14 agosto, 2007

Allez, allez!

Hoje não sei muito bem o que tenho para dizer. O dia correu bem, mas não acabou como eu planeei. A maré estava cheia ao fim da tarde e não havia areia na praia de que gosto. É demasiado pequena, quando as marés são grandes não resta areia, pronto paciência, acabei por dar uma volta de carro, precisava de relaxar, e conduzir, sobretudo à beira mar relaxa-me, faz-me bem. Sobretudo agora em Agosto quando todos estão fora da cidade e arredores e os que estão (que são cada vez mais) estão entocados em casa... por falar nisso, alguém me pode explicar porque é que os reformados continuam a fazer férias em Julho e Agosto como quando estavam no activo, quando os outros meses até são muito mais baratos? Não. Não estou a falar de férias na praia mas de visitas a cidades ou mesmo idas para o Brasil ou destinos semelhantes que são muito mais atractivos noutras alturas do ano... Se alguém me souber explicar (tirando essa de que o homem é um animal de hábitos, claro, que essa até eu descortino) faça favor de me dizer que eu gostava mesmo de saber.
É claro que quem ganha com com isto são os que como eu fazem férias lá fora nos períodos mais calmos. Sai muito mais barato e, como quem como eu não faz parte das 100 maiores fortunas portuguesas tem que deitar o olho a estas oportunidades...

Acho que por hoje já falei demais... é claro que devem ir de férias nesta altura, só os parvos como eu é que não vão, não prestem atenção às patetices que invento e deixem-me ir de férias em Outubro, princípios de Dezembro, Março, Maio... Allez, allez!

13 agosto, 2007

Et maintenant - Gilbert Becaud (clica aqui)

Et maintenant que vais-je faire
Vers quel néant glissera ma vie
Tu m'as laissé la terre entière
Mais la terre sans toi c'est petit
Vous, mes amis, soyez gentils
Vous savez bien que l'on n'y peut rien
Même Paris crève d'ennui
Toutes ses rues me tuent

Sobre a pintura de um ramo florido - "Primavera Precoce", de Wang

1958 Poster by Salvador Dali

Quem disse que a pintura deve parecer-se com a realidade?
Quem o disse vê com olhos de não entendimento
Quem disse que o poema deve ter um tema?
Quem o disse perde a poesia do poema
Pintura e poesia têm o mesmo fim:
Frescura límpida, arte para além da arte
Os pardais de Bain Lun piam no papel
As flores de Zhao Chang palpitam
Porém o que são ao lado destes rolos
Pensamentos-linhas, manchas-espíritos?
Quem teria pensado que um pontinho vermelho
Provocaria o desabrochar da primavera?

(Su Dong Po)

Até logo.

Faltas-me tanto, pai! Tanta coisa que tenho para te dizer, tanta coisa que te digo... mas deixas-me assim, sem respostas, pai. Eu sei que não é porque queiras. Eu sei, pai. Não estou zangada contigo. Nunca me zanguei contigo. Nem quando me negaste a mota. Lembras-te? Pedi-te uma mota, todos os meus amigos tinham e tu olhaste para mim e disseste que não podias, porque não tinhas dinheiro. Fiz beicinho, disse que sabia bem que tinhas, que nunca me tinhas dado um presente que se visse... ainda não sabia nessa altura que os presentes não importam, descobri-o pouco depois, e tu replicaste que realmente para a mota tinhas dinheiro mas não tinhas para o meu funeral. E foi remédio santo, nunca mais te pedi nada. E não era preciso, pai, porque tu sempre me deste aquilo de que eu mais precisava... estavas presente mas nas tuas ausências prolongadas. Ainda guardo as cartas que me escreveste quando eu era miúda. Acho que foste tu que descobriste que eu gostava de escrever. Nunca deixavas uma carta minha sem resposta. Cartas de amor pai. Mesmo quando discutíamos o meu futuro, quando tu querias que eu fosse para um lado e eu ia para outro... eu bem te disse pai, isso ensinei-te, os conselhos se fossem bons não se davam, vendiam-se! Mas mesmo assim eu gostava de te perguntar a opinião. É claro que começavas logo por dizer, estás a perguntar para depois fazeres o que te apetece... e era pai, mas eu precisava de falar contigo, como preciso hoje. Tanta coisa para resolver e eu não sei como pai. Não quero magoar ninguém, não quero aumentar os problemas de ninguém, pai... tu sabes que eu tenho horror a maçar seja quem for é por isso que te escrevo, para ver se assim alivio este fardo a que não sei o que fazer.
Porque tu já não estás aqui, pai, apesar de ter vestido o teu pólo azul, aquele de que gostavas muito por ser fresquinho, apesar disso pai, não tenho respostas. Só o alívio de te ter aqui mais perto de mim.
Obrigada pai. Até logo.

