16 julho, 2008

Se é preciso corrijo.


Um dia destes dei comigo a pensar no facto de ser tão pouco sentimental. Bem não é isso que quero dizer. Como Fernando Pessoa eu também tenho muito sentimento, quero dizer emoções. A conclusão a que cheguei fazendo um balanço da minha vida amorosa foi que nunca me apaixonei por ninguém. A pessoa que mais me conheceu foi aquela que mais me amou. E o seu amor era tão grande que eu me apaixonei por esse amor. Aqui há uns tempos pensei que tinha finalmente sentido paixão por alguém mas enganei-me. Acho que não existe homem que faça com que me apaixone por si mesmo. Teria que ter tantas qualidades (ou defeitos que eu considero qualidades porque me são imprescindíveis), que esse homem ou não existe ou a existir é tão raro que dificilmente poderei cruzar-me com ele e reconhecê-lo.
Há por aí uma coisa qualquer que diz "o que gosto mais em ti é que gostas de mim". Será que é normal este meu comportamento? Será que há muita gente assim como eu? Gente que não é capaz de se apaixonar por alguém mesmo que esse alguém não lhe devote um sentimento assim tão forte?
Tenho pena de ser assim mas sou como sou e ninguém pode alterar isso. O que fez de mim o que sou? Se calhar algumas desilusões da adolescência. Pelo menos isso aprendi: fugir das desilusões a sete pés. Assim que me cheira a esturro ponho-me a milhas é o que é. E afinal aquilo que eu pensava que era paixão pelo trabalho, pelas coisas de que gosto de fazer, se calhar é apenas mais uma forma da minha teimosia.
Ah, se não fosse ter os meus amigos do peito o que me restaria para alem da família, que me dou ao trabalho de escolher pois então. É por isso que digo que quem como eu é capaz de escolher a família dificilmente deixará que lhe entre vida adentro quem não interessa. E se por acaso me engano, mais tarde corrijo...

15 julho, 2008

Olá - Jorge Palma - (clica aqui)

conheço a tua cara
mas não sei o teu nome
escrevo já aqui
não sei o quê arroba ponto com
eu vou-te reencontrar
noutro bar de estação
ou talvez quando perder mais um avião
o barco vai de saida
tu estás tão bronzeada
é tão bom ver-te assim
ardendo tão queimada

Canção

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

(Cecília Meireles)

Onde estás?



Se eu soubesse onde estás, iria ter contigo... é que tens-me feito tanta falta. A mãe passa a vida a falar em ti, de ti, esqueceu todos os momentos maus e só ficaram os bons. Absolveu-te completamente de todas aquelas pequenas falhas que todos cometemos e que ela insistia em lembrar a vida inteira, como se devêssemos ser castigados o resto da vida por uma má decisão. Tu sabes como ela é. Mas agora esqueceu tudo e só ficou uma vida de felicidade sem par. Quando quer exercer o seu direito a envenenar a vida de alguém escolhe outros alvos. Sempre os mesmo sabes como é.
Por isso se eu soubesse onde estás iria ter contigo. Para podermos conversar, para que me digas (talvez agora já saibas), o que hei-de fazer a todo o frenesim em que ela entra por vezes. E a maior parte do tempo está virada para dentro, a conversar consigo mesma, como se o mundo à roda dela não existisse. Em frente à televisão tanto faz estar como não ligada. Fala consigo mesma ou com o relógio da sala. Ninguém a convence a ir a um especialista. Continua a auto medicar-se, a sair de casa quando lhe dá na bolha... agora está mais sossegada. Acho que tem dores, passa o tempo quase todo deitada... mas se tu estivesses cá eu sei que havias de a convencer a tratar-se.
E era isso que eu queria que tu me dissesses. Quais os argumentos que devo usar. Se não me queres dizer onde estás, vem como no outro dia, entra no meu sonho, torna-te real de modo a que eu sinta o teu calor e o teu abraço, de modo a que eu saiba que estás mesmo ali e diz-me o que devo fazer para poder lidar com esta situação.
Fazes-me sempre tanta falta, pai. Onde estás?

14 julho, 2008

Sei-te de cor - Paulo Gonzo (clica aqui)


Sei de cor
cada traço
do teu rosto
do teu olhar.
Cada sombra
da tua voz.
E cada silêncio
cada gesto que tu faças
Meu amor sei-te de cor

Eu amo tudo o que foi


Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.

