06 fevereiro, 2007

SERÁ QUE AINDA TE VEMOS, LAI SI?


Ontem, desapareceste estranhamente de nossa casa! Estranhamente, ou talvez não! Muitas vezes, pensei que uma coisa destas iria acontecer. Nunca vi uma gata como tu! Eras felina, ao máximo. Eras deliciosamente selvagem. Caçadora. Vivaça. Esperta. Rapidíssima nos movimentos. Estavas toda ligada à Natureza. O modo como fugias!. Parecias um macaco: primeiro saltavas, cabriolavas, e depois disparavas, meteórica, como um foguetão... Sempre foste um problema. Comeste o casal de canários de que tanto gostávamos. Foi um grande sofrimento, mas já estavas perdoada. Partias tudo o que era bibelot, muitos deles guardados, durante anos, com quase religiosidade, por serem antiguidades, caros e bonitos. Que pedagógica ironia! Eras diferente, Lai Si. E agora, desapareceste, agora... que começava a amar-te...
À medida que te fomos conhecendo ...é que comecei a compreender o modo como te encontrámos. Perdida, num pinhal.À beira da estrada, junto da nossa casa de Brejenjas. Mas a miar. Com deteminação. Com vigor. Como se soubesses de direitos. Sòzinha. Suja.Cheia de piolhos. Mas sòzinha, porquê? À medida que te fomos conhecendo, percebi: não tiveste paciência para esperares pela tua mãe. A tua mãe, que tinha, por certo, uma ninhada. E lembrou-se de vos levar, um a um, como fazem as mães gatas, para um lugarejo mais seguro. A mãe gata vai e vem. Leva e vem buscar. Mas tu, minha desatinada, minha querida, podias lá esperar! E foi assim que a minha filha Rita te encontrou. Claro que tu foste logo ter com ela. Sabidona. Oportunista. A vida no mato não era para ti. O teu destino era outro. E a Rita lá me levou ao pinhal. Pai, é a minha prenda de anos. Foi em Agosto. Dia 20. Como podia negar-te, minha filha, esse prazer? O nome que lhe demos, Lai Si, significa, em chinês, isso mesmo: uma oferta.
Quando chegaste a Lisboa, e o Novelo, gato velhote, te viu, a invadires o teritório dele, foi um caso sério, como costuma ser nestas circunstâncias. O Novelo desapareceu do mapa. Escondeu-se debaixo das camas e dos móveis. Só saía de noite, para comer. E foi muito devagar,muito devagar, que se foi aproximando. A olhar para ti. Com cuidado. A examinar-te. E como estava só, devido à morte recente do outro gato, que tivémos, chamado Caricas, viu na Lai Si uma forma de compensação. E foi uma grande alegria quando começaram a brincar. E quando vieram os dias frios, começaram a dormir juntinhos, abraçados, como só os seres humanos apaixonados fazem. Se vocês vissem como ambos se lavavam um ao outro, lambendo-se mutuamente as orelhinhas e os focinhos, porque sozinhos é a parte do corpo que não conseguem atingir com as suas línguas! Para além disso, eram ambos muito amigos do nosso cão, o Gwyn. Este, deixava a Lai Si ir comer a sua comida, embora rosnando com meiguice. Até se afastava para ela passar, ele, que é um cão comilão, como são todos os Goldens Retrievers. A Lai Si atirava-se contra o rabo do Gwyn, e saltava para cima do seu grande corpanzil, e o cão deixava. Eram amigos. O único cuidado que era peciso ter era evitar que a Lai Si magoasse o Novelo, já que este é um gato muito velhinho e que já sofreu muito na vida.
Dá por isso pena ver como o Novelo anda pela casa a miar lânguidamente, a procurar a Lai Si, com saudades, e não compreendendo nada do que se está a passar...
Parecia eu que adivinhava que isto podia acontecer! Bastava abrir uma janela: a Lai Si saltava para o beiral e punha-se a cogitar as hipóteses de ...caçar! Eu via perfeitamente que o olhar dela procurava os pássaros que riscavam com os seus voos bonitos o ar da manhã. O mesmo, na varanda: como era possível que não tivesse vertigens e não tivesse medo de cair de um quinto andar para baixo? Qualquer dia... pemsava eu...É que bastaria que o Gwyn se aproximasse, ladrasse, brincando, claro, para que ela, com o susto, pudesse cair na rua...
Foi assim que aconteceu, ontem? Não sabemos. Podia ter-se escapulido pela porta, pois era muito ágil, e por mais de uma vez tivemos que ir buscá-la ao último piso, sempre a correr, porquanto ela nunca parava. Queria era movimento. Aventura. Ou então, meteu-se em alguma gaveta. Em algum buraco. Não sei. Já corri tudo. Desde máquina de lavar, fogão, sacos de pástico, arrecadação, guarda- fatos, sei lá!. Já falei com os vizinhos do primeiro andar, que têm terraços. Ninguém a viu. Já calcorreei os terrenos em volta. Já fui ao veterinário, perto de casa. Aí, dissram-me, ao contrário do que eu pensava, que cinco andares podem não ser suficientes para ela ter morrido. Até cinco dias... pode aparecer, disseam-me. Só que eu não tenho esperança. Noite fora, ponho-me, no entanto, à escuta de ouvir algum lamento. Nada. Já afixei no elevador um pedido para que me digam alguma coisa, caso a encontrem. Nada.Ou melhor: alguém, que detesta animais, rasgou o papel: é que o papel conspurca a limpeza, a arrumação do imóvel. Sabes, Lai Si, tenho muitas saudades tuas. Se tu aparecesses...
Agora que estrava a começar a amar-te, é que tu nos fazes uma coisa destas.
Se tu aparecesses, era uma grande alegria...
Eduardo Aleixo

