19 janeiro, 2007

Nesta curva tão terna e lancinante


(Para a São com toda a saudade e ternura de que sou capaz. A foto é da cidade de que tanto gostaste, minha amiga: Londres...)





Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti.

(Alexandre O'Neill)

São as aves de rapina...


Não é costume escrever a esta hora. Tenho coisas para fazer... mas estou tão mal disposta com o que vejo à minha volta que tive que passar aqui para deixar os meus gritos mudos; para dizer que estou enjoada com os abutres à volta de um esqueleto que nada tem que se aproveite. Mas cheira-lhes a um pedacinho de poder e pôem as garras de fora. Não deixam sequer que os corpos arrefeçam. Não! É preciso voar rapidamente sobre o que resta... Que pena que eu tenho desta gente tão pobre que se julga alguém por ter um "cargo"... que pena que eu tenho destes pobres coitados que querem ficar bem no retrato e só fazem disparates... que pena que eu tenho dos abutres: porque são aves feias, muito feias. É por isso que eu prefiro cobras, víboras, animais de sangue frio! Pelo menos com esses sei com o que posso contar. Não sobrevoam os restos mortais de ninguém. Pelo contrário, atacam, na maioria das vezes apenas para se defenderem ou por instinto de sobrevivência.
Mas esta gente não. Esta gente é má, amiga. É gente sem alma. Gente capaz de gritar arrepelando os cabelos, fingindo uma dor lacerante e no minuto seguinte está bem, porque lhe dizem que o poder está ali, à mão de semear... Gente que me dá asco! Gente que me dá volta ao estômago, que me põe doente. E é por isso, amiga, que passei por aqui, só para desabafar, porque agora, vou ter que me estender um bocado, a ver se com a medicação o meu estômago digere o pouco que consegui engolir há horas e que devia estar mais do que digerido! Mas quem é que pode assistir de galeria a um espectáculo tão deprimente e ficar na mesma?