12 agosto, 2007

La Solitude - Léo Ferré (clica aqui)

La solitude...
Le Code civil nous en parlerons plus tard.
Pour le moment, je voudrais codifier l'incodifiable.
Je voudrais mesurer vos danaïdes démocraties.
Je voudrais m'insérer dans le vide absolu et devenir le non-dit, le non-avenu, le non-vierge par manque de lucidité.
La lucidité se tient dans mon froc.



Súplica



Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

(Miguel Torga)

Um dia volto!

Desembarco em Malta numa quinta feira do mês de Setembro de 2001. Os atentados às torres gémeas foram decisivos para eu me decidir a ir naquela altura a Malta. Queria muito conhecer o país há bastante tempo, mas depois de ter lido um romance que a filha de Pepe me emprestou A deusa Sentada de Helena Marques a vontade aumentou e decidi partir naquela altura porque sabia que para além de conhecer a ilha ia assistir ao desfile bélico dos EUA em direcção ao Afeganistão... afinal Malta fica em caminho e sempre foi plataforma para guerras...
Como dizia desembarco com 5.000$00 que aliás ainda hoje não percebo porque levantei no aeroporto de Lisboa antes de embarcar... daquelas coisas que nos parecem sem sentido mas se até a vida há-de ter um sentido, como não acreditar no sentido dos pequenos gestos? Enquanto espero pelo resto das pessoas que usariam o mesmo autocarro para o transfer dos diversos hotéis, dirijo-me a uma caixa multibanco para levantar liras maltesas... e vou metendo cartão após cartão e todos me dizem que não tenho saldo... começo a ficar nervosa, balha-me deus, puxo de um cigarro apesar de todas as proibições nas paredes (uma quantidade de gente andava por ali a fumar, acho que aquilo não era para levar a sério) e observo a mesma cena a acontecer a diversas pessoas que se dirigiam à caixa multibanco. Então pensei que a caixa estava avariada e fiquei mais descansada.
Finalmente chega um casal de ingleses, metemo-nos todos no mini bus e dirigimo-nos para os hotéis. Eles ficaram primeiro e eu fui a última a sair em Sliema. Entro no quarto e fico encantada. Parece um quarto de casa, não de hotel. Um guarda roupa dos antigos, uma cama das antigas, mesas de cabeceira à antiga, tudo fazendo parte do mesmo conjunto, mais uma escrivaninha. Abro a janela e entro numa varanda com vista para a baía de Sliema e fico encantada... sei que vou ter que me encontrar com alguém no hotel às 18 horas, o guia que me foi destinado mas tenho tempo para dar um giro e decido sair. À medida que avanço pela marginal de Sliema vou tentando levantar dinheiro em todas as caixas multibanco, mas nada: a mensagem é sempre a mesma: não tenho saldo.
De regresso ao hotel exponho o meu problema ao recepcionista de serviço, homem para os seus 60 anos que fica encantado quando sabe que sou portuguesa. Esteve cá a seguir à revolução, lembra-se sobretudo de Sintra e elogia o meu inglês. Explica-me que as caixas multibanco da ilha só funcionam à hora de expediente dos bancos, que não fique preocupada que amanhã conseguirei com certeza levantar dinheiro. Peço-lhe então que me troque os 5000$00 para poder jantar o que ele faz a um câmbio perfeitamente exorbitante...
Entretanto chega o meu guia. Explico-lhe que não vou precisar dos seus serviços que gosto de passear sozinha e ele diz-me que não há problema, em Malta posso até entrar em discotecas sozinha que ninguém me arranjará problemas (aqui enganou-se mas ele há excepções para tudo nesta vida!) Dá-me o número de telefone caso precise e sai.
No dia seguinte começo as minhas incursões pela ilha. Uma mistura interessante de árabes e italianos sobretudo, com alguns ingleses pelo meio. Os autocarros a cair de podre, com bancos arrancados e conduzidos por homens com a barba por fazer de 3 dias mas de uma simpatia sem igual... uma gente acolhedora, fantástica, meiga, do melhor que tenho encontrado no pequeno mundo que conheço fora do meu mundo de todos os dias...
Ah! já me esquecia: é claro que no dia seguinte consegui levantar dinheiro e a angústia de não saber como iria comer durante 7 dias num país desconhecido desapareceu para dar lugar ao encantamento e ao regresso todos os dias à encantadora capital La Valleta.
Um dia hei-de voltar, isso é certo!