(Fernando Pessoa)

Durante a vida, viva.


Tenho 50 anos e gosto de os ter. Cheguei aqui e posso chegar mais longe. Gosto de olhar no espelho as marcas do tempo. Gosto de ver que estou bastante marcada. Quero acreditar que cada marca é um pedaço de vida que vivi. E acredito. E nem me passa pela cabeça acabar com essas marcas. Elas fazem parte de mim. Não estou a dizer que não me cuido. Cuido quanto baste. Limpo a pele, hidrato, etc., etc. Agora essas cirurgias que andam por aí a modificar bocas, narizes, pescoços, olhos... que deixam as mulheres sem alma... isso não. Cada dia há-de imprimir em mim a sua marca e quero morrer bem velhinha cheia de marcas mas sentindo-me como me sinto aos 50: como se não tivesse idade.
É verdade. Os sinais que o meu rosto e o meu corpo emitem para mim e para os outros não correspondem ao que vai dentro de mim. São marcas visíveis de horas de alegria e de aflição. Isso é viver e é isso que eu quero continuar a fazer. Quero continuar a trabalhar para poder dar valor às férias, ao tempo livre, quero continuar a ter a minha família ainda que ela esteja espalhada pelo mundo, os meus amigos também cada um em seu canto... mas que importa se no fim estão mesmo dentro do meu coração, dos meus pensamentos, das minhas recordações?
Quero ser quem sou. Ouvi por aí dizer que a vida começa aos 50. Não acho. A vida começa todos os dias desde que nascemos. É preciso vivê-la. Todos os dias. Aproveitando cada momento de felicidade e tranquilidade que ela nos dá e pensando que os desgostos, as perdas, o sofrimento ajudam-nos a ser cada vez mais fortes.
Como disse Terence Williams "durante a vida, viva."

13 julho, 2008

Paradeiro - Arnaldo Antunes e Marisa Monte (clica aqui)

Uns vão de pára-quedas
Outros juntam moedas antes do prejuízo
Num momento propício
Haverá paradeiro para isso?
Haverá paradeiro
Para o nosso desejo
Dentro ou fora de nós?

Tenho tanto sentimento


Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.
(Fernando Pessoa)

Juro.


Estou farta de notícias tristes. Estou farta da abertura dos telejornais, onde se fala de insegurança seja lá onde for. Pelos vistos qualquer dia ir à praia é como ir ao médio oriente.
Pois hoje ouvi duas notícias que me deixaram animada e ambas vêm do médio oriente. Os PM israelita e palestiniano parecem desta vez realmente interessados em fazer os possíveis para alcançar a paz entre os dois territórios.
Antes de entrar na segunda notícia que me emocionou, quero aqui lembrar a atitude dos chineses e dos russos quanto à necessidade de sanções a aplicar ao governo de Mugabe. É evidente que os seus argumentos não convencem ninguém. Países que nunca se preocuparam com os direitos humanos estão agora ralados com a ultrapassagem de poderes das Nações Unidas? Não me lixem! o que eles têm é que defender o negócio de milhões de armas vendidas àquele (e a outros) país africano. Já da África do Sul não se podia esperar outra reacção. Afinal se todos querem o mesmo não podem atirar a primeira pedra... e Mugabe lá vai sorrindo à esquerda e à direita um sorriso amarelo de gente definitivamente de cor duvidosa. Muito duvidosa.
Adiante. Desde muito nova que uma das doenças (mentais/psiquiátricas) que mais me comove e emociona é o autismo. Porque no fundo eu sou também um pouco autista, na medida em que faço um esforço muito grande para me abrir aos outros. E também por isso criei este espaço que é uma maneira de dizer estou aqui, amo-vos, quero estar convosco, sem corar, sem me intimidar, sem me calar.
Pois a notícia é fabulosa. Em Israel crianças até aos 3 anos de idade estão sendo tratadas (não sei bem se se pode falar de cura, pelo menos por enquanto) com uma terapia que envolve as próprias, os familiares e os profissionais. Ouvir um pai dizer que foi acordado com beijos e abraços por um filho que até há pouco nem olhava para ele é qualquer coisa de realmente extraordinário. Parece que a terapia não é sequer agressiva uma vez que não usa químicos. É feita à base de amor e carinho. E de gente que sabe que é bom ouvir uma daquelas crianças chorar porque isso revela que ela tem dentro dela sentimentos que finalmente está a deitar para fora...
Não quero parecer piegas. Mas sou. Neste caso sou. As lágrimas vieram-me aos olhos ao ver a reportagem e até me esqueci das notícias de abertura do telejornal. Juro.

