09 novembro, 2007

Uma estória verdadeira... para variar.


As duas velhas andarilhas saíam de casa antes das 8 da manhã, de braço dado, irmãs com uma diferença de dois anos de idade, mas como se fossem siamesas onde ia uma ia a outra... ao princípio da noite voltavam a casa, depois de durante todo o dia terem feito o périplo pelos centros comerciais de Lisboa e hipermercados, inteirando-se junto das funcionárias de como lhes corria a vida, se tinham filhos, com quem os deixavam, quanto pagavam pelas escolas, se os maridos eram bem comportados, o que faziam, se as tratavam bem... um verdadeiro papel de assistentes sociais, os das velhas senhoras andarilhas, que passados os 80 anos, venderam a loja que toda a vida as alimentou e passavam assim, muito alegremente e fazendo um trabalho louvável como podem comprovar pelo que atrás ficou dito... sim!, porque as pessoas precisam de conversar de contar as suas vidas, de desabafar... e nada como duas velhinhas com mais de 80 anos de experiência para escutar jovens e menos jovens empregadas de centros comerciais e hipermercados. Adiante.
Um dia voltavam ao fim da tarde a casa, já era noite e chovia. De braço dado como sempre, ao atravessarem a Av. Infante D. Henrique em Lisboa, são atropeladas e para ali ficam até que aparece gente que chama o 112 e as recolhe para debaixo de um telheiro para as proteger da chuva. E é assim que a ambulância passa e não pára porque não vê ninguém.
Então uma das boas almas posta-se na avenida à espera de ver uma ambulância que possa socorrer as velhas andarilhas, por demais conhecidas nas redondezas. Finalmente aparece uma que transporta um soldado com uma perna partida. Resolvem levar a mais nova que podia ir sentada pois estava em melhor estado que a outra que tinha partido a bacia e tinha que ir deitada...
Mal entra na ambulância a velha andarilha olha para o soldado e pensa, já morri, estou às portas do céu, este é um ajudante de S. Pedro, o melhor será com certeza meter conversa, fazer-me simpática, engraxá-lo para que ele me deixe entrar já no céu sem mais demoras. E resolve dar uma amigável palmada na perna do soldado que solta um urro de dor porque tem a perna partida... então a velha senhora percebe que está viva e dá graças a deus, porque depois de uma daquelas, se estivesse às portas do céu iria certamente parar ao inferno.

1 comentário:

Bartolomeu disse...

Pois...
Se a velhinha estáva mesmo a pensar entrar no céu, agarrada à "perna" do soldado, não devia ter escolhido a partida.
Mas pronto, já eram 80 anos e talvez o choque do acidente tivesse provocado alguma desorientação na cabeça da velhinha.
Isto, evidentemente, se alguma vez, a velhinha já tivesse tido o ensejo de conhecer os prazeres de uma... "perna" (não partida).
;)))))))))
um grande beijo Eduarda Horta Maria