09 julho, 2008

Poema antigo


O homem que percorro
com as mãos

e a lua que concebo
na altitudedo tédio


o oceano
penso paralelo — ventre
à praia intata
das janelas brancas
com silêncio

ciclamens-astros
entre as vozes que calaram
para sempreo verbo — bússola
com raiz — grito de relevo

O homem que percorro
com as mãos

a estátua que consinto

a lua que concebo.

(Maria Teresa Horta)

Coisas que eu penso.


O ser humano é de tal maneira imprevísivel nas suas reacções que considero impossível alguém conhecer outra pessoa como muitos acreditam conhecer como "a palma da sua mão". Que de resto é outra coisa que ninguém conhece... bem pode ser que alguma ciganas conheçam bem a palma das próprias mãos, afinal são sabedorias ancestrais herdadas através dos genes. Vejam bem a quantidade de coisas que eu sei acerca de ciências ocultas. Logo eu que não acredito em nada disso.
Mas esta prosa vem a propósito da notícia do assalto a um Tribunal de onde foi retirada uma caixa multibanco. Afinal os ladrões não eram assim tão perversos nem divertidos. Apenas assaltaram uma dependência bancária electrónica, não é? Mas provaram que é fácil assaltar um Tribunal, roubar ou destruir um ou vários ou mesmo todos os processos. Há por aí uns senhores que se calhar agora hão-de pensar seriamente em contratar profissionais deste calibre para se safarem de processos que se encontram em curso, contra eles...
Mas também não era nada disto que eu queria dizer. São os meus dedos que desatam a andar por aqui fora e não me deixam dizer o que me vai na cabeça.
O que eu queria mesmo dizer é que considerando-me eu uma cidadã de honestidade a toda a prova, incapaz de aceitar qualquer suborno por pequeno que seja, dei comigo a pensar que deve ser bem divertido assaltar bancos e ainda mais divertido levar as caixas multibanco quase debaixo do braço...
Coisas que eu penso.

08 julho, 2008

O Que Faz Falta - Jose Afonso (clica aqui)


Quando um cão te morde a canela
O que faz falta
Quando a esquina ha sempre uma cabeça
O que faz falta
O que faz falta é animar a malta
O que faz falta
O que faz falta é empurrar a malta
O que faz falta

Cântico do país emerso


Os previdentes e os presidentes tomam de ponta
Os inocentes que têm pressa de voar
Os revoltados fazem de conta fazem de conta...
Os revoltantes fazem as contas de somar.

Embebo-me na solidão como uma esponja
Por becos que me conduzem a hospitais.
O medo é um tenente que faz a ronda
E a ronda abre sepulcros fecha portais;

Os edifícios são malefícios da conjura
Municipal de um desalento e de uma Porta.
Salvo a ranhura para sair o funeral
Não há inquilinos nos edifícios vistos por fora

Que é dos meninos com cataventos na aérea
Arquitetura de gargalhadas em cornucópia?
Almas bovinas acomodadas à matéria
Pastam na erva entre as ruínas da memória,

Homens por dentro abandalhados em unhas sujas
Que desleixaram seu coração num bengaleiro;
Mulheres corujas seriam gregas não fossem as negras
Nódoas deixadas na sua carne pelo dinheiro;

Jovens alheios à pulcritude do corpo em festa
Passam por mim como alamedas de ciprestes
E a flor de cinza da juventude é uma aresta
Que me golpeia abrindo vácuos de flores silvestres

E essa ansidedade de mim mesma me virgula
Paula de pátria entressonhada. É um crisol.
E, o fruto agreste da linfa ardente que em mim circula
Sabe-me a sol. Sabe-me a pássaro. Pássaro ao sol.

Entre mim e a cidade se ateia a perspectiva
De uma angústia florida em narinas frementes.
Apalpo-me estou viva e o tacto subjectiva-me
a galope num sonho com espuma nos dentes.

E invoco-vos, irmãos, Capitães-Mores do Instinto!
Que me acenais do mar com um lenço cor da aurora
E com a tinta azulada desse aceno me pinto.
O cais é a urgência. O embarque é agora.

