30 novembro, 2006

Partiu de camionete, sei!


Tal como Agostinho da Silva, não estou certa de que morrerei um dia. Tal como Agostinho da Silva, "sei" que há pessoas que morrem... isso não me dá a certeza de que o mesmo venha a acontecer comigo.
Cedo aprendi que a morte é tão natural como o nascimento. Todavia, ao contrário do nascimento, a morte é quase sempre um momento de tristeza... pelo menos na cultura ocidental. E crescemos aprendendo que a morte é triste, porque é o fim.
É por isso que não entendo porque é que as pessoas que acreditam na vida para além da morte, se sentem igualmente tristes com a morte... Mas penso que é o reflexo de anos de uma cultura que nos ensinou a cultivar a tristeza da morte.
Com 7 anos aprendi que a morte existe. E aprendi da pior maneira (ou de uma das piores), na forma de assassinato. Não tenho deus, nem santos, nem fé. São pessoas que nos dão vida e muitas vezes, são pessoas que nos tiram a vida. Outras vezes não acontece nada para que a morte aconteça: simplesmente estamos gastos! E pronto: é a vida!
A tua mãe partiu hoje, querida Paula. Pouco te disse hoje, porque tínhamos falado do facto há uns dias... era uma questão de tempo, e felizmente (isto não é uma crueldade, a Paula sabe o que penso) o tempo foi breve. Isto não te vai aliviar a dor, eu sei e tu sabes: ambas já passámos por momentos idênticos. Mas talvez te traga o consolo de pensar que o pior não é a morte, mas a dor.
E agora, querida Paula, a dor já não existe, senão para ti e para os teus irmãos e para todos os que conheceram e conviveram com aquela que hoje foi de viagem... creio que ela foi de camionete!
É a minha singela demonstração do afecto e da admiração que tenho por ti, amiga.

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