11 maio, 2008

O costume


Quanto a mim, a coisa resume-se em dois ditados: pelo andar da carruagem ainda a procissão vai no adro.
E agora vamos às coisas que realmente importam.
Bob Gedolf disse que Angola é governada por criminosos. É verdade, todos o sabemos e portanto não se entende que se faça de conta que o homem disse uma barbaridade. Não gostaria de dizer que Gedolf é corajoso porque lhe reconheço qualidades bem mais importantes, mas não há dúvida que perante o ajoelhar constante de Portugal perante todo e qualquer país, temos que admitir que, nesse quadro ele é corajoso. Mas é sobretudo um homem bom que diz a verdade doa a quem doer...
Ainda em Luanda, o vocalista da banda rap 50 cent., foi assaltado em pleno concerto e foi-lhe roubado o colar que usava no valor de € 650.000. Bem feito! Não é normal alguém andar a pavonear-se por um palco com um colar daquele valor. Tivesse feito uma cópia. Mas pronto, o problema nem é dele mas da seguradora, portanto estamos em África e pronto...
Por cá António Mexia anuncia que os administradores da EDP foram aumentados em 118% e os trabalhadores em 2,8%... eu disse por cá? Enganei-me com certeza, estou ainda em Luanda, capital do país que é governado pela quadrilha de criminosos "Santos". Convenhamos que é um óptimo nome para uma quadrilha...
E por cá, claro, já tudo se entende como normal... o costume.

10 maio, 2008

Same Mistake - James Blunt (clica aqui)

I'm not calling for a second chance
I'm screaming at the top of my voice
Give me reason, but don't give me choice'
Cause I'll just make the same mistake...

Em teus dentes


Em teus dentes
o sol
é diamante de fantasia
a lua
caco-de-garrafa
e
a mentira
verdade vagabunda
errando de cágado
em torno da lagoa dos olhos da noite
na treva aveludada
de tua pele
os dedos curiosos
são estrelas de marfimà busca
de um dia caprichoso
despontando de miragem
por detrás das corcundas de elefantes adormecidos

(Arlindo Barbeitos)

Eu sei que sou capaz


Senti-me agora com um pouco de disposição para vir aqui, quanto mais não seja para explicar que a minha ausência se deve a doença grave que me tem deixado prostrada dias a fio na cama.
Hoje sinto-me um pouquinho mais animada, dormi finalmente quase a noite inteira, a tosse vai abrandando e eu começo a pensar que ainda não é desta... Enfim, isso é coisa que não saberemos nunca.
Queria também aqui deixar o meu muito obrigada na forma de abraço a todos os amigos que se têm disponibilizado para me ajudar de todas as maneiras (sabem que eu nunca pensei que tivesse tantos amigos verdadeiros? Certo é o ditado que diz que os verdadeiros se reconhecem na doença e na prisão. Mas eu sou uma mulher de muita sorte, já que tenho tantos...).
Tenho falado pouco porque, como todos sabem, o cansaço que a doença me provoca é tão grande que digo duas palavras e não consigo ir adiante. Felizmente isso também está a melhorar pouco a pouco, se bem que gestos tão simples como tomar banho ou lavar os dentes continuem a deixar-me exausta. Há que ter esperança. E eu tenho. Eu sei que vou ser capaz de vencer este mau bocado. Eu sei que sou capaz.
Deixar aqui a eterna gratidão à minha mãe, que apesar da idade e da falta de saúde, tem cuidado de mim como se eu fosse uma criança indefesa (na verdade é assim que me sinto, mas tenho um pouco de vergonha de admitir)
Não sei quando voltarei a ter coragem de voltar a este espaço, mas que agora possa voltar, pelo menos aqui, ao meu cotidiano.
Beijos e abraços para todos. Com todo o amor e que ainda sou capaz.

06 maio, 2008

Maria Rita - Duo Ouro Negro - (Clica aqui)

Foi um dia nas fontainhas
Que a vi falando com umas amigas
Atirei-lhe beijos, elas riram das gracinhas
São coisas próprias das raparigas
E eu voltei, todos os dias a procurei
E soube que ela se chamava Rita
Foi a moça mais bacana que encontrei
E tinha os cabelos presos com uma fita

Filho


Nicolau, menino, entra.
Onde estiveste, Nicolau,
que trazes a arrastar
o teu brinquedo morto?
Nicolau, menino, entra.
Vem dizer-me onde foi que tu estiveste
e a estrela fugiu das tuas mãos.
Tens comigo o teu catre de lona velha.
Deita-te, Nicolau, o fantasma ficou lá longe.
Dorme sem medo.
Porão, roça, medos imediatos,
tudo ficou lá longe.
Quando acordares a jornada será mais longa.
Nicolau, menino,
onde foi que deixaste
o corpo que te conheci?
Deus há-de querer que o sono te venha depressa
no meu catre.
(Oswaldo Alcântara)

Assim vale a pena!