05 fevereiro, 2007

Gabriel o Pensador e Adriana Calcanhoto - Tas A Ver


"Já que a vida é feita de pequenos nadas..."
Cliquem no título e assistam: vale mesmo a pena!

Ausência


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

(Carlos Drummond de Andrade)

É só uma ideia.


Acabo de ver no telejornal a cerimónia funerária de um policia morto em Itália, na sequência de incidentes num jogo de futebol. Não sei como os acontecimentos decorreram, porque como não gosto de futebol e menos ainda da violência que o mesmo gera, nunca vejo as notícias que dizem respeito a este tipo de coisa. Hoje apanhei por acaso parte do discurso da viúva e da filha que este homem deixa órfã, por causa dos vândalos que decidem descarregar todas as suas frustrações, assistindo jogos de futebol e agredindo os adeptos adversários.
Lembro-me até de, aqui há uns anos ter ficado muito admirada porque um jogo de futebol ocasionou uma coisa deste género mas em menores proporções, mas foi iniciada pela claque da equipa vencedora. Só me lembro que isto aconteceu porque pensei para mim mesma "olha o que fariam se tivessem perdido!".
De facto dizem-me que um jogo de futebol é uma coisa bonita. Talvez seja. Mas devia ser, como qualquer outro desporto, um momento de festa. Em tudo o que é competição há os vencedores e os perdedores... ou os empatadores, não é? Pelo que sei do preço dos bilhetes de futebol, realmente parece-me que pagar para estar sujeito a ser ferido ou morto (porque no meio da confusão, qualquer um está sujeito a levar uma traulitada), é mais perigoso do que viajar de avião hoje em dia. Porque aí a segurança é tão apertada que só mesmo com muito azar acontece uma tragédia provocada por homens. Mas nos estádios qual o grau de segurança possível?
Que tal se os verdadeiros adeptos fizessem uma greve aos jogos, enquanto não forem tomadas medidas para garantir a segurança de quem vai para assistir a uma festa e não a um "arraial de porrada", como diria um bom "alfacinha ali das bandas do lindo bairro de Alfama.
É só uma ideia.