BOA SORTE, SRS EMPRESÁRIOS

Algumas palavras sobre a Índia, que tenho gravada no meu coração, para sempre.
Índia, aonde foi o Sr Presidente, Cavaco Silva, acompanhado de cerca de 60 empresários. A quem desejo boa sorte, mas sem grandes esperanças.
É que não é a primeira vez que os nossos empresários vão ao Oriente. Nos anos 90, foram, salvo erro, por duas vezes, à China, uma vez com Cavaco e outra com Mário Soares, e também à India, com este último. Tudo me permite afirmar que foram lá passear e que esta é a primeira viagem - segundo li na imprensa - que pagam dos seus bolsos. Até agora, os resultados são demasiado escassos.
Na década de noventa, foi criada uma linha de crédito, em Macau, para que os empresários investissem na China, sem que tivesse sido aproveitada! Macau era, sem dúvda, e ainda é, uma porta de entrada para a China. Mas não houve coragem para entrar, nem para ao menos bater àquela porta! Razões? Dizia-se que era muito longe, havia o problema da língua...É verdade,mas esses factores continuam a existir, e não me parece que sejam muito diferentes dos obstáculos que os chineses encontram para entrarem em Angola e eles lá estão. Por isso, Cavaco Silva tem razão quando apela à ousadia dos nossos empresários e afirma que estamos na Índia com grande atraso!.É verdade.
A Índia é um país muito, muito pobre. Pobre, mas incrivelmente belo. Adorei principalmente o Rajasthan, ou não fosse alentejano e amante do mar e dos desertos, de Agra, Jaipur, de Mandawa... Mas também de Goa, onde me apercebi da mágoa que lá deixámos, que vem do tempo de Salazar e do abadono vergonhoso com que deixou os homens, sem armas para combaterem, a quem, no entanto, exgiu que ganhassem a guerra, ou então que regressassem mortos! Sim, a mágoa ficou lá, e não foi ainda apagada, porquanto Portugal, mesmo depois do regime democrático, esteve sempre longe, longe, quer geográfica, quer espiritualmente, das suas gentes, que por lá ficaram. Por isso, não fiquei surpreendido com as manifestações que surgiram contra a presença de Cavaco, em Panaji, capital de Goa, as quais, embora pontuais e minoritárias, são um sintoma de um mal-estar que é real e que constatei pessoalmente quando lá estive, há cerca de dez anos.
Devo dizer-vos que Bombai ( ex-Bombaim ) foi a cidade do mundo onde vi a maior miséria da minha vida. A palavra pobreza é demasiado luxuosa para descrever as cenas de vida tão humilhante, suplicante e desgraçada, como as que vi em certos bairros da cidade, não sendo preciso, no entanto, a gente afastar-se muito de, por exemplo, um hotel luxuoso, como é o Thasmaal,para ver uma miséria muito superior à do Nepal, ou das Filpinas, e outros paises, que conheci, muito pobres, não, esse cancro existe de modo permanente, numa metrópole gigantesca, que todos os dias recebe milhares de seres humanos, até na avenida para o aeroporto, nas suas bermas,barraquinhas em filas intermináveis mostravam como era possível ainda aqueles viverem em condições tão arrepiantes.
No entanto, sabe-se hoje, que este país, que tem cerca de 1,2 mil milhões de habitantes, com 700 milhões a viverem no limiar da pobreza e 260 milhões a sobreviverem com menos de um dólar por dia, tem outra face que está a ser responsável pelo seu crescimento económico fortíssimo, de cerca de 9% ao ano, e que está a contribuir para o aparecimento progressivo de uma classe média cada vdez mais numerosa. É pois um país de profundos contrastes, aquele em que Portugal vai apostar, à procura de parcerias e de negócios, numa economia, localizada principalmente em Bangalore,que se baseia nas tecnlogias da Informação, negócios úteis para os dois países e dois povos.
Desejo sinceramente sorte aos nossos empresários. Repito que não estou muito esperançado. Cavaco apelou à audácia e ao espírito de aventura, à semelhança dos nossos antepassados de Quinhentos.Só que em Quinhentos, Portugal tinha o Know-how e hoje não tem.Pessoalmente fico na exectativa. Pode ser que, dez anos passados sobre as visitas de empresários ao Oriente, as lições tenham sido tiradas. Principalmente que novos empresários estejam lá, com o Presidente, diferentes daqueles que se habituaram no passado a viajar simplesmente. Que trazem nos bolsos, como diz Cavaco, muitos cartões, é verdade, pois é prática corrente nos encontros entre as pessoas nos países do Oriente ( eu tenho uma colecção imensa, e não sou empresário...). Mas não chega.
Noutra altura... falarei sobre a Índia, mas não por causa de negócios, não, mas porque, a despeito da sua miséria, é lindo, lindo, lindo...

Eduardo Aleixo

Passe em casa - Tribalistas



Passam pássaros e aviões
E no chão os caminhões
Passa o tempo, as estações
Passam andorinhas e verões
Passe em casa
(tô te esperando, tô te esperando)
Passe em casa
(tô te esperando, tô te esperando)
Estou esperando visita
Tão impaciente e aflita
Se você não passa no morro
(eu quase morro, eu quase morro)
Estou implorando socorro
(ou quase morro, ou quase morro)
Vida sem graça se você não passa no morro
Já estou pedindo que
Passe um tempo, passe lá
Passe mal com os meus meus lençóis
Passe agora, passe enfim
um momento pra ficarmos sós

18 janeiro, 2007

Mal nos conhecemos


(Aos meus poucos, mas muito bons AMIGOS)







Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!

(Alexandre O'Neill)

No dia do sorriso



Foi há uns anos que conheci Manuel (nome fictício). Durante cerca de dois anos trabalhámos juntos uma vez por semana. Não estabelecemos exactamente uma amizade, mas ficámos próximos disso. Entre nós havia a cumplicidade das estórias de infância de cada um, das felicidades e infelicidades que por essa altura nos atingiram, das adolescências vividas de forma tão diferente... mas havia sobretudo a cumplicidade gerada pelos livros. O pai de Manuel era jornalista num pequeno jornal de província e ele tem, como eu, o gosto da leitura. E tem também um amor imenso por uma terra que me viu crescer e onde ele cumpriu o serviço militar.

Manuel é um homem bem educado, mas sem papas na língua. É um homem que não se vende. É um homem branco. Não é um homem de cor (espero que ninguém tenha esquecido do que aqui há dias foi escrito, neste mesmo espaço, sobre os homens e mulheres de cor... de cor duvidosa!e não venha alguém acusar-me de racismo). Tenho amigos brancos e pretos. Os de cor não me servem como amigos, porque não consigo nutrir por eles o mínimo respeito.

