30 setembro, 2009

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Ondjakiondjaki "procura-se jovem senhora. Cantora. Preferência pelas carecas." contacto: Cidade de Paris. Sr. Eugene Ionesco. (urgência teatral)

Essa Moça Tá Diferente - Chico Buarque (clica aqui)

Faço-lhe um concerto de flauta
E não lhe desperto emoção
Ela quer ver o astronauta
Descer na televisão
Mas o tempo vai
Mas o tempo vem
Ela me desfaz
Mas o que é que tem
Que ela só me guarda despeito
Que ela só me guarda desdém

Sobre outros lábios


Eu crescia para o verão

para a água

antiquíssima da cal

crescia violento e nu.



Podiam ver-me crescer

rente ao vento

podiam ver-me em flor,

exasperado e puro.



À beira do silêncio,

eu crescia para o ardor

calcinado dos cardos

e da sede.



Morre-se agora

entre contínuas chuvas,

os lábios só lembrados

de um verão sobre outros lábios



(Eugénio de Andrade)

azares

acabo de receber uma chamada telefónica do meu gestor de conta informando que o meu cartão de crédito foi usado ou foi feita uma tentativa de o fazer num país estrangeiro ainda não identificado. é a segunda vez que isto me acontece. é perfeitamente absurdo que na era em que vivemos os cartões que usamos diariamente ainda se verifiquem situações destas constantemente. porque todos temos o dever de alertar para este tipo de situação relato também a recepção há cerca de um mês de um email do brasil que me informava que o meu cartão tinha sido usado não se sabia bem como mas que tinha sido detectado e que portanto existia um "extorno" em meu favor. para regularizar a situação eu só tinha que entrar no site do anexo e confirmar os meus dados bancários... se houvesse algum erro eu deveria imediatamente entrar em contacto para os rectificar. pois claro. nem mais nem ontem. já agora sempre é mais fácil do que clonar um cartão. o que sei é que acabo de ter a minha noite estragada graças a um bando de gangsters que devem ter achado que eu tinha dinheiro para dar. é triste chegar à conclusão que quem vive apenas do seu salário esteja assim sujeito a ser roubado. da outra vez a coisa foi de fácil resolução e não me deu grandes problemas. o dinheiro foi reposto. mas dessa vez fui eu que percebi que alguém tinha usado o cartão para fazer compras. é que dessa vez o montante não era nada de extraordinário... mas desta vez a coisa ia acima dos 3.000 euros. pois claro. eu também acho que se é para roubar que seja em grande... o azar foi eu não ter tanto dinheiro.

29 setembro, 2009

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Ondjakiondjaki um raio de sol / gume de fogo / veio acordar-me a janela / ensinando-me pela luz / um lugar chamado mundo./ era de manhã, numa certa suécia.

Atrás dos tempos... - Fausto (clica aqui)

Mas esse tempo que há-de vir
Não se espera como a noite
Espera o dia
Nasce da força que transpira
De braços e pernas em harmonia
Já basta tanta desgraça
Que a gente tem no peito
A cair
Não é do povo
Nem da raça
Mas do modo como vês o porvir
Que atrás dos tempos vêm tempos
E outros tempos hão-de vir

Os erros

A confusão a fraude os erros cometidos
A transparência perdida — o grito
Que não conseguiu atravessar o opaco
O limiar e o linear perdidos

Deverá tudo passar a ser passado
Como projecto falhado e abandonado
Como papel que se atira ao cesto
Como abismo fracasso não esperança
Ou poderemos enfrentar e superar
Recomeçar a partir da página em branco
Como escrita de poema obstinado?

