Hugo Chavez falou ao povo,dizendo que a sua vitória eleitoral foi uma vitória contra a ditadura dos E.U.América e que nunca a Venezuela será uma colónia deste último país imperialista.
Embora me cheire a discurso demagógico, com tempero populista, muito ao estilo de Lula e da América Latina, uma coisa é inegável: Hugo Chavez, amigo conhecido da ditadura cubana e do seu líder, Fidel Castro, foi eleito, inequivocamente, pelo povo. Melhor: foi reeleito. Temos de respeitar...
Eduardo Aleixo
Um blog do dia a dia, com muitas estórias, alguma poesia, música, fotografia, crítica, comentários... para desabafar, porque sem um grito ninguém segura o rojão!
06 dezembro, 2006
CONSTROI A PAZ
05 dezembro, 2006
NOSTALGIA
POEMASou um pessegueiro
Florescendo no fundo de um poço.
Olho para quê?,sorrio para quem?
És a Lua reluzindo no céu
Breve foi o tempo debruçada sobre mim,
Logo o afastamento, para sempre.
A espada da mais fina lâmina
Não pode cortar em duas as águas do mesmo rio.
Meu pensamento,como a água,
Corre e te segue sempre.
Li Bai ( in poemas de Li Bai ).
O CASO CAMARATE
Já lá vão 26 anos!!...
Soube da notícia da queda do avião,estava eu,com a minha namorada,hoje minha mulher,num restaurante do Bairro Alto.
Quando descemos o Chiado deparámos,no Rossio,com uma manifestação de forças de esquerda,na qual, lembro-me bem,havia palmas e regozijo,da parte de muita gente,pelas mortes acabadas de anunciar.
Soube,no dia seguinte,que militantes do PC tinham feito o mesmo,no Barreiro.
Lembro-me de ter sentido uma grande tristeza por ambas as coisas: pelo desaparecimento trágico de pessoas com muito valor,que eu admirava,embora não pertencessem à minha área política ( Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa: o primeiro,um político corajoso e de grande visão e o segundo,um parlamentar brilhante) e pelo ódio dos manifestantes,indiferentes à morte daqueles,coisa só justificável,mas inaceitável,por idologias sem conteúdo humano.
Vem,a talhe de foice,dizer que já outros acontecimentos,da mesma laia,e por essa época,me tinham ensinado que o comunismo não prestava: vi o mesmo ódio na ocupação das terras,no Alentejo,com o objectivo último,a coberto da Reforma Agrária,de pôr o Partido no lugar antes ocupado pelos legítimos proprietários...
Voltemos,no entanto, às mortes trágicas de Sá Carneiro,Adelino Amaro da Costa e restantes ocupantes do avião. Sabe-se que o processo de Camarate se arrasta desde então.Muitos livros ja foram escritos sobre as teses de acidente e de atentado.Muitos vestígios desapareceram do local da queda do avião.Algumas testemunhas não falaram, talvez porque foram aneaçadas.Muitas Comissões de Inquérito foram arquivadas, sem chegarem a conclusões. Os anos passaram...
A ideia que tenho é que não houve a coragem de querer-se apurar a verdade dos factos.Algumas investigações apontam para a existência de indícios de possível atentado: os corpos chegaram já inanimados ao solo ( o que aconteceu antes da aterragem forçada? ) e não houve perda de combustível como motivo para a queda do avião...A existência de indícios de possível atentado devia ser razão suficiente para que o poder judicial fizesse julgamento do caso.Mas não. Podemos pensar que tudo foi feito para que o processo viesse a prescrever.Como veio a acontever,como sabem.
Agora, que o processo prescreveu,só nos faltava aparecer uma figura,que sempre foi falada,como eventual interventora nos acontecimentos,um tal José Esteves,a afirmar o seguinte: « Eu fabrico a faca,mas não dou a facada.As armas não matam.Quem mata são os homens.Em Camarate tudo o que fiz foi dizer:" Sim,senhor patrão"»...
Será verdade?
Serás mentira?
Se for verdade que houve um patrão,quem foi?.O que mandou o patrão fazer?Como sabê-lo,se o processo já prescreveu?
Se for mentira,como comprová-la, sem que haja um julgamento?
Como pode a prescrição impedir que o país saiba a verdade?
