16 maio, 2010

saber e imaginação precisam-se


vi há pouco um programa sobre a morosidade da justiça. acontece que ando há dois dias a moer a cabeça e sem conseguir expor o meu espanto. o caso é coisa simples. um vizinho invade a casa de outro tendo este a porta aberta (digamos que quase entrou sem pedir licença) e desatou a insultar. o outro retribuiu os mimos e acabaram os dois na gnr a apresentar queixa um do outro. como a invasão de domicilio é crime público pois entra o ministério público ao barulho. sendo amiga de uma das partes há muitos anos foi-me pedido que aceitasse ser testemunha do bom carácter do meu amigo. e assim lá fui eu de oeiras para santiago do cacém. no tribunal como testemunhas deste lado éramos apenas vinte e seis (mais ou menos uma tribo de ciganos) e do outro só três ou quatro (nem percebi de tão poucos que eram). pois então. estávamos todos presentes o julgamento já tinha sido adiado uma vez por licença de parto do senhor doutor juiz (tem tanto direito como qualquer cidadão por isso não leiam aqui a ironia do costume). iniciou-se o julgamento. pelas 13 horas intervalo para almoçar. de regresso às 15 horas testemunha após testemunha ficávamos cada vez menos mas às 6 da tarde ainda éramos sete. dispensados cinco (os que como eu vivem longe) dois foram convocados para o próximo dia 20. nada disto teria qualquer importância se eu não me tivesse posto a pensar no dinheiro que vai custar esta "brincadeira". para já uma série de gente que, como eu não pôde cumprir os seus deveres laborais. e depois... será assim tão difícil julgar um caso com este? um juiz a gastar tempo e dinheiro com um processo destes (peço desculpa porque é claro que é tão importante para os envolvidos como qualquer outra coisa) mas não estarão os tribunais cheios de processos como este? não haverá um meio mais fácil e barato de resolver este tipo de questão? quase que aposto que com um pouco de saber e de imaginação se pode chegar a uma solução mais barata e menos morosa.
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