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

com quem podemos contar?

eu já desconfiava. o pr e outros senhores(as) deste país têm uma invulgar inteligência. de tal modo que eu sinto-me completamente estúpida. depois de uma semana de suspense enorme vem dizer coisas que não consigo perceber. há quem diga que ele acusou o partido socialista. a verdade é que me pareceu muito pouco claro nas palavras. pronto. eu sei que é mesmo assim. o homem nunca falou para que o povo percebesse. só mesmo inteligências muito iluminadas as que eu chamo cabecinhas pensadoras e coroadas o poderão ter entendido. parece que foi o que aconteceu com a gente do seu partido. mas também lhe digo senhor pr do alto da minha qualidade de cidadã do estado português como diz o povo que afinal é quem tudo sabe quem parte e reparte e não fica com melhor parte ou é parvo ou não tem arte... então o senhor tem uma bomba dessas nas mãos e deixa o zé povinho a marinar uma semana antes das eleições? peço desculpa mas se foi isto que aconteceu eu se fosse a nélita cortava já já relações consigo. sim. porque com amigos como o senhor ninguém precisa de inimigos. daqui ouço a tv e sei que se está neste momento a tentar perceber o que o senhor quis dizer mas não teve vontade ou coragem de dizer. há coisas que se não forem ditas muito claramente para que todos as entendamos mais vale calar para sempre. isto está a fazer-me lembrar o tempo em que os filmes que passavam na noite de cinema eram primeiro contados por um senhor que falava muito e não dizia nada. era assim uma maneira de mostrar ao país que temos verdadeiros intelectuais. eu por mim estou farta desta novela. estou farta do governo. estou farta do pr. estou farta de ser desgovernada. mas porque raio não optamos pelo anarquismo? assim pelo menos podíamos contar só conosco.

28 setembro, 2009

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chico buarquechico_buarque"Quando nos apaixonamos; Poça d'água é chafariz; Ao olhar o céu de Ramos; Vê-se as luzes de Paris"

Terra dos sonhos - Jorge Palma (clica aqui)


Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és,ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entre linhas, ninguém se pode enganar
E abre bem os olhos,escuta bem o coração se é que queres ir para lá morar

Labirinto ou alguns lugares de amor

O outono
por assim dizer
pois era verão
forrado de agulhas

a cal
rumorosa
do sol dos cardos

sem outras mãos que lentas barcas
vai-se aproximando a água

a nudez do vidro
a luz
a prumo dos mastros

os prados matinais
os pés
verdes quase

o brilho
das magnólias
apertado nos dentes

uma espécie de tumulto
as unhas
tão fatigadas dos dedos

o bosque abre-se beijo a beijo
e é branco

(Eugénio de Andrade)

bem bom!

aproveito o dia de folga para pôr o sono em dia. e assim levanto-me mais tarde do que o costume. o dia está quente mas com uma luz demasiado difusa. mesmo assim decido sair com a câmara. afinal faz tempo que me entrego à preguiça e me deixo focar só a guarda recordações do que vejo. e qualquer dia esqueci. por isso me espantei tanto um dia destes ao refazer o meu curriculum. tanta coisa que já não me lembrava de ter feito! tanta gente tem passado na minha vida! nomes que lidos me dão saudades. e por isso decidi levar a câmara. pois claro que os 5 km que faço geralmente em 1 hora em passo mais ou menos de quem quer é esquecer o dia a dia se torna quase me duas horas. ainda ontem fiz o percurso. mas ainda bem que decido hoje levar a câmara. porque há coisa que vale a pena guardar para mais tarde recordar como diz a publicidade. acabo o dia no hospital. nada de grave. acompanhando a minha mãe que sofre mesmo é de velhice. algo de que muitos de nós jamais nos poderemos queixar. é atendida em menos de uma hora. inclui a triagem o raio x e a consulta. bem bom. o país está sossegado. a campanha para as eleições autárquicas já começou. creio que estamos todos muito cansados de política e políticos. o país mudou ou terá que mudar inevitavelmente. agora sinto-me mais confiante. a perda da maioria absoluta do partido do governo deixou-me descansada. o facto de não ter que olhar todos os dias para uma senhora que não é capaz sequer de fazer a concordância gramatical em português também. e sobretudo já me safei do risco de borbulhas pelo corpo todo. bem bom!

27 setembro, 2009

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Ondjakiondjaki"e se roubássemos o 'a' à palavra Macondo, achas que era chato?", disse o jovem antes de rabiscar Mc Ondo...