12 julho, 2008

Competência para amar - Clã (clica aqui)

não fosse a minha competência para amar
e nunca teriamos acontecido
num mundo de competências
e técnicas de ponta
a dádiva da fala
quase já não conta

Serenata


Permite que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.

Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.

Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.

(Cecília Meireles)

Mais um problema social a resolver. Urgente.

O que se tem passado na Quinta da Fonte em Loures só vem dar razão àqueles que há muitos anos se manifestam contra a criação de guetos. Pelo que percebi das notícias o bairro é social e predominam duas etnias: a africana e a cigana. Agora uns e outros querem abandonar o bairro. Alguns já começaram mesmo a fazê-lo.
É evidente que os bairros sociais são uma chaga, um problema social a mais, pela forma como são concebidos. Dá-se uma casa a baixo preço e deixam-se as pessoas ao deus dará. E como diz o Chico "diz que deus diz que dá/ e se deus não dá?... ". Pois o problema é que raramente deus dá.
Então os políticos que são eleitos pelas promessas que fazem em campanha têm obrigação de resolver o problema. Arranjando creches, infantários, escolas, tempos livres para as crianças e os jovens. O que falta nestas comunidades são princípios, são noções básicas de educação e civismo. O que falta é transformar esta gente de cor que desata aos tiros, em negros, ciganos, brancos. O que falta é dar-lhes trabalho para que possam sustentar condignamente a família de modo a que os pais que sempre deram bons exemplos de integração no nosso país tenham tempo para estar com os seus filhos, para lhes passarem os princípios e saber ancestrais das suas culturas. Porque todos temos a aprender com qualquer cultura... todos temos o dever de ajudar. E cumprimos na maior parte dos casos pagando os nossos impostos. Agora cabe ao poder político a organização de clubes, associações, chamem-lhes o que quiserem que ajudem esta gente a tornar-se brilhante em vez de delinquentes. Tenho a certeza que não hão-de faltar voluntários para ajudar neste trabalho.

11 julho, 2008

Me and Bobby Mc Gee - Janis Joplin (clica aqui)

Freedom's just another word for nothin' left to lose
Nothin', an' that's all that Bobby left me, la da
Oh, feelin' good was easy, Lord, when he sang the blues
Yeah, feelin' good was good enough for me, oo oo
Good enough for me and my Bobby Mcgee


A náusea


“Os homens. É preciso amar os homens. Os homens são admiráveis. Sinto vontade de vomitar - e de repente aqui está ela: a Náusea.Então é isso a Náusea: essa evidencia ofuscante? Existo - o mundo existe -, e sei que o mundo existe. Isso é tudo. Mas tanto faz para mim. É estranho que tudo me seja tão indiferente: isso assusta-me .Gostaria tanto de me abandonar, de deixar de ter consciência de minha existência, de dormir. Mas não posso, sufoco: a existência penetra em mim por todos os lados, pelos olhos, pelo nariz, pela boca… e subitamente, de repente, o véu rasga-se: compreendi, vi.
A Náusea não me abandonou, e não creio que me abandone tão cedo; mas já não estou submetido a ela, já não se trata de uma doença, nem de um acesso passageiro: a Náusea sou eu.”

(Jean Paul Sartre)

A náusea


Todos ou quase todos sabemos que muita gente neste pequeno país fez carreira à custa de se inscrever nos partidos políticos do poder. Havia até quem fosse conhecido como "rolha". Eram aqueles que iam mudando de partido conforme aquele que estava no poder. Já passaram 30 anos, muita dessa gente está reformada com bons proventos e passeia-se por aí com o ar mais inocente deste mundo, como se tivesse chegado onde chegou por competência e não por partidarismo. Muitos destes recusam-se hoje a aceitar que estiveram de algum modo ligados a partidos políticos e que foi assim que chegaram onde hoje estão. Outros estão aposentados e continuam a "trabalhar" com chorudos ordenados. Daqui a uns anos, quando estiverem totalmente retirados da vida activa, deverão fazer o mesmo: renegar o passado.
Esta gente provoca-me náuseas. Provoca náuseas a quem esteve empenhado na luta pela liberdade e não se deixou seduzir pelos jogos de poder, preferindo manter uma vida simples, um trabalho honesto e empenhado, embora mal remunerado.
O que me chateia é que isto não vai ficar por aqui. Os partidos continuam a apoiar os seus militantes para cargos onde pouco ou nada fazem e ganham à custa dos contribuintes que acabam por financiar a boa vida de toda esta gente. Porque não se pense que é uma meia dúzia... são às centenas, talvez aos milhares. E o pior de tudo é que muito poucos conseguem ser competentes e justificar os ordenados chorudos.