Vai este país,em nome de pincípios jurídicos válidos,mas abstractos,que foram concebidos para servirem de regra, como o de ser perigoso levantar a prescrição para um caso concreto...( como se não hovesse excepções...) ficar com esta mancha vergonhosa na sua História?Vai este país lavar as mãos,como Pilatos,e arrumar de vez o assunto,dizendo singelamente que já prescreveu e, como tal, nada é possível fazer?.Ou então,dizer: foi um erro da Justiça,entre muitos outros ,que infelizmente existem...
Por mim, acho isso escandaloso.Acho que existem momentos na vida das sociedades em que a legitimidade,mais do que a legalidade,é que deve prevalecer.É este caminho que espero a Justiça pise,com a criação possível,à luz das informações que vamos ouvindo,de um Procurador Especial,em seguimento de proposta conjunta dos dois maiores partidos do país...
Eduardo Aleixo
Soube da notícia da queda do avião,estava eu,com a minha namorada,hoje minha mulher,num restaurante do Bairro Alto.
Quando descemos o Chiado deparámos,no Rossio,com uma manifestação de forças de esquerda,na qual, lembro-me bem,havia palmas e regozijo,da parte de muita gente,pelas mortes acabadas de anunciar.
Soube,no dia seguinte,que militantes do PC tinham feito o mesmo,no Barreiro.
Lembro-me de ter sentido uma grande tristeza por ambas as coisas: pelo desaparecimento trágico de pessoas com muito valor,que eu admirava,embora não pertencessem à minha área política ( Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa: o primeiro,um político corajoso e de grande visão e o segundo,um parlamentar brilhante) e pelo ódio dos manifestantes,indiferentes à morte daqueles,coisa só justificável,mas inaceitável,por idologias sem conteúdo humano.
Vem,a talhe de foice,dizer que já outros acontecimentos,da mesma laia,e por essa época,me tinham ensinado que o comunismo não prestava: vi o mesmo ódio na ocupação das terras,no Alentejo,com o objectivo último,a coberto da Reforma Agrária,de pôr o Partido no lugar antes ocupado pelos legítimos proprietários...
Voltemos,no entanto, às mortes trágicas de Sá Carneiro,Adelino Amaro da Costa e restantes ocupantes do avião. Sabe-se que o processo de Camarate se arrasta desde então.Muitos livros ja foram escritos sobre as teses de acidente e de atentado.Muitos vestígios desapareceram do local da queda do avião.Algumas testemunhas não falaram, talvez porque foram aneaçadas.Muitas Comissões de Inquérito foram arquivadas, sem chegarem a conclusões. Os anos passaram...
A ideia que tenho é que não houve a coragem de querer-se apurar a verdade dos factos.Algumas investigações apontam para a existência de indícios de possível atentado: os corpos chegaram já inanimados ao solo ( o que aconteceu antes da aterragem forçada? ) e não houve perda de combustível como motivo para a queda do avião...A existência de indícios de possível atentado devia ser razão suficiente para que o poder judicial fizesse julgamento do caso.Mas não. Podemos pensar que tudo foi feito para que o processo viesse a prescrever.Como veio a acontever,como sabem.
Agora, que o processo prescreveu,só nos faltava aparecer uma figura,que sempre foi falada,como eventual interventora nos acontecimentos,um tal José Esteves,a afirmar o seguinte: « Eu fabrico a faca,mas não dou a facada.As armas não matam.Quem mata são os homens.Em Camarate tudo o que fiz foi dizer:" Sim,senhor patrão"»...
Será verdade?
Serás mentira?
Se for verdade que houve um patrão,quem foi?.O que mandou o patrão fazer?Como sabê-lo,se o processo já prescreveu?
Se for mentira,como comprová-la, sem que haja um julgamento?
Como pode a prescrição impedir que o país saiba a verdade?
Vai este país,em nome de pincípios jurídicos válidos,mas abstractos,que foram concebidos para servirem de regra, como o de ser perigoso levantar a prescrição para um caso concreto...( como se não hovesse excepções...) ficar com esta mancha vergonhosa na sua História?Vai este país lavar as mãos,como Pilatos,e arrumar de vez o assunto,dizendo singelamente que já prescreveu e, como tal, nada é possível fazer?.Ou então,dizer: foi um erro da Justiça,entre muitos outros ,que infelizmente existem...
Por mim, acho isso escandaloso.Acho que existem momentos na vida das sociedades em que a legitimidade,mais do que a legalidade,é que deve prevalecer.É este caminho que espero a Justiça pise,com a criação possível,à luz das informações que vamos ouvindo,de um Procurador Especial,em seguimento de proposta conjunta dos dois maiores partidos do país...