Carteiro em Bicicleta - João Afonso (clica aqui)

Quando for grande vou ser
quero ser um realejo
colher amêndoa em telhados
dar banana às andorinhas
dobrar o cabo do mundo
quero ser um realejo

Carteiro em bicicleta
leva recados de amor
vem o sono com a música
ao som do realejo

Briga


Brigar é simples.
Chame-se covarde ao contendor.
Ele olhe nos olhos e:
— Repete.
Repita-se: — Covarde.
Então ele recite, resoluto:
— Puta que pariu.
— A sua, fio da puta.

Cessem as palavras. Bofetão.
Articulem-se os dois no braço a braço.
Soco de lá soco de cá
pontapé calço rasteira
unha, dente, sérios, aplicados
na honra de lutar:
um corpo só de dois que se embolaram.

Dure o tempo que durar
a resistência de um.
Não desdoura apanhar, mas que se cumpra
a lei da briga, simples.

(Carlos Drummond de Andrade)

talvez amanhã outro país

noite de eleições deixa-me sempre pregada frente à televisão. começo por mais uma vez manifestar a minha tristeza pelo nível de abstenção. quase 40% dos portugueses estão-se nas tintas para o rumo que o país pode tomar. 40% dos portugueses encontram-se alheados da crise existente e não manifestam qualquer vontade de que alguém nos ajude a resolver os problemas do país que são afinal os problemas de todos nós. mais uma vez foi quem mais ganhou. a abstenção. e acabo de ouvir o alberto joão muitíssimo enfadado porque a esquerda mais uma vez ganhou. o homem nem se referiu á abstenção. afinal que importância é que isso tem não é? falta ainda ouvi-lo pronunciar-se sobre o resultado do bloco de esquerda que duplica o número de deputados na assembleia. estou à espera de o ouvir dizer mais uma vez que os eleitores do bloco de esquerda são todos atrasados mentais. o homem o que queria mesmo era acabar de vez com a esquerda não só na madeira (e não é que a sua região elegeu pela primeira vez um deputado do partido socialista?) como no país e no mundo. o partido da nelita tem uma série de simpatizantes e militantes pouco inteligentes que estiveram durante os últimos 15 dias entretidos entre outras coisas a enviar emails denegrindo o partindo do zézito. e se é verdade que não morro de amores pelo zézito a verdade é que por cada email que rcebi achincalhando o homem a minha simpatia cresceu um bocadinho. e às tantas foi assim que apesar de tudo o zézito viu o seu partido mais votado. felizmente acabou-se a maioria. aguardo agora que o bloco de esquerda cumpra a sua palavra e contribua realmente para um país mais justo... ó zézito vê se atinas. então tu vens dizer que tiveste uma vitória extraordinária depois de teres perdido tantos votos? vê lá se atinas menino que é para a gente não se zangar outra vez. para já posso dormir descansada. depois logo se verá.

26 setembro, 2009

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chico buarquechico_buarque"Se a terra anda ameaçada de se acabar numa explosão de sal;
 Se aliste, meu camarada; A gente vai salvar o nosso carnaval"

Mundo ao contrario - Xutos & Pontapés (clica aqui)

Bem depois,
De estar na rua,
Instalou-se uma dor
Por nós dois,
Talvez sair
Tivesse sido o melhor...

Se assim foi,
Então porque me sinto a morrer de amor?

Tenho a noite
A atravessar
Doi-me não ir,
Mas não me deixas voltar...



Joga todo o teu ser na breve ideia


Joga todo o teu ser na breve ideia
que incerta entre o corrente te procura
pra lá do que banal te prende e enleia
e pelo destacá-la emerge pura.

Fazê-lo é dar-lhe já o que perdura.
Porque a banalidade que a medeia
como à pedra vulgar por entre a areia
esquece o que em tomá-la a rareia.

Ser homem é escolher o que o oriente
e ser-lhe o mais a margem que lhe mente.