10 julho, 2008

Clandestino - Adriana Calcanhoto (clica aqui)

Pa' una ciudad del norte
Yo me fui a trabajar
Mi vida la dejé
Entre Ceuta y Gibraltar

Soy una raya en el mar
Fantasma en la ciudad
Mi vida va prohibida
Dice la autoridad

Visão


Nas correntes frias onde morre a luz dos astros,
e entre os gritos rápidos dos condenados, encontrei o reflexo
de um amor antigo. Deixou-me um gosto de sangue nos dentes,
os lábios gretados num roxo de ânsia.
Rasgou-me a alma
num seco crepitar de papel. Estava imóvel, encostado aos ventos
e às marés, e o seu corpo exalava o cheiro húmido dos litorais. Falava
baixo, num segredo de sombra, num horizonte de bocas sem alegria,
arrastando a voz num sussurro de litania. Fiquei de longe,
a olhar, enquanto o sol nascia.


(Nuno Júdice)

Mais uma vez os clandestinos...


Gostaria de não ter que voltar a falar da tragédia dos clandestinos africanos que tentam alcançar o sonho europeu que se transforma muitas vezes (demasiadas), no pior dos pesadelos. As mortes ocorridas na costa espanhola em embarcações vindas do Norte de África esta semana são, como disse Zappatero uma tragédia, um desespero a que é preciso dar resposta. E a resposta está em resolver os problemas em África. É inadmíssivel que num jantar dos G8 se gastem fortunas só em garrafas de vinho, quando todos sabemos que apenas com € 5,00 se cura um doente com lepra (que existe em África aos milhares). É inadmíssivel, é chocante é uma vergonha para os países mais ricos do mundo que gastam fortunas num só jantar que daria para alimentar centenas de pessoas em África por vários dias. É que, para quem não sabe, a alimentação dos africanos é baratíssima. Mas é claro que todos sabemos disto, não é novidade. Assim como não é novidade a atitude dos G8.
Seria muito bom que não tivesse que voltar aqui para falar destas tragédias que à força de acontecerem com tanta frequência, deixam de ser tragédias e passam a fazer parte do comum de todos os dias.
É a vida infelizmente. São notícia todos os dias as mortes por acidentes, por erros médicos por desastres ambientais, mas a morte de africanos no mar começa a passar-nos ao lado. E não devemos deixar que isso aconteça. Hoje morreram nove crianças africanas cujos pais tentavam chegar com elas à Europa. Não se percebe como conseguem sobreviver estes africanos. Mas a verdade é que nos seus países também não sobrevivem. Conheço um senegalês que é bibliotecário. Tirou uma licenciatura e esteve durante 3 anos a trabalhar em Lisboa na construção civil. Teve a sorte de conseguir que um professor português em Dakar conseguisse que ele voltasse para trabalhar na Universidade daquela cidade...
Sabemos que há muita gente de leste a trabalhar em Portugal em empregos mal remunerados, como domésticas ou na construção civil ou fazendo outros trabalhos que os portugueses não aceitam. Gente qualificada, com cursos superiores que fazem qualquer trabalho para sobreviver. Sei que esses também tiveram que deixar os seus países para poderem sobreviver... mas os riscos que correm mesmo para entrar clandestinamente noutros países mais desenvolvidos é quase inexistente.
Não podemos deixar que o drama dos clandestinos africanos continue. Zappatero tem razão. É preciso, é urgente, é para ontem, ajudar África a tornar-se independente do resto do mundo.
É preciso que se concretize em África o provérbio chinês: temos que os ensinar a pescar em vez de lhes dar peixe.

09 julho, 2008

A Formiga no Carreiro - Jacinta canta Zeca Afonso (clica aqui)

A formiga no carreiro
vinha em sentido contrário
Caiu ao Tejo
ao pé de um septuagenário
Lerpou trepou às tábuas
que flutuavam nas águas
e do cimo de uma delas
virou-se para o formigueiro
mudem de rumo
já lá vem outro carreiro