14 maio, 2007

O MEU EXAME DE SOCIOLOGIA...


- Defina-me Sociologia...
- Sociologia, segundo Durkheim...
- A "nossa definição"...
Que mania!!
Eduardo Aleixo

RAINER MARIA RILKE


INICIAL
Dá SEMPRE a tua beleza
Sem cálculo e sem palavras.
Cala-te e ela diz por ti: Sou.
E vem com múltiplo sentido,
Vem finalmente sobre cada um.
FINAL
A MORTE é grande.
Nós somos dela
De boca ridente.
Quando nos julgamos no meio da vida
Ousa ela chorar
No meio de nós
Rainer Maria Rilke ( in " O livro das imagens "

SÓCRATES E A MADEIRA



Foi assim que a máquina digital captou o rosto do Sr. Engenheiro, perdão, enganei-me, não na maquina digital, mas na designação do título académico...É que não posso, não devo, utilizar a expressão " engenheiro", já que este assunto não ficou, para mim, clarificado. Assim sendo, dizia eu, foi assim que a máquina digital o surpreendeu, tapando o rosto, para não ver os resultados eleitorais do seu partido, na Madeira.

Tapou o rosto de vergonha! Foi, é verdade, uma derrota clamorosa. Eu sei que Sócrates tem dito, assim como os seus inúmeros assessores, analistas e jornalistas, que não foi o povo, que o povo não tem culpa, a culpa está na falta de condições democráticas, no clima de intimidação, etc. Suponho que, ao tapar os olhos, Sócrates começou a ver miragens, alucinou! Perdeu o controlo. Deixou de ser fraterno e camarada. Nem deu uma justificação credível para o facto de ter abandonado o camarada, líder socialista naquela Região. Bem feito, penso eu. Acho que já é tempo de os Partidos naquelas regiões autónomas terem alguma autonomia. E já agora coragem para se baterem contra a ditadura madeirense. Ora aqui é que Sócrates se deixa trair. Se sabia que as tarefas na Madeira eram tão espinhosas, em clima de quase ditadura, por que não foi ajudar o camarada, ele que tem fama de ser tão corajoso? Ou será que isso da falta de condições democráticas é desculpa de mau perdedor?

Eduardo Aleixo

HELENA ROSETA



Marcelo Rebelo der Sousa faz a síntese perfeita: Helena Roseta é corajosa, inteligente, bem preparada, mas...tem aquela loucura...

É verdade: tem aquela loucura. Restaria perguntar a Marcelo o que entende pela loucura dela e qual a notação que lhe daria. Mas não vale a pena perguntar. Eu sei.

Helena Roseta tem perfil, tem experiência autárquica, tem amor pelo que faz, mas...não se dá com a lógica do Poder. Dos Partidos. Basta ver a vida dela. Sempre foi assim, desde os tempos do PSD.

E agora, Helena?

Fazes bem. Fazes bem, não só em denunciares a má educação de Sócrates em não te ter respondido à carta em que te mostravas disponível para ajudares a resolver os problemas da cidade. Fazes bem em avançares no caminho em que acreditas.

Tu sabes que é uma luta talvez inglória - até agora tem sido - essa do romantismo e do coração contra a ganância, a frieza e a máquina podero do Poder. Tu sabes.

Mas estou contigo.

Qualquer dia o coração vence. Mesmo na Política.

Vamos ver como está o coração do Povo!

Eduardo Aleixo

13 maio, 2007

Imagina - Chico Buarque

Imagina
Imagina
Hoje à noite
A gente se peder
Imagina
Imagina
Hoje à noite
A lua se apagar

Canção grata

Por tudo o que me deste:
- Inquietação, cuidado,
(um pouco de ternura? É certo, mas tão pouco!)
Noites de insónia, pelas ruas, como um louco...
- Obrigado, obrigado!
Por aquela tão doce e tão breve ilusão,
(Embora nunca mais, depois que a vi desfeita,
Eu volte a ser quem fui), sem ironia: aceita
A minha gratidão!
Que bem me faz, agora, o mal que me fizeste!
- Mais forte, mais sereno, e livre, e descuidado
...Sem ironia, amor: - Obrigado, obrigado
Por tudo o que me deste!

(Carlos Queirós)

E se acordas?