(Vergílio Ferreira)

a gente ainda chega lá

amanhã é o dia. quem me dera já ter passado esse domingo que me fará andar agitada procurando sossego junto ao mar. convidei família para almoçar mas não vou perder muito tempo na cozinha. há aqueles pratos que se fazem rapidamente e saem sempre bem não é? pois é um desses que eu vou fazer porque sei que toda a minha atenção estará virada para as notícias e os possíveis casos do dia. é mais forte que eu. costumo dizer que a democracia me trouxe duas coisas de que não abdico. o voto e o direito à greve. e eu costumo fazer uso dos dois já que são as únicas armas que me restam para protestar. se me dessem um banquinho para eu ficar um pouco acima das outras cabeças eu faria um discurso apelando a todos que não fiquem em casa. se acreditam (ainda) em algum político saiam para votar. se não acreditam saiam para votar também. o voto branco é uma arma tão boa quanto qualquer outra. o que não vale é ficar em casa e dizer não estou para isto. são todos iguais. primeiro porque na verdade não são. não há duas pessoas iguais. na política também há gente boa como no resto das profissões. mas se não acreditam em ninguém se ninguém conseguiu convencê-los das suas boas intenções então vão votar. em branco pois. mas não se deixem arrastar por essa indolência. o futuro só estará nas nossas mãos se nós fizermos por isso. não deixem que mais uma vez a abstenção vença as eleições. isso é uma vergonha para o país para o povo para a democracia. confio ainda neste povo. um dia a gente chega lá.

25 setembro, 2009

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chico buarquechico_buarque"Nossas palavras que se cruzavam; Já não parecem mais casais; Hoje andam tortas feito uma jura; Que quer voltar atrás"

Problema de Expressão - Clã (clica aqui)

Só pra dizer que te amo
Não sei porquê este embaraço
Que mais parece que só te estimo.

E até nos momentos em que digo que não quero
E o que sinto por ti são coisas confusas
E até parece que estou a mentir,
As palavras custam a sair,
Não digo o que estou a sentir,
Digo o contrário do que estou a sentir.

Certas palavras

Certas palavras não podem ser ditas
em qualquer lugar e hora qualquer.
Estritamente reservadas
para companheiros de confiança,
devem ser sacralmente pronunciadas
em tom muito especial
lá onde a polícia dos adultos
não adivinha nem alcança.

Entretanto são palavras simples:
definem
partes do corpo, movimentos, actos
do viver que só os grandes se permitem
e a nós é defendido por sentença
dos séculos.

E tudo é proibido. Então, falamos.

(Carlos Drummond de Andrade)

acordar na cidade cor de rosa

acordo ainda é noite. dou umas voltas na cama tentando voltar a dormir. chego à conclusão que não é possível. pois bem. paciência. levanto-me e preparo-me para mais um dia de trabalho. saio de casa ainda o sol não se levantou. mas sabe bem pedalar sem trânsito. olhar para trás antes de cada mudança de direcção e ver que não é preciso travar. até parece que tenho um grande carro. sou a dona da estrada. é já a caminho de lisboa que vejo o nascer do sol. a bola vermelha que se vai levantando do rio. o que eu gosto de ver este espectáculo! é como se renascessemos todos os dias. tudo fica para trás no momento em que o sol se vai erguendo. sabemos que a vida começa ali. naquele exacto momento. não importa o que estejamos a fazer. e é com esta sensação fantástica que vejo a cidade flutuante a manobrar para atracar no cais de alcântara. dou comigo a pensar quantos passageiros se terão levantado a tempo de ver lisboa a surgir com o sol por trás de si. quantas pessoas terão assistido ao espectáculo do deslizar da cidade flutuante sobre o rio que é parte da cidade que durante o dia hão-de visitar. espero que muitos deles tenham vencido a tentação de mais uns minutos na cama e tenham tido o privilégio de assistir ao espectáculo único do acordar da cidade cor de rosa.