(Natália Correia)

34 anos passados... tudo como antes.


Por volta do fim doas anos 60, início de 70, quando a mini saia começou a ser usada em força em Angola, uma professora de francês provocou um escândalo quando apareceu no seu local de trabalho com uma mini saia vestida. A estória deu direito a reportagem, a primeiras páginas, o diabo a sete... mas pouco a pouco as mulheres foram aparecendo cada vez mais com saias acima do joelho nos seus locais de trabalho. Bem sei que se estava em África onde as mentalidades sempre foram mais abertas, deve ter a ver com o espaço aberto existente naquele continente... não sei. Talvez seja do clima... o que eu sei é que muitos funcionários públicos iam trabalhar sem gravata e ninguém os chateava por isso. Não me lembro sequer de ter visto o meu pai ir trabalhar de fato e gravata... olha que menino!
Pois passados 34 anos sobre uma revolução que atirou com este pedacinho de país que é o nosso para o mundo, 34 anos depois de vermos fotos lindas de jovens e menos jovens beijarem-se, abraçarem-se, sem medo de serem interrompidos pela polícia, 34 anos depois, começamos a regredir. São pequenas coisas que se vão juntando para voltar a fazer deste país um país de retardados...
Na administração pública há funcionários proibidos de ir trabalhar como sempre foram. Não são apenas chamados à atenção. Ficam a perceber que se não cumprirem o que lhes é exigido serão de alguma maneira "marcados". Não importa se trabalham bem ou não... importa que andem vestidos ao gosto dos seus superiores.... e mais nada!
Eu cá por mim estou à espera que chegue a minha vez de ser chamada... Há 32 anos aconteceu-me isso em Ponta Delgada e fui eu quem ganhou. Não há nada na lei que me obrigue a abdicar da minha maneira de vestir, desde que não ultrapasse as regras do decoro... mas há gente com muito decoro e pouco bom senso. É o que é!

07 julho, 2008

Outros sonhos - Chico Buarque (clicar aqui)

Eu sei que o sonho era bom
Porque ela sorria
Até quando chovia
Guris inertes no chão
Falavam de astronomia
E me jurava o diabo
Que Deus existia

Contemplo o lago mudo


Contemplo o lago mudo
Que uma brisa estremece.
Não sei se penso em tudo
Ou se tudo me esquece.

O lago nada me diz,
Não sinto a brisa mexê-lo
Não sei se sou feliz
Nem se desejo sê-lo.

Trêmulos vincos risonhos
Na água adormecida.
Por que fiz eu dos sonhos
A minha única vida?

(Fernando Pessoa)

Em nome dos que amam Lisboa (mesmo sem procuração)


Lisboa é uma cidade cheia de problemas. Não estou aqui para falar do incêndio de ontem num edifício devoluto da Av. da Liberdade em Lisboa. Existem mais 4000 nas mesmas condições em Lisboa, para não falar dos que estão em situação deveras periclitante e habitados por gente honesta que paga as suas rendas de casa por pequenas que sejam e que todos compreendemos que não chegam para fazer as obras necessárias porque a maioria dos senhorios também são gente que vive dos seus salários, herdaram os edifícios e a conservação é cara. Houve aqui há uns anos um programa de recuperação de casas feito em conjunto com a Câmara e que pelos vistos deu resultado. A casa em que a minha avó morava em Alfama sofreu obras ao abrigo desse programa e ficou como nova, embora não fosse um das piores, antes pelo contrário, mas a verdade é que ficou uma casa moderna por dentro... é claro que a minha avó morreu pouco tempo depois e a casa há-de ter sido alugada por um valor superior ao que vale na realidade, como todas as casas neste país. Mas foi menos um edifício a entrar em processo de ruína...
Mas como eu disse ao princípio, eu hoje só queria pedir ao senhor António Costa (nome bem português por sinal) que mandasse lavar as ruas da cidade de Lisboa. Aqui há poucos meses dei uma queda feia e andei cheia de dores durante quase dois meses, fora o dinheiro que gastei em consultas, exames e medicamentos. Se fosse em NY teria apresentado queixa e recebia uma indemnização valente pelos danos que me foram causados.
Hoje, ao descer a bela Rua do Alecrim em Lisboa escorreguei de novo. Só não caí porque já tenho muito cuidado. Mas quem olha para as calçadas de Lisboa em vez de olhar a paisagem, corre o risco de vomitar tal é a porcaria que se encontra no chão.
Portanto, venho hoje aqui pedir ao senhor António Costa se não pode tirar umas verbazinhas do dinheiro que às vezes é tão mal gasto para proceder à limpeza regular da cidade. Lisboa merece. Os habitantes, trabalhadores e turistas agradecem... e verá que até recomendam.
Obrigadinha e desculpe lá este incómodo, mas é que acho que da próxima vez que cair meto um processo judicial por danos à Câmara, e assim evitam-se inconvenientes para todos que eu até nem tenho muita paciência para a lentidão da nossa justiça.