Rodo, rodo pela estrada. Mudo de caminho, mudo de rota. Levei o dia nisto. Adio a hora de entrar em casa. Eu que sempre achei que o melhor lugar para estar é a minha casa! Vou rodar mais umas horas. Tentar entrar pela calada da noite. Tentar chegar quando já estejas a dormir. Será que te deitas sem que eu chegue ou vais teimar nessa mania de me esperares acordado? É que deixou de fazer sentido percebes? Deixou de fazer sentido como todos os gestos, todas as palavras que existiam quando pensávamos que nos amávamos. Quando pensávamos que ficaríamos, para sempre juntos. Que envelheceríamos juntos...
Há quanto tempo foi isso? Há quanto tempo deixámos de dizer "meu amor" com ternura, quando estávamos apenas os dois? Há quanto tempo? Foi há tanto tempo que já não me recordo... Olho para trás e tudo o que vejo é a violência que foi crescendo, crescendo... as agressões físicas e verbais a que nos dedicámos por tantos anos... que nos faziam ficar juntos. Depois aquela tua tentativa de me deixares há 10 anos... tens razão sabes? Eu já não te amava, mas não podia deixar que as pessoas percebessem que eu tinha sido "largada"... foi uma questão de dignidade, fazer com que voltasses. Usei as crianças bem sabes. Elas deixaram-se usar. Manipulei de tal maneira que voltaste arrependido e grato como um cão abandonado. Mas depressa a violência recomeçou. Porque não havia amor. Só agora percebo isso. Só comecei a admitir que podia ser diferente quando vi uma amiga minha feliz por estar só. Recusando-se a partilhar a sua vida com outra pessoa a tempo inteiro. Percebi que ela tinha recuperado a alegria de viver. Que rejuvenescia todos os dias. Que não ficava, como eu, no emprego a adiar a hora de sair, de voltar para casa, sob o pretexto de ter muito trabalho... via-a sair para estar com amigos, ou fazer caminhadas pela cidade a sós... partir de férias sem ter que se preocupar com mais ninguém.
E eu que pensava que era incapaz de viver sozinha, dizia-lhe... ela ria e dizia "é pena, mas cada um é como é!" Finalmente a violência verbal é tão grande que eu só quero não ter que olhar para ti... se não saíres de casa dentro de dois dias, saio eu.
Não posso continuar a rodar eternamente à espera que adormeças... e se acordas quando eu entrar?

12 maio, 2007

Minha Alma - Maria Rita

Às vezes eu falo com a vida
Às vezes é ela quem diz
Qual a paz que eu não quero conservar
Pra tentar ser feliz

Pedras Antárcticas

Ali termina tudo
e não termina:
ali começa tudo
se despedem os rios no gelo,
o ar que se casou com a neve,
não há ruas nem cavalos
e o único edifício
o construiu a pedra.
Ninguém habita o castelo
nem as almas perdidas
que frio e vento frio
amedrontaram:
é sozinha ali a solidão do mundo,
e por isso a pedra
se fez música,
elevou suas delgadas estaturas,
se levantou para gritar ou cantar,
porém ficou muda.
Só o vento,
o açoite do Pólo Sul que assobia,
só o vazio branco
e um som de pássaro de chuva
sobre o castelo da solidão.

(Pablo Neruda)

Todos os dias da minha vida.

Não gosto de fazer as refeições sozinho. Agora que eu e a minha mulher nos estamos a separar, tenho que arranjar companhia sempre para o almoço e o jantar. Se fizer as refeições a sós como muito mais. Preciso que alguém me distraia. Sábado é fácil arranjar companhia. Toda a gente está mais disponível.
Almocei com uma das minhas amigas. Gosto dela. Mais do que devia. Sempre foi assim. Ela ri quando falo disto. Muita gente sabe tanto quanto eu. Agora que estou só de novo, já me vêm casado com esta minha amiga. E ela ri. Ri de mim, ri dos outros, ri do mundo, ri da vida. E quanto mais ela ri mais eu me encanto com ela... mas hoje ela fez a despesa da conversa. Não me apetece falar. Não me apetece sequer ouvir. Olho-a mas não a ouço. Vejo os lábios que se mexem continuamente, penso que há-de sair algum som dali mas eu não ouço. Contemplo-a apenas.
Não. Não gosto de almoçar sozinho. Já almocei com putas e com mendigos: para não almoçar sozinho. Eles ganharam uma refeição, eu ganhei companhia. De alguns ouvi as estórias de outros não. Depende do lado para onde acordo. Se a minha ex me telefona tenho o dia estragado. Apetece-me fugir... mas não posso: preciso de companhia para almoçar.
Quando me despeço da minha amiga, faço a marginal devagar. A marginal é inspiradora, assim, coberta de sol e miúdas com calções curtos que mostram as bochechas do rabo. Fico-me pelos olhares. A minha libido não é despertada. Está como eu. Só.
Gostava de ser como a minha amiga e brincar com tudo e de tudo. Mas só o consigo parcialmente e apenas quando estou com ela. Levei a vida demasiado a sério. Disse ela. É verdade. O que não vivi não posso recuperar. Foi ela que o disse. Penso: é verdade. Por mais que corra, hoje, não posso emendar, remendar... Só posso como ela diz, começar de novo, dia a dia, todos os dias da minha vida... todos os dias da minha vida. Quantos serão?

