13 setembro, 2007

Message In A Bottle - Police 2007 (clica aqui)

I'll send an SOS to the world
I'll send an SOS to the world
I hope that someone gets my
I hope that someone gets my
I hope that someone gets my
Message in a bottle

O tempo


Quando voltará o tempo
a estender-se a nossos pés
como uma planície verdejante?
Que saudades das tardes imensas,
infinitas, em que brincávamos,
corríamos, descansávamos
e líamos, horas a fio,
esses romances que nos enchiam a alma
e que em nós se tornaram!
Durmo demais ou de menos?
Sou lenta ou, antes, apressada em demasia?
Manhãs e tardes esfumam-se
na voragem do dia-a-dia…
Nervosamente antecipo o pôr-do-sol,
enquanto percorro este labirinto
feito de momentos compartimentados,
intercalados por corredores
apinhados de ânsias e temores,
que são o meu tempo de hoje.
Sonho com o regresso do tempo infindo,
em que o corpo voltará a correr livre,
como criança, e o espírito, ousado,
voará mais alto do que nunca!
Tanto desejo esse tempo!
Tanto planeio criar
nessa planície verdejante!
Caiam paredes! Dilate-se o espaço!
Germinem sementes!
Estenda-se a nossos pés
a imensidão do tempo!

(Ilona Bastos)

Estou contigo, pá.

Não gosto de futebol. Não percebo nada de futebol. Para mim são 11 gajos mais outros tantos a correr atrás de uma bola. Se calhar se dessem uma bola a cada um dos grupos a coisa seria muito mais fácil. Quem sabe algum ilustre dos senhores do futebol passe por aqui e siga a sugestão. Ou então pôr os jogadores um por um em frente à baliza para marcar golos e pronto. Afinal não é o que conta? os golos... e é por causa dos golos ou da falta deles que eu hoje venho aqui falar.
Não. Sobre futebol tenho dito. Eu resolvia o problema em dois tempos, os jogadores ganhavam menos mas ficavam com tempo para se dedicarem a outras actividades, também descontavam muito menos para a segurança social... pronto, vocês já sabem que eu vejo sempre o lado bom das coisas. É a mistura de sangue que me corre nas veias que me dá a alegria que vai faltando por cá.
Mas eu quero mesmo é dizer ao Filipe que continuo com ele. Como sempre. Estive com ele quando todos o detestavam, estive com ele quando todos o amavam e continuo com ele agora que ele resolveu partir para uma acção mais concreta em defesa de um "menino" que é cigano e que, como tal não tem quem o defenda... o sérvio que se ponha a pau ou é capaz de ver a vida um pouco mais complicada.
(Aqui para nós essa coisa do fair-play é muito bonita desde que não nos pisem os calos).
Isto do Quaresma ser cigano é apenas uma brincadeira minha. É claro que Luís Filipe se levantaria para defender qualquer dos seus "meninos". Adoro esta... aqueles matulões tratados com tanto carinho. Isto só pode vir de um homem bom. Um homem que veio hoje pedir desculpa a um país, a um povo inteiro, embora se sinta com razão.
Por mim as desculpas estão aceites. A mim nem precisavas de pedir desculpa. Sou de paixões e de indiferenças. Ódios não são comigo. É por isso que sou tão feliz. Acontece que gosto de ti pá. Gosto desse teu jeitinho ternurento de falar com os teus meninos. Por isso já sabes, mesmo que um país inteiro se esqueça do que fizeste, mesmo que as últimas bandeiras nacionais, rotas e descoloridas sejam retiradas das varandas e janelas deste país, eu que nunca pus nenhuma bandeira à janela, estou contigo. Sempre.

12 setembro, 2007

Manège à Moi - Etienne Daho (clica aqui)

Tu me fais tourner la tête
Mon manège à moi, c'est toi
Je suis toujours à la fête
Quand tu me tiens dans tes bras
Je ferais le tour du monde
Ça ne tournerait pas plus que ça
La terre n'est pas assez ronde
Pour m'étourdir autant que toi...

Somos como árvores


Somos como árvores
só quando o esej é morto.
Só então nos lembramos
que dezembro traz em si a primavera.
Só então, belos e despidos,
ficamos longamente à sua espera.


(Eugénio de Andrade)

Educar é urgente.