POEMA


POEMA
Envelhecemos:
Somos expulsos por crianças...
( Rainer Maria Rilke )

VERBO

POEMA
Ponho palavras em cima da mesa; e deixo
que se sirvam delas, que as partam em fatias, sílaba a
sílaba, para as levarem à boca - onde as palavras se
voltam a colar, para cairem sobre a mesa.
Assim, conversamos uns com os outros. Trocamos
palavras; e roubamos outras palavras, quando não as
temos; e damos palavras, quando sabemos que estão
a mais. Em todas as conversas sobram as palavras.
Mas há as palavras que ficam sobre a mesa, quando
nos vamos embora. Ficam frias, com a noite; se uma janela
se abre, o vento sopra-as para o chão. No dia seguinte,
a mulher a dias há-de varrê-las para o lixo.
Por isso, quando me vou embora, verifico se ficaram
palavras sobre a mesa; e meto-as no bolso, sem ninguém
dar por isso. Depois, guardo-as na gaveta do poema. Algum
dia, estas palavras hão-de servir para alguma coisa.
( Nuno Júdice, in " As coisas mais simples" )

SEI O CAMINHO QUE TRILHAS


POEMA
Sei o caminho que trilhas.
Solitário.
Como o rasto
De um navio...
Eduardo Aleixo

ESTÓRIA MAIS SIMPLES DO QUE ESTA NÃO EXISTE


POEMA
Acontece que um dia bateste à minha porta.
Trazias o coração tão só e tão triste!
Mal me lembrava de ti!
Entraste.
Nada te perguntei.
Nada me perguntaste.
Nada me pediste.
Tudo me deste.
Tudo te dei.
E foi assim,
Até ao dia
Em que partiste!
Estória mais simples
Do que esta... não existe!...
Eduardo Aleixo
( 29/01/2007)

04 fevereiro, 2007

Mercedes Benz - Janis Joplin

Será que basta um série A? E a TV tem que ser plasma?

Dialética


É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...

(Vinícius de Moraes )

Tudo valeu a pena.

Chega ao fim mais um fim de semana... e soube-me a pouco. Soube-me a pouco o tempo que passei com o meu filho mais velho... há quanto tempo não o acordava com beijos? Há quanto tempo não o ouvia dizer "assim é bom acordar..."? Tanta coisa que deixamos de fazer quando os filhos crescem... parece que me esqueci de que eles (os meus filhos) continuam a ser os meus meninos... e que bom que é quando se pode dar e receber colo de um filho... que bem que sabe!
Soube-me a pouco a tarde passada com os meus sobrinhos netos. Estou estafada de tanta brincadeira, mas o meu coração voltou a sentir alegria... e há tanto tempo não sentia... porque não há nada como as crianças para nos deixarem este cansaço gostoso, esta vontade de viver mais e mais, de brincar mais e mais, de pular, fazer de cavalo e de escorrega e rir e rolar pelo chão... que bom que é voltar a ser criança! Esquecer que os anos passaram, que dias tristes nos bateram à porta, que lutámos para sobreviver; mas tudo valeu a pena: basta olhar para o rosto da criança na foto. Há alguma coisa que pague a alegria de um rosto de criança que amamos e que nos ama? que nos quer como a queremos? Tudo o que passamos vale a pena quando no fim há esta luz para nos iluminar o resto do caminho que nos falta trilhar...

03 fevereiro, 2007

Acelerou - Djavan

... quando te vi, aquilo era quase o amor...

Quero saber


Quero saber se vens comigo
a não andar e não falar,
quero saber se ao fim alcançaremos
a incomunicação; por fim
ir com alguém a ver o ar puro,
a luz listrada do mar de cada dia
ou um objeto terrestre
e não ter nada que trocar
por fim, não introduzir mercadorias
como o faziam os colonizadores
trocando baralhinhos por silêncio.
Pago eu aqui por teu silêncio.
De acordo, eu te dou o meu
com u te dou o meu
com uma condição: não nos compreender

Pablo Neruda

Eu voto SIM.