Eduardo Aleixo
04 dezembro, 2006
Ode aos gatos
Os animais foram imperfeitos,
compridos de rabo,
tristes de cabeça.
Pouco a pouco se foram compondo,
fazendo-se paisagem,
adquirindo pintas, graça, vôo.
O gato,
só o gato apareceu completo e orgulhoso:
nasceu completamente terminado,
anda sozinho e sabe o que quer.
O homem quer ser peixe e pássaro,
a serpente quisera ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta,
a mosca estuda para andorinha,
o poeta trata de imitar a mosca,
mas o gato quer ser só gato
e todo gato é gato do bigode ao rabo,
do pressentimento ao rato vivo,
da noite até seus olhos de ouro.
Não há unidade como ele,
não tem a lua nem a flor tal contextura:
é uma só coisa como o sol ou o topázio,
e a elástica linha em seu contorno firme e sutil
é como a linha da proa de um navio.
Seus olhos amarelos deixaram uma só ranhura
para jogar as moedas da noite.
Oh pequeno imperador sem orbe,
conquistador sem pátria,
mínimo tigre de salão,
nupcial sultão do céu das telhas eróticas,
o vento do amor na intempérie reclamas
quando passas e pousas quatro pés delicados no solo,
cheirando, desconfiando de todo o terrestre,
porque tudo é imundo para o imaculado pé do gato.
Oh fera independente da casa,
arrogante vestígio da noite,
preguiçoso, ginástico e alheio,
profundíssimo gato, polícia secreta dos quartos,
insígnia de um desaparecido veludo,
seguramente não há enigma na tua maneira,
talvez não sejas mistério,
todo o mundo sabe de ti
e pertences ao habitante menos misterioso,
talvez todos o acreditem,
todos se acreditem donos,
proprietários, tios de gatos,
companheiros, colegas,
discípulos ou amigos do seu gato.
Eu não.
Eu não subscrevo.
Eu não conheço ao gato.
Tudo sei, a vida e seu arquipélago,
o mar e a cidade incalculável,
a botânica, o gineceu com seus extravios,
o pôr e o menos da matemática,
os funis vulcânicos do mundo,
a casaca irreal do crocodilo,
a bondade ignorada do bombeiro,
o atavismo azul do sacerdote,
mas não posso decifrar um gato.
Minha razão resvalou na sua indiferença,
o seu olho tem números de puro.
(Pablo Neruda)
compridos de rabo,
tristes de cabeça.
Pouco a pouco se foram compondo,
fazendo-se paisagem,
adquirindo pintas, graça, vôo.
O gato,
só o gato apareceu completo e orgulhoso:
nasceu completamente terminado,
anda sozinho e sabe o que quer.
O homem quer ser peixe e pássaro,
a serpente quisera ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta,
a mosca estuda para andorinha,
o poeta trata de imitar a mosca,
mas o gato quer ser só gato
e todo gato é gato do bigode ao rabo,
do pressentimento ao rato vivo,
da noite até seus olhos de ouro.
Não há unidade como ele,
não tem a lua nem a flor tal contextura:
é uma só coisa como o sol ou o topázio,
e a elástica linha em seu contorno firme e sutil
é como a linha da proa de um navio.
Seus olhos amarelos deixaram uma só ranhura
para jogar as moedas da noite.
Oh pequeno imperador sem orbe,
conquistador sem pátria,
mínimo tigre de salão,
nupcial sultão do céu das telhas eróticas,
o vento do amor na intempérie reclamas
quando passas e pousas quatro pés delicados no solo,
cheirando, desconfiando de todo o terrestre,
porque tudo é imundo para o imaculado pé do gato.
Oh fera independente da casa,
arrogante vestígio da noite,
preguiçoso, ginástico e alheio,
profundíssimo gato, polícia secreta dos quartos,
insígnia de um desaparecido veludo,
seguramente não há enigma na tua maneira,
talvez não sejas mistério,
todo o mundo sabe de ti
e pertences ao habitante menos misterioso,
talvez todos o acreditem,
todos se acreditem donos,
proprietários, tios de gatos,
companheiros, colegas,
discípulos ou amigos do seu gato.
Eu não.
Eu não subscrevo.
Eu não conheço ao gato.
