15 agosto, 2008

Inventámos ali o amor


passamos as gaivotas eu vi apesar de estar de mãos dadas contigo reparei que elas estavam lá silenciosas como antes sem atrapalhar o nosso passeio junto ao mar cheio do silencio de que ambos gostamos e que entendemos tão bem e sabemos que não precisamos de falar porque as palavras estão todas lá e se as usarmos demais gastam-se e não queremos gastá-las para que o nosso amor perdure este amor que os outros olham como estranho dizem que podias ser meu filho e eu respondo podia mas não é.
ao fim de uma hora sentamo-nos na esplanada a beber sumo de laranja natural e fresco e tu olhas-me fixamente enquanto me seguras a mão esquerda e eu vejo o brilho no teu olhar e sei que estás a observar cada uma das minhas rugas e talvez a pensar quais são os segredos que cada uma delas encerra e de que eu nunca te falei e nunca falarei e percebo que amas o meu rosto com todas as pequenas imperfeições que o tempo lhe foi dando e sinto que amas as minhas rugas tanto quanto eu e isso basta-me para estar feliz junto de ti.
as pessoas passam e olham disfarçadamente e eu sei o que pensam mas não me interessa porque estás ali e não fazes perguntas e não há passado nenhum entre nós porque acabamos de nascer apesar de ninguém perceber como podemos ter nascido exactamente no mesmo momento aquele em que nos cruzámos e os nossos olhos entenderam quem éramos e que era urgente muito urgente inventar ali e imediatamente o amor.

14 agosto, 2008

Closing Time - Leonard Cohen - (clica aqui)

I loved you for your beauty
but that doesn't make a fool of me:
you were in it for your beauty too
and I loved you for your body
there's a voice that sounds like God to me
declaring, declaring, declaring that your body's really you
And I loved you when our love was blessed
and I love you now there's nothing left
but sorrow and a sense of overtime
and I missed you since the place got wrecked
And I just don't care what happens next
looks like freedom but it feels like death
it's something in between,
I guess it's CLOSING TIME

Erro


Erro é teu. Amei-te um dia
Com esse amor passageiro
Que nasce na fantasia
E não chega ao coração;
Não foi amor, foi apenas
Uma ligeira impressão;
Um querer indiferente,
Em tua presença, vivo
Morto, se estavas ausente,
E se ora me vês esquivo
Se, como outrora, não vês
Meus incensos de poeta
Ir eu queimar a teus pés
É que — como obra de um dia,
Passou-me esta fantasia.
Para eu amar-te devias
Outra ser e não como eras.
Tuas frívolas quimeras,
Teu vão amor de ti mesma.
Essa pêndula gelada
Que chamavas coração,
Eram bem fracos liames
Para que a alma enamorada
Me conseguissem prender;
Foram baldados tentames,
Saiu contra ti o azar,
E embora pouca, perdeste
A glória de me arrastar
Ao teu carro... Vãs quimeras!
Para eu amar-te devias
Outra ser e não como eras...

(Machado de Assis)

o eclipse


acho que não aconteceu foi acontecendo assim sem que déssemos por isso foste morrendo assim devagar muito devagar pé ante pé como que não quer que se saiba como quem não quer que lhe sigam as pegadas e hoje quando olhei à tua procura já não estavas lá estavas morto e eu estranhei teres morrido sem me dizeres nada sem me avisares e estranhei ainda mais não sentir a dor que sentimos pelos mortos.
não sei como isto aconteceu não consigo explicar mas foi assim uma daquelas coisas que acontecem na minha vida como quando às vezes pessoas que eu pensava que me eram próximas se tornam estranhos como se nunca as tivesse conhecido ou sequer visto como alguém que se cruza comigo na rua e a quem não presto atenção porque vou a pensar noutras coisas na minha vida nos meus filhos nos meus netos no planeta sei lá...
e é ainda mais estranho não ter realmente notado que estavas a morrer que estavas a fazer o possível por morrer que talvez tivesses tentado dar-me alguns sinais mas eu não prestei atenção provavelmente mais interessada no eclipse da lua do que na tua vida desaparecendo e sentindo-me bem comigo mesma mesmo depois de ter percebido que morreste e que provavelmente a tua doença fui eu que causou o teu desvanecimento

13 agosto, 2008

Hope - Jack Johnson (clica aqui)


It will teach you to love
What you're afraid of
After it takes away all that you learn to love
But you don’t always
Have to hold to your head higher than your heart
You better hope you're not alone
You better be hoping you're not so...
Hope you're not alone

Poema sobre a recusa


Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus
dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva
Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de
ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda

(Maria Teresa Horta)