24 setembro, 2009

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chico buarquechico_buarque"Preciso conduzir um tempo de te amar, Te amando devagar e urgentemente"

Quatro quadras soltas - Sérgio Godinho (clica aqui)

Respondeu-me: Com efeito
nós temos aqui retida
uma quadra sem papéis
que encontramos na má vida

Diz que é uma quadra oral
sem identificação
que uma quadra popular
não precisa de cartão

A luz que vem das pedras


A luz que vem das pedras, do íntimo da pedra,
tu a colhes, mulher, a distribuis
tão generosa e à janela do mundo.
O sal do mar percorre a tua língua;
não são de mais em ti as coisas mais.
Melhor que tudo, o voo dos insectos,
o ritmo nocturno do girar dos bichos,
a chave do momento em que começa o canto
da ave ou da cigarra
— a mão que tal comanda no mesmo gesto fere
a corda do que em ti faz acordar
os olhos densos de cada dia um só.
Quem está salvando nesta respiração
boca a boca real com o universo?

(Pedro Tamen)

o que me deixa feliz

às vezes estou tão cansada que me apetece fazer o que fazem muitos dos meus companheiros de internet. publicar algo escrito por outros. faço-o diariamente com a poesia é verdade e também com a música. seria um pouco demais se começasse agora a entregar-me à preguiça. eu que sou geralmente bastante activa fico de rastos com uma maleita pequenina que seja. e dá-me uma preguiça... mas pronto. penso em gente que me envia emails e puxa por mim e penso que não tenho o direito de os deixar na mão. e então a opção às vezes é mesmo entre a desistência e a sacanagem. há alguém que lerá isto e saberá exactamente a que me refiro. é claro que aqui entre nós não vou deixar de te sacanear. mesmo que isso te faça sentir a criança a quem se acena com o doce que não poderá comer. e agora a ver se me concentro na ponto mais alto do meu dia. o homem entra no comboio em lisboa. senta-se e segue olhando o rio. quando o comboio se aproxima de paço de arcos onde fará uma paragem ele levanta-se. penso que irá sair como outros passageiros que se dirigem à porta. parado o comboio os passageiros saem e vejo-o estender o braço para fora e puxar a mulher que está do lado de fora. abraçam-se como se não se vissem há meses. beijam-se com paixão. apesar de não serem já jovens portam-se como dois adolescentes apaixonados. isso encanta-me. olho-os e não consigo disfarçar um sorriso. depois de muito abraço e muito beijo já o comboio fechou portas há tempo e segue o seu caminho procuram dois lugares sentados. felizmente encontram. já os tinha visto antes mas não tão de perto quanto hoje. agora que sei a carruagem em que se encontram será mais fácil seguir este romance que por enquanto me parece muito feliz. e me deixa feliz.

23 setembro, 2009

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chico buarquechico_buarque"Tantas palavras que ela falava; Ditas de novo não são iguais"

Tell Me What Were Gonna Do Now - Joss Stone (clica aqui)

Right now lets stay in the present
Can't worry bout tomorrow cause today is a blessin
The world in a state of aggression
I find calm in you
I see my mom in you
It's like a feelin' in a niggas stomach
when you want it so bad
If you keep keepin' it fresh
it ain't gonna go bad
I been through the valley of love
Rolled the shores of cali
just to find peace of mind

Uma certa quantidade


Uma certa quantidade de gente à procura
de gente à procura duma certa quantidade

Soma:
uma paisagem extremamente à procura
o problema da luz (adrede ligado ao problema da vergonha)
e o problema do quarto-atelier-avião

Entretanto
e justamente quando
já não eram precisos
apareceram os poetas à procura
e a querer multiplicar tudo por dez
má raça que eles têm
ou muito inteligentes ou muito estúpidos
pois uma e outra coisa eles são
Jesus Aristóteles Platão
abrem o mapa:
dói aqui
dói acolá

E resulta que também estes andavam à procura
duma certa quantidade de gente
que saía à procura mas por outras bandas
bandas que por seu turno também procuravam imenso
um jeito certo de andar à procura deles
visto todos buscarem quem andasse
incautamente por ali a procurar

Que susto se de repente alguém a sério encontrasse
que certo se esse alguém fosse um adolescente
como se é uma nuvem um atelier um astro

