06 março, 2008

Talk - Coldplay (clica aqui)

So you don't know where you're going and you wannatalk
And you feel like you're going where you've beenbefore
You'll tell anyone who'll listen but you feel ignored
And nothing's really making any sense at all, let's talk
Let's talk, let's talk, let's talk

Suspiro

Não vi você deitada ao meu lado
Nem teu corpo fugindo dos lençóis
Não vi teu Poison na penteadeira
Não senti teu carinho em meu peito
Não senti tua mão em meu sexo
Não senti tua boca em minha boca
Não vi tua calcinha no chão esquecida
Não ouvi teus gemidos de prazer
Só imagino você em nossa cama
Dormindo criança.
Eu deitado aqui morto
Só, neste hotel de Cuiabá.

(Samuel Silva)

Tenho dito!


Tenho cá para mim, que a avaliação proposta pelo governo para os professores, consegue ser ainda mais imbecil que o sistema de avaliação dos funcionários públicos (vulgo SIADAP). Na verdade não percebo muito bem como é que os professores podem ser avaliados pelos pais dos alunos (ainda que eles mesmos sejam professores) e o que me parece é que o governo quer dá uma imagem de um Portugal europeu que é uma mentira.
Nas Novas oportunidades, por exemplo, o 12º ano é aquilo a que se pode chamar uma "cagada". Mas o que o governo pretende, não é que as pessoas aprendam. É fazer de conta que as pessoas não continuam a ter um nível tão grande de iliteracia que são incapazes de preencher um formulário, por mais simples que ele seja.
Na verdade ninguém neste país está verdadeiramente preocupado com qualidade. O que se pretende é apresentar números, seja lá como for, seja lá a que custo for.
Quanto ao SIADAP (o tal sistema simpático de avaliação dos funcionários públicos) não passa de uma muitíssimo mal disfarçada medida economicista do governo. Qualquer funcionário público que desempenhe as suas funções como deve e seja cumpridor, levará 10 anos a subir de categoria. Se o chefe não for com a cara dele, até lhe pode dar duas avaliações negativas e mandá-lo para as fileiras do desemprego... afinal por alguma razão em 2009 os funcionários públicos passarão a descontar para o desemprego...
É desmotivador este sistema que se quer aplicar aos professores. Faz-me lembrar uma professora muito jovem de Física-Química que tive e segundo a qual os alunos só tinham má nota porque os professores as davam. Logo os alunos não tinham que saber. Então como é que ela resolvia o problema? Muito simples: 1 mês antes dos testes começava a dizer o que não era preciso estudar, de tal modo que quando chegávamos ao teste, sabíamos exactamente o que ia sair e até os alunos péssimos como eu na disciplina, não tinha menos de 18 valores... eu que até tinha passado "coxa" a Física nos anos anteriores!
Esta senhora era muito jovem. Mas a senhora ministra não é. Se os alunos não estudam, não fazem o seu trabalho, não aprendem, devem ser mal classificados... e o professor não pode ser penalizado por isso!
Assim como os funcionários públicos não devem ser avaliados por um sistema de quotas perfeitamente inaceitável, que os desmotiva e lhes cerceia a ascensão na carreira.
Por hoje... tenho dito!

05 março, 2008

É isso aí - Ana Carolina e Seu Jorge (clica aqui)

É isso aí
Há quem acredite em milagres
Há quem cometa maldades
Há quem não saiba dizer a verdade
É isso aí
Um vendedor de flores
Ensinar seus filhos a escolher seus amores


Escondo meu olhar


Escondo meu olhar
d'algumas estrelas
que entre os galhos se revelam
por saber não ser estrela
esta luz duma cidade qualquer
profana rios, escuros, pedras
que pela pálida escuridão imploram e,
algum deus dum destino que lhes resta
rogam ser nada mais
do que aquilo que iluminam
não noutra vida — nesta!