Uma estória com a polícia


Ontem disse aqui que tinha algumas estórias engraçadas com a PSP e com a GNR. Hoje decidi contar aquela que eu considero a melhor de todas.
Foi há 26 anos, vivia eu em Ponta Delgada e tinha 3 filhos entre os 4 e 1 ano de idade. Trabalhava nos Serviços Médico Sociais, as crianças ficavam numa ama que vivia na porta ao lado do meu emprego. Era a mamã Fernanda como todas as crianças lhe chamavam, e tinha com toda a certeza nascido para cuidar de crianças. Com ela eu estava descansada o dia inteiro e ainda tinha a vantagem de ir poder amamentar os mais novos quando ainda mamavam. Mas é claro que isto não vem ao caso.
Naquela altura era difícil arranjar um lugar para estacionar em quase toda a cidade. Eu que nunca gostei de infringir leis, de vez em quando via-me obrigada a infringi-las, ainda que isso não implicasse com a liberdade de terceiros.
Ponta Delgada era uma cidade pequena e eu costumava ir almoçar a casa e aproveitar para fazer tarefas do dia a dia para ter mais tempo para as crianças ao fim do dia. Costumava também tomar café antes de voltar ao serviço num café que ficava em caminho.
Um belo dia, sem ter lugar para estacionar pensei que não teria importância deixar o carro em 2ª via durante 5 minutos, até porque se alguém precisasse que eu o retirasse ele estava à minha vista. E assim lá fui à bica.
Quando me aproximei do carro, estava um agente da PSP de roda dele. Tinha um bloco nas mãos e ia anotando todas as falhas que o carro tinha (e eram muitas, porque era um carro muito velho e eu não tinha dinheiro para o mandar arranjar...). Quando me viu perguntou-me se o carro era meu e à minha resposta positiva pediu-me os documentos.
Quando olhou para a carta de condução, olhou-me como se eu fosse uma louca e disse, esta carta nem sequer está legível. Era verdade. Expliquei então que tinha 3 filhos pequenos e que um deles se entretivera a meter o documento dentro de água enquanto eu estava ocupada com os outros. Quando percebeu que tinha feito disparate, decidiu passar cola por cima. O resultado foi lastimável mas eu não me zanguei. Afinal um miúdo de 3 anos não sabe o valor que pode ter um documento daqueles. Só que em vez de tratar de arranjar uma segunda via para substituição fui deixando andar, o tempo não me sobrava e pronto. Tudo isto expliquei ao agente e pedi-lhe que passasse todas as multas rapidamente porque eu entrava às 2 horas no emprego. Foi então que ele me perguntou onde eu trabalhava e eu respondi. O homem anotou tudo o que havia para anotar e deixou-me seguir.
Às 6 da tarde quando saía com uma colega a quem costumava dar boleia, o agente estava à porta do meu emprego. Só para me dizer que tinha pensado no meu caso e tinha decidido que não me passava multa nenhuma. Afinal como ele disse, a senhora parece uma criança como pode ter 3 filhos e dar conta de tudo?
Um bom homem. Uma boa alma. Lá fui buscar as crianças e apresentei-as ao agente que ficou encantado e até fazia gala de me deixar parar em 2ª via quando estava de serviço por ali.

12 agosto, 2008

Caçador de Mim - Milton Nascimento - Caçador de Mim (clica aqui)


Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir
O que me faz sentir
Eu, caçador de mim

Jogo


Eu, sabendo que te amo,
E como as coisas do amor são difíceis,
Preparo em silêncio a mesa
do jogo,
estendo as peças
sobre o tabuleiro,
disponho os lugares
necessários para que tudo
comece: as cadeiras
uma em frente da outra, embora saiba
que as mãos não se podem tocar,
e que para além das dificuldades,
hesitações, recuos
ou avanços possíveis,
só os olhostransportam,
talvez uma hipótese
de entendimento.
É então que chegas,
e como se um vento do norte
entrasse por uma janela aberta,
o jogo inteiro voa pelos ares,
o frio enche-te os olhos de lágrimas,
e empurras-me para dentro, onde
o fogo consome o que resta
do nosso quebra-cabeças.

(Nuno Júdice)

Não é roubo, afinal...