06 julho, 2008

Pra ser Sincero - Marisa Monte - (clica aqui)

E agora é tanto amor
Me abrace como foi
Te adoro e você vem comigo
Aonde quer que eu vôe...

E o que passou, calou
E o que virá, dirá
E só ao seu lado
Seu telhado
Me faz feliz de novo...

Murmúrio


Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.
Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.
Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!
(Cecília Meireles)

Vida de errante


Pois eis-me de volta. Uma semana de trabalho pela frente e terei tempo para errar por aí, feita nómada, bisbilhotando, fotografando, redescobrindo sítios e conhecendo outros novos.
Muitas vezes estamos tão perto dos sítios que sabemos terem interesse mas a verdade é que o tempo não dá para tudo. É preciso revisitar as mesmas zonas para descobrir novos sítios. E foi isso que eu fiz nestes dias de fim de semana: revisitei a costa vicentina que ainda não tem turistas a mais, se bem que em Vila Nova de Milfontes a minha visita foi entrada por saída porque já tem gente a mais para o meu gosto. E assim fui seguindo mais para sul, alojei-me na Zambujeira do Mar, fiz praia quando pude e andei a meter o nariz em todos os cantos que pude, sempre que pude, descobrindo sempre paisagens lindíssimas, comendo peixe e marisco frescos, acompanhando com a minha imperial que é a única bebida com álcool que bebo e mesmo assim só no Verão quando a comida chama por ela.
Por isso, lá fui e voltei. Só. Desta vez tanto o Alfredo quanto o Joaquim recusaram-se a fazer-me companhia. Tive que me contentar com as conversas comigo mesma que são daquelas que considero mesmo aquilo de que preciso para me sentir, para fazer de mim uma pessoa melhor. Pensar nos erros, repensar para não voltar a repetir.
Agora é só esperar que a semana passe... e fico livre para fazer o que me der na gana.
Entretanto a foto acima foi tirada nas Azenhas do Mar onde existe um restaurante com o mesmo nome, no meio do nada ou do quase nada, que já foi mais barato do que é, mas que continua servir muitíssimo bem. Recomendo. Até porque a paisagem é o que podem apreciar.

03 julho, 2008

Gone - Jack Johnson and Ben Harper (clica aqui)


look at you out to make a deal
you try to be appealing but you loose your appeal
what about those shoes youre in todaythey
ll do no good on the bridges youve burnt along the way
you willing to sell anything,
gone with your herdleave your footprints and well shame them with our words
gone people all careless and consumed, gone
gone going gone everything gone give a damn
gone be the birds if they dont want to sing
gone people all awkward with their things, gone

Ronda


Na dança dos dias
meus dedos bailaram...
Na dança dos dias
meus dedos contaram
contaram, bailando
cantigas sombrias...

Na dança dos dias
meus dedos cansaram...

Na dança dos meses
meus olhos choraram
Na dança dos meses
meus olhos secaram
secaram, chorando
por ti, quantas vezes!

Na dança dos meses
meus olhos cansaram...

Na dança do tempo,
quem não se cansou?!