11 agosto, 2007

Try - Nelly Furtado (clica aqui)

all of the moments that already past
try to go back and make it last
all of the things we
want each other to think
we never will be
we never will be as wonderful
thats love
thats you baby, this is me baby
we are, we are, we are, we are, we are, we are,
in love, we are in love
try



Ao longo da muralha



Ao longo da muralha que habitamos
Há palavras de vida há palavras de morte
Há palavras imensas,
que esperam por nós
E outras frágeis,
que deixaram de esperar
Há palavras acesas como barcos
E há palavras homens,
palavras que guardam
O seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
As mãos e as paredes de Elsenor

E há palavras e nocturnas palavras gemidos
Palavras que nos sobem ilegíveis
À boca
Palavras diamantes palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever
Por não termos connosco cordas de violinos
Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
E os braços dos amantes escrevem muito alto
Muito além da azul onde oxidados morrem
Palavras maternais só sombra só soluço
Só espasmos só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
E entre nós e as palavras, o nosso dever falar.

(Mário Cesariny)

Deu-me uma pena!

Hoje lembrei-me de nós. Dos quase 18 anos que passámos juntos sem nos cansarmos um do outro. Quando nos cansámos acabou. E assim é que está certo. Não prolongar relações que estão mais do que acabadas por comodismo, por medo de magoar, pelos filhos, pela imagem pública, eu sei lá. Foi por isso que eu nunca quis reatar. Sabes isso não sabes? Foi tão bonito, tão único, tão especial o que tivemos que não seria possível repetir. E para ter pior mais vale não ter nada.
Eu sei que não pensas assim. Que tentaste tudo durante muito tempo porque pensaste que podíamos ter aquela paixão de volta. Mas sabes... há coisas que não se repetem. São únicas e por isso é que são tão preciosas. O tempo foi passando, a mágoa desapareceu e agora só fica a lembrança dos bons momentos. Sem saudades que essas também não fazem falta nenhuma num caso destes. Cada um de nós seguiu o caminho que tinha a seguir e pronto.
Mas vou dizer-te porque me lembrei de nós. Estavam na praia vários casais, uns muitos jovens outros nem por isso e outros ainda, mesmo já assim para o fora de prazo, sabes como é. Pois acreditas que não vi ninguém tocar-se como nós nos tocávamos constantemente? Não. Afastados, cada um na sua toalha com uma língua de areia a separá-las. Nada de intimidades, de gestos de ternura de olhares meigos. Cada um ia à agua à vez como se alguém tivesse que ficar a guardar as toalhas... deu-me uma tristeza que não te passa pela cabeça... Será que quando estão a sós eles lêem o jornal e elas vêem as novelas? ou coisa que se pareça? Fiquei com a ideia que são casais daqueles que não vão de férias sozinhos, têm que levar outros casais para não morrerem de tédio um com o outro...
Já viste a sorte que tivemos? Que não se repetirá tenho a certeza, para nenhum de nós, porque cada um daqueles momentos foi único e só a nós podia pertencer... mas que dá pena não ver as pessoas serem realmente felizes nos seus relacionamentos com os parceiros, lá isso da!

10 agosto, 2007

The Look of Love - Diana Krall (clica aqui)

I can hardly wait to hold you,
feel my arms around you
How long I have waited
Waited just to love you,
now that I have found you

Soneto do orfeu



São demais os perigos dessa vida
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida

E se ao luar, que atua desvairado
Vem unir-se uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher

Uma mulher que é feita de música
Luar e sentimento, e que a vida
Não quer, de tão perfeita

Uma mulher que é como a própria lua:
Tão linda que só espalha sofrimento,
Tão cheia de pudor que vive nua.

(Vinicius de Moraes )

Salvou-me o tipo giro!