(Mário Cesariny)

o que ficava mesmo mesmo mesmo bem

a manhã de domingo sem carros na marginal vai longe. tão longe que mal me lembro. antes das 8 da manhã já o trânsito é compacto e só se desloca a passo de caracol. nos pontos mais bonitos do trajecto tenho por hábito levantar os olhos do livro e olhar pela janela. do comboio vejo o rio. e carros. uma serpentina de carros. dentro de cada carro quase sempre apenas um ocupante. em madrid existem corredores para os carros que transportam várias pessoas em hora de ponta. parece-me uma boa ideia. em portugal as pessoas gostam de andar de carro. ontem no trajecto entre campo grande e rossio um táxi um porsche uma bicicleta e o metro fizeram uma espécie de corrida. adivinhem quem chegou primeiro? não. não foi o metro. nem o táxi que beneficiou dos corredores bus. o porsche... bem esse ficou bloqueado num engarrafamento no campo pequeno. portanto quem chegou primeiro foi a bicicleta com um avanço de 5 minutos sobre o segundo. ora toma lá. eu já sabia disto. desde que uso a bicicleta como meio de transporte chego muito mais depressa e tenho sempre estacionamento. um mimo. a antónio costa ficaria bem propor corredores para bicicletas na cidade. não é que tenha ficado mal em apelar ao transporte pelo metro. afinal há que rentabilizar os investimentos e numa cidade como lisboa não é fácil chegar a todo o lado de bicicleta... mas ficava-lhe bem ter assim de vez em quando uma ideia brilhante. eu assisto todos os dias a mais pessoas que usam a bicicleta como meio de transporte. mas que há certos sítios em que jogamos diariamente a roleta russa lá isso é verdade. uma atenção maior para quem mais poupa o ambiente devia ser um dos pontos mais importantes de um candidato de peso à câmara da maior cidade do país. ficava-lhe bem antónio. ficava-lhe mesmo muito bem.

22 setembro, 2009

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Bruno NogueiraCorpodormenteTodos os amigos do Cavaco Silva se queimam. É uma espécie de João Garcia da política.

Eu que não sei quase nada do Mar - Maria Bethania (clica aqui)

Garimpeira da beleza
Te achei na beira de você me achar
Me agarra na cintura, me segura e jura que não vai soltar
E vem me bebendo toda, me deixando tonta de tanto prazer
Navegando nos meios seios, mar partindo ao meio
Não vou esquecer

Eu que não sei quase nada do mar
Descobri que não sei nada de mim

Amigo velho


(A Martins de Carvalho num dia dos seus anos)

Uma vez encontrámo-nos os dois
Nesse mar da política; depois,
Como diversa bússola nos guia,
Cada qual foi seu rumo: todavia,
Em certas almas nunca se oblitera
A afeição de um companheiro antigo:
Sou para vós por certo o que então era;
E eu, como então na minha primavera,
Abraço o venerando e velho amigo!

(João de Deus)

em vias de extinção

não falei com ninguém hoje da direita mais à direita à esquerda radical que não me dissesse o mesmo sobre a prestação de jerónimo ontem no gato fedorento. tal como eu previra o homem foi em si mesmo um espectáculo. até ricardo araújo pereira brilhou mais do que o costume pois claro. nada disto fará com que ele (jerónimo claro) tenha mais votos nas próximas eleições. mas que é o candidato mais simpático e dono de uma delicadeza debaixo daquele aspecto meio rude que seduz qualquer um que não seja fanático... isso não há na minha opinião quem possa negar. o homem estava ali como em casa. acho que se perdeu mesmo um grande actor. porque o seu à vontade frente à plateia foi espectacular. e é claro que não me admira nada que a rainha da dinamarca se tenha deixado encantar por este homem que não tem a escolaridade obrigatória nem fala inglês. é que muitas vezes isso não é realmente o mais importante. aqui para nós eu até acho que isso importa quase nada quando um homem me encanta só porque irradia generosidade simplicidade e sobretudo sobretudo sobretudo insisto sobretudo delicadeza. está pois de parabéns o jerónimo e a sua família. está de parabéns o gato fedorento. estamos de parabéns nós os portugueses que temos afinal no nosso espectro político um espécime em vias de extinção no mundo inteiro. um homem simples autodidata e delicado. muito delicado.