Voltando ao meu Manuel: deve ser um dos últimos mosqueteiros. Não sei se ficou traumatizado pela guerra que fez em Angola. Mas sei que não pode ver uma senhora ser importunada por um badameco qualquer que não lhe pregue imediatamente um murro na cara, (ao badameco, é claro!) E se sei disto, não é porque ele o tenha contado alguma vez. O seu pudor não o deixaria expôr a sua valentia dessa maneira. Mas sei que é assim. Sei que já aconteceu mais do que uma vez. E sei que voltará a acontecer sempre que ele achar que deve ser assim.

Acontece que Manuel me apareceu hoje e estivemos à conversa durante mais de uma hora. Soube que eu estava triste e procurou-me... não sabe que o que me contou me deixou ainda mais triste. Mas a verdade é assim: às vezes dói muito e é por isso que tanta gente se esconde dela...

Seja como for, foi bom reviver os tempos em que passávamos juntos um dia por semana, trabalhando e jogando conversa fora como dois companheiros de longa data!

Lá de longe - Tribalistas




Longe, lá de longe
de onde toda a beleza do mundo se esconde
Mande para ontem
uma voz que se expanda e suspenda esse instante
Lá de longe
de onde toda a beleza do mundo se esconde
Mande para ontem
uma voz que se expanda e suspenda esse instante
Lá de longe
de onde toda a beleza do mundo se esconde
Cante para hoje.

17 janeiro, 2007

Sei um ninho.










Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.

Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...

(Miguel Torga)

Até já


Tanta coisa de que falar... mas talvez seja melhor começar pelo princípio: o frio dentro de mim já se foi; ficou o calor de mais uma saudade que hei-de acalentar para o resto da vida. No cantinho do meu coração, onde guardo todos os amigos que ocupam ou ocuparam espaços grandes na minha vida, para os meus "espaçosos" amigos, tenho um recanto guardado. Por mais longas que sejam as viagens que empreendam, sabem que têm um cantinho se quiserem regressar. Um cantinho que raramente deixo arrefecer, e, quando isso acontece, sinto-me tão mal que rapidamente arranjo maneira de repor as coisas no seu lugar. É assim que deve ser. É assim que quero que continue a ser.
Podem dizer que sou uma montanha de vaidade. Não me importo. Nunca me importei com o que dizem de mim. Até porque essa é uma das muitas verdades a meu respeito. Tenho orgulho de ser uma lutadora, tenho orgulho por não baixar os braços, tenho orgulho por não aceitar tudo o que me querem impingir. Nem sempre consigo ganhar. Mas gosto de sentir que fiz tudo o que estava o meu alcance. Gosto de saber que, se perdi, o que quer que seja, não foi por ter desistido.
Admito até que sou impulsiva e que muitas vezes me perco no meio dos meus "arranques". Mas nunca me arrependi. Faz parte da minha natureza, é algo que não vou, que não quero mudar... mas aprendi a dar ouvidos a alguns amigos. Aqueles que sei que sabem muito mais do que eu, que são mais sensatos, que aprenderam alguma coisa com a vida e que estão do meu lado. Não cometo duas vezes o mesmo erro, ou faço por isso. E é por isso que, agora, vou escutar quem sabe muito mais do que eu e depois decidir o que farei da minha vida.
Então, até já.

NO TEU ANIVERSÁRIO, MIGUEL TORGA

COLÓQUIO
Duvida das palavras...
Nunca disseram nada.
Palmeiras no deserto
Da expressão,
O mais que dão
É sombra aos sentimentos,
Nos momentos
Em que o sol é uma cruz de expiação.
Ouve o silêncio - a voz universal.
Só ele é o verdadeiro confidente
Do coração de tudo.
Poeta angustiado
E Penitente,
Mudo
A teu lado
É que eu sou transparente.
Miguel Torga
( In Câmara Ardente )

NO ANIVERSÁRIO DO GRANDE MIGUEL TORGA

Querido Miguel Torga, que saudades tenho de ti, da tua sabedoria, simplicidade, grandeza...Chega de palavras.Tenho saudades, pronto.
EA
POEMA
CONSELHO
Renuncia, poeta!
Renuncia!
Sou eu, também poeta, que to digo.
Nenhum verso se deixa encarcerar.
Prender água nas mãos é um jogo antigo,
Que aumenta a sede, em vez de a mitigar.
Temos
O que perdemos
Dia a dia.
O sol da poesia
É lua, em nós.
Sai-nos do peito um canto comovido,
E ouvimos, como um eco arrefecido,
O som da própria voz.
Miguel Torga
( In Câmara Ardente )