11 maio, 2007

É com esse que eu vou - Elis Regina

É com esse que eu vou
Sambar até cair no chão
É com esse que eu vou
Desabafar na multidão
E se ninguém se animar
Eu vou quebrar meu tamborim
Mas se a turma gostar, ah
Vai ser pra mim

Anda vem...

Anda vem..., porque te negas,
Carne morena, toda perfume?
Porque te calas,
Porque esmoreces,
Boca vermelha --- rosa de lume?

Se a luz do dia
Te cobre de pejo,
Esperemos a noite presos num beijo.

Dá-me o infinito gozo
De contigo adormecer
Devagarinho, sentindo
O aroma e o calor
Da tua carne, meu amor!

E ouve, mancebo alado:
Entrega-te, sê contente!
Nem todo o prazer
Tem vileza ou tem pecado!

Anda, vem!... Dá-me o teu corpo
Em troca dos meus desejos...
Tenho saudades da vida!
Tenho sede dos teus beijos!

(António Botto)

Um bom fim de semana.

A semana devia ter acabado... mas não acabou. É a vida como diria Munchaussen "custa a todos; custa a mim, custa a ti, custa a ele..." Abençoado barão que me fazes rir e sonhar quando acho que está tudo perdido.
Uma semana pesada de trabalho. Com dias maiores que o horário de trabalho e com a sensação de que uma equipa é uma treta. Quando me falam em trabalho de equipa apetece-me gritar. É mais ou menos como os trabalhos de grupo na escola, na faculdade: há sempre um ou dois "tansos" que trabalham enquanto a maior parte da malta se está nas tintas e ainda acha que está a fazer demais e que até faz um favor ao pessoal quando faz alguma coisa. E aparece sempre aquela pessoa que sendo muitíssimo responsável, é incapaz de assumir os seus erros e tenta descarregar em cima de quem faz o seu e o dela.
Depois perguntas-me "é mesmo preciso trabalhares ao sábado?" É! Porque a gente também se cansa de trabalhar para aquecer. A gente também se cansa de trabalhar para que os chefes fiquem bem vistos. A malta afinal ainda tem um resto de dignidade e cansa-se de ser sistematicamente ignorada... e quando precisam de nós, lá vem a velha palmadinha nas costas que em tempos até resultava, até confortava, até dava para continuar como se tudo aquilo fosse normal... mas agora já não dá. Porque a ingratidão cansa. A falta de escrúpulos cansa.
Porque hoje é sexta feira e amanhã é sábado, um bom fim de semana para todos... os que podem ter fim de semana!

10 maio, 2007

Everything - Michael Bublé

And in this crazy life, and through these crazy times
It's you, it's you, You make me sing.
You're every line, you're every word, you're everything.
You're every song, and I sing along.
Cause you're my everything.

Rumo


É tempo, companheiro! Caminhemos ...
Longe, a Terra chama por nós,
e ninguém resiste à voz
Da Terra ...
Nela,
O mesmo sol ardente nos queimou
a mesma lua triste nos acariciou,
e se tu és negro e eu sou branco,
a mesma Terra nos gerou!

Vamos, companheiro ...
É tempo!

Que o meu coração
se abra à mágoa das tuas mágoas
e ao prazer dos teus prazeres
Irmão
Que as minhas mãos brancas se estendam
para estreitar com amor
as tuas longas mãos negras ...
E o meu suor
se junte ao teu suor,
quando rasgarmos os trilhos
de um mundo melhor!

Vamos!
que outro oceano nos inflama...
Ouves?
É a Terra que nos chama ...
É tempo, companheiro!
Caminhemos ...

(Alda Lara)

Boa noite.