21 setembro, 2009

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Ondjakiondjaki"Você gosta de viver aqui dentro deste enorme farol?" / e o Faroleiro respondeu: "é o farol que vive dentro de mim. mas é pequenino, ele."

Solitude Standing - Suzanne Vega (clica aqui)

I turn to the crowd as they're watching
They're sitting all together in the dark in the warm
I wanted to be in there among them
I see how their eyes are gathered into one

And then she turns to me with her hand extended
Her palm is split with a flower with a flame

And she says I've come to set a twisted thing straight
And she saysl've come to lighten this dark heart
And she takes my wrist, I feel her imprint of fear
And I say I've never thought of finding you here

De esquecer


Demorei-me muito tempo ao pé de ti.
As portas fechadas por dentro, como se encerrasses
o amor e a lei. Demorei-me demais. Ao fim da tarde,
nesse mesmo dia que já morreu,
olhámo-nos devagar, mas distraídos. Diria até que anoiteceu.

Nunca falámos do amor que chega tarde.
Nem o interpelámos (como se já não pudesse
ter nome). Fingia ter esquecido o teu corpo
nas muralhas. Nas areias.

Vês aqui alguma figura? Ninguém vê.
Repara no ponto preto que alastra na margem do quadro,
nas minhas lágrimas desse tempo.
Relê.

(Luis Filipe Castro Mendes)

eu não me esqueci

como já estou cansada de bater no zézito decidi hoje bater na nélita. é que não sei se vou ter quatro anos para bater nela. e se não tiver como espero? o melhor é bater já enquanto a coisa está fresca. de hoje a 1 semana todos saberemos se temos que a aturar a ela ou lidar com um zézito mais doce e brando disposto a tudo para segurar o poder. portanto aqui vai. eu ando muito chateada com a nélita e por várias razões sendo que todas elas são de força maior. ela esquceu-se (naturalmente não terá já tanta capacidade de memória como já teve ou só tem para o que lhe interessa) que foi ministra da educação. esqueceu-se que enquanto tal pintou a manta. esqueceu-se também que foi ministra das finanças e que vendeu tudo o que havia para vender para cumprir as metas exigidas pela cee. lembro-me perfeitamente de na altura ter repetido vezes sem conta que assim até eu era capaz de ser ministra das finanças. esqueceu-se também de que tratou tão mal os funcionários públicos quanto o zézito e todos os gvernos dos últimos anos. todos usaram a administração pública como bode expiatório. eu não me esqueci. por enquanto. tem mais. a nélita não sabe falar português. é por isso que ninguém entende o que ela diz. é mais fácil entender um texto aqui sem vírgulas do que perceber um discurso da nélita. ela não sabe as regras mais elementares da gramática portuguesa. para ela a concordância não existe. e de vez em quando parece disléxica. mas isso pronto. eu até perdoo. afinal o zézito também tem um sotaque bem mauzinho. mas daí a trocar os escalões do irs com os do irc... vamos lá. eu prefiro acreditar que o que a nélita quer é mesmo deixar a malta mais confusa do que está. e agora quero é assistir ao gato fedorento e ao jerónimo. e mais nada!

20 setembro, 2009

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GabrielGarcíaMárquezElGabo¿Y qué? ¿Acaso pasaron los tiempos del cólera?

Chico Buarque - Chega de Saudade

Dentro dos meus braços, os abraços
Hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim,
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim

Que é pra acabar com esse negócio
De você viver sem mim
Não quero mais esse negócio
De você longe de mim
Vamos deixar esse negócio
De você viver sem mim


Amor


Mulher, teria sido teu filho, para beber-te
o leite dos seios como de um manancial,
para olhar-te e sentir-te a meu lado e ter-te
no riso de ouro e na voz de cristal.

Para sentir-te nas veias como Deus num rio
e adorar-te nos ossos tristes de pó e cal,
para que sem esforço teu ser pelo meu passasse
e saísse na estrofe - limpo de todo o mal -.

Como saberia amar-te, mulher, como saberia
amar-te, amar-te como nunca soube ninguém!
Morrer e todavia
amar-te mais.
E todavia
amar-te mais
e mais.

(Pablo Neruda)