Tudo sei, a vida e seu arquipélago,
o mar e a cidade incalculável,
a botânica, o gineceu com seus extravios,
o pôr e o menos da matemática,
os funis vulcânicos do mundo,
a casaca irreal do crocodilo,
a bondade ignorada do bombeiro,
o atavismo azul do sacerdote,
mas não posso decifrar um gato.
Minha razão resvalou na sua indiferença,
o seu olho tem números de puro.
(Pablo Neruda)
Acabo de ouvir dois homens, dois, dizerem que as mulheres são muito mais independentes, vivas, aventureiras, livres no verdadeiro sentido do termo do que os homens! Pois fiquei admirada... não é comum ouvir os homens falarem assim das mulheres... acharem normal que uma mulher viaje, vá ao cinema, ao teatro, ao concertos, ao contrário (segundo eles) dos homens que são incapazes de darem um passo a sós.
Fiquei admirada mas a verdade é que cada vez me surpreendo menos com os homens... conheço alguns que começam a conseguir dar uns passinhos sózinhos. Bem sei que se trata de passos pequeninos, tipo vou ali a ver se encontro algum amigo ou se engato uma fulana que me ature... Estou a ser mázinha eu sei, mas que piada tem ser-se boazinha? Acho que há por aí uma fulana de nome Floribela (que nome horroroso) que gosta muito de toda a gente e é muito boazinha e gosta de ser pobrezinha e gosta de ser enganada e... etc, etc. etc. E parece que até tem muito sucesso. Toda a gente me fala dela.
Mas eu se não me chamasse Maria Eduarda, chamar-me-ia tipo Florimá, Florifeia, Folriseca, qual deles o melhor... Não sou boazinha. Sou má. Sou uma cobra. Não penso antes de falar, não tenho coração, ou tenho-o mesmo ao pé da boca... Mas quando chamo alguém de amigo, aí podem ter a certeza que saltarei como leoa em defesa das suas crias se alguém tentar fazer-lhe mal.
Sou má como uma leoa... quando alguém tenta trapacear-me ou trapacear os meus amigos...
Agora se me deixarem aqui, no meu tempo, no meu canto, não faço mal a uma mosca...
Amanhã de manhã parto para o Alentejo. Vou para um monte isolado do mundo mas com uma ponte chamada Internet, pelo que penso que não será difícil fazer chegar notícias minhas. Mas se eu estiver calada é porque o que estou a ver e a viver é tão bom que precisarei de tempo para digerir... não sou muito boa a digerir... nem mesmo as emoções.
Com toda a minha amizade.
EM MEMÓRIA DE CHARLOT
Quando sorria
Não sorria
Feria...
Quando dançava
O seu corpo
Estrebuchava...
Quando falava
Sonhava
Não parava de sonhar...
O sorriso de Charlot
Era uma faca
Era uma farsa
Era sem definição
Tavez rosa de piedade
Como uma criança
Sem ódio
A dizer Não...
Quando dançava
O corpo dele
Crescia
Crescia
Renascia
Não cabia
No smoking da convenção
E fugia
Fugia
Para o país da ganga simples
Onde tinha o coração...
Eduardo Aleixo
Não sorria
Feria...
Quando dançava
O seu corpo
Estrebuchava...
Quando falava
Sonhava
Não parava de sonhar...
O sorriso de Charlot
Era uma faca
Era uma farsa
Era sem definição
Tavez rosa de piedade
Como uma criança
Sem ódio
A dizer Não...
Quando dançava
O corpo dele
Crescia
Crescia
Renascia
Não cabia
No smoking da convenção
E fugia
Fugia
Para o país da ganga simples
Onde tinha o coração...
Eduardo Aleixo
O SOCIALISMO MODERNO
Nuno Rogeiro dá a seguinte explicação para o alto nível de popularidade do governo a despeito da crispação social que as suas políticas de confrontação têm criado: « Porque é que o Governo, assolado pela contestação social,se mantém alto nas sondagens?.Estão estas manipuladas, ou o que se encontra no poder é, para além do PS,parte do PSD e do CDS/PP...desejosos das mesmas medidas e reformas, ou mais? », ( in Revista Sábado ).Creio que a sua analise está correcta.
A mesma ideia subjacente, a da ocupação do espaço da Direita pelo PS, pode encontrar-se no Editorial, de José António Saraiva, no " O Sol ", de 1 deste mês, com o tíulo: " A Esquerda ainda existe " ?.