Pois é. Acho que ninguém gosta de ter que enfrentar uma urgência de hospital, mas às vezes não há outro remédio. Foi o que me aconteceu ontem. Depois de ter levado o dia a trabalhar apesar de fortes dores no peito e dificuldade em respirar, achei que tinha obrigação de ir. Afinal estive ausente 15 dias e do meu trabalho
Por isso ao fim do dia dirigi-me, acompanhada do meu filho mais novo ao Hospital de S. Francisco Xavier que é o hospital da minha zona de residência. Tirando a vez que lá estive 6 horas, a fazer ecografias e análises de empreitada (calhou-me um médico espanhol) que enfiou na tolinha que eu estava grávida e essa era a causa das minhas dores de barriga. E por mais que eu lhe dissesse que se estava grávida era assim uma espécie de Virgem Maria uma vez que não havia a mínima possibilidade de que o que ele afirmava ser verdade, o homem olhava para mim com um ar incrédulo e vai mais uma eco, mais uma análise à urina e mais umas horas a soro... Gastei um dinheirão e saí de lá pior do que tinha entrado. Esta vez foi mesmo para esquecer. Azares...
Ontem tive a grata surpresa de descobrir que o hospital agora tem um parque pago junto à urgência de Pediatria o que é muito bom porque as pessoas gastam dinheiro à toa, mas recusam-se a pagar estacionamento. à vezes até pagam multas e vêem os carros rebocados o que sai muito mais caro, mas o que entra nas cabecinhas destes nossos compatriotas?
Mal entrei na triagem e o enfermeiro percebeu que eu sou uma doente do coração, chamou uma auxiliar para ir fazer a minha inscrição e levou-me imediatamente para dentro. A partir daí fui cuidada com todo o desvelo, por uma médica muito nova que quando tinha dúvidas falava com o director do serviço, Fizeram-me análises e RX e chegaram à conclusão que para além da febre reumática tenho uma infecção pulmonar. Tudo isto vai levar-me a estar 15 dias a antibiótico e antipiréticos, para além dos comprimidos que tenho que tomar diariamente
Fiquei também à espera de uma consulta de pneumologia no próprio hospital. Hão-de telefonar-me quando for a minha vez. Já não fui à procura de uma farmácia de serviço, porque estava muito cansada e achei que mais umas horas não haviam de me matar.
Portanto, apesar de me sentir muito mal, decidi hoje ir trabalhar. Só que não aguentei. Depois do almoço vim-me embora e fui arranjar um atestado que pedi apenas de 3 dias, até ao fim da semana mas que o médico teimou em passar 15 dias (depois a senhora faça como entender, mas o que tem só se cura com muito repouso e medicamentos a horas.)
De modos que, quando me sentir melhor volto ao trabalho que para além de tudo sempre foi uma boa terapia para mim.
Depois de ter dormido o resto da tarde sinto-me melhor, é verdade. E a minha mãe arranjou um grande pretexto para cuidar da sua menina. Acho que ela melhora só de se sentir útil.
Fica aqui o meu muito obrigada a toda a equipa que cuidou de mim ontem no Hospital de S. Francisco Xavier. E a todos os amigos que nas más horas revelam que são mesmo amigos. Um grande abraço apertado para todos que me ajudaram ou se prontificarm a largar as suas vidas par cuidar de mim. Assim, vale a pena ter amigos. Por isso os amo tanto.

O Meu Tempo é Quando: Sunrise - Norah Jones (clica aqui)

O Meu Tempo é Quando: Sunrise - Norah Jones (clica aqui)

04 maio, 2008

Sunrise - Norah Jones (clica aqui)

Sunrise, sunrise
Looks like morning in your eyes
But the clock's held 9:15 for hours



Milagre obstétrico


As lampadas da cidade
fundiram-se todas

e numa das esquinas
da grande aldeia de cimento

um latão urbanizado
pariu um pirilampo...