Não gosto de fardas, é verdade. Só a visão da GNR e da PSP é capaz de me pôr os nervos em franja. Não me perguntem porquê, nunca me fizeram mal nenhum, antes pelo contrário tenho estórias bem engraçadas com elementos destas corporações mas a verdade é que não consigo gostar deles...
Mas também não consigo gostar de gatunos vulgares (excepção feita aos assaltantes a Bancos, que esses sim me merecem alguma consideração desde que não ponham vidas em risco, como se viu neste último assalto à dependência do BES.)
E ainda gosto menos de gente que envolve nos seus actos criminosos crianças. Estou é claro a referir-me ao roubo de material de construção que levou a polícia a disparar depois dos assaltantes em fuga terem alegadamente tentado atropelar um agente da autoridade (eu, às vezes falo bem, não é?)
A criança foi atingida por um dos tiros disparos para parar a viatura o que não me surpreende... podia perfeitamente estar deitada no chão da carrinha, mas mais tarde se saberá com certeza.
Acontece ainda que os assaltantes eram ciganos. Não ouvi ninguém mencionar o facto, senão um deles que disse tratar-se de racismo dos portugueses. Eu francamente acho que tudo tem limites. Não é pelo facto de se ser desta ou daquela cor que as pessoas podem exercer o direito de intervir contra a liberdade dos outros. Ainda ontem assisti a uma miúda cigana de mais ou menos 10 anos, deitada a ocupar dois assentos de metro, sem que nenhum dos adultos da família a chamasse à atenção. Foi preciso entrarem 3 pretos, dois homens e uma mulher, todos a passar dos 60 anos, para que o mais novo deles pusesse a miúda na ordem para dar lugar à senhora.
Morreu uma criança. Foi morta acidentalmente por forças de segurança. Mais tarde ou mais cedo algo do género lhe ia acontecer, uma vez que acompanhava o pai e um tio que iam apenas "tirar" uns ferros de que precisavam e que não lhes pertenciam.

11 agosto, 2008

Pode alguém ser quem não é - Sérgio Godinho e Joana (clica aqui)


Pode alguém ser livre
se outro alguém não é
a algema dum outro
serve-me no pé
nas duas mãos,
sonhos vãos, pesadelos diz-me:
Pode alguém ser quem não é?

Meu sonho


Parei as águas do meu sonho
para teu rosto se mirar.
Mas só a sombra dos meus olhos
ficou por cima, a procurar...
Os pássaros da madrugada
não têm coragem de cantar,
vendo o meu sonho interminável
e a esperança do meu olhar.
Procurei-te em vão pela terra,
perto do céu, por sobre o mar.
Se não chegas nem pelo sonho,
por que insisto em te imaginar?
Quando vierem fechar meus olhos,
talvez não se deixem fechar.
Talvez pensem que o tempo volta,
e que vens, se o tempo voltar.

(Cecília Meireles)

Nem tudo são más notícias


Agora que percebi, graças ao António e ao Evgueni o que se passa na Geórgia, começo a pensar seriamente em exigir também a minha independência. Não sei muito bem como, mas enfim se estamos a dividir o mundo em pedacinhos em vez de o unir, devo seguir a moda, se quero continuar a ser uma mulher moderna, não é?
Pois é. O caso não é para brincar, mas quem como eu toda a vida sonhou com um mundo sem fronteiras, dá vontade de pegar na ideia do José e sair por aí numa jangada de pedra, a vaguear pelo mundo fora, tentando pôr algum juízo na cabeça dos senhores do mundo. É claro que como isto não é possível o melhor se calhar é mesmo mudarmos de assunto.
Um assunto que eu gosto. O meu emprego. Gosto do meu emprego, gosto do que faço, gosto do meu emprego sobretudo em Agosto. Gosto mesmo. De ouvir as novidades, de saber que alguém muito amigo de outro não morreu afogado na piscina porque foi salvo pelo filho, etc., etc. Coisas que dizem respeito a pessoas que não conheço mas que se me tornam tão próximas à força de ouvir falar das mesmas.
Também gostei de saber que o consumo de gasolina desceu mais de 7%. Agora é aproveitar a embalagem e continuar a andar a pé ou de transportes públicos e contribuir para salvar o planeta. Se vocês ainda não têm filhos e netos, eu tenho!Por isso, por favor, se não o fizerem pelos vossos que não existem, façam pelos meus. E pela vossa saúde!
Como vêem, afinal nem tudo são más notícias.

10 agosto, 2008

Mundo ao contrário - Xutos & Pontapés (clica aqui)

Tenho a noite
A atravessar
Doi-me não ir,
Mas não me deixas voltar...
Se gosto de ti,
Se gostas de mim,
Se isto não chega
Tens o Mundo ao contrário.

Dúvida

Amor
a tua voz
e a minha sensação de vácuo

de liberdades paralelas
ontem
esquinas encontradas
no ângulo dos lábios

Amor
a tua lâmpada de nevoeiro
sulcado
manhãs de aves
súbitas
com noites inventadas

nada
é o teu rosto
insetos de vertigem
sem paisagem.