Sento-me à janela na carruagem do metro, do lado do cais. Abro a mala e preparo-me para continuar com a leitura de "Máscaras de Salazar". O livro não me surpreende. Quero com isto dizer que ao fim das primeiras cem páginas, continuo a ter mesma imagem de Salazar: um provinciano sinistro. Há relatos interessantes no livro e eu estou realmente absorta do que se passa à minha volta.
Sem que me tenha apercebido, a carruagem encheu e o metro arranca. Cinco ou seis paragens depois sinto um vulto enorme a cair-me em cima: encolho-me contra a janela. Não confundo em momento algum realidade e ficção: o vulto não é nada parecido com o provinciano descrito nas páginas que vou lendo. São pouco mais que 8 horas da manhã. A rapariga sentada ao meu lado adormeceu e desabou-me em cima. Acontece que ela não é apenas uma rapariga forte. É sem dúvida uma rapariga obesa. Continua adormecida e eu quase sufoco: à minha volta as pessoas sorriem. Mas ninguém faz nada para me aliviar daquele peso. Por fim consigo acordá-la com uma cotovelada. Pede desculpa, endireita-se no banco e passados 2 segundos adormece de novo. Felizmente desta vez não me tomba em cima. Fica antes naquela de caio para esquerda ou para a direita, dos brevemente adormecidos...
Retomo a leitura sempre com um "olho" na rapariga.
De regresso a casa, tento concentrar-me na leitura e desligar-me da tagarelice em voz muito alta de duas adolescentes norte-americanas que arrastam aquele inglês horrível que usam por lá. Subo o volume do MP3 para me desligar da tagarelice mas em vão. Fecho o livro e penso como pode uma língua ser usada de formas tão diferentes. E penso como gosto do britânico "english" e como detesto este linguajar que ouço e que me impede a concentração no livro.
Quando as adolescentes desaparecem é a minha vez de, finalmente adormecer.
Boa noite.

Summertime - Renee Olstead

Sê bem vinda ao blogue, Renee. Gosto do jaaz que te acompanha.

09 maio, 2007

Santa Chuva - Maria Rita

Cadê aquela outra mulher?
Você me parecia tão bem...
A chuva já passou por aqui
Eu mesma que cuidei de secar
Quem foi que te ensinou a rezar?

Epitáfio para uma velha donzela


De palmito e capela,
Qual manda a tradição,
Erecta, lá vai ela
Ser atirada ao chão.
De rosário na mão,
Lutou heroicamente
Contra a vil tentação
Do que nos pede a carne e a alma come.
Secreta, ansiosa, augusta, descontente
Dentro da sua túnica inconsútil,
Engelhou toda à fome,
Por fim morreu à sede,
No seu heroísmo fútil.
Bichos! penetrai vós no pobre corpo inútil!

(José Régio)

O que importa?

O sargento Luís Gomes viu a sua pena reduzida, por forma a poder sair do presídio militar de Tomar e regressar ao seu lar.
Entendo, acho que todos entendemos, que as leis existem e devem ser cumpridas. Mas como tudo na vida, não pode ser às cegas. Uma coisa é transgredir fazendo mal a alguém e outra bem diferente será ignorar a lei para defender alguém.
Parece-me que este é o caso do homem que decidiu adoptar Esmeralda e que por ela tudo tem feito, mostrando que a ama e que é capaz de se submeter à prisão e ao mais que por aí vier para defender a sua filha.
Não sei se já falei aqui da Esmeralda, mas como tudo o que diz respeito a crianças me interessa, pela capacidade de ternura que conseguem despertar em mim (as crianças, é óbvio) tenho que dizer que não conhecendo mais do caso do que toda a gente em geral conhece, isto é, o que a comunicação social transmite, sempre tive uma péssima impressão do pai biológico desta menina e uma impressão óptima das mães (cada uma se sacrificou à sua maneira: a biológica dando para adopção uma criança que ela não tinha condições de criar quando nasceu, uma vez que a sua situação no país era de estrangeira ilegal e a de adopção por se ter sujeitado a esconder com a menina para ganhar tempo) e do pai biológico.
É claro que nenhum juiz dará a guarda de uma criança a alguém porque se tem "boa" impressão dela. Mas parece-me que estes pais adoptivos já fizeram por esta criança o que muitos pais biológicos não fariam. Já deram prova do seu amor incondicional por esta criança. Infringiram a lei é verdade. Ninguém contesta esse facto. Mas quando o que está em causa é o bem estar de uma criança, que importância pode ter?