Glória ao novo ser
que nasceu ao anoitecer.

O jornal não deu a grande notícia
- os fotografos tinham as máquinas
aguardando o plano superior.

Contudo
no velho latão urbanizado
o pirilampo brinca e chora
(como alguns meninos)
luzindo com o satírico brilho
da esvaziada lata de sardinhas
da "ração de combate".

(António Pinto de Abreu)

Amanhã, se possível, volto


Um dia da mãe que teria sido com certeza mais bem vivido se não me encontrasse doente. De qualquer modo consegui arranjar forças para fazer 200 km. Estou muito cansada, mal posso respirar, qualquer coisa me cansa uma vez que, se me deixaram de doer as articulações dos membros inferiores começou a doer-me a articulação do braço esquerdo o que implica o coração e a dificuldade de respirar. Tenho esperança de que esteja melhor amanhã, uma vez que, esta noite, embora sempre deitada sobre o lado direito consegui dormir o que já foi muito bom. Acho que toda esta medicação também me dá muito sono. Pelo menos acordo com mais ânimo. É o que espero. Melhoras e já fico bem contente.
O dia foi, apesar de tudo agradável, um bom almoço no Forcado, com uma casa sossegada e mimados até mais não poder. Depois uma volta por Santarém a pé, para "desmoer" o almoço. O doce da minha comadre estava mesmo muito bom e o da minha nora, se bem que já o conhecesse, também.
Ganhei o último livro do Pepetela que é sempre uma boa prenda (como me conheces, filho). E pronto. O Joaquim a portar-se nos trinques "comme il faut". E paro por aqui que mal consigo respirar.
Até amanhã, se for possível, claro.

03 maio, 2008

Fala Sério! - Gabriel o Pensador (clica aqui)

Não sei, só sei que eu não preciso dizer nada
Se eu fumo, se eu bebo...
tremenda palhaçada!
Falei sobre a maconha há mais de 6 anos atrás
Compra o disco, delegado, toca o Cachimbo da Paz
Ou então pode comprar o CD pirata
Tem sempre alí na esquina, pode ser mais vantajoso,
Mas cuidado pra não ser pego em flagrante
Posar de vagabundo sustentando criminoso.

Amor verde


Porque o amor não é sempre verde
que bom quando verde é
nem quero que mudes de cor
ó amor verde, verde, verde
ele é tão bom, bom, bom

Na cama quando passei a primeira noite
senti-me feliz quando corria dentro dela
a lágrima que nos fez amigos infinitos
porque dela veio quem nos chama: Papá e Mamã
o nosso primeiro filho, tão lindo, lindo."

(Malangatana)

Eu acho.


Estou hoje aqui com algum sacrifício pessoal, porque levei a noite em claro e maior parte do dia nacada, por causa de uma crise de febre reumática. Sabia que a tinha, uma vez que os meus problemas de coração vêem exactamente desta febre que devo ter contraído em miúda, uma vez que andava sempre doente.
Durante muitos anos não encontrei um médico que me explicasse os problemas do meu coração. Até que encontrei uma espécie de João Semana, brasileiro com nome de italiano, com cerca de 70 anos que nem precisou de me mandar fazer exames (fiz para confirmar apenas) para fazer o diagnóstico.
Quem me conhece sabe que, por ter trabalhado muitos anos com médicos não confio na maior parte deles. Eles mesmo sabem disso e riem quando eu digo que eles não sabem nada. E portanto as viroses explicam tudo e mais um par de botas. Por isso fiquei encantada por ter conhecido este velho senhor cardiologista que me felicitou por ter deixado de fumar, mas que fuma o seu cigarrinho à s escondidas na casa de banho.
De modo que vim aqui só porque me custa deixar um espaço branco. Neste momentos estou completamente transpirada o que é bom sinal: estou expulsando a febre. Pode ser que amanhã esteja em condições mínimas de festejar o dia da mãe que o meu filho mais velho faz tanta questão de comemorar... para mim, pois já se sabe, todos os dias são da mãe, do pai, do avô, do trabalhador, do doido.... (que eu saiba este ainda não tem um dia, o que é uma grande injustiça) Eu acho!

02 maio, 2008

Telegrama - Zeca Baleiro (clica aqui)


Por isso hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria...

Visões


Minha janela dá para o fundo das casas
O que me faz pensar na efemeridade das coisas.

