22 agosto, 2010

um dia de domingo

o dia bonito e eu pronta para o viver o melhor possível. manhã de praia surpreendentemente pouco frequentada (para um domingo claro). a água uma delícia mas pouca gente a nadar. e então penso este país é de marinheiros e não de nadadores. os marinheiros deviam ser obrigados a saber nadar. os pescadores também. e lá vou eu voando pelas teclas para um sítio que não sei qual é. será que alguma vez escreverei o que tenho na cabeça. não mando nos meus dedos. não mando no meu gato. não mando em mim. não mando em ninguém. e é assim que sou feliz. voltando ao dia. o mika está zangado comigo. não gosta de ter as unhas cortadas. eu é que já estava cansada de arranhões na brincadeira. depois vou ao centro de recuperação ver a minha mãe. e não só. há lá muito mais gente que me interessa. sobretudo a mané. uma autista de cerca de quarenta anos com quem comunico facilmente. é vaidosa. gosta que lhe pinte as unhas. peço-lhe para tocar piano. não lhe apetece. faço um pouco de chantagem: tocas piano e depois pinto-te as unhas. dirige-se ao piano. o anjo da guarda da casa ajuda-a a sentar-se no banco. toca "parabéns a você". depois passa os dedos pelas teclas tentando lembrar-se de alguma peça que não sabemos qual é. pouco importa. um dia destes ouviremos a peça. estou certa. passo uma parte da tarde com o meu anjo da guarda terrestre. gosto de conversar com ela. faz-me bem. dá-me calma. e também vontade de chorar abraçada a ela. não o fiz. vontade não me falta. passeei a minha mãe pelo jardim. quase sempre calada e quando diz alguma coisa é como se estivesse noutro mundo. na volta para casa o meu filho mais novo dorme. penso várias vezes em acordá-lo pois estou cheia de sono. os olhos fecham-se várias vezes. conduzo sempre pela direita. de repente o meu filho grita o que foi isto? nada filho. só adormeci. tinha saltado o passeio. mais uma vez estou certa que o meu pai avisou o meu anjo da guarda que retirou do meu caminho todos os veículos. na segunda circular. em lisboa.
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