Oh! dança dos dias
oh! dança dos meses
oh! dança do tempo
no tempo voando...

Dizei-me, dizei-me,
até quando? até quando?

(Alda Lara)

Um quase fim do mundo


Não se sabe para quantos sequestrados das FARC o mundo acabou. Para os que como Ingrid Bettancourt forma libertados, foi quase o fim do mundo... mas escaparam.
Acabei hoje precisamente de ler "O quase fim do Mundo" de Pepetela, Pepe para o António e também para mim. Um romance muito diferente de tudo o que Pepe tem escrito. Magistralmente imaginado, muito bem escrito, suficientemente europeísta na sua linguagem para ser entendido por todos. Até por aqueles que, sendo licenciados acham que a palavra errante significa aqueles que comentem erros. Não. Não estou a brincar. Foi preciso recorrer ao dicionário para tirar as teimas daquelas cabecinhas pensadoras e eu fiquei a pensar de que serve esta qualidade de ensino? A quem serve?.
Continuando. A estória é simples. Um grupo de noruegueses funda uma religião e decide fazer uma limpeza étnica. Acabar com o mundo e escolher 10.000 pessoas comprovadamente caucasianas, sem qualquer outro tipo de mistura. Para isso constroem uma gruta onde essas pessoas estariam resguardadas por amianto, das armas estrategicamente colocadas pelo mundo fora para exterminar todos os seres humanos sem deixar rastro. Preservam também algumas espécies de flora e fauna na gruta.
Só que num pequeno território de África, na cidade de Calpe que julgo ser ficcionada, resistem ao ataque, um médico, uma fanática religiosa, uma adolescente de 16 anos, um maluco, um ladrão e um pequeno sobrinho do médico. Todos são africanos embora de etnias diferentes. Não longe dali, uma norte americana que estuda o comportamento sexual dos gorilas também fica vendo desaparecer à frente dos seus olhos aquele pequeno grupo de animais já em vias de extinção. Mais tarde encontra um "boer" (branco sul africano, descendente dos colonos e mal visto por negros e brancos, como se tratando de um branco de segunda) que ela pensa ser mercenário e partem dali em busca de vida noutras paragens. Encontram-na em Calpe. O pequeno grupo, a que mais tarde se junta também um pescador, uma bela e jovem etíope e um curandeiro.
Uma vez que o "boer" tem brevet começa a sobrevoar a região e vai descobrindo mais algumas pessoas que tenta "empurrar" para Calpe.
O resto, as estórias de amor surgidas entretanto, as viagens por uma Europa completamente deserta onde descobrem a pista para o que aconteceu numa coluna da praça do Vaticano fica para lerem o romance.
Os 10.000 escolhidos não sobreviveram apesar do amianto. E a humanidade recomeça a formar-se com gente de todas as cores (ou quase)... afinal na estória faltam asiáticos, chineses, índios, esquimós...
Um livro para ler. Que acabei numa altura tão feliz. Depois de ter visto Ingrid Bettancourt bem melhor do que imaginava... agora só falta mesmo resgatar todos os outros sequestrados pelas FARC. E não só.
Para os "habitués" deste espaço informo que estarei ausente uns dias. O Verão chegou e portanto a altura de me tornar errante... por aí, sempre perto do mar.

02 julho, 2008

No One - Alicia Keys (clica aqui)


You and me together
Through the days and nights
I don't worry 'cause
Everything's gonna be allright
People keep talking
They can say what they like
But all I know is
Everything's gonna be allright

Nunca a alheia vontade...


Nunca a alheia vontade, inda que grata,
Cumpras por própria. Manda no que fazes,
Nem de ti mesmo servo.
Ninguém te dá quem és. Nada te mude.
Teu íntimo destino involuntário
Cumpre alto. Sê teu filho.
(Fernando Pessoa)

Ingrid Bettancourt e o meu quotidiano...