Outro artigo, muito interessante, da autoria de Henrique Monteiro, publicado no último " Expresso " avança, à laia de tese, com a ideia de que a crise não é da Direita, mas sim da Esquerda, e isto pela razão smples de que a Esquerda está a governar com ideias e práticas de Direita, perguntando-se com que ideias ficará a Esquerda um dia mais tarde quando estiver na Oposição...
Acho todas estas abordagens não só interessantes, mas como um rastreio de toda uma situação artificial a que se chegou 30 anos depois do 25 de Abril.
A verdade é que para o PS... as ideias não contam há já muito tempo!.
O processo de desonestidade intelectual começou há muito.
Começou com o encerramento do " socialismo na gaveta" e a exibição do "socialismo democrático", uma maneira eufemística de se diferenciarem da social-democracia do PSD.Claro que a desonestidade não foi o camarada Mário ter posto o Socialismo na gaveta. Não. Foi não ter dito a verdade: isto vai para a gaveta, porque é coisa que já não há. Ao que devia ter acrescentado: e esta palavra de socialismo democrático, vocês entendem, é uma maneira de "soarmos" diferentes do PSD...
Agora, e para encurtar a prosa e as razões, estamos perante a última desonestidade: não se trata de crise da esquerda, não senhor. Não se trata de governar à direita, não senhor.Não se trata de uma política liberal, podia lá ser, então andámos todos estes anos a chamar os liberais de reaças e fascistas e agora...Não, do que se trata, camaradas, é de uma nova teoria. Não, não é Terceira Via, do Blair e do Clinton, claro que não podia ser, porque ele, Blair,como sabem, concordou com a invasão do Iraque. Trata-se de uma aboragem nova, camaradas, ainda não bem sistematizada, que se chama de SOCIALISMO MODERNO...
Eduardo Aleixo
A mesma ideia subjacente, a da ocupação do espaço da Direita pelo PS, pode encontrar-se no Editorial, de José António Saraiva, no " O Sol ", de 1 deste mês, com o tíulo: " A Esquerda ainda existe " ?.
Outro artigo, muito interessante, da autoria de Henrique Monteiro, publicado no último " Expresso " avança, à laia de tese, com a ideia de que a crise não é da Direita, mas sim da Esquerda, e isto pela razão smples de que a Esquerda está a governar com ideias e práticas de Direita, perguntando-se com que ideias ficará a Esquerda um dia mais tarde quando estiver na Oposição...
Acho todas estas abordagens não só interessantes, mas como um rastreio de toda uma situação artificial a que se chegou 30 anos depois do 25 de Abril.
A verdade é que para o PS... as ideias não contam há já muito tempo!.
O processo de desonestidade intelectual começou há muito.
Começou com o encerramento do " socialismo na gaveta" e a exibição do "socialismo democrático", uma maneira eufemística de se diferenciarem da social-democracia do PSD.Claro que a desonestidade não foi o camarada Mário ter posto o Socialismo na gaveta. Não. Foi não ter dito a verdade: isto vai para a gaveta, porque é coisa que já não há. Ao que devia ter acrescentado: e esta palavra de socialismo democrático, vocês entendem, é uma maneira de "soarmos" diferentes do PSD...
Agora, e para encurtar a prosa e as razões, estamos perante a última desonestidade: não se trata de crise da esquerda, não senhor. Não se trata de governar à direita, não senhor.Não se trata de uma política liberal, podia lá ser, então andámos todos estes anos a chamar os liberais de reaças e fascistas e agora...Não, do que se trata, camaradas, é de uma nova teoria. Não, não é Terceira Via, do Blair e do Clinton, claro que não podia ser, porque ele, Blair,como sabem, concordou com a invasão do Iraque. Trata-se de uma aboragem nova, camaradas, ainda não bem sistematizada, que se chama de SOCIALISMO MODERNO...