PEQUENOS REGISTOS DE JANEIRO










1. Como foi possível que 6 pescadores da Nazaré tivessem morrido tão perto da praia, e nemhuma ajuda eficaz, nem dos meios aéreos, nem dos meios terrestres!..Que têm feito os governos ao longo destes anos em prol da prevenção, nomeadamente facultando a formação adequada?. E como é possível que os pescadores ainda se façam ao mar sem coletes de salvação?. A verdade é que um país que tem uma extensão marítima exclusiva tão vasta não a sabe merecer, pois tem desprezado a arte da pesca, a vida dos pescadores, e nem sabe vigiar, como deve, uma simples distância da costa!.







2. Em Paris existem cerca de um milhão de pessoas sem habitação. Algumas centenas de sem-abrigo montaram as suas tendas e dizem não sair da rua sem que o governo lhes dê habitação decente.
Um sem-abrigo luso-descendente exclamava que preferia viver na rua do que ir para aquelas instituições para onde os levam às 3 da manhã para sairem às 7 e que estão cheias de ratos e de piolhos!.
Custa a acreditar que esta situação ainda exista num país que fez uma das mais grandiosas revoluções sociais da História e que em termos de discurso político anda sempre na vanguarda da defesa dos direitos humanos!.
Não creio que em Portugal existam instituições que tenham ratos e piolhos para receberem os sem-abrigo!
Nos anos 80, havia a chamada Mitra, para onde levavam os sem-abrigo, durante a noite. Mas quando lá chegavam eram lavados e tosquiados por causa dos piolhos.Hoje, o CASL, instituição que veio substituir a Mitra, tem outras condições. E mesmo no tempo da Mitra, a despeito da escassez de meios,a situação não era aquela que o sem abrigo luso-descendente diz existir em Paris.
Seja como for, não é aceitável que uma sociedade moderna tenha um só sem-abrigo na rua. Nem é aceitável que um Estado Moderno aceite que um sem-abrigo não aceite ser levado para uma instituição, onde, ao menos, tem um tecto. Não se trata de limpar as ruas de pobres para o turista ver, como se fazia na ex-União Soviética, que vivia da propaganda. Não. Hoje, vem da Europa dinheiro suficiente para se atacar este flagelo, devendo a Segurança Social passar a privilegiar as acções de integração social das pessoas...
3. Paula Rego, que tem na Gulbenkian alguns quadros maravilhosos expostos, teve um diálogo impossível, para o tele-jornal, com uma jornalista competente sobre a matéria em apreço, mas que não conseguiu levar a artista para a lógica da reportagem, ficando-se com a ideia de que Paula Rego estava, como está, claro, em outro mundo, como se dissesse: pois, os quadros são meus filhos, são independentes, eles falam, falem com eles, comigo não...enfim: uma maravilha de diálogo, impossível.
Eduardo Aleixo

Right to be wrong - Joss stone




Para ti São que adoravas esta canção... e porque todos temos o direito de errar!