Cresci a ver entrarem mulheres em casa da minha vizinha que era "parteira". Eu era muito miúda e não percebia muito bem, porque é que as mulheres lá iam... sobretudo não percebia porque é que elas entravam com tão bom aspecto e saíam desfiguradas, com as pernas tremendo, pálidas, transpirando...
Durante a minha pré adolescência o mistério desvendou-se: a mulher não era "parteira" como se intitulava, mas "abortadeira". Tinha trabalhado aqui na metrópole (como se dizia nessa altura), como empregada de limpeza num hospital. E como de burra não tinha nada, e tinha vários filhos para criar, aprendeu como se fazia, vendo.
Quando foi para Angola, apenas a acompanharam dois filhos: um de cerca de 18 anos e uma bebé que me parece ter nascido já por lá e que fazia as delícias de toda a vizinhança por ser tão bonita e simpática. Metia-se em casa de toda a gente, comia aonde o menu mais lhe agradava e até pedia para lhe darmos banho.
Pois acontece que a nossa vizinha "parteira" vivia de fazer abortos. Tinha no hospital um médico amigo a quem enviava as clientes quando a coisa corria mal e lá se iam governando assim. Só que chegou um dia em que uma das "clientes" foi enviada para o hospital e o médico amigo não estava. A mulher não sobreviveu e não foi possível contar uma estória qualquer ao marido que não fazia a mínima ideia de que a mulher estava grávida. A "parteira" foi presa. A história saiu nas primeiras páginas dos jornais e revistas de Angola. A pequena acabou sendo criada pelo irmão mais velho e da "parteira" nunca mais ouvi falar.
Dramas como este continuam a existir. E é sobre estes dramas que se quer referendar uma lei que despenaliza a prática abortiva até às dez semanas de gestação. E é acerca deste próximo referendo que tenho ouvido "pérolas" como chamarem de assassinas as mulheres que abortam, compararem o aborto com a pena de morte, dizer-se que se mude a pena de prisão para trabalho comunitário... mas estes senhores não têm mesmo vergonha na cara? Até onde pode ir o descaramento desta gente que não vive num mundo real, que ignora os dramas que levam as mulheres a abortar e que até têm o desplante de usarem este argumento para apelarem ao "não". Não há com toda a certeza ninguém que vá votar sim porque é contra a vida. Não é a vida da criança que vai ser referendada. Trata-se apenas de referendar uma lei que despenalize completamente as mulheres que abortem, sem terem que se justificar por isso, até às dez semanas. Trata-se apenas de evitar que qualquer mulher possa sentir a humilhação de ir a tribunal por tal prática. De ver a sua vida devassada porque por uma razão de foro íntimo decidiu não ter aquela criança.
Eu sou contra o aborto. Mas voto SIM pela despenalização das mulheres.
Eu sou a favor da vida. De qualquer vida. E é também por isso que voto SIM.

Me and Bobby McGee - Janis Joplin


Só porque bateu uma saudade...

Porque o Carnaval está chegando

Porque o Carnaval está chegando

02 fevereiro, 2007

Eu te amo

Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armários embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu

Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica como que cara eu vou sair

Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir

(Chico Buarque)

Eu cá não me aturo!

