sim. afinal todos nós precisamos de dar um nome às coisas. acho que foi a sofia que deu a um livro seu o nome das coisas. será pois normal querermos dar um nome a casa coisa. e uma doença é uma coisa. ou não é? é. agora a minha mãe já não tem uma doença qualquer tem uma doença com um nome. uma doença descoberta por um senhor alemão. e porque o senhor alemão descobriu a doença ela ficou conhecida pelo seu nome. esta manhã quando levei a minha mãe a um especialista chovia. o trânsito estava perfeitamente impossível. eu tinha que estar lá a uma hora determinada e olhava para o relógio e pensava vou chegar a tempo vou chegar a tempo... e cheguei. a tempo de saber o que já sabia. só que agora foi uma perita que deu um nome àquela coisa que está destruindo todos os laços que a minha mãe tem teve com a realidade. devia pôr parêntesis mas não me apetece. não me apetece nada de novo. apenas fazer o que tenho que fazer. preparar-me para dias ainda mais difíceis. e contar com a solidariedade que tenho recebido de todos os lados. mesmo dos mais improváveis.

09 fevereiro, 2010

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os chicólatraschicolatras "O verdadeiro amor sempre é o que morre"