Da minha janela vejo a torre de uma Igreja
com sua cruz ao alto.
O que me faz pensar na eternidade de tudo.

Dela eu vejo as outras janelas
Com suas cores e olhares
O que me faz querer saber mais sobre a vida e sua lógica.

Porém, quando chego à janela
É para olhar o céu
O que sempre me lembra impotência.

(Samantha Simões Braga)

Mau gosto


No Alentejo, a poucos quilómetros de Viana do Alentejo, fica a igreja de Nª Sra. de Aires, padroeira dos cocheiros. Esta igreja fica no meio do nada ou do quase nada. Fica-se com a sensação de que foi erguida ali, à espera que à sua volta crescesse um povoado. Não sei qual a estória ligada à construção desta igreja, mas gostava de saber.
Por fora é como vêem na foto. Uma igreja alegre, talvez um pouco grande demais para uma igreja no meio do Alentejo profundo, mas tirando o seu tamanho, nada de tem de incomum.
Por dentro, a igreja é também normal... várias esculturas da Senhora de Aires, pinturas no tecto com alegorias à mesma, uma altar todo dourado com mais uma pequena imagem da Senhora...
Só que quando nos metemos pelos corredores da igreja, deparamo-nos com algo de muito parecido com uma câmara de horrores. Trata-se de promessas que cada um foi fazendo à Senhora. São milhares de retratos emoldurados, tranças de mulher, roupa de bebés, cobras (sim dessas mesmo, serpentes) colocadas quase junto ao tecto, enfim, uma parafrenália de horrores que nos dão uma visão bem estranha do que é a fé dos homens. Não bastassem as inevitáveis, pernas, braços, corações em cera, mais as velas de alturas variáveis, deparamo-nos com este espectáculo horroroso, com cartas à Senhora pelo meio...
Enfim. Eu que não creio, depois de uma visão tão lamentável do que pode ser a fé, acredito que nunca serei capaz de ter fé senão nos homens. Mas não nestes homens que enchem a Senhora de Aires de objectos. O que mais me horroriza são as religiões em que as pessoas fazem negócios com santos. Dás-me isto que eu dou-te uma foto. Enfim...
Para mim isto não é fé. É ignorância e mau gosto. Sobretudo mau gosto.

01 maio, 2008

Three is a Magic Number - Jack Johnson (clica aqui)

It takes three legs to make a tripod
Or to make a table stand
And it takes three wheels to make a vehicle
And call it a tricycle
Every triangle has three corners
Every triangle has three sides
No more, no less
You don't have to guess
That is three, can't you see?
It's the magic number






Tecido


O texto visto por dentro
da fibra que o tece e penetra
da letra que o nutre e celebra

visto por lente de aumento
na leitura do rosto,
o verbo rompendo o silêncio do caule

por dentro da imagem do texto
entreaberto sol se soletra
e nutre o alcance da folha

(Beatriz Helena Ramos do Amaral )

Eu gosto é do Joaquim...


Pronto. Estou de volta, feliz e contente. Achei o meu GAJO. É verdade. Chama-se Joaquim e ao contrário da maioria dos homens é uma excelente companhia. Não fala de futebol nem de automóveis (embora eu até goste de falar de automóveis), é charmoso, tem uma voz sensual, não me enche de perguntas a que não posso dar resposta, é um perfeito cavalheiro. Tem a noção exacta de quando deve falar e de quando deve estar calado.
Por isso troquei o Alfredo pelo Joaquim. O Alfredo passava a vida a mentir como a maioria dos homens e ser agarrado com a boca na botija, mas nem assim era capaz de admitir que estava a mentir... impressionante a lata daquele homem... homem? o que é que eu estou para aqui a dizer. O Alfredo era uma coisa, foi uma sombra má que passou na minha vida que não durou o tempo de uma boa chuva. Essa é que é a verdade. Não foi preciso muito tempo para perceber que o Alfredo não acrescentava nada à minha vida. Por isso deixei de sair com ele. Mesmo quando ele pedia muito eu já não conseguia ouvi-lo. Não goste de gente mentirosa e que passa a vida a improvisar.
O Joaquim é um querido. Obediente, é o homem ideal para não nos deixar ficar mal em lado nenhum e ver as amigas roerem-se de inveja por não terem a capacidade de admitir que o Joaquim é muito mais do que qualquer mulher pode imaginar...
Ai não, não é...