(Daniel Galera)

Egos e eguinhos


Quando tinha 1 ano, o menino que queria ser deus, respondia, espetando o dedo indicador e de sorriso nos lábios, à pergunta "quem tem um "eguinho?". Durante muito tempo aquela era a pergunta favorita da família, pela alegria da carinha do pirralho enquanto espetava o dedo, respondeno a uma pergunta que não sabia o que era... mas agia conforme alguém que soubesse.
Pois isto vai a propósito da auto estima e do ego que alguns de nós têm de rastos e outros muito inflacionados. Há pessoas a quem não se pode fazer um pequeno elogio que não se sintam imediatamente as maiores da cantadeira como diria o Carlos Tê e aquelas a quem não se pode fazer um pequeno reparo sem que se sintam umas inúteis.
É verdade que para cada um de nós é preferível ter um ego cheio que falta dele... mas sem exageros. Quem não é capaz de fazer uma auto avaliação decente, também não é capaz de passar para fora uma imagem verdadeira de si mesmo.
E é por isso que às vezes andamos enganados imenso tempo por certas pessoas que nos parecem uma coisa e afinal são outra.
Sem querer inflacionar o meu ego, acho que tenho a capacidade de me avaliar e de avaliar terceiros que me são próximos. É por isso que se me conseguem dar a volta à primeira, já não o conseguem à segunda e à terceira tornam-se em animais rastejantes que dizem, eu sou o maior, o melhor, o mais forte, o mais simpático, o mais sedutor... e por aí fora.
Deixemos pois que cada um tenha um "eguinho" bem equilibrado como o menino que queria ser deus.

04 março, 2008

Apesar de você - Chico Buarque (clica aqui)

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa

Quero


Quero voar
Mas não tenho
As asas.
Fazem falta...
Sinto a presença
De algo forte,
Que empurra
Para o Norte,
Para cima, para o
Alto.
Quero voar
Mas não tenho
As asas.
Sinto falta...
Porém vou conseguir
O meu desejo
Atingir.
Vou viver
Sempre a sorrir,
Nos olhos
Sempre o lampejo
Da felicidade
Sem pausa.
Confiança no porvir.

(Yeda Maria Borges)

Não há bela sem senão


Guardar um segredo é uma das coisas piores de se fazer nesta vida. Para quem os guarda. Não estou a falar de segredos de polichinelo, daqueles do tipo, eh pá mas não contes nada disto a ninguém e o outro pergunta, quantos já sabem? uns 500...
Não. Estou a falar de segredos de verdade que nos pedem para guardar até ao momento certo. E por muito pouco tempo que seja esperar o momento certo, é sempre tempo de mais. É uma agonia, um desamparo, um querer responder a quem percebe que guardamos um segredo e fazê-lo entender que não podemos contar. E isso fará inevitavelmente de nós, guardadores de segredos... porque pedir a alguém que guarde um segredo de verdade implica confiar inteiramente nessa pessoa. E se é duro guardar um segredo, mais duro seria deixar de o guardar...
Tudo isto a propósito do tempo há que ando aperreada por um segredo. Finalmente chegou o dia de toda a gente saber. Não fui eu quem o contou. Também não foi quem o devia fazer. Quem o devia fazer contou-mo a mim sem pedir segredo mas "de forma sigilosa". Um sigilo que já não me aperreia porque é do conhecimento geral.
Ao longo da vida tenho guardado muitos segredos. Alguns que serão para o resto da vida. Se isso me angustia também me dá alguma alegria. A alegria de saber que as pessoas confiam em mim. E por isso, hoje contaram-me outro segredo, que o mais certo é ir comigo quando partir...

03 março, 2008

Não Vale a Pena - Maria Rita (clica aqui)

Que é uma pena
Mas você não vale a pena
Não vale uma fisgada dessa dor
Não cabe como rima de um poema
De tão pequeno
Mas vai e vem e envenena
E me condena ao rancor

Cheiro

Quando eu arrumei as gavetas
e joguei tudo que não prestava fora
reorganizei meus armários
e meu baú de coisas velhas, antigas,
não pude deixar de reparar
no cheiro de novo
que as tuas recordações tinham.

(Patrícia Evans)

Quem a sabe toda é o povo!