Eduardo Aleixo
SOMOS FILHOS DAS ESTRELAS
De vez em quando parto, e quando digo parto, diria melhor regresso às minhas origens, posso mesmo dizer às nossas origens de seres humanos, que antes de serem seres culturais, sociais, políticos, planetários, são, como bem explica o sociólogo Edgar Morin, na sua obra monumental, " O Método ", seres que pertencem ao mundo da Física, somos átomos, moléculas, protões, neutrões, e cada vez coisas mais pequenas, que a Física Quântica enumera, e esclarece, aqui, onde o infinitamente pequeno é igual ao infinitamente grande, aqui, onde somos como as estrelas, por isso costumo dizeer, em linguagem poética, para quem me conhece, que sou filho das estrelas, aqui, onde tudo começa, permanece, muda, se vai desvendando, a matéria vai casando com o espírito,se mostrando à medida que a ciência positiva vai avançando, mas que os místicos sabem há muito, e a filosofia oriental também, e o budismo tibetano também, para aqui parto pois, de vez em quando, diria melhor regresso, a carregar as baterias, aqui é também o espaço da folha branca que fascina os escritores e poetas, o ventre da mãe terra, o princípio do mundo, o espírito de Tao, que a ciência há-de um dia encontrar, a fonte original de todas as energias, para aqui regresso de vez em quando, quando parto e deixo os meus amigos, que ainda não me conhecem bem, surpresos, face ao meu inopinado silêncio...
Em silêncio fico, de facto. E como sou muito falador ( fingidor, dentro de certa lógica das coisas ), os amigos estranham e até podem pensar que estou ressentido por qualquer coisa que se põem a imaginar. Pois tirem daí a ideia.Quando deixar de botar discurso, de revelar os meus sonhos e de dialogar convosco sobre os problemas do mundo, já sabem ( a não ser que esteja doente )...: parti no dorso do meu irmão vento rumo às estrelas. Os amigos mais íntimos, esses já sabem que estou em meditação em Orion. Onde o que se passa é indizível. Ali, reina um slênciio amoroso.Todo feito de harmonia. Música de búzio. Brisa nos canaviais. Beijos de mar. Carícias que só usamos cá na terra quando amamos sem egoísmo, num convívio sem guerras, nem invejas.
Mas... é-me sempre dito que tenho de regressar, isto é, de partir, de novo, para junto dos meus amigos mortais. E então eu volto. Num ápice, volto. Atravesso paisagens que não sei descrever.Distâncias vertiginosas como aquelas que me surgem em sonho.Mas é tudo muito rápido.A princípio, uma cor leitosa, como a cor da madrugada, depois o sol de fogo ilumina o azul do firmamento, depois o cinzento das nuvens, o ar em movimento, águas com navios em azul ondulante sem fim, areias com dunas, camelos, palmeiras,aldeias, o fumo a subir das chaminés, a presença dos meus irmãos, de vocês, que alegria, as marcas da paisagem,os burros, os ciganos que vão em fila para as feiras, os olhos negros e quentes e as ancas ágeis das ciganas dando-me as boas vindas, cheguei. As cidades aqui estão, os carros, os prédios... E trago muita alegria. Que bom ser flho das estrelas. Sermos filhos das estrelas...
Eduardo Aleixo
Em silêncio fico, de facto. E como sou muito falador ( fingidor, dentro de certa lógica das coisas ), os amigos estranham e até podem pensar que estou ressentido por qualquer coisa que se põem a imaginar. Pois tirem daí a ideia.Quando deixar de botar discurso, de revelar os meus sonhos e de dialogar convosco sobre os problemas do mundo, já sabem ( a não ser que esteja doente )...: parti no dorso do meu irmão vento rumo às estrelas. Os amigos mais íntimos, esses já sabem que estou em meditação em Orion. Onde o que se passa é indizível. Ali, reina um slênciio amoroso.Todo feito de harmonia. Música de búzio. Brisa nos canaviais. Beijos de mar. Carícias que só usamos cá na terra quando amamos sem egoísmo, num convívio sem guerras, nem invejas.
Mas... é-me sempre dito que tenho de regressar, isto é, de partir, de novo, para junto dos meus amigos mortais. E então eu volto. Num ápice, volto. Atravesso paisagens que não sei descrever.Distâncias vertiginosas como aquelas que me surgem em sonho.Mas é tudo muito rápido.A princípio, uma cor leitosa, como a cor da madrugada, depois o sol de fogo ilumina o azul do firmamento, depois o cinzento das nuvens, o ar em movimento, águas com navios em azul ondulante sem fim, areias com dunas, camelos, palmeiras,aldeias, o fumo a subir das chaminés, a presença dos meus irmãos, de vocês, que alegria, as marcas da paisagem,os burros, os ciganos que vão em fila para as feiras, os olhos negros e quentes e as ancas ágeis das ciganas dando-me as boas vindas, cheguei. As cidades aqui estão, os carros, os prédios... E trago muita alegria. Que bom ser flho das estrelas. Sermos filhos das estrelas...