(Maria Teresa Horta)

Só porque estamos em Agosto


Bem sei que os Jogos Olímpicos só começaram agora, mas não me apetece ainda falar disso. Se calhar porque como não gosto de perder, sinto-me solidária com os atletas portugueses que já estão fora de competição. Como eles sinto-me frustrada. Eu até acho que me sinto pior, porque terem chegado lá já vou um grande feito, mas é inglório tantas horas de trabalho para em meia dúzia de minutos ficar fora das competições. Por outro lado aquele americano o Phelps é realmente qualquer coisa do outro mundo. O homem parece que tem turbinas dentro de água. Enfim, como dizia o meu pai que não perdia nada das olimpiadas, cada qual é para o que nasce! Esperemos ter ainda a alegria de pelo menos uma medalha de ouro. Temos atletas capazes, vai depender também um pouco da sorte....
Mudemos de assunto, pois.
Este é já o segundo domingo de Agosto, não tarda nada acaba o melhor mês do ano para trabalhar e começa o desassossego de uma cidade cheia. Pode se ser que a ideia de portagens para quem se transporta só ou com menos passageiros resulte. Pode ser. Afinal em Londres resultou. Porque é que não há-se resultar em Lisboa? Os meus pulmões agradecem, uma vez que trabalho numa das zonas mais poluídas (senão a mais) da cidade e como prefiro abrir a janela ao ar condicionado - agora ando com a mania da ecologia e não há nada a fazer, pois então - a coisa torna-se mais grave. Mas o ar condicionado também não é de fiar pois não?
Por isso fico-me mesmo por aqui. A próxima semana só tem quatro dias de trabalho e não me importava nada que tivesse cinco, juro. Só porque estamos em Agosto e eu adoro Lisboa em Agosto, quando ela se torna mesmo a minha cidade.

09 agosto, 2008

Jura - Rui Veloso e Camané (clica aqui)

Jura que não vais ter uma aventura
Porque eu hei-de estar sempre à altura
De saber
Que a solidão é dura
E o amor é uma fervura
Que a saudade não segura
E a razão não serena
Mas jura que se tiver de ser
Ao menos que valha a pena

Fio


No fio da respiração,
rola a minha vida monótona,
rola o peso do meu coração.

Tu não vês o jogo perdendo-se
como as palavras de uma canção.

Passas longe, entre nuvens rápidas,
com tantas estrelas na mão...—

Para que serve o fio trêmulo
em que rola o meu coração?

(Cecília Meireles)

Vou viver com os gorilas


Um dia destes uma amiga minha que está à espera de bebé (pelos vistos mais um rapaz para se juntar ao mano de quase 2 anos) perguntava-me se eu conhecia alguma bebé porque ela tinha recebido ou comprado não cheguei a perceber, alguma coisa que era para uma menina e não para menino como o dela. Disse-lhe que na minha família desde há muito tempo nascem quase só rapazes. A excepção é a princesa Inês de 6 anos de idade.
E conversa puxa conversa e porque já se sabe que as palavras são como as cerejas, sobretudo quando saborosas, fui dizendo que toda a vida ouvi dizer que quando nascem muitos rapazes, cerca de 20 anos depois há uma guerra.
Hoje ouvi a notícia da guerra na Geórgia e fiquei sem perceber porquê e quem está envolvido nela. Foram os georgianos que invadiram outro país ou foi a Rússia que os invadiu? Palavra de honra que não percebi nada. Só sei que as imagens são devastadoras, que quem tem morrido são civis, que os edifícios a arder são edifícios residenciais...
E com tantas guerras em tantas partes do mundo fico com a sensação que, se calhar têm nascido muito mais rapazes que raparigas de há muitos anos para cá. Ou posso estar enganada claro. Afinal agora as mulheres também vão à guerra e por isso se calhar o que se dizia quando eu era miúda deixou de fazer sentido. Nasçam meninos ou meninas parece que o destino do nosso planeta é estar em guerra sempre em várias frentes.
Acho que vou juntar-me à espécie de gorilas (125.000, caramba é muito bicho!) que se julgavam em extinção e que estão a viver muito sossegadinhos (ou estavam, porque agora que os descobriram vamos ver o que acontece) no Congo. Tenho a certeza que me daria bem por aquelas paragens, rodeada de uma gente tão sossegada e que só quer viver em paz.
E depois não querem que eu acredite em Darwin. É claro que o mundo evolui e as espécies também. O que será o ser humano daqui a uns anos, se continuar nesta vaga do compra e deita fora? O que vai acontecer ao planeta Terra? Já não bastavam as esferográficas e tudo o resto, agora até os telemóveis são descartáveis...
Acho que quero mesmo ir viver na colónia congolesa de gorilas!

08 agosto, 2008

Cabecinha no Ombro - Fábio Júnior & Roberta Miranda - (clica aqui)

Encosta a tua cabecinha no meu ombro e chora
E conta logo a tua mágoa toda para mim
Quem chora no meu ombro eu juro que não vai embora,
que não vai embora, que não vai embora