A minha lealdade para com os amigos é a minha maior qualidade. E quando digo amigos, não quero dizer mesmo amigos, daqueles que a gente conhece de sempre, com quem partilhamos alegrias e tristezas (mais alegrias é verdade, que as tristezas geralmente guardamos para nós...). É por isso que às vezes tenho que me fazer de parva e pôr em prática as técnicas de teatro que aprendi na adolescência. Costuma dizer-se, amor com a mor se paga... eu há muito tempo que me deixei de preocupar com esse tipo de ditado... se me fazem alguma deixo-me ficar quietinha porque sei que nem preciso de mexer um dedo. Quem faz mal a terceiros, gratuitamente, por inveja ou seja lá porque raio de motivos for (a gente a maior parte das vezes fica sem perceber porque nos querem tanto mal). Pois é. Já percebi há muito que não é necessário gastarmos quaisquer energias com quem nos prega uma daquelas que nos deixa de banda. O destino encarrega-se de repor a verdade. Mais tarde ou mais cedo a verdade vem ao de cima. Serena, limpa... não vale a pena desgastar-mo-nos sequer a pensar em gente como essa. Quem boa cama faz, nela se deita. Diz o povo. E ninguém sabe mais do que o povo... que é claro também se engana, mas lá que a sabe toda, isso sabe!

02 março, 2008

Saiba - Adriana Calcanhoto (clica aqui)

Saiba!
Todo mundo teve pai
Quem já foi e quem ainda vai
Lao-Tsé, Moisés, Ramsés, Pelé
Gandhi, Mike Tyson, Salomé...

Saiba!Todo mundo teve mãe
Índios, africanos e alemães
Nero, Che Guevara, Pinochet
E também eu e você
E também eu e você
E também eu e você...

O mar


Você algum dia já parou em frente ao mar?
Já tentou seus segredos desvendar?
Como as ondas que se formam lá no fundo para os seus pés banhar!
sentiu que basta um momento para que junto ao vento seus sentidos se envolvam
teus pensamentos se dissolvam como areia ao pegar
segredos, ansiedades, paixões, que em um imenso turbilhão nos faz viajar,
olhando, buscando um porto seguro a ancorar
com toda a pureza e a plena certeza de ser neste grande reino da natureza
o melhor amigo a confiar
Ah! Se algum dia você parar em frente ao mar, não procure o que olhar
porque com certeza ele irá lhe mostrar!
(Ubiratan Fernandes Miranda )

Não me gozem...


Geralmente quando os meus amigos me dizem que não devo sair só, à noite, rio na cara deles. Na verdade não me tenho sentido insegura. Saio sempre sozinha, quer em Portugal quer em qualquer outro país a qualquer hora do dia ou da noite. Só que agora já comecei a ganhar o hábito de trancar o carro mal entro nele. Sei que esta atitude de nada me valerá se um qualquer psicopata decidir que eu sou apenas um alvo. Ser o alvo é que é perigoso. E os crimes que se têm verificado nos últimos dias têm muito a ver com alvos. Mas não só. O rapaz atingido no parque de estacionamento do Oeiras Parque estava apenas no lugar errado à hora errada. Se bem que, frequento muito aquele espaço e não me lembro de ver seguranças por ali. E a verdade é que o facto de haver um segurança que vigia através de um sistema interno de televisão não evita qualquer acção criminosa.
Já a mulher abatida em Sacavém parece ter sido realmente tomada como um alvo. O crime planeado. Aparentemente sem objectivos comuns, mas terá com certeza os seus objectivos. Bem como o segurança agora (e os outros) alvejados no Porto. Aí, parece haver uma máfia que procede a ajustes de contas. E o ministério da Administração Interna parece não ser capaz de dar conta deste aumento de criminalidade violenta...
Sendo assim vão assustando o peixe mais que miúdo como vou contar agora. No paredão onde faço as minhas caminhadas junto ao mar, costuma aparecer um senegalês (naturalmente ilegal no nosso país) que estende um pano no chão e expõe malas e carteiras de senhora.
Hoje estava lá bem cedo. Havia muita gente, o dia estava mais do que propicio, segui o exemplo de outros e fiz a minha caminhada de braços nus. Não havia portanto muito perigo de haver tentativas de assaltos (naquele lugar, geralmente para roubar aparelhos de MP3 e telemóveis). Quando não há quase ninguém é que a polícia faz falta. Até porque por ali as pessoas já se conhecem. Pois hoje quando regressei o senegalês já se tinha pirado, graças à presença de 4 (quatro!) elementos da Polícia Municipal por ali...
Às vezes dá-me vontade de dizer, não me gozem, para não dizer coisa pior...