Voltando ainda a partes do texto "Para sempre é tempo demais" e ao que os pais fazem pelos filhos, passou-me pela cabeça que há muitos casamentos a desfazerem-se quando os filhos estão finalmente prontos para viver a sua vida. E este finalmente tem, é claro a ver com o facto de os filhos ficarem cada vez mais tempo em casa dos pais. Conheço casos em que os "pequenos" até têm a sua casa, mobilada, prontinha a habitar... mas é só para darem umas voltas com o(a)s namorado(a)s de vez em quando. Porque continua a ser muito mais cómodo e económico viver em casa dos pais... e também sei que há pais que adoram este tipo de situação. Aliás cada vez mais, esta é uma situação que os pais adoram.
Mas já estou a entrar por outros caminhos. O que eu quero aqui dizer é que há casais que são infelizes desde sempre e para sempre porque os "pequenos" podem ficar traumatizados ou serem apontados a dedo na escola como filhos de pais separados... pelo menos essa é a desculpa que utilizam para não se separarem. Confesso que a minha generosidade nunca chegaria a tanto... Abdicar de uma vida inteira que não se repetirá jamais em nome de valores como esses é para mim impensável. E no fundo o que eu acho mesmo é que a maioria dos casais que vive em ruptura mas não rompe, o faz por uma questão de comodismo. Porque viveram para os filhos, amealharam para os filhos e odiaram-se um ao outro, mais e mais até à exaustão... até já não serem capazes de viver as suas próprias vidas... até já não serem capazes de viver sem os seus ódios de estimação...
Se fossem cada um para seu lado, com quem iniciariam o dia a gritar? Em cima de quem descarregariam o ódio que trazem do emprego, dos colegas, do chefe?
Parece que não, mas olhem que dá muito trabalho arranjar alguém capaz de nos aturar quando já nem nós mesmos nos aturamos!

01 fevereiro, 2007

O que desejei às vezes



O que desejei às vezes
Diante do teu olhar,
Diante da tua boca!

Quase que choro de pena
Medindo aquela ansiedade
Pela de hoje - que é tão pouca!

Tão pouca que nem existe!

De tudo quanto nós fomos,
Apenas sei que sou triste.

(António Botto)

Para sempre é tempo demais.


Nada é para sempre, porque para sempre é sempre tempo demais. É assim que o amor não é para sempre, e cada vez há mais amores, paixões, amizades, mágoas, raivas, ódios, rivalidades... tudo instantâneo; tudo pronto a servir. A ideia de que o casamento é para sempre, persiste (mais do que eu poderia algum dia imaginar). Em pleno século XXI, culpam-se os pais separados pelos maus resultados das suas crianças. O que é um erro. Porque há problemas com crianças que vivem em famílias perfeitamente estáveis como há, com crianças de famílias mono parentais. E não há irmãos iguais, embora sejam criados com as mesmas regras. Educar filhos únicos pode parecer fácil... não posso falar "de cadeira", mas acho bem mais difícil educar um só do que três. Por isso é que digo sempre a quem quer ter filhos, ou nenhum ou mais do que um... não me parece que ser filho único seja muito saudável, embora tenha vários amigos filhos únicos... mas só conheci um com um comportamento de miúdo que tivesse irmãos... talvez porque fazia dos amigos irmãos. O meu filho mais velho só começou a aprender a partilhar depois de ter irmãos... e olhem que não era por falta de educação da minha parte.

Hoje os pais ensinam os filhos a serem egoístas. Transportam-lhes as malas, dão-lhes o lugar nos transportes, fazem os trabalhos de casa por eles... Acham normal privarem-se do essencial para que os filhos se encham de supérfluos. Isto não é um comportamento normal mas estes pais nem se apercebem e nas suas cabeças estão a dar o melhor aos filhos. Mas no fim estão a esconder-lhes uma realidade que, mais tarde ou mais cedo eles terão que enfrentar. E que será um duro golpe porque não foram treinados para a vida real. Tornam-lhes a vida cor de rosa e depois de adultos não sabem que voltas hão-de dar à mínima dificuldade que apareça...

Nada é para sempre... tudo tem um fim. Para sempre é tempo demais. Só é de verdade no momento em que dizemos "para sempre", porque acreditamos que assim será. O tempo se há-de encarregar de nos fazer ver que não é... E as crianças também crescem. Tornam-se adolescentes, depois adultos, depois velhos... porque como tudo na vida, a infância também não é para sempre!