É realmente quando começa o ano lectivo que se começa a sentir a agitação da cidade. Hoje foram poucos os estudantes que começaram mas a partir da próxima semana sentiremos com certeza o efeito do começo do ano lectivo.
Ontem o Bartolomeu falava em bombinhas de mau cheiro que se punham nas salas de aula pelo carnaval. E outras diatribes que todos nós fizemos mais ou menos inocentes.
Hoje é com certeza muito difícil ser professor na maior parte das escolas do país. O ensino democratizou-se e ainda bem mas os pais não têm tempo ou não querem educar os filhos, delegando nos educadores e professores a tarefa que lhes compete em primeiro plano.
Não me parece que seja possível a um professor ensinar o que quer que seja numa sala de aula onde os miúdos se divertem a conversar, a jogar game boy ou a falar ao telemóvel. Como também não me parece que o nível educacional do nosso povo, permita que os professores sejam avaliados pelos encarregados de educação. Como é que gente que despeja os miúdos em creches e escolas se pode achar no direito de avaliar um professor?
O ensino em Portugal não está, como seria de esperar cada vez melhor, mas antes pelo contrário. O nível de iliteracia é muito elevado. Há uma grande percentagem de gente incapaz de interpretar um texto simples.
Não sei como se poderá dar a volta a este estado de coisas, mas não me parece que despejar miúdos um dia inteiro na escola os vá tornar melhores alunos ou melhores pessoas (o que é sem dúvida muito mais importante). Também não me parece que aumentar a carga horária dos professores vá solucionar o que quer que seja. Estou convencida que uma boa parte deles adoecerá rapidamente e que o diagnóstico será quase sempre frustração.
Ainda bem que fugi ao que parece ser uma sina da minha família e cedo percebi que ensinar meninos não é com certeza o meu maior talento. Menos ainda, meninos mal educados.

11 setembro, 2007

You're Unbelievable - EMF (clica aqui)

You burden me with your problems
By telling me more than mine
I'm always so concerned
With the way you say
You've always go to stop
To think of us being one
Is more than I ever know
But this time, I realize
I'm going to shoot through
And leave you

The things, you say
Your purple prose just gives you away
The things, you say
You're unbelievable

Identidade


Matei a lua e o luar difuso.
Quero os versos de ferro e de cimento.
E em vez de rimas, uso
As consonâncias que há no sofrimento.

Universal e aberto, o meu instinto acode
A todo o coração que se debate aflito.
E luta como sabe e como pode:
Dá beleza e sentido a cada grito.

Mas como as inscrições nas penedias
Tem maior duração,
Gasto as horas e os dias
A endurecer a forma da emoção

(Miguel Torga)

Um 11 de Setembro só para mim.

Faço parte do cada vez mais restrito número de pessoas que defende a presença dos emigrantes em Portugal. Na realidade penso que são necessários e que essa necessidade é recíproca, isto é, eles também precisam do nosso país.
Quando me encontro no estrangeiro respeito as regras e o "modus vivendi" da população e se cometo alguma indelicadeza será por ignorância. É por isso que, mesmo defendendo os emigrantes não posso tolerar as atitudes de uma meia dúzia que só servem para que a população não os queira entre nós.
Aqui há uns anos tive uma ligeira altercação com um brasileiro que criticava a morosidade dos transportes em Lisboa (que tudo funcionasse como os transportes não era nada mau...). É que a gente até pode gostar de dizer mal do que temos mas ouvir um estranho dizer mal do que temos é uma afronta. Pelo menos para mim e sobretudo vindo de um cidadão oriundo de um país onde nada funciona melhor que em Portugal. É claro que lhe perguntei logo porque é que permanecia em Portugal sendo isto tão mau. O homem remeteu-se ao silêncio e a altercação ficou por ali.
Hoje, quando fazia o seu trabalho, o revisor do comboio em que eu viajava de manhã, acordou um tipo (eu sei que devia dizer gajo, mas pronto, fica assim) que dormia deitado em dois bancos do comboio e pediu-lhe que mostrasse o bilhete. Ele não tinha bilhete. Era um jovem com cerca de 20 anos e apesar da maneira mal educada como respondeu ao revisor este nem sequer lhe pediu a identificação dando-lhe a entender que não queria que ele arranjasse problemas mais graves. Também não passou o papelinho da multa. Limitou-se a pedir-lhe que se levantasse e que abandonasse o comboio na próxima paragem que o mesmo fizesse.
Até que isso acontecesse o bate boca continuou e quando o homem saiu o tom ficou ainda mais azedo de tal modo que um passageiro decidiu intervir em defesa do funcionário da CP. Quando eu pensava que estava tudo resolvido e que o comboio ia partir o tipo desce da plataforma para a outra linha, pega numa pedra, sobe a outra plataforma e arremessa a pedra que me passa a escassos milímetros da cabeça. Imediatamente houve gente a correr atrás dele mas o gajo era bem ligeiro e escapuliu-se, deixando os perseguidores com um imenso sentimento de frustração.
Não sei de que nacionalidade era o sujeito mas tinha sotaque brasileiro.
E pronto. Foi assim que começou um 11 de Setembro inventado por algum ser superior só para mim e eu para continuar a ter a certeza que o meu anjo da guarda é bem poderoso e não deixa que nada de mal me aconteça.