Finalmente Ingrid Bettancourt foi libertada. É notícia de última hora por isso hão-de perceber que são mesmo os meus dedos que me guiam por esta página. Ao fim de 6 anos de sequestro a ex candidata à presidência da república da Colômbia é libertada. Pelas últimas imagens que vi há já uns meses, diria que ela já estava muito mal. Pergunto-me agora se ainda há tempo para a lutadora nata que foi impedida entre outras coisas de viver e ver crescer os seu filhos que vivem em França com o pai e que se têm manifestado publicamente, apelando de lágrimas nos olhos, às FARC para que libertassem a sua mãe, bem como todos os sequestrados nas mãos daquela guerrilha que não passa de um bando de raptores e extorsionistas. Para mim são terroristas. E infundir o medo seja a quem for é uma extorsão da liberdade.
Portanto agora passo a assuntos bem mais leves. Hoje uma colega de Bragança esteve imenso tempo ao telefone tentando que eu fosse localizada. Só a 15ª pessoa se lembrou que a minha equipa tinha mudado de instalações e conseguiu localizar-me. Portanto a colega de Bragança passou a chamar-me a 16ª ou seja, aquela que finalmente percebeu o que ela queria e resolveu o problema (isto ela só vai saber amanhã quando chegar ao serviço e consultar o sistema informático).
Mas com muita piada, foi ligando ao longo do dia e tratando-me sempre por 16ª!. E na ultima chamada disse logo que, amanhã assim que chegasse ao emprego ia ver se o problema estava resolvido... e que se não estivesse me ligava outra vez. Mas que se já estivesse resolvido (como felizmente está) me ligava na mesma porque tinha gostado muito de conversar com a 16ª!
Fico à espera: que a 16ª me ligue e que Ingrid Bettancourt ainda consiga viver alguns anos felizes depois do inferno que viveu durante 6 anos...

01 julho, 2008

Voz Amália de Nós - António Variações (clica aqui)

Fiz das tuas lágrimas a despedida
Fiz dos teus braços a minha dança
Dei o teu sentido à minha vida
E o grito dei-o ao nascer de uma criança

Todos nós temos Amália na voz
E temos na sua voz
A voz de todos nós

Prefiro rosas, meu amor


Prefiro rosas, meu amor, à pátria,
E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.

Logo que a vida me não canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.

Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outro vença,
Se a aurora raia sempre,

Se cada ano com a Primavera
As folhas aparecem
E com o Outono cessam?
E o resto, as outras coisas que os humanos
Acrescentam à vida,
Que me aumentam na alma?

Nada, salvo o desejo de indiferença
E a confiança mole
Na hora fugitiva.

(Fernando Pessoa)

O povo tem sempre razão


Não faço ideia se os governos, quero dizer os Estados também têm anjos da guarda como o comum dos mortais. Não se riam. Eu seu sei que não acredito em nada mas que o meu anjo da guarda é muito forte lá isso é, há até peritos na matéria que dizem que é o mais poderoso da sua classe. Só não menciono o nome é porque não sei muito bem o que chateia os anjos da guarda e tenho medo que ele não goste de ser nomeado assim, até pode parecer uma falta de respeito sei lá...
A verdade é que se os Estados tivessem anjos da guarda como deve ser estavam as economias mundiais muito melhor. É que o meu anjo da guarda salvou-me de uma doença grave e hoje que fui fazer o último exame (assim espero pelo menos) o médico deu-me os parabéns porque não tinha nunca assistido a uma recuperação tão rápida e eficaz de alguém na minha situação. Eu sei que foi o meu anjo da guarda que apesar de não me ter convencido imediatamente a ir ao Hospital, ainda assim teve pena aqui da teimosa e depois fez o que podia e o que não podia para me pôr "comme il faut".
Já os eurocratas pelos vistos não têm anjos da guarda. Já não lhes bastava o povo Irlandês dizer não ao tratado (o que deveria ser o suficiente para acabar com o mesmo, uma vez que era isso que estava combinado, mas isto já se sabe o que vale a palavra de um político...) vem agora o presidente da Polónia dizer também que não ratifica o Tratado de Lisboa, apesar de já lá ter botado duas assinaturas... Pensando bem, o povo tem sempre razão: ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão. Neste caso político que aldraba político tem cem anos de perdão.