05 março, 2011

exílio

descubro assim sem mais nem menos o nome para esta sensação que se me pegou à pele há tantos anos. houve quem lhe chamasse solidão eu chamava-lhe tristeza e não sabia de onde vinha esta dor esta mágoa este vazio que nada nem ninguém resolvia. é certo que tenho dias em que a sensação parece diluir-se como aquela dores de cabeça fortíssimas que se transformam em incómodo porque estão lá sentimo-las mas depois de doerem tanto é como se quase não existissem. mas depois volta com toda a força e eu assim sem mais nem menos tomada de uma dor imensa de um vazio completo percebo que só há um nome para esta "coisa" que toma conta da minha alegria e a deitou para o lixo como sem ela não fosse tudo o que me restava. como se não se tratasse do meu alimento diário. e adoeci. os médicos depois de terem levado metade das suas vidas a estudarem olham-me com a segurança de quem sabe o que está a dizer e dão-lhe um nome. um nome que está na moda porque não percebem que eu me estou nas tintas para a moda como me estou nas tintas para quase tudo. dizem-me que eu sofro de depressão e acham que é normal. afinal vivo num país depressivo. e medicam-me. consigo escapar por pouco ao envio para um especialista. conheço-os há 30 anos. aos especialistas claro. desde que me diagnosticaram pela primeira vez ainda não estava na moda e eu acreditei. acreditei porque era uma coisa fora de moda como eu. combinava comigo. tudo batia certo. mas agora não me assentava. não assenta. e descubro absolutamente por acaso o nome desta dor imensa que carrego há tantos anos. exílio.
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