10 setembro, 2007

Lua - Mayra Andrade (clica aqui)

Luâ fika ku mi más um kusinha
Dexâ-m lambuxa na bo,
Limia nha korpu ku káima!

Quando em silêncio


Quando em silêncio passas entre as folhas,
uma ave renasce da sua morte
e agita as asas de repente;
tremem maduras toas as espigas
como se o próprio dia as inclinasse,
e gravemente, comedidas,
param as fontes a beber-te a face
(Eugénio de Andrade)

Ao ilustre desconhecido

Há dias assim. Dias em que nos sentimos especialmente bem sem que para isso haja uma razão plausível. Pois é. Aqui há uns anos se eu tivesse acordado um pouco mais tarde como me aconteceu hoje teria ficado com o dia estragado. Mas a verdade é que nada dessas pequenas coisas me consegue já incomodar. Não corro. De atrasada não passo, portanto... tudo bem.
Ao contrário de mim, duas colegas estavam tristes, aborrecidas, neuras... a ponto de saírem dos seus andares para me procurarem e desabafar... da falta de perspectivas dos filhos em idade de começarem a trabalhar. Da insegurança que hoje os jovens sentem, da perturbação... bem, lá vou largando umas larachas pelo meio e acabam por ir mais bem dispostas do que chegaram... mas isto é realmente sintomático do país que temos. E piores dias virão. Portanto...
Saio do emprego e no metro reparo que há uma rapariga que me olha durante todo o percurso como se me reconhecesse mas não soubesse de onde ou não tivesse a certeza. Olha-me com a dúvida sobre se há-de ou não abordar-me. Olho-a naturalmente: tem cabelos negros e encaracolados naturalmente sobre uma pele muito branca. Lembro-me imediatamente quem ela me faz lembrar: a Branca de Neve dos contos da minha avó. Será que eu lhe fiz lembrar a bruxa ou um dos sete anões? Provavelmente nunca saberei... ela sai olhando-me ainda mas sem falar.
No comboio três homens exalam um cheiro a catinga de tal maneira que as pessoas apertam disfarçadamente o nariz. Eu não faço cerimónias. Aperto-o de maneira a que percebam que o seu cheiro é realmente insuportável, e logo que o comboio faz uma paragem, mudo de carruagem. Não suporto o mau cheiro seja ele de catinga ou de suor... lamento não ser mais discreta mas é assim.
Faço uma caminhada de 5 km antes de regressar a casa. Encontro um dos meus filhos negros que me faz uma festa. Estou feliz.
Já perto de casa, parada num semáforo vou olhando para o transito no sentido inverso. O automobilista do outro lado olha-me e pisca-me o olho maliciosamente. Respondo com um sorriso e penso quão raro se tornou este gesto de "flirtar" com desconhecidos, assim sem mais nem menos... Andamos todos muito ocupados? Pelos vistos, pelo menos hoje houve duas pessoas que tiveram tempo para uma inocente brincadeira que nos deixou um pouco mais felizes.
Por isso esta crónica hoje é dedicada a esse ilustre desconhecido que fez com que o meu dia acabasse em beleza.

09 setembro, 2007

Relax - Mika (clica aqui)

Took a right to the end of the line
Where no one ever goes.
Ended up on a broken train with nobody I know.
But the pain and the (longings) the same.
(Where the dying
Now I'm lost and I'm screaming for help.)

Neil Young


uma garrafa de café
e uma lanterna
enquanto lia no jornal
uma manchete um crime passional
vigia noturno
se apaixona por mocinha
que colhe flores
às 3 da madrugada
um ruído estranho
a conferir
no jardim
ela velou um corpo
e já no portão
arrasta as malas
assobiando
only love can break your heart

(Bruna Beber)

