27 julho, 2008

Prosa de um domingo sem estória.


Não preciso olhar o relógio. Quando começa a chegar mais gente com crianças pequenas, sei que está na hora de partir. Passa das 11 da manhã e eles começam a chegar, invadindo o areal sem preocupações de maior com o sol. Lambuzam-se as crianças com um pouco de creme e toca andar para a água. Não há chapéus, nem t-shirts e o guarda sol está lá para proteger as sandochas de presunto e os refrigerantes... bem talvez não seja bem assim, talvez haja sandes de outra coisa qualquer e até iogurtes. Afinal não estou já lá para ver. Mas imagino que quem é capaz de chegar à paria àquela hora com crianças pequenas é capaz de todos os disparates que imagino.
A criança tem sede mas não lhe dão água. E todos sabemos que a água é preferível a qualquer refrigerante, cheio de açúcar que só vai fazer com que a alimentação daquela criança seja ainda um pouco mais desequilibrada.
Abençoados os pais de hoje em dia que levam as suas crianças quando vão às compras e põem no carrinho tudo o que elas pedem sem se dignarem a ler para saberem mais ou menos o que estão a comprar. E digo mais ou menos porque o que os produtos indicam são muitas vezes uns nomes que ninguém sabe muito bem o que significam como "l-actasei" e que o produtor garante que dá imunidade contra todos os males. E a malta compra a bom preço a banha da cobra e sai feliz e depois ficam muito surpreendidos quando o pediatra diz que a criança está mal alimentada... como, se ela como tudo o que quer? Até está gordinha e tudo...
Gostaria de ver um pouco mais de bem senso por aqui e pelo resto do mundo. Sim. Porque não se pense que este é um problema nosso. Este é um problema mundial. Enquanto as crianças dos países ditos ricos se entopem com guloseimas as dos países pobres não têm sequer arroz para comer... talvez fosse bom começarmos todos a pensar um pouco mais no mundo que nos rodeia e fazer da palavra filantropia uma bandeira pela qual valha a pena combater.

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