Eduardo Aleixo
03 dezembro, 2006
POEMA
Meu querido, meu velho, meu amigo

(era o que eu gostava de poder ter escrito para ti, pai.)
Esses seus cabelos brancos, bonitos, esse olhar cansado, profundo
Me dizendo coisas, um grito, me ensinando tanto, do mundo...
E esses passos lentos, de agora, caminhando sempre comigo,
Já correram tanto, na vida,
Meu querido, meu velho, meu amigo
Sua vida cheia de histórias, e essas rugas marcadas pelo tempo,
Lembranças de antigas vitórias ou lágrimas choradas ao vento...
Sua voz macia me acalma e me diz muito mais do que eu digo
Me calando fundo na alma
Meu querido, meu velho, meu amigo
Seu passado vive presente, nas experiências contidas,
Nesse coração consciente, da beleza das coisas da vida.
Seu sorriso franco me anima seu conselho certo me ensina,
Beijo suas mãos e lhe digo
Meu querido, meu velho, meu amigo
Eu já lhe falei de tudo,
Mas tudo isso é pouco
Diante do que sinto...
Olhando seus cabelos tão bonitos,
Beijo suas mãos e digo
Meu querido, meu velho, meu amigo
(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
O céu está cinzento pai, e eu tenho tantas saudades tuas... vesti a tua camisola castanha de gola alta e já estou melhor.
Ando há dias para te dizer que recuperei a capacidade de chorar. Agora choro normalmente como toda a gente, como chorava antes de teres partido, para essa viagem que não termina nunca. E tenho saudades pai: do modo como me acariciavas o cabelo, da maneira como me ouvias, como me dizias que estava errada e eu continuava errando, pois tu sabias que eu só fazia o que me apetecia tal como tu... mas tu estavas aqui, ouvias-me depois das asneiras e hoje até tenho saudades daquele teu "bem te avisei" que odiava.
Que saudades das nossas conversas sobre livros, pai! Que saudades das tuas estórias de rapaz... estou a lembrar-me daquela da mãe do Sousa que era "bruxa" em Alcântara e que usava uma mesa de pé de galo... e da maneira como tu dizias que a mesa subiu as escadas atrás de vocês, por terem ido importunar uma sessão espirita que a senhora estava a fazer. Tu contavas tantas estórias pai... e eu acreditava. Acreditava porque te amava mais do que tudo... e depois nasceram os meus filhos e amo-os da mesma maneira, mas é em ti que continuo a acreditar quando me contas as tuas estórias inverosímeis... devias ter escrito essas estórias pai... porque agora não sei contar todas as meus netos...
Fazes-me tanta falta pai! Queria ver-te com o Pedro ao colo, encantado com o teu bisneto... queria que tivesses conhecido o Pablo... queria que lhes contasses as estórias que me contaste e todas as outras que não tiveste tempo de inventar, mas que nem por isso deixaram de ser menos verdadeiras... Tanta coisa que tenho ainda para te dizer! Mas amanhã tenho uma série de pequenas coisas para resolver (daquelas que tu costumavas resolver para mim, lembras-te?) e depois vou fazer uma pequena viagem pelo Alentejo interior, aquele que sempre me quiseste mostrar e que eu nunca tive tempo para te acompanhar... ah, se fosse hoje pai, eu deixaria tudo e partiria contigo, sem nada marcado, à toa, como os ciganos que nunca dexámos de ser. Mas já comecei a fazer pequenas incursões... esta vai ser um bocadinho maior, porque me apetece fugir da cidade, fugir desta mentira em que o Natal se tornou, encontrar-me de novo, chorar todas as lágrimas que ainda me faltam chorar (tenho um débito pai que nem te passa pela cabeça...), partir à procura de alguma coisa ou de coisa nenhuma; de alguém ou de ninguém, conforme estiver escrito no caminho que as estrelas me destinaram, quando eu nasci... só porque tu quiseste que eu nascesse!
Obrigada pai! Dorme bem. Amo-te!