DESTE LUGAR MAL FREQUENTADO

Apetecia-me dizer que eu não sou daqui que não sou deste lugar... penso que não me importaria até de ser verde, cara de sapo e com antenas.Gosto de me sentir gente e para isso há princípios de que não abdico e actos que não cometo e me revoltam e até me enojam.
Publicava o CM desta sexta-feira o aparecimento de uma nova área de negócio que era a comercialização das "fezes de famosos" aos fãs dos ditos cujos e até, sei lá, ao mercado em geral .
Apesar da repulsa que se me criou por todos os que tomassem parte no negócio, famosos incluídos imaginei a m... do Dani de Vito comercializada ao lado do xixi da Catarina Furtado e as ranhocas da Segolene junto das cuspidelas do Soares.
Quem é esta gente e que mundo para que caminhamos e que virá para os vindouros em termos de ementa de horrores?
Fica-me perante tal expectativa a vontade de desancar nesta gente, indignos até mas por escassa margem de pertencerem à associação dos Sócretinos, e fazê-los engolir as ideias mais as fezes e outras tretas que tenham em reserva para nos diminuírem e achincalharem transformando-nos por intoxicação midia em algo atroz mente abjecto.
Se notícias como esta não te revoltam e não te diminuem como elemento de um todo que é a espécie a que pertencemos e que supomos de bem pensantes então pega no ultimo resquício de cérebro e vê se as fezes já não te cobrem no banho...
Bem Hajam

Do not disturb

O Verão faz questão de nos abandonar ao fim de semana. Não é que eu ache bem mas quem sou eu para achar seja o que for? Logo eu que me adapto perfeitamente a todas as circunstâncias e arranjo sempre modo de me ocupar muito bem seja lá o tempo que esteja na rua. Se não posso ir à praia posso por exemplo, como hoje, fazer uma boa caminhada à beira mar, acompanhada de mim mesma e de dezenas de outros portugueses conscientes do bem que faz o exercício físico.
Pois é: dezenas é muito pouco... até porque agora que o Verão se vai as pessoas desinteressam-se muito da forma física o que significa que não vivem para se sentirem bem mas para que os outros as achem belas, ou com um óptimo aspecto... com o Inverno à porta já a hipótese de esconder o corpo é muito maior, não havendo por isso a necessidade de "perder tempo" a fazer exercício. Para o ano, quando faltarem 15 dias para iniciar as férias, logo farão o exercício todo de uma vez e ficarão arrasadas mas contentes com os progressos conseguidos...
É sabido que eu sou do contra. E é por isso que caminho muito mais quando o Verão deixa de apelar para uma ida à praia e para um mergulho ou quem sabe até umas braçadas no mar...
Agora quem não se incomoda com quem corre ou anda ali mesmo debaixo do seu nariz, é o senhor lá em cima que não deixa que ninguém o incomode enquanto lê o jornal.

08 setembro, 2007

Love's Divine - Seal (clica aqui)

Well I try to say there's nothing wrong
But inside I felt me lying all alone
But the message here was plain to see
Believe me!

Bilhete


queria saber se eu dissesse que
ia mergulhar daqui desse edifício
você ia dizermergulha, beibe
eu liguei pra perguntar
mas você não tava
e deixei um recado na secretária eletrônica
mas não consegui detalhar
porque eu sempre fico nervosa
com mensagens prontas.
(Bruna Beber)

Quem sabe amanhã?

Almoçava eu um bitoque nada "light", mais especificamente o especial da casa, quando entrou uma senhora aparentando mais de 70 e menos de 80 anos. Bem arranjada sem espalhafato, uma daquelas velhas senhoras que vivem nas avenidas novas, dirigiu-se ao empregado que se encontra à porta do restaurante no caixa e perguntou-lhe se por acaso não teriam encontrado ali um cinto. Um cinto, pergunta o empregado com sotaque brasileiro... a senhora perdeu um cinto, assim na rua? Como a senhora ficou elegante de repente!
A senhora lá explicou que pensava ter perdido o cinto porque o procurou em casa e não encontrou, portanto só o podia ter perdido fora de casa... um mistério com toda a certeza. A menos que a senhora tivesse ido à casa de banho, parece-me que não será realmente a coisa mais natural do mundo perder um cintono meio da rua, mas...
Vejo a minha mãe com 82 anos, linda como sempre, vestir um casaco pelos pés! Exactamente. Quando me admirei, disse-me que era mais fácil assim e não desmanchava o cabelo... está visto que eu é que gosto de complicar... ou talvez ainda não me tenha sido necessário preocupar com o cabelo, uma vez que me limito a pentear-me com os dedos a maior parte das vezes.
Vinha falar-vos do World Press Photo que fui hoje ver com amigos mas afinal derivei... não esqueçam que a exposição acaba amanhã. Hoje já havia gente demais... quem sabe amanhã podemos falar de foto jornalismo?

07 setembro, 2007

Conversa de botequim - Chico Buarque (clica aqui)

Telefone ao menos uma vez
Para três quatro quatro três três três
E ordene ao seu Osório
Que me mande um guarda-chuva
Aqui pro nosso escritório
Seu garçom me empresta algum dinheiro
Que eu deixei o meu com o bicheiro,
Vá dizer ao seu gerente
Que pendure esta despesa
No cabide ali em frente