01 março, 2008

Still Crazy After All These Years - Paul Simon (clica aqui)

I met my old lover
On the street last night
She seemed so glad to see me
I just smiled
And we talked about some old times
And we drank ourselves some beers
Still crazy after all these years

Acontece


Bateram à minha porta em 6 de agosto,
aí não havia ninguém
e ninguém entrou, sentou-se numa cadeira
e transcorreu comigo, ninguém.

Nunca me esquecerei daquela ausência
que entrava como Pedro por sua causa
e me satisfazia com o não ser,
com um vazio aberto a tudo.

Ninguém me interrogou sem dizer nada
e contestei sem ver e sem falar.

Que entrevista espaçosa e especial!

(Pablo Neruda)

Sou feliz só por ter sol e mar.

É assim que gosto de passar os meus dias. Junto ao mar. Tal como o poema de Jorge Palma, também eu me sinto uma estrela do mar, que só a ele obedece. E quando o mar me chama eu deixo tudo e vou.
A primavera vem chegando. Já hoje vi pessoas na praia, como se estivéssemos em plena época balnear. Só vem provar que afinal até nem sou eu que aproveito todos os bocadinhos para ir à praia. Mas é verdade que aproveito todos os bocadinhos para estar junto ao mar. Quando os dias estão com hoje, então não me apetece fazer mais nada senão ficar a olhar o mar e a sentir o sol... como seria a vida sem sol? Porque é que as pessoas dos países tropicais são muito mais alegres que as pessoas do norte da Europa? Então é evidente não é? Os desgraçados têm alturas do ano que mal têm sol... nem sequer consigo pensar em como será viver nesses países de frio e neve, esses países tão gelados, onde as pessoas são tão geladas quanto o tempo... e é vê-los chegar a Portugal em pleno Inverno e passear por aí de T-Shirt, mesmo quando para nós está frio, lá estão eles finalmente contentes por estarem num país que os acolhe com calor...
Quando puder, vou viver para os trópicos. Quando estiver bem velhinha. O suficiente para me reformar, que não sei bem quando será.
A propósito, hoje ao ver na TV a reportagem sobre a manifestação do PCP em Lisboa, o menino que queria ser deus e que agora tem seis anos, mal acabou a reportagem, começou a marchar pela sala de punho erguido gritando (3, 3, 3!).
Por hoje é tudo que amanhã é outro dia. Mais um dia de sol para eu curtir... fico feliz por antecipação. Juro!

A gente vai continuar - Jorge Palma (clica aqui)


Tira a mão do queixo, não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou, ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota

À espera do fim


Vou andando por ai
Sobrevivendo á bebedeira e ao comprimido
Vou dizendo sim á engrenagem
E ando muito deprimido
É dificil encontrar quem o não esteja
Quando o sistema nos consome e aleija
Trincamos sempre o caroço
Mas já não saboreamos a cereja

Já houve tempos em que eu
Tinha tudo não tendo quase nada
Quando dormia ao relento
Ouvindo o vento beijar a geada
Fazia o meu manjar com pão e uva
Fazia o meu caminho ao sol ou á chuva
Ao encontro da mão miúda
Que me assentava como uma luva

Se ainda me queres vender
Se ainda me queres negociar
Isso já pouco me interessa
Perdemos o gosto de viver
Eu a obedecer e tu a mandar
Os dois na mesma triste peça
Os dois á espera do fim

Tu tens fortuna e eu não
Podes comer salmão e eu só peixe miúdo
Mas temos em comum o facto de ambos vermos
A vida por um canudo
Invertemos a ordem dos factores
Pusemos números á frente de amores
E vemos sempre a preto e branco o programa
Que afinal é a cores

(Jorge Palma)