16 janeiro, 2007

Querida amiga,


Não te pedi licença para publicar imagens tuas, é verdade... mas tu também não me pediste licença para partires, assim sem mais nem menos, deixando-me desta maneira, quando eu já te tinha dito que não tinha capacidade para perder mais ninguém. Por isso não me venhas agora dizer que sou ruim e que o "Jesus castiga". Esse jesus que castiga as meninas más como eu, que têm maus pensamentos e pouco tento na língua, já pouco me pode tirar, agora que te arrancou da minha vida, deixando-me mais uma vez um sentimento de dor tão lancinante que não sei o que hei-de fazer com ela. ..
Mas não te arrancou do meu coração nem o poderá fazer, jamais. Tu sabes: eu sou muito teimosa. A tua boa educação não permitia que dissesses palavrões, mas eu deixei de beber chá há muito tempo: sou teimosa como uma mula! É verdade. Esta dor há-de virar saudade. Uma saudade imensa que jamais me abandonará. E no meu coração o teu lugar não poderá ser tomado por ninguém. Porque eu também tenho algumas coisas boas. E uma delas é a capacidade que tenho de "esticar" o coração. Cabe sempre mais um, sabes como é, não sabes?.
Acabei de falar há pouco com amigas nossas. O nosso almoço a três com a Lena Peres fica adiado "ad eternum". Mas podes ter a certeza que estarás sentada entre nós na próxima segunda feira, e hás-de rir dos disparates que digo e hás-de esquecer essa maldita doença que te levou de nós sem nos dar um aviso.
Tenho pena de não acreditar. Sei que não te voltarei a ver jamais. Mas vejo-te todos os dias, todas as vezes que me apetecer, porque a tua amizade foi das coisas mais bonitas que me aconteceram. Desculpa não termos ido a Marrocos. Hei-de fazer a rota do deserto contigo no coração. Sei que não será o mesmo. Foi mais um dos sonhos que não concretizaste e disso eu sei que sou culpada... mas juro-te que nunca pensei que não viéssemos a ter tempo para concretizar essa e outras viagens. Por isso perdoa mais esta falta minha... já que eu não posso perdoar o facto de teres partido assim, sem ao menos me dizeres adeus...

PAULO MACEDO, AS MISSAS E O ESTADO DE DIREITO

Paulo de Macedo, Director Geral dos Impostos, mandou celebrar uma missa de acção de graças aos seus funcionários!Desconheço se o fez na qualidade de funcionário do Estado ou se o fez a título particular. Imagino que perante esta questão ele dirá certamente que o fez a título particular!. Seja como for, a ideia que passou é a de que foi ultrapassado o limite da separação saudável entre a Igreja e o Estado, entre o sagrado e o profano. Uma conquista que levou tantos e tantos anos a conseguir pelos povos amantes da liberdade, e que é considerado um baluarte da vida civilizada, tanto por crentes, como por não crentes do nosso mundo ocidental, eis que, nos tempos que correm, e indo ao encontro de não sei que propósitos e passando pelo espectáculo dos media, dá o flanco, criando uma sensação desconfortável de arrivismo, com laivos de fundamentalismo, embora pontual...
Meus amigos, sempre me fez muita confusão que não fosse seguida pela Igreja, na sua plenitude, a palavra de Jesus, quando sabiamente proclamou: A Deus o que é de Deus e a César o que é de César. A confusão entre os dois mundos, o mundo laico, material, e o mundo espiritual, sempre foi coisa que me arreliou, desde pequenino. Imaginem se a moda pega: as missas que não poderiam se rezadas a título de tanta coisa!. A Igreja, que devia ser o garante da vida específica do Espírito, permite tal cosa!!. Acho isto uma vergonha,embora não esteja aqui a defender seja quem for. Esta questão para mim não é pesoal, mas de saúde e equilíbrio para a vida em sociedade...
Mas há uma coisa com que tenho, isso sim: é que o Sr. Paulo Macedo possa continuar a ganhar mensalmente mais do que a Lei prevê, e que se confina no limite que é o ordenado do Sr. Primeiro Ministro. Não me incomoda que o Sr. Director das Finanças ganhe muito, não, nunca fui pelo nivelamento por baixo. Com o que não concordo é que ele possa continuar a ganhar à margem do que a lei prevê. E custa-me imaginar sequer que o Governo, para o manter em funções, possa levar a cabo alguma engenharia jurídica, atendendo a que não será engenhoca impossível de fazer. O que eu acho é que na Administração Pública há gente muito competente para o exercício do cargo, caso o Sr Paulo Macedo não tenha a humildade suficiente para aceitar um salário mais baixo, única maneira de a legalidade ser reposta. Também acho que tal privilégio nunca foi dado a quadros técnicos da casa do Estado, nem as benesses técnicas e logisticas de que hoje o Sr Director Geral dispõe para atacar as suas terefas, não podendo assim afirmar-se com rigor e moral que não existem outras pessoas igualmente capazes...

Eduardo Aleixo

NA HORA DA TUA PARTIDA









POEMA
Que Sistema chega aqui
A esta Mágoa?
Que Livro ou Nome explica
A flor de súbito arancada
Ainda há pouco prado, sol e neve,
Botão de sonho quieto,
Que barco-hélice macerou a tua face
Sem ter culpa?
Que palavra existe
Para o que é tão triste?
Não existe palavra!.
Resta apenas ver-te partir
E ficar com o que eras
Ainda há pouco
E já não és!
Resta apenas esperar
Para lembrar
No tempo
Com que ficámos
Aqui
Para amar...
( 15/01/2007)
Eduardo Aleixo

MANUEL MARIA CARRILHO...