02 dezembro, 2006
Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola
Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade
Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência
Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro
Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós
Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo
Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro
Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco
Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura
Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante
Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino
Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte
(Natália Correia)
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola
Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade
Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência
Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro
Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós
Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo
Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro
Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco
Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura
Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante
Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino
Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte
(Natália Correia)
Há quase 30 anos que defendo que o casamento é um disparate de todo o tamanho. E até há pouco tempo sentia-me só na defesa desta ideia. O casamento significa em muitos casos o fim do encantamento, do amor, da paixão e o começo dos conflitos, das lutas, da anulação de um dos protagonistas. Culturalmente é quase sempre a mulher que se anula, mas há casos em que é o homem que se anula por ter uma personalidade menos forte ou mais moldavel... aqueles tipos que a gente diz "tem mesmo bom feitio, só podia mesmo ser feliz casando"... são geralmente aqueles que são felizes com qualquer casamento... não gostam de estar sós e assim, são capazes de se anularem completamente para que a coisa "resulte"...
Pois hoje em dia, muitas mulheres (sobretudo mulheres, embora já vá conhecendo alguns homens também) que concordam comigo.
Não defendo o divórcio. É por isso que não defendo o casamento. Não acho que seja indispensável um casamento para ter uma família unida e feliz. O casamento, quer queiram quer não, rouba sempre a liberdade, senão aos dois pelo menos a um dos parceiros... Pior: rouba-lhe a personalidade, muda-lhe os hábitos, faz dele alguém que não existe senão em função do outro. Rouba a alegria... e o que dá em troca? Uma angústia que nos rouba a vida a cada segundo que passa.
Hoje num programa de televisão ouvi uma série de mulheres que concordam que o casamento é apenas para alguns: muito poucos... porque hoje as pessoas estão de olhos abertos, pensam em si mesmas, percebem quando se estão a anular... e a menos que casem muito novas, como eu, se o fazem suficientemente maduras, já não têm desculpas para "aguentar" um casamento que não lhes dá a satisfação porque esperavam. Então, muitas já nem casam.
Vou mais longe: tenham cuidado, muito cuidado com essa coisa a que se chama amor... porque às vezes nem é preciso o casamento para nos anularmos... basta essa coisa a que dão esse nome, para, em nome da felicidade do outro nos anularmos e vivermos uma vida que não é a nossa.
Portanto, tenham atenção e façam o favor de ser felizes (mesmo que para isso tenham que se casar, claro...).
Aqui vai um estória bem disposta que costumo contar a propósito do casamento. Um "boer" (sul africano, branco), que trabalhava para um alemão, perguntou um dia ao meu pai se ele gostava de se casar... o meu pai disse-lhe que o casamento era como tudo na vida, tinha coisas boas e coisas más. Então o Chris perguntou-lhe quantas vezes ele tinha casado e ao ouvir que ele se tinha casado apenas uma vez, respondeu "ah, então tu não gostas de casar... o Fritiz é que gosta de se casar, porque já casou seis vezes!"
01 dezembro, 2006
Jardim
O que eu acho é que há fulanos com muita sorte...

Ao ouvir a notícia de que Salman Rushdie está em Portugal para falar sobre o deus do mediterrâneo (até o mediterrâneo, tem um deus, só eu é que vivo nesta pelintrice de não ter deus nenhum), ocorreu-me o tempo em que Khomeini o jurou de morte.
E o escritor passou a ter uma vida infernal, à conta de uns "Versículos Satânicos" que não me pareceram ofensivos para ninguém... mas quem sou eu para achar seja o que for?
A verdade é que Salman está vivo, está bem (pelo menos aparentemente) e recomenda-se. Parece que deixou de ter que andar com uma quantidade de "gorilas" a guardá-lo...
Agora do que me lembrei foi do seguinte: se Khomeini não tivesse ordenado a "fatwa", conforme mandam as regras do Islão, Salman não estaria vivo. Custa-me entender, como é que alguém que quer matar alguém, o declara públicamente... por um lado acho um acto de caridade: é como quem diz "previne-te porque vou acabar contigo"; por outro torna a coisa muito mais difícil. Os sicilianos, que eu saiba, nunca apregoaram aos sete ventos que iam matar alguém... fazem-no e pronto.
E é claro que com tanta estranheza que por aí anda, não deixo de achar anormal a onda de envenenamentos que anda por aí, e que pelos vistos persegue apenas os inimigos do senhor Putin.
Já sei, já me disseram que não faz sentido: o homem é um elo de união na Rússia e blá, blá, blá..., mas lá que é estranha tanta coincidência isso é... sobretudo para quem não acredita em coincidências!
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