Pois. Podemos continuar a não falar de Madeleine? Podemos, claro!
Então falemos de um Portugal que eu pensava já ter terminado e que hoje se me revelou... pensando bem o que assisti hoje e a volta à Portugal até acabam por ser uma e a mesma coisa: o país real que eu esqueci que existia à força de me ligar aos sítios da Internet e poder escolher as minhas companhias. Pois esqueci que no fundo este pequeno país, continua pequeno, apesar das roupagens que lhe tentam enfiar... acaba por parecer vestido de farrapos: como eu!
Pois. Fui hoje à estação do oriente em Lisboa, local que conheço muito mal porque não costumo frequentar desde a longínqua Expo e às vezes uns almoços com amigos mas isso é mesmo na parque das nações frente ao rio... ali do lado norte não conhecia nada. Por isso perguntei à minha querida amiga e mãe do meu neto Daniel, que vive para aquelas bandas que me me indicasse o caminho, o que ela fez com uma sabedoria tão grande que eu fui lá ter direi tinha sem nunca me enganar pelo caminho: é obra! Pelo menos para mim...
Chegada à dita estação e uma vez que era cedo para a hora da chegada da pessoa que ia buscar, estacionei o boguinhas no parque de estacionamento subterrâneo que ali existe, com a menção de que é "barato"... pois se calhar até é mas já lá vamos...
Estacionado o meu lindo carrinho vou à procura da paragem das camionetes onde vem a pessoa que fui buscar. Vejo uma série de ruas, cada uma com indicação das empresas de camionagem respectivas. Por fim encontro a que eu pretendo. Antes disso perguntei a um tipo (procurei o mais giro que vi e fiz bem, porque além de giro era simpático) se ali se faziam as partidas e chegadas e ele disse-me que sim com um belo sorriso. Agradeci com outro sorriso e continuei até à paragem pretendida. Era cedo. Como sempre estava bem adiantada e existem por ali uns bancos corridos onde me sentei disposta a esperar.
Entretanto chega-me às narinas um cheiro bem desagradável e uma mosca teima em roçar-me a cara. Olho para o chão e está repleto de lixo: beatas, restos de bebidas e comidas, enfim... um verdadeiro esterco! Na outra extremidade do banco estava outro homem. De uns 60 anos com um aspecto vulgar... mas quando para me certificar lhe perguntei se era ali a chegada das camionetas respondeu-me com um ar de superioridade que não sabia, que "eles" só estavam interessados em vender bilhetes, que este país era uma roubalheira... às tantas até tinha razão só que eu até pago os meus impostos a tempo e horas não tenho nada que ver com a infelicidade dele... depois, parei um pouco e olhando para mim percebi porque é que o senhor me tratou tão mal: eu trazia umas calças de ganga esfarrapadas e ele deve ter pensado que era bom descarregar aqui na pedinte! Pois fez muito bem que assim já fiquei a saber como se sentem os sem abrigo quando perguntam alguma coisa aos seus concidadãos que trazem as calças com o vinco como deve ser... apetecia-me dizer "comme il faut" mas se calhar fica mal na minha nova condição... de mendiga!
Para terminar: de volta ao parque e quando fui pagar a máquina indicou € 0,80 e eu pus € 1,00 na ranhura... não me deu troco! Se calhar é por isso que o parque pode ser barato!

09 agosto, 2007

Rosas - Ana Carolina (clica aqui)

Se o teu santo por acaso não bater com o meu
Eu retomo o meu caminho e nada a declarar
Meia culpa cada um que vá cuidar do seu
Se for só um arranhão não vou nem soprar

O pastor amoroso



I


O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio


(Alberto Caeiro)

Descansar com muito descanso é o que está a dar.