Na semana passada, fiquei a saber, embora sem novidade, que a paixão de Carrilho pela autarquia de Lisboa e pela sua tão querida Lisboa, tinha dado o " peido mestre", usando uma expressão popular. O político-filósofo demitiu-se do seu lugar de vereador. Lendo a imprensa, fiquei também a saber que desde que perdeu as eleições, com aquelas cenas de que todos se lembram, em que revelou uma falta de nível notório, nunca mostrou muito interesse no desempenho do lugar, tendo até já informado que não tencionava levar o seu mandato até ao fim!. Aquando da crise que rebentou em Novembro, no seio da autarquia, em que se levantou a hipótese de haver novas eleições, Carrilho teria avisado Sócrates que não contasse com o seu nome para uma eventual recandidatura. Como se Sócrates alguma vez voltasse a cometer o erro de o escolher para aquele lugar! Fiquei tanbém a saber que o homem não tem tempo para tantas tarefas, as ligadas ao Parlamento e as ligadas à Autarquia. Foi ele que o disse.Pergunto: levou tanto tempo a perceber issso?. Por que não renunciou ao lugar de vereador desde o início para se dedicar por inteiro aos trabalhos do parlamento? Por que deixou passar um ano?. Como todos se lembram, há pouco tempo, numa entrevista, o nº 2 da lista de Carrilho, Nuno Gaioso Ribeiro, veio dizer que Carrilho não punha os pés nas reuniões da autarquia, o que levou o PS a intervir, tendo retirado a confiança política ao entrevistador, e protegido Carrlho!! Agora, afinal, sabe-se que Nuno Ribeiro tinha razão. Em que ficamos? Como podemos confiar em organizações que castigam quem diz a verdade e que protegem quem não prduz e que vai para os debates falar de assuntos que não domina, porque não está presente nas reuniões em que eles são tratados!? Que moralidade existe num poder político que anda sempre a falar na necessidade de uma Função Pública com produtividade e assiduidade e que depois dá cobertura a pessoas como Carrilho, que não produzem e não são assiduos?! Não me digam que ainda lhe vão dar algum lugar de exílio dourado, por exemplo na Unesco, como parece que lhe foi insinuado, ou mesmo dado como hipótese de mudar de vida...Mas que rica vida, Sr Carrrilho, aquela que tem, e que muda, conforme disse, só porque o ano terminou: ano novo, vida nova...
Faço-lhe uma sugestão: não vá patra o Parlamento, entregue-se , mas a sério, à vida universitária. V.Exª é filósofo. Como o governo do seu partido deu cabo da Filosofia, como é do seu conhecimento, riscando-a vergonhosamente dos programas do nosso ensino, mostrando, com esta medida, que não quer que se ensine a pensar, ao menos que um filósofo, como o sr. é, e ao menos esta área ainda respeitado, faça algo de muito útil e meritório em prol das novas gerações. Então, sim, daria uma lição a todos os que, como eu, deixaram de ter admiração por si. Fico à espera...

Eduardo Aleixo

Com Acúcar Com afeto/ Esse cara - Chico Buarque e Caetano Veloso

Carolina - Caetano Veloso



... o tempo passou na janela, e só Carolina não viu...

14 janeiro, 2007

À primeira vista - Chico César por Daniela Mercury



Quando não tinha nada eu quis
Quando tudo era ausência esperei
Quando tive frio tremi
Quando tive coragem liguei

Quando chegou carta abri
Quando ouvi Prince dancei
Quando o olho brilhou, entendi
Quando criei asas, voei

Quando me chamou eu vim
Quando dei por mim tava aqui
Quando lhe achei, me perdi
Quando vi você, me apaixonei

Quando não tinha nada eu quis
Quando tudo era ausência esperei
Quando tive frio tremi
Quando tive coragem liguei

Quando chegou carta abri
Quando ouvi Salif Keita dancei
Quando o olho brilhou, entendi
Quando criei asas, voei

Quando me chamou eu vim
Quando dei por mim tava aqui
Quando lhe achei, me perdi
Quando vi você, me apaixonei

(Chico César)