Podemos não falar de Madeleine? Podemos, claro: há já tanta gente a falar do mesmo, portanto passemos adiante.
Cândido Barbosa é o mais recente herói português. Estava há pouco na praia a ouvir as notícias na rádio quando fiquei a saber que o Candito é camisola amarela pela terceira vez... como sou uma tonta nem sei bem se é a terceira vez de seguida porque o que me chamou a atenção não foi a notícia sobre o feito do nosso Candito mas a mini entrevista que lhe foi feita e em que ele dizia "amanhã vai ser o melhor dia da volta porque é um dia de descanso e eu vou descansar com muito descanso..." e continuava explicando que vai dormir com aquela camisola (a mim não me parece grande ideia Candito, que deve cheirar a suor "p'ra burro") e que por isso vai dormir descansado e amanhã vai poder estar com os amigos e comer de faca e garfo e etc., etc, outras coisas do dia a dia que não me interessam assim muito...
O que me importa realmente é saber que amanhã é o dia mais importante da Volta porque é um dia de descanso e... não te vou bater mais Candito, sabes porquê? Porque já tenho ouvido gente com muito mais responsabilidade que tu para com a língua portuguesa, cometer "gaffes" muito piores.
E desculpa lá Candito, eu não percebo nada dessa coisa da importância da terceira vitória, para mim o ciclismo acabou um pouco com o Joaquim Agostinho de quem me lembro de ouvir falar durante anos seguidos, era eu miúda e bem miúda e quando ele deu aquela malfadada queda que o matou já eu tinha os meus filhos e o mais novo já devia ter uns 3 ou 4 anos... Mas é que essa de descansar com muito descanso, sabes, achei-te graça.
E parabéns seja lá o pelo que for que faz de ti um herói do presente.

08 agosto, 2007

Hot Legs - Joss Stone & Rod Stewart (clica aqui)

Hot legs, making your mark
Hot legs, keep my pencil sharp
Hot legs, keep your hands to yourse lf
I love you honey
Hot legs, you're wearing me out
Hot legs, you can scream and shout
Hot legs, you're still in school
I love you honey

Sou de vidro



Meus amigos sou de vidro
Sou de vidro escurecido
Encubro a luz que me habita
Não por ser feia ou bonita
Mas por ter assim nascido
Sou de vidro escurecido
Mas por ter assim nascido
Não me atinjam não me toquem
Meus amigos sou de vidro

Sou de vidro escurecido
Tenho fumo por vestido
E um cinto de escuridão
Mas trago a transparência
Envolvida no que digo
Meus amigos sou de vidro
Por isso não me maltratem
Não me quebrem não me partam
Sou de vidro escurecido

Tenho fumo por vestido
Mas por assim ter nascido
Não por ser feia ou bonita
Envolvida no que digo
Encubro a luz que me habita




(Lídia Jorge)

O melhor encontro da minha vida

Foi há mais de 20 anos. Esperava um amigo no café e como sempre eu chego adiantada em contraponto com os outros que normalmente se atrasam... o que já me aborreceu bastante mas hoje nem por isso, passado um quarto de hora da hora e se a pessoa não me diz nada parto para outra e acabou. Porque sempre achei uma imensa falta de respeito não respeitar a hora dos compromissos, por muito pouco importantes que sejam... mas nessa altura eu ficava à seca um tempo extraordinário porque punha sempre a hipótese de ter acontecido um grande azar à pessoa ou um contratempo, enfim... dava o benefício da dúvida por muito mais tempo do que dou hoje. Hoje se a pessoa não aparece abalo e pronto...
Mas dizia eu que o meu amigo estava atrasado (de facto não apareceu) e ainda bem. Porque ao lado da minha mesa estava um velhote de cabelo e barba brancos, desdentado mas com um ar de verdadeiro senhor... perguntou se me podia fazer companhia uma vez que estávamos ambos sós e eu disse que sim com todo o prazer como mandam as regras da boa educação e a partir daí o encanto por aquela personagem, pelas estórias, pelas ideias que expunha foi de tal maneira grande que o dono do café teve que nos dizer que era preciso fechar a casa, porque nem eu nem ele nos apercebemos da passagem das horas...
Contei esta estória a vários familiares e amigos que acharam que eu estava a exagerar na importância que dava ao senhor, de quem afinal nem sabia o nome... tratei-o sempre por senhor e ele a mim por menina...
Para minha surpresa um dia, passado pouco tempo, a fazer zapping vejo o meu "amigo" e descubro que tinha estado a conversar uma noite inteira com o professor Agostinho da Silva. E a partir daí não mais perdi um único programa ou livro do professor...
Ando há tanto tempo para contar aqui esta estória tão simples mas vou sempre adiando... mais uma vez tenho que agradecer ao Bartolomeu: não fosse o teu último comentário e ainda não era hoje que eu falava do melhor encontro da minha vida... O dia em que fiquei a saber que "o homem não nasceu para trabalhar, mas para criar"

07 agosto, 2007

Mulheres de Atenas - Chico Buarque (clica aqui)

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Geram pros seus maridos os novos filhos de Atenas
Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito nem qualidade
Têm medo apenas
Não têm sonhos, só têm presságios